Sexta-feira, 30 de Abril de 2004

...como sinto...o 1º de Maio!!!...

…amanhã, é o dia, o primeiro de Maio…mais um, claro, em democracia!!!...Todos os que trabalham, de esquerdas, de centros, de direitas, partilham a alegria, a manifestação, a contestação, penso eu, excepto o patrão, porque será???...Não entendo!!!...Será que o Patrão…não trabalha???...É visível, é ridículo, é caricato…é um facto, este dia foi absorvido pelos movimentos de esquerda, com razão, não contesto, admito, pois então!!!...Porque razão???... Os de centro, os de direita, não participam neste dia de festa, de alegria, de contestação!!!...Não percebo, fico pasmado!!!...Como trabalhadores, embora com outras condições, mais elevadas, superiores, têm o mesmo direito, o de participar!!!...Porque não o fazem???...Não entendo!!!...

…vir para a rua, dar vazão à nossa alegria, despejar as nossas tristezas, gritá-las, bem alto, mostrá-las, escritas ou berradas…é de gente normal, é natural!!!...Quem se não sente, não é filho de boa gente!!!...Só assim entendo a democracia, em liberdade, em divergência, com contestação, desde que fundamentada e, quanto a mim, não há melhor dia do que este, o dia primeiro, do mês de Maio, o dia do que trabalha, do que contribui, com o seu esforço, com a sua inteligência, para o desenvolvimento equilibrado de qualquer Estado/Nação, de todos os extractos sociais, com todos os ideais, de todos os quadrantes políticos, os mais diversos!!!...

…vamos, neste dia, alvoroçar quem nos governa, gritar nossas revoltas, exigir mais justiça social, escorraçar o corrupto, o compadre da cunha, a promiscuidade, a mentira, o populismo inconsequente, a demagogia fácil, ardilosa…enganosa!!!...Mostrar que, por mim penso, queremos políticos decentes, outras gentes, exemplos, referências, de quem estamos… tão carentes!!!...Apostar, bem forte, num País diferente, mais justo…mais ajustado!!!...

…é que, já são tantos CASOS, os que se acumulam, os que nos espantam, os da incúria, do desleixo, do deixa andar… ao desbarato, de qualquer maneira!!!...

…desnorte, triste tema…triste mote!!!...

…políticos do avança e recua, políticos da demagogia, políticos de carreira, carreiristas, pois então, políticos de dizer e desdizer, políticos de políticas esquisitas, populistas, como tantos, os de agora, os do presente, estas gentes…as do Poder, as das promessas fáceis, é só dizer, não custa nada!!!...

…com túneis, com luz, sem luz, sem nada, com túneis prometidos, complicados, sem leis, porque não cumpridas, a do impacto ambiental, a da segurança total, por baixo, ao lado, do tal, o do leão, o da estátua, o Marquês, pois então!!!...Com túnel, mesmo ali ao lado, do Metropolitano, a cinquenta centímetros, um bocadinho, uma nesga de terreno, um espanto e…tanto!!!...Obra prometida, falada, apregoada, inflamada, em discursos, em cartazes, mais que muitos, pela cidade!!!...

…ai túnel, ai casino, ai tachos, ai tachinhos…que tão longe nos vão ficando!!!...A culpa, não, não morre solteira, alguém terá de pagar!!!...Se não fui eu… tal como a estória do lobo e do cordeiro…se não foste tu, foi o teu pai!!!... Aqui é o mesmo, há sempre alguém, sobre quem descarregar, alguém que se pode deitar fora, que se pode queimar, alguém de menos importância, uma insignificância, uma simples minudência!!!...Há que preservar as excelências…mesmo que incompetentes!!!...

…factos, são factos, meus amigos e…não posso deixar de reconhecer que, neste dia 1º de Maio, estamos mais desempregados, estamos mais pobres, estamos mais desiludidos, ao invés dos que se forraram, mediante grandes feiras, grandes negócios!!!...Já agora, em termos de défice, aumentámos, disfarçando, como sempre tem feito esta triste desgovernação, com a venda de anéis… ficámos com menos património, o que era nosso, agora… doutros!!!...

…pelos factos relatados, além doutros, bem reais, há muitas, mais que razões, para gritarmos, a plenos pulmões, tudo o que nos revolta, tudo o que sentimos, neste dia de emoções, neste dia que é nosso…de todos, os espoliados, da ditadura, da Coligação…uma aberração, mais que tristonha!!!...

…deu escola, caiu na moda, vai em frente, como se nada!!!...Bastou um dizer, afirmar, a pés juntos, que ficava!!!...O eu FICO, ficou, perante nossa estupefacção, perante espanto, indignação!!!...Daqui para a frente…já nada me admira, com trapalhadas, com confusões, com mentiras, com manipulações, com corrupções e promiscuidades…é tudo o mesmo, quando muito, um inquérito, dos tais!!!...Todos iguais, impunes e imunes, lá vão, cantando e rindo, para nosso mal...com bom senso, consciência tranquila, clareza e transparência???...E esta, heim!!!...Mas, quem sou eu???...

…Bom 1º de Maio, para todos!!!..


…Abraço do Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 14:53
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...Sol!!!...

Sol


Luz forte, avassaladora,
energia pura, criadora,
estrela maior do sistema,
centro fulcral da existência,
princípio real dum teorema,
enorme labareda, em falência,
constante alimento que se gasta,
calor, frio, quando se afasta,
fiel, persistente indutor
dum fluido gratificante, energético,
num ser vivo, numa flor,
bálsamo límpido, poético
nos espíritos mais sonhadores
dos humanos esteticistas,
invulgares compositores,
entre tantos outros artistas,
uma, no meio de mil biliões,
de muitos biliões de milhões,
no cálculo dos cientistas
que, investigando muitas pistas,
lhe dão um triste final,
um desgaste rápido, constante,
um rude golpe, fatal,
uma inversão, um sol mutante,
pálido, gélido, frio,
sem cor, sem calor, sem brio,
falho da energia que aviva
todos os seres existentes,
que lhes dão força, vida
os mantêm, sobreviventes,
neste Mundo, tão sózinho,
nosso verdadeiro ninho,
nosso lar, nossa fantasia,
nosso sol… nossa alegria!!!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:33
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2004

...natureza!!!...

Natureza


Uma fonte de água cristalina,
num caminho da serra agreste
abrupta, medonha, bela,
com as árvores com que se veste,
um ruído cantante, uma mina,
um sonho, um horizonte, é vê-la!...
um cantinho do Paraíso, na Terra,
aqueles montes, naquela serra,
estas montanhas que tocam as nuvens,
com esta vegetação tão verdejante,
luxuriante, tão sossegada,
casinhas de algum gigante,
casarões de pequenos anões,
viveiro da passarada,
onde se formam os trovões,
onde a água se embranquece,
no tempo que mais arrefece,
a fonte deixa de cantar,
na água mais que gelada,
que não corre, que não soa,
que não morre, está parada,
tal como a ave que não voa,
que não chilreia, naquele ramo,
naquela ponta, muito parada,
muito encolhida, toda tufada,
neste Mundo que eu amo,
nesta serra tão abrupta,
naquele caminho, naquela fonte,
naquela mina, naquela gruta,
com aquela água, naquele horizonte,
onde tudo se conjuga, em harmonia,
doce prazer, elevada sinfonia,
hino da vida, plena alegria...



…Sherpas!!!...


publicado por sherpas às 07:10
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2004

...criancinhas e...velhinhos!!!...


…no passado…descalços e com fome!!!...No presente…mal calçados, abusados e com fome!!!...Será isto a evolução???...

…que se vêem, cada vez mais, jovens a prostituírem-se, jovens a mendigar, jovens…com fome, com tremendas necessidades, desamparados, ao abandono, pois então!!!...Que raio de País é este, que bandalhice tremenda, que hipocrisia cruenta, cruel, atroz…que baralhada total, que desgovernação, sem alma, nem coração!!!...Entregam-se a privatizações, a negócios de gabarito…descuram o mais importante, a população, a carente, a mais vulnerável, os inocentes, porque sim!!!...Mas, quem os ouve, quem os vê, nas rádios nas TV,s…aos da segurança social, com sorrisos ínvios, esquisitos, até parece que não, até parece que sim!!!...

…Deus meu, ao que chegámos, quanta desfaçatez, quanta incúria, quanta indiferença, quanta promessa, quanta mentira, discursos que são um disparate, não uma retoma, agora, fase…de vitória, falam eles, tentando mobilizar o que está desmobilizado, o que está vilipendiado, mais que baralhado, atrapalhado, confuso, difuso!!!...Que teimosia, sem estratégia, a que apregoam, a que teimam em seguir, congratulando-se a eles próprios, os incapazes, com promessas, em frenesim, pelas eleições, já ali, à porta, ao virar da esquina!!!...Prometem justiça social, mais, dizem eles, quando não há nenhuma, com fervor, como quem se desunha, em não deixar, por mãos alheias, o que tanto adoram o que os deslumbra, o Poder, pois então!!!...

…ainda há pouco, poucochinho, ali ao pé, ali na baía, vi, com estes olhos, os que a terra me há-de comer…na altura devida, um velhinho, com cana de pesca na mão, ultrapassada, pequena…uma amostra, que mal podia manejar, pela falta de forças, tentando apanhar, quiçá, algo de carne para o prato, de peixe que apanhasse!!!...Quanta miséria…lá por dentro, no seu íntimo, na sua reforma tão curta, a que não dá, a que não chega, para comer, para viver, com dignidade, com verdade, usufruindo de descanso, de bom repasto, tanto na casa, como na mesa!!!...

…o que eles falaram das…criancinhas, dos velhinhos!!!...Pois é…o que se vê, o que se ouve, o que se lê!!!...Ao que chegámos…pela teimosia dum défice, pela tanga apregoada, pela venda indiscriminada, por uma política de nada!!!...Estamos a ser desprezados, tanto agora…como dantes!!!...Temos direito a indemnizações…como espoliados da ditadura, como espoliados da desgovernação!!!...Abraço do Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 13:56
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...cão!!!...

Cão


Pobre cão abandonado,
velho, quezilento,
quase sempre escorraçado,
que se arrasta, contra o vento,
contra todas as vontades,
contra a própria vida,
alvo certo de maldades,
criatura bem sofrida,
escarro duma sociedade,
que, por velho, alquebrado,
o esquecem, de verdade,
o mantêm, bem afastado,
do seu antigo convívio,
das suas loucas brincadeiras,
para seu descanso, seu alívio,
para lá das suas fronteiras,
bem longe, bem esquecido,
desprezado com desfaçatez,
aquele tão nobre amigo,
que, por mais do que uma vez,
se entregou totalmente,
ao homem, a esta gente,
ao que o trata tão mal,
ao que o está escorraçando,
o que não é natural,
tanta crueza, tanto desmando,
tanto desamor, tanta hipocrisia,
por ser velho, por ser doente,
por já não dar alegria,
por se sentir, o que se sente,
num duro coração,
no final duma ilusão
dum cachorro, dum cão!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:23
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Terça-feira, 27 de Abril de 2004

...resposta ao zecacilhas do...Fórum Parlamento, no Sapo!!!...




…caro zecacilhas, não pretendo minimizar, pessoas ou partidos…sem eles, a democracia era impraticável, impossível!!!...Do mal o menos…a democracia, pois então!!!...Quando me rebelo, quando me revolto é porque, passados que são trinta anos, com esses figurões no Poder, de vários quadrantes, claro…estamos como vemos, como vamos observando, carregadinhos de escândalos, de promiscuidades, de corrupções!!!...Ultimamente…tem sido uma desgraça, com essa raça, a dos ditos!!!...Estou, como todos, uns mais outros menos, farto…até à raiz dos poucos cabelos que tenho!!!...O amigo, como músico, é sensível, como eu, uma pequena figura da poesia, como tantos a estes descalabros…que se arrastam, que se não curam, que se não debelam, para nosso mal!!!...Abraço do Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 11:59
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...pormenores!!!...

Pormenores


Pequenos pormenores,
curiosas insignificâncias,
detalhes menores,
estilos, extravagâncias,
modos de estar, de sentir,
curtição duma boa vida,
pensar no futuro, no porvir,
vivê-la, gozada, sofrida,
usufruir o que nos cerca,
ter paixão pelo ambiente,
respeitar, para que se não perca,
animais, vegetais, toda a gente,
com raças, credos diferentes,
como um todo, como tu sentes,
vendo em tudo, em todos,
a beleza, a perfeição,
nos mais dotados, nos tolos,
nos miseráveis sem coração,
atender às insignificâncias,
desprezar as jactâncias,
a soberba, a ostentação,
as vaidades, como obsessão,
aceitarmos o que nos toca,
darmos, sem ser por esmola,
carinho, amor, afeição,
como um professor, na escola,
como um padre, no seu mister,
porque a vida se descola
desta Terra, deste ser,
deste corpo emprestado,
velha carcaça cinzenta,
já gasto, emperrado,
nos setenta, quase oitenta,
anos de contemplação,
de sofrimento, de solidão,
com alegrias, pelo meio,
pequenos pormenores,
neste casulo, no seio,
de detalhes bem menores,
simples insignificâncias,
estilos, extravagâncias!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:13
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

...flamingos!!!...

Flamingos


Há flamingos na baía,
altos, elegantes, rosados,
há tanto tempo os não via,
na baía, calmos, repousados,
no lodo da maré vazia,
onde, um pequeno bando,
em plena luz do dia,
se vai alimentando,
ali ao pé, junto à estrada,
bem próximos daquela ponte,
tantas vezes atravessada
como meta, como horizonte,
dos que se querem manter,
dos que gostam de viver,
dos que usufruem o meio,
a natureza, o ambiente,
seu conchego, seu doce seio,
âmago da boa gente,
coração de tantos seres,
como este bando de flamingos,
que nos pretende alegrar,
fazendo santos, domingos
os dias que vão chegar,
quando os puder observar,
calmos, elegantes, rosados,
aos bandos, por tantos lados,
nesta baía tão formosa,
mais despoluída, pois então,
um pouco menos cheirosa,
local da minha emoção,
com a maré cheia, vazia,
plena de vida, de encanto,
redimida em alegria,
com flamingos… num só bando!!!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 15:22
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...amigos!!!...

Amigos


Amigos são como os pirilampos,
são fugazes no brilho que emanam,
não têm a bondade dos santos,
tanto agradam como desencantam,
ouvem-nos quando lhes interessa,
afastam-se, rematam a conversa,
entram noutra onda bem diversa,
de repente, a amizade cessa,
é um sentimento passageiro,
muito leve, muito ligeiro,
uma empatia que se encontra
num estranho da mesma espécie,
um fluido de pouca monta,
uma simpatia que fenece
quando não é cimentada,
quando também é partilhada
por uma família que se forma,
por trabalhos, por canseiras,
essa amizade, que se torna
uma das muitas barreiras
que, na vida, temos de galgar
para a podermos encarar
como algo de secundário,
um apêndice num formulário,
algo de tão pouca importância,
à medida que o tempo passa,
da juventude, uma extravagância,
um encosto, uma chalaça,
uma simples recordação
que nos aquece, conforta,
um toque no coração
que já pouco nos importa,
com o decorrer dos anos,
com o avançar da nossa idade,
coisa de outros tempos, antanhos,
hoje, fora da realidade,
amigos, amizades,
sonhos, pesadelos, verdades!...

…por vezes, os amigos são…como os pirilampos, infelizmente!!!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 09:24
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Domingo, 25 de Abril de 2004

...tempos de...revolução!!!...

…porque a esperança não morre, Péstinha…os tempos, os actuais, são de revolução!!!...Depois, virá…a evolução, equilibrada e justa!!!...


…tempos de revolução, tempos de paixão, tempos de exacerbados sentires, tempos de alguma evolução… pouca, pelos escolhos que defronta, pouca, pelos egoísmos que encara, pouca, pela ganância pessoal de certos autistas políticos, pouca, pelo convencimento doentio dos que se pensam donos do que lhes não pertence, porque minoria, pouca COISA!!!...

…tempos de revolução, tempos de solidariedade, tempos de verdade, tempos de mão na mão, tempos de olhar, ajudando, o irmão mais desprotegido, o relegado, o desprezado…o posto de lado!!!...Tempos de revolução, tempos de emendar, de reiniciar o caminho, tempos de fazer políticas sociais, abrangentes, racionais!!!...

…tempos de revolução, tempos de inflectir e reflectir, de consciências sãs e limpas, de bom senso…outros tempos!!!...Tempos de revolução, tempos de contenção, nas atitudes, nas palavras, nos actos…com intenção, ajudando os carentes, as outras gentes, tempos de esquecermos os egoísmos, as ganâncias mil, as perversões…os milhões, em negócios sórdidos ou não, as manipulações congeminadas, escondidas, as obsessões por défices que se cozinham, as que massacram todo um Povo, toda uma Nação!!!...

…tempos de revolução, tempos de mudança, nas políticas, nos políticos, nos que se deixam corromper, nos que são promíscuos, nos que abusam da mentira, nos que se perpetuam, sempre no poleiro, por interesses, por dinheiros!!!...Tempos de revolução, tempos de justiça, na igualdade de deveres e direitos, sem defeitos, castigando os que prevaricam, peneirando toda uma sociedade enferma, que se agasta, que se arrasta, de escândalo em escândalo, sem valores, sem referências, de pouca moral, triste mural, má pintura, pouca figura…nenhuma história, para o porvir!!!...

…tempos de revolução, tempos que não perdoam, o incompetente, o incapaz, revolução que nos apraz, que nos melhora, que nos aperfeiçoa, mesmo que nos doa, que nos fira, que nos magoe…outros tempos!!!...Tempos de revolução, tempos prometedores, outras auroras, esperanças múltiplas, sonhos que despertam, que nos aguardam, nos…fazem sorrir!!!...Tempos de revolução, tempos de Abril…o das águas mil, o dos cravos em profusão, de várias cores, em tantas mãos, nas janelas, no peito, espalhados pelo chão!!!...Tempos de revolução…em paz, em harmonia, suprema alegria, fantasia (???...), não, uma ambição, em união, num País…que se contradiz!!!...

…tempos de revolução, em busca do excelso, do mais que perfeito, a nosso jeito, tal como somos…neste cantinho, jardim florido…à beira-mar, único, diferente, de todo o Mundo, de toda a gente!!!...Tempos de deitar fora…o que não presta, de acabar com a fome, com a miséria, com o desemprego, com o compadrio, com o xico-espertismo, ridícula postura que…tem cura, com o desenrascado, pobre coitado, com o deslumbrado, com o aldrabão, pobre mentiroso…o indecoroso!!!...Sei lá…que mais, quiçá!!!...Abraço fraterno de quem assim escreve, de quem assim sente!!!...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 11:16
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...já vai sendo tempo de...exterminação!!!...

…repito-o porque é dia 25 de Abril e ainda estamos a tempo de acabarmos com estas espécies, indignas num Estado democrático… estamos numa época em que nos confrontamos com corrupção e promiscuidade, aos montes!!!...É por eles que as COISAS estão como estão, que não houve evolução, a que se esperava, plena e equilibrada!!!...

…sempre gostei de banda desenhada e ainda hoje, todo eu tremo de emoção, com a anunciada estreia do Homem Aranha no nosso País, em Portugal... Figuras de ficção, todas elas, fruto da imaginação fértil do ser humano que nos embalaram a meninice, nos acompanharam a adolescência e nos irão fazer recordar o passado aquando da sua exibição nas salas de cinema... Mas, se pensarmos um pouco, no panorama político actual ainda encontramos, não na ficção, mas na realidade pura e concreta verdadeiros Super-Homens e autênticos Homens Aranha, nas variadas vidas profissionais (cargos ou funções), que desempenham ao mesmo tempo... Eles são Presidentes, Administradores, Directores, Deputados, Comentadores, Gestores Topo de Gama, eu sei lá, desempenham um tão significativo lote de actividades, simultaneamente, que me leva a catalogá-los de Super Homens... Perante este painel de tarefas atribuídas, muitas vezes, a uma só pessoa sou levado a pensar nas somas fabulosas que deverão auferir no fim de cada mês... Quanto ganhará um elemento destes, quantos vencimentos mínimos?... Como Super Homens que são, deverão certamente ter um Super Vencimento!... Logo a seguir me vem ao pensamento como é que uma individualidade destas consegue atingir esta situação de privilégio e estas regalias remuneratórias e, sem querer, recordo-me do Homem Aranha que com as suas teias atinge os seus objectivos, na luta contra o mal... Estes Super Homens devem possuir algo de Homens Aranha, devem ter teias, ligações espalhadas por tudo quanto é sítio a fim de obterem todos aqueles postos ou situações simultâneas que desempenham positiva ou negativamente... As teias deverão, certamente, estar bem espalhadas no sector político, no governamental, no privado... Depois é só uma questão de fazê-las mover, no momento exacto, como se faz com as marionetas e com os cordelinhos, para se puderem obter as tais compensações monetárias no fim de cada mês... Enfim, no nosso País, vai ser estreado o filme do Homem Aranha, tal como já exibiram muitos do Super- Homem, figuras de ficção levadas ao cinema mas no nosso País, no concreto, existem muitos políticos que são verdadeiros Super Homens, pelas actividades que desempenham ao mesmo tempo e pelos vencimentos que auferem, bem chorudos e pouco nomeados e autênticos Homens Aranha pelas ligações ou teias que utilizam para atingirem os seus objectivos (não da luta contra o mal), na escala social e no poderio material que obtêm, em detrimento dos outros, uma grande maioria que não passa da “cepa torta” e que pertencem à massa anónima chamada de POVO!... É a vida... A ficção faz-nos associar certas figuras com certos figurões da vida real!... Eles existem!...Estão entre nós!...Vivem à grande e à francesa!...Mas. quem sou eu???...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:39
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...viver!!!...

Viver


Viver dos outros, a vida,
triste consolo, grande ilusão,
vida monótona, vida rotina,
vida sem mágoas, sem paixão,
viver sem sonhos, sem fantasia,
sem amores, sem ódios, amorfo,
vida de sonso, sem alegria,
vida sem vida, vida de morto,
viver enclausurado, no convento,
sem um estímulo, como um frade,
vida interior, viver para dentro,
vida sem vida, vida de padre,
viver sem compartilhar,
sem repartir, sem oferecer,
sem dividir sentimentos,
viver a vida, só por viver,
sem discórdias, sem contratempos,
sem satisfações, sem prazer,
viver bem, só por momentos,
viver por querer, sem crer,
viver, sem nunca acreditar,
viver sem fé, ateu até morrer,
vida vazia, dá que pensar,
viver, por viver, uma vida inteira,
sem amores, sem família,
viver sem outros à nossa beira,
vida isolada, vida em vigília,
vida pensada, muito fechada,
vida sem vida, vida sem nada!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:22
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Sábado, 24 de Abril de 2004

...praia!!!...

Praia


Um marulhar constante,
um balançar permanente,
uma subida inquietante,
uma descida que se sente,
uma sucessão de marés,
um embevecimento fugaz,
a areia aos nossos pés,
o frio que a água nos traz,
uma brincadeira, um namoro,
uma rapariga, um rapaz,
uma gritaria, um choro,
um jogo que se não acaba,
um afogado, um socorro,
um perigo que se não trava,
uma rede que se entrelaça,
umas mãos rudes, agrestes,
um dia que acaba, passa,
um banhista, as suas vestes,
um barco, no seu regresso,
que despeja o seu pescado,
da tristeza, o seu inverso,
pela apanha, pelo achado,
pelo dinheiro que, imaginam,
lhes poderão proporcionar
aqueles que ali terminam,
que acabaram de pescar,
ouvindo o surdo marulhar,
constante, bem ritmado,
cheirando aquele mar,
os banhistas rodeando
aquele ponto, naquela areia,
aquele barco, aquela rede,
quase vazia, meio cheia,
que se estica, que se estende,
que se limpa, que se enrola,
tirado o peixe, que se vende,
por um tostão, por uma esmola,
num final duma jornada,
quando o sol se vai escondendo,
um pouco dura, bem molhada,
num dia que vai morrendo,
numa praia, no litoral,
entre marés tão constantes,
neste País, em Portugal,
nestes minutos… instantes!...

…Sherpas!!!...





publicado por sherpas às 11:15
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...25 de Abril...dia da Revolução!!!...

…e, porque estamos em Abril, quase, quase…no dia, o tal, o da revolução, sem balas, sem violência, com cravos, em Paz…tal e qual, pois então!!!...

…já o tinha editado, noutro Fórum do Sapo, salvo erro, em tempo já passado, por alturas de Abril…faz um ano, claro!!!...Guardei-o… com intenção de prestar homenagem ao Abril de 1974 em…2004!!!...Aqui vo-lo envio, com respeito e…simpatia!!!...São rosas do…meu rosário, neste caso, são cravos…vermelhos, amarelos ou brancos, tanto faz, é igual!!!...
…Ah, é verdade, amanhã, domingo, é dia vinte e cinco de Abril, dia da REVOLUÇÃO!!!...

…com bolos se enganam os tolos!!!...Com promessas vãs e, aparentemente, inócuas se alcandoraram ao Poder certos elementos retrógrados e saudosistas dum passado de triste memória!!!...Umas vezes por outras tomam atitudes menos dignas, proferem aberrações de todo o tamanho que, pela enormidade, escandalizam e desmascaram as suas verdadeiras intenções!!!...Sombras sinistras se vislumbram por detrás do que, subtilmente, tentam esconder!!!...Com persistência e teimosia tocam sempre na mesma tecla, insistem, com fins determinados, com objectivos precisos e concisos!!!...Muitos, os menos esclarecidos e…são bastantes, para nosso mal, do País, deixam-se levar, são arrastados maviosamente, para o que já passou, para 20, 30, 40 ou 50 anos atrás, sem, disso, se aperceberem, inconscientemente!!!...Tantos há que, nos nossos dias, renegam a flor representativa da revolução, da mudança, da democracia, o cravo, branco ou vermelho, tanto faz, o cravo da não-violência, o que o povo pôs no cano das G 3 dos soldados, para seu próprio gáudio, dos portugueses… os dos brandos costumes!!!...Continua-se, demagogicamente, a tentar assustar as gentes, menos esclarecidas, com o papão do comunismo!!!...Há quem pretenda retroceder!!!...Há quem recorde, com saudade, o colonialismo, as guerras do Ultramar, a falta de liberdade de expressão, a todos os níveis, a implantação da autoridade autoritária do eu posso, quero e… mando!!!...Erros, desde o 25Abril74 até hoje, quem não os cometeu, quem não os continua cometendo???...Penso que ainda não aprendemos, que ainda temos muitas arestas por limar, que a nossa democracia ainda enferma de muitas lacunas, graves e profundas!!!...Pois se… um simples cravo, uma flor, amedronta tantos, enaltece muitos, representa tudo, pelo menos o que concerne à revolução, a dos cravos, é razão, mais que evidente, que continuamos muito desequilibrados!!!...Duma coisa os políticos podem ter a certeza, o cravo, o branco ou o vermelho, não são pertença de nenhum deles, de esquerdas, centros ou direitas, pertencem única e exclusivamente ao POVO, ao bom povo português que, no dia D não quis sangue, não quis carnificina, quis o que sempre ambicionou e que…para nosso mal, está difícil de se concretizar, em pleno, a democracia, numa:




- Uma rosa é uma flor/um jasmim é um jardim/um cravo uma revolução/de toda uma grande Nação/que viu surgir, por fim/sem furores mas, com amor/a sua própria emancipação/depois de quarenta anos sofridos/sem queixumes, nem gemidos/duma teimosa ditadura/ cruel, macabra, impura/a par de algumas guerras/travadas noutras terras/vítimas dum colonialismo/que separava, por um abismo/este Portugal de Camões/de todas as outras nações/da Europa, do Mundo/que, num coma bem profundo/se ia auto imolando/orgulhosamente matando/nos seus maiores valores/do povo, do clero, doutores/filósofos, artistas, escritores/livres, esclarecidos pensadores/perseguidos, encarcerados/em fortins, desterrados/noutros países, noutras regiões/longe da situação, dos mandões/que mantinham esse sistema/verdadeiro cancro, grave edema/que um cravo colorido/branco, vermelho, garrido/conseguiu destroçar/sem ferir, sem matar/concedendo a liberdade/duma manhã para a tarde/a este jardim à beira mar/plantado com amor, para amar/por todos que o querem preservar/bem longe de autoritários/fiéis lacaios, mandatários/de pensamentos extremistas/puros camaleões, salafrários/ que navegam em todas as águas/dando esperanças, mágoas/aos que neles acreditam/das direitas viram às esquerdas/para verem se conquistam/os simples, os aselhas/que, nos cravos se ficam/como as laboriosas abelhas/que fazem mel e… muito picam!...

…não tenhamos preconceitos em relação aos cravos, brancos ou vermelhos, não os partidarizemos, não os façam pertença de forças políticas, respeitem-nos e admirem-nos porque, neles, está contido todo um sentimento colectivo de paz e amor, de bons costumes, de dignidade e boa formação… somos pacifistas confessos, poetas, por excelência, que, numa flor, num simples cravo, se revêem!!!…Passados que são trinta anos, ainda tenho esperança, mantenho sonho, transporto ilusão que, se avultam…nestas alturas, no dia que vivi, quando mais novo!!!...Acredito, quero acreditar, não por mim, (…embora ilusionado, sou um sonhador, podem crer!!!...) pelos que agora começam, pelos que estão a acabar, pelos menos afortunados…os postos de lado!!!...Um abraço do Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:22
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2004

...radicais!!!...

Radicais


Ainda há pouco, poucochinho,
eras um mero adolescente,
um rapaz, quase gente,
espigado no físico, crescidinho,
filósofo, acomodado, dependente,
no trajar, no comer, miudinho,
no trato com os ascendentes, exigente,
um cu de mimo, dependência
de quem se considera excelência
perante os que diminui, escraviza
para seu real alambanzamento
dum corpinho bem tratado, corpulento,
que tudo goza, tudo sonha, tudo quer,
na terra, no céu, num sítio qualquer,
custe mundos, fundos ou não,
desde que se lhe possa deitar mão,
para usar, por momentos, atirar
p´ró lixo, quando já não interessar,
numa de consumismo feroz, irracional,
que, além de não fazer bem nem mal,
nos dá simples satisfação,
um encanto, uma grande emoção,
que nos eleva, sublima o ser,
pelo fútil facto de possuir, de ter,
seja o que seja, seja o que for,
um título de licenciado, de doutor,
adquirido com sacrifício, trabalho
alcançado com a carteira, comprado,
em qualquer universidade,
das de mentira, das de verdade,
que pululam por este país
semeiam, na raiz,
multidões de desempregados,
ilusionados, deslumbrados
pelos canudos de iletrados
que os chegam a convencer
que vão mudar este Mundo,
onde há tanta gente a sofrer
com vencimentos, sem fundo,
pelo “leasing” exacerbado
que lhes é, ilusoriamente, ofertado
pelos façanhudos banqueiros,
espertos, ronços, matreiros,
que se estão nas tintas, borrifando,
p´ós homenzinhos motorizados,
dos télé-lés aos montões,
com muitas ou poucas razões
mentes entorpecidas, confusas,
pela rádio, pelos concertos, pelas televisões,
pelas ofertas de moda, aos milhões,
que os endividam cada vez mais
os fazem burros, obtusos,
estes pobres jovens, cobaias radicais,
geração de Abril, meninos lusos,
da papinha feita, cueiros mudados,
criancinhas curtas de pensamento,
etéreas, voláteis como o vento,
que pretendem parar o tempo
não querem complicações,
dum casamento a sério, de obrigações,
de filharada, numa casa não paga,
que se divorciam por nada
para poderem curtir uma vida,
que se lhes escapa,
porque ela voa, não é comprida
se sujeita a ficar estragada!!!...


…Sherpas!!!...


publicado por sherpas às 16:33
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...sonhar!!!...

Sonhar


Escrever versos, rimando,
sem ter muito que pensar,
é dormir sem estar sonhando,
é chorar, estando a cantar.

P´ra fazer bela poesia,
num instante, num arrepio,
sem milagre, é fantasia,
sem um sonho, é desafio.

Escrevemos, rimando,
quando estamos inspirados,
quando estamos pensando,

quando estamos p´raí virados,
mais a dormir, sonhando,
do que realmente acordados!...



...Sherpas!!!...


publicado por sherpas às 07:27
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2004

...missa!!!...

Missa


Uma missa que se ouve,
uma fé que nos acompanha,
um princípio que se trouxe,
uma voz, uma alma, uma chama,
um momento, uma espiritualidade,
um templo, um cura, um ambiente,
umas rezas, uma palavra, uma verdade,
um bem estar, um calafrio que se sente,
uma companhia, uma protecção,
uma fragilidade de quem é gente,
um afago interior, uma oração,
uma paragem, um instante, um repente,
uma pausa, um abraço, um irmão,
um mistério, um ritual que se repete,
um alimento essencial, um manancial,
uma forma de convencimento,
algo que nos suplanta, sobrenatural,
um relembrar do passado, sofrimento,
uma cruz, um pesar, um nosso igual,
uma missa, uma pausa, um momento,
uma tristeza, uma alegria, um evento!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 18:32
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...em regressão...não há evolução!!!...

…a liberdade, desde que o queiramos, desde que façamos por isso, pode ser mais perfeita, de acordo com o ser humano, o bem formado, o solidário!!!...

…respeitando quem discorda nalguns pontos ou a inteiro, em regressão, não há evolução…e se, por acaso, existir é em desequilíbrio, uma autêntica perversão…

…evolução, em regressão,
é caricato, ridículo, insensato,
palavrão, mais que estudado,
confusão, para o incauto,
antítese da revolução,
da que se continua,
na cidade, na vila, na rua,
a que modifica, melhora,
a sociedade que chora,
a que implora, a que geme,
a que tem fome, a que teme,
ontem, amanhã, agora,
a que se pôs de lado,
a que está esquecida,
entristecida, vencida,
contristada, mais que explorada!!!...

…pobres coitados, bacocos,
convencidos, com seus enganos,
engrandecidos, tamanhos,
deslumbrados, com seus pecados,
anões, de trazer por casa,
políticos de algibeira,
doces cantigas, tristes fados,
ambição que tudo arrasa,
num negócio, numa feira,
encapotados, à socapa,
bem longe da ralé,
como quem foge, quem escapa,
sem ser de boa fé,
num amanhanço constante,
aviltamento gritante,
esquecimento do dever,
num autismo aflitivo,
egoísmo puro, vivo,
por um ter, por um haver,
materialismo que se avulta,
com senso, com…muita culpa!!!...

…esperança num porvir,
numa revolução prometida,
numa gente mais igual,
num dia que há-de vir,
numa ilusão, mais que sentida,
sem subterfúgios, sem mal,
apoiando o desgraçado,
o mísero, o desempregado,
dando-lhe a mão, com jeito,
numa revolução, a preceito,
numa evolução…com respeito,
sem palavras fáceis, sem enganos,
com sonhos, realidades,
sem mentiras de vários tamanhos!!!...

…que seja revolução, que haja evolução,
que se rejeite o embuste, a hipocrisia,
o populismo risível, caduco,
pondo de lado a demagogia,
o charlatão…o eunuco!!!...

…que seja REVOLUÇÃO!!!...

…mas, quem sou eu???...Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 07:15
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Quarta-feira, 21 de Abril de 2004

...janela!!!...

Janela


Era transparente e bela
aquela abertura, a janela,
da casinha sorridente,
implantada na vertente
da colina bem airosa,
toda verde e formosa,
salpicada de vários tons,
muitas cores, berrantes,
bem gritantes e sem sons,
moradia de navegantes,
ausentes, noutros rumos,
em mares muito distantes,
em oceanos sem fundos,
com seres horripilantes,
que metiam dor e pavor
aos valorosos mareantes,
donos daquela casinha,
lá em cima, na colina,
que tinha uma abertura,
mui singela, muito pura,
uma formosa janela,
tão transparente e tão bela!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 06:56
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Terça-feira, 20 de Abril de 2004

...revolução ou...evolução???...




…foi revolução???...Certamente que foi revolução, uma quebra de grilhetas, de fortes correntes de aço, amarras cruéis, indignas que, durante décadas, mais de quatro, tudo perverteram, tudo negaram, a um Povo inteiro, a uma Nação fechada ao exterior, pequena, porque sempre o foi, explorada por caciques autistas e repimpados nos cumes do Poder, megalómanos extensivos ao Mundo, para lá das fronteiras, para lá dos mares, no que era deles, nas suas profundas, imensas ganâncias, o chamado Ultramar, colónias mantidas com o esforço de populações escravizadas, as que se revoltaram e criaram guerra, os terroristas de então, os que quiseram dizer não, os que lutaram pela liberdade do que lhes pertencia, da terra dos seus avós, contra quem, contra tudo e contra todos, com a obsessão da época, a do colonialismo, enviaram carne para canhão, durante anos, os combatentes forçados, vítimas desses algozes ferozes, os do passado, caricaturas, impuras e duras, num contexto, fora de toda a razão…sem alma, sem coração, única opção, quanto a eles… pois então!!!...

…maltratados na terra que os viu nascer, nas terras de além-mar, tão recordadas, com saudade e pena, por tristes figuras, agora no Poder, sombras gastas e descoloridas, hipócritas e fingidas, nascidas em berços de oiro, de mentes destorcidas, caricatas, compungidas…sem senso, sem consciência, dura excelência, jactante e excrescente, pouca gente, carrasco descendente doutras gentes, doutras mentes, de tantos povos, os espezinhados…mais que maltratados, por terras do Ultramar!!!...Quantos mortos, quantos esquartejados, sem pernas, sem braços, quantos pesadelos, de pôr em pé os cabelos, fantasmas, horrores, tantas dores, tantos gritos dilacerados, tantos ódios, terrores de todo um passado…os de triste memória, vergonhosa história!!!...Imposições, mais que muitas, abusos, aos montões, arbítrios e desmandos, de meia dúzia de pavões, de meia centena de cinzentos, com espaventos, sós, num Mundo, posto de lado, isolados, soberbos, arrogantes, anões, feitos gigantes!!!...A juventude fluía, despejava-se, de qualquer maneira, de barco, por avião, com uma missão, matar, esquartejar, dilacerar corpos e almas, doutras gentes, os terroristas do Ultramar, sujeitos, a tempo inteiro, naquele grande formigueiro, como qualquer guerreiro, rapaz pobre da aldeia, da vila do interior, doutor ou professor, de arma em punho, na mata densa e escura, no trilho, na picada, na explosão da mina que rebenta, fim da vida, vida marcada, um nada, pouca coisa…carne para canhão!!!...

…era a obsessão, era a confusão, era o império que, aos poucos, se desfazia, triste ideia, triste mania!!!...Aberração!!!...Por cá, como sempre, analfabetos por todos os cantos, pendentes de um aerograma, notícias dum filho, dum marido, dum neto, lidos pelo vizinho, homem de poucas letras, tempos de poucos saberes, de ignorâncias tremendas, afastados do Mundo, mudos e calados, vigiados por todos os lados, contidos, mantidos, pobres progenitores, sacrificados, explorados pelos dos dinheiros fáceis, os donos das terras, os donos de tudo, meia dúzia, meia centena…uma tristeza, uma pena!!!...Claro que foi uma revolução!!!...Foi mais que justificada, ansiosamente esperada pelos que, de tudo, não tinham nada, só a vida, a utilizada, como trabalho forçado, custoso e mal pago, como armas de arremesso, em terras distantes, nas colónias, neste pequeno País, anão, fazendo de gigante, uma ilusão, tremenda frustração…aberração!!!...

…todos desconfiávamos, todos sentíamos que algo ia mal, que Angola não era nossa, como apregoavam, como cantavam, nem a Guiné, tão pouco Moçambique…muito menos a longínqua Índia, tal como Timor, doce amor e outras terras, distantes, espalhadas pelos confins do Mundo, num Império de brincar, onde alguns se forravam, abusavam…a seu modo, a seu jeito mas, quem sou eu???...

…impunha-se e…deu-se, numa alvorada, num vinte e cinco de Abril, num ano que se não esquece, uma fronteira entre a imbecilidade, a falta de verdade, a ditadura, pura e dura, a que se tenta escamotear, burilar, por meio de alguns abortos, parcos escolhos, figuras de pouca monta, as que nos afrontam, pequenas minudências, extravagâncias que persistem, que insistem, que enganam, que baralham…porque querem retroceder, inflectir, regredir!!!...Pobres coitados!!!...Tristes bacocos!!!...


…claro que foi revolução!!!...Qual evolução, qual carapuça???...Na continuidade???...Que disparate!!!...Claro que algo se fez!!!...Muito mais haveria de se ter feito, com os milhões, os fundos perdidos, os mal parados, os desviados, tanto agora, como dantes, para prejuízo, para atraso, dos de sempre, deste Povo, o enganado, o que espera mais, o que foi e é abusado!!!...Estão em dívida para com ele, uma dívida enorme, a da fome, a da utilização incessante e cruel, de vidas, de gentes, impunemente, a da escravização permanente, durante décadas, a da ignorância mantida e alimentada, propositadamente, a da exploração sistemática, gritante, a da injustiça, a da indiferença, a da mentira, a da hipocrisia, a da fantasia, a do sonho prometido e logo negado!!!...Estão em dívida com ele, ainda não a pagaram, não se vislumbra, o acerto de contas, de boas contas, em paz, com verdade, desde há trinta anos que o prometem, desde há trinta anos que houve uma revolução, repito, uma REVOLUÇÃO que, para mal dos de sempre…ainda se não deu, porque… continua!!!...


…a evolução foi…natural, com o tempo, deu-se, sem sobressaltos, desequilibrada, mais para os mais, quase nada, para os menos, não vale fazer batota, não vale fazer cabeças, as dos simples, com mentirolas, com migalhinhas, com umas esmolas!!!...Na Europa, continuamos sendo, o que sempre fomos, os mais pobres, os mais tristes, os mais desvalidos, os mais calcados, os mais desprezados!!!...Somos primeiros…pelas piores razões, já estamos habituados mas, não calados!!!...Certamente que queremos evolução…onde está ela???...Que venha…aguardamo-la, ansiosamente, nestes dias que antecedem a REVOLUÇÃO, desde há trinta anos!!!...Não pode haver evolução com meio milhão de desempregados, com dois milhões de pobres, com meio milhão de miseráveis, com educação de rastos, com segurança social precária, com saúde, por um fio, com injustiças, mais que muitas, com reformas de tostões, com desequilíbrios aviltantes, uns com muitíssimo, outros com quase nada, com aumentos de um maço de cigarros, por mês, com demagogos no Poder, com populismos baratos, com incumprimento de promessas, com políticos forrados, com ricos, mais ricos, ainda, com bancos e seguradoras com lucros fabulosos, com fujões ao fisco, os dos milhões, com negociatas do arco-da-velha, com manipulações de défices, de informação, publicidades enganosas, todo um rol de disparates…constantes, continuados!!!...Não, meus amigos, a evolução foi tímida, pequena e, acompanhando os tempos, porque sim…natural e em relação a alguns, poucos, porque, no geral, continua revolução…a que se não deu, só se prometeu, por completo!!!...Com cravos, com humildade, com verdade, com amor pelo próximo, pelo mais desgraçado!!!...Tudo o resto são…tretas e amanhanços, à vista dos mansos, dos brandos, dos de sempre!!!...Mas, quem sou eu, pergunto e…torno a perguntar???...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 09:25
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...a inveja!!!...

A inveja


A inveja é um pecado
do grupo dos capitais,
é bom ser invejado
pelo que a tem, pelos demais
mas, quem desse mal padece,
não medra, antes fenece,
porque Deus assim o quer,
porque invejar não merece
nenhuma contemplação
de quem manda, oferece,
tendo disso muita noção,
qualidades, defeitos
por todos, quaisquer humanos
que, sem preconceitos,
os agarram com as mãos,
sejam tortos ou direitos,
sejam doentes ou sãos,
os gozam a preceito
com razão, sem jeito,
fazendo disso questão,
os levam tão a peito
que, bem ou mal escolhidos,
muitos se sentem perdidos,
de tal modo confundidos
entre defeitos, qualidades
que, quando foram oferecidos,
no meio de tantas verdades
ficaram mesmo convencidos
que as invejas, as vaidades
são bênçãos das divindades,
panaceias, maldades
que se devem desfrutar,
utilizar, gozar,
ao modo do ser pensante,
pervertido, muito errante,
que troca o significado
do que é certo ou errado,
do que é virtude ou… pecado!!!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:44
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2004

...os solitários!!!...

Os solitários


Já é tempo de dar lugar
ao calmo e isolado,
ao que não quer lutar,
ao introvertido, parado,
ao que está do outro lado,
na penumbra, no limbo,
sem voz, sem ouvido,
do mundo, apartado,
por vontade de isolamento,
sem nunca ser notado,
num minuto, num momento,
pelos que o rodeiam
que, nem tão pouco, anseiam
em lhe dar algum valor
pelo muito ou pouco que valha
num espírito criador,
num pensamento fugaz,
num grito enorme de amor,
de algo de que seja capaz...
Chega, já é tempo,
já é chegado o momento
de afastar o arrivista,
o escroque, o bairrista,
o puro interveniente,
no barulho, sempre presente,
o parafuso do Universo,
o mentor de grandes feitos,
que de parado, o inverso,
rende honras, preitos
aos que pode lambuzar,
com intuitos escondidos
de, mais tarde, ganhar
fama, honras, posição,
sem merecimento honrar,
pelo pouco valor e gabarito
da obra que o faz falar,
que faz notar, num grito,
pela pouca coisa feita,
limpinha, escorreita
mas sem sumo, vazia,
uma pura fantasia
de cabeça oca ou tonta
com uma língua, uma trompa,
barulhenta, quezilenta,
que tudo baralha, inventa
na desalmada intenção
de chamar a si, a atenção,
com muita pouca razão,
neste Mundo de confusão
que atira, para o esquecimento,
os muitos pensadores
que, por pouco discernimento,
não mostram artes… valores!...


…Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 07:38
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Domingo, 18 de Abril de 2004

...o livro...da vida!!!...

O livro da vida


É um sopro, uma passagem,
um virar de página, uma viragem,
um capítulo que se cerra,
num livro que já se leu,
o final da luta, numa guerra,
desde o momento em que se nasceu,
lá longe, no berço, na nossa terra,
pequeno e adorado, débil e inocente,
uma graça, um sorriso, um pingente,
uma promessa que se sente,
um sonho, para toda a gente,
uma ilusão, numa aposta conseguida,
uma continuidade na família,
naquele naco de vida,
noites de insónia, de vigília,
num tempo que passa depressa,
numa criança que corre, que fala,
num ser que aprende, se interessa,
que cresce, se liberta, abala,
que procura, com frenesim,
um futuro, um trabalho, uma mulher,
um conchego, um lar, um fim,
um começo, numa luta qualquer,
outra guerra, outra vida que se futura,
outro sonho, outra promessa,
nesta ilusão, que pouco dura,
noutro pingente que começa,
numa roda macabra, quase sinistra,
que tem de belo, de funesto,
no que se sente, no que se avista,
no que se pensa, em tudo o resto,
numa vida que é um sopro,
no que amo, no que sofro,
neste livro que quase se leu,
desde quando se nasceu!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 14:25
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Sábado, 17 de Abril de 2004

...guerras!!!...

Guerras


Corpos destroçados,
numa amálgama indescritível,
corpos mortos, rechaçados,
numa humanidade, pouco crível,
que se contraria
pela guerra suja, fria
que se alastra, vai manchando,
perseguindo, ferindo, matando,
chacinando, com sadismo,
sem respeito, com vandalismo,
todos, homens, mulheres,
crianças, outros seres,
numa voragem maquiavélica,
infernal, terrífica,
todo o Mundo, toda a gente,
o malvado, o inocente,
como um pesadelo atroz,
dos humanos, de todos nós,
desde os tempos mais remotos,
dos bisavós dos nossos avós
que, nestes cruéis recontros,
perseguem, ferem, esmagam,
chacinam com maldade,
abandonam os corpos que matam,
rechaçados, destroçados,
sem pena nem piedade,
com desamor, crueldade!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 06:30
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2004

...gota!!!...

Gota


Era uma gota, primeiro,
pouca coisa, coisa pouca,
antes de ser um ribeiro,
numa charca, numa poça,
na encosta dum outeiro
donde caiu, resvalou
e, pela encosta rolou,
ao encontro d´outras gotas,
d´outras charcas, poças,
numa união perfeita
que se completa, se ajeita,
num murmúrio tão ligeiro,
num correr dum ribeiro,
por entre fragas, pedras,
por entre arbustos, ervas,
numa pressa, num corrupio,
todas juntas, ao desafio,
à procura da ribeira
do majestoso rio
que, lá ao fundo, na planura
se espreguiça, com ternura,
ao sol, na paisagem,
por onde vai, de viagem,
sem hesitar, sem parar,
até ao retumbante mar,
local de sonho, eleição
de todas as muitas gotas
que, com ele viajam, vão,
de todos os charcos e poças
que caiem, resvalam
pelas encostas… dos outeiros!!!...



…Sherpas!!!...




publicado por sherpas às 06:18
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2004

...drogado!!!...

...no Porto, o Dr. Rui Rio, por quem não nutro muita simpatia, está a concretizar um combate contra os drogados na rua, os arrumadores de carros... meritório e de aplaudir tal empenho desde que, aos referidos, sejam depois prodigalizados os cuidados e atenções de que necessitam... ao fim e ao cabo não deixam de ser humanos que tiveram a desdita de se deixarem arrastar pelo caminho da droga, mau caminho, com triste final, como todos sabemos... exemplos, como o do autarca mencionado, deveriam multiplicar-se por este País porque, como ele vê e...todos nós, não é com umas moedas que nos podemos alhear da situação onde tantos e tantos jovens caem com facilidade, a pior, a mais baixa condição a que um homem pode chegar, o aviltamente total da vida, de qualquer vida...bem haja, Dr. Rui Rio e...já agora...viva o Porto...

Num local estranho, incerto/não muito longe, nem perto/encostado a uma parede/com muita fome, com sede/apático, confuso e deslocado/vindo doutro sítio, doutro lado/com vestes gastas e sem cor/com suores frios e esgares de dor/num rosto comprido, alongado/encimando um corpo maltratado/de jovem bastante envelhecido/pelo sofrimento, já curtido/pela cruel e dura separação/duma família, em desunião/pelos constantes flagelos/sem reparos, sem apelos/que a si próprio infligiu/desde que a mãe o pariu/desde que se materializou/e, nele, se incorporou/como pessoa, como gente/tão igual, tão diferente/de todos os semelhantes/mortos-vivos, falantes/que, numa busca contínua/nos escritórios, na rua/procuram a felicidade/ignorando a promiscuidade/no âmago dos prazeres/dos teres e haveres/da simples materialização/sem terem a noção/de como vive um irmão/que se agasta e que sofre/a um passinho da morte/da indiferença total/dos que, para seu mal/ se tornaram vorazes/e, de tudo, são capazes/nesta Terra, sem concerto/onde se vive num aperto/numa ganância visceral/que é bruta e não natural/que maltrata, isolando/os que se vão matando/no meio duma sociedade/péssima, cheia de crueldade!...

...tanto dinheiro mal gasto, tanto dinheiro mal ganho, tantas divisas que se poderiam encaminhar para os verdadeiros problemas deste cantinho... infelizmente continuamos numa de passar as culpas para o anterior, ou para os anteriores e... dar a entender, a toda a gente que nós, os que estamos agora no poleiro, é que somos os bons, os melhores... é pena... porque não recuperar os fundos pagos, indevidamente, ao Grupo Mello, sem poltiquices, sem partidarismos???... Porque não zelar pelo que é dos portugueses, sem atribuir culpas a quem quer que seja???... Passou, passou e, se receberam sem terem direito... que o devolvam... afinal, culpas no cartório, tanto as têm os rosas, como os laranjas... burrices e burradas, tanto agora, como no passado, sempre as houve e continuarão a haver, penso eu, um insignificante e vulgar cidadão, vulgar e anónimo que lhe dá para escrever sobre estas COISAS... essa pasta, mal colocada nas mãos do Grupo Mello, sempre daria uma ajudinha para o grave problema dos drogados e de outras COISAS mais, não é verdade???...

...escrito... há uns tempos atrás!!!...

...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:26
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2004

...a obra!!!...

A obra


Dos primórdios da existência,
numa era tão sombria,
no começo, na essência,
no âmago do primeiro dia,
num nebuloso universo,
isolado, disforme,
nosso distante berço,
cheio dum vazio enorme,
nada nos faz imaginar,
nem em sonhos ou magias,
as distorções, ao criar,
as evoluções, as fantasias
do que Ele fazendo, ousou,
pensando, experimentando,
em tudo aquilo que criou,
deitando fora, tentando,
o inadequado, o ineficaz,
fazendo surgir outras formas,
dando origem, fazendo capaz,
sujeitos a novas normas,
outros seres, outros cenários,
grandes, medonhos mostrengos,
furacões, cataclismos vários,
destruindo os mais horrendos,
por milhares, por milhões,
formando, desfazendo
outros tantos, aos montões,
até chegar à criatura,
indefesa, nua, insignificante,
encarnação de triste figura,
basofão, mui pedante,
inventivo, criativo,
mais do que qualquer gigante,
transformista, evolutivo,
que se crê Seu semelhante,
por força da imaginação,
neste Universo tão errante
que comanda, sem razão,
não sendo senão um borrão,
na escrita tão bem feita,
um cêntimo, num bilião,
um erro que se enjeita,
que se deita fora, não presta,
de Tudo, o que Lhe resta,
pouca coisa, coisa pouca,
ridícula, pedante… louca!!!...
…Sherpas!!!...



publicado por sherpas às 06:54
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Terça-feira, 13 de Abril de 2004

...o machão!!!...

O MACHÃO

Hoje, foi às garotas,
bebeu uns copos a mais,
gastou nas batotas,
falou de futebol
e, lá p,rás tantas e tais,
regressou ao seu covil
onde a fêmea obediente
lhe abriu as pernas, fremente...
Possuíu-a a correr,
virou-se para o lado, dormiu.
De madrugada, a fêmea, atarefada,
levanta-se de um pulo, a gemer...
Dormir? Nem o sentiu!...
Pensou, preocupada,
que a sua vida não é viver,
mas, como escrava ensinada,
acorda o amo, mansamente,
e, num àpice, a correr
aquece-lhe o café, faz-lhe a torrada,
mal se veste, pois não sente,
que, de tão mecanizada,
aquilo não é vida não é nada,
aquele fardo, o seu viver...
Trata o marido, cria os filhos,
ganha dinheiro, trabalhando,
em casa, a correr,
no escritório, a correr, a correr...
Corre, corre sem parar!
Trabalha, sem descansar!
Ganha mais do que o marido
mas, o seu fraco, o tal, o sexo
fá-la escrava do "querido"
que, tal como um chulo infecto,
um irracional!...
goza a vida, a seu prazer,
explora a fêmea, por querer,
embora mal,
cumpre o dever matrimonial,
e está-se borrifando para
o dever,
pois procede, por querer,
como um animal,
um irracional!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 14:07
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...velho!!!...

Velho


Figura pouca, no tamanho,
branca, gasta, alquebrada,
réstia dum passado, de antanho,
de espinha torta, curvada,
pelo peso da muita idade,
pela vida que, de pesada,
arrasta, com saudade,
na carcaça descarnada,
prisão da liberdade,
que lhe tolhe os movimentos
lhe dá sofrimentos
na pura realidade
da velhice que já ostenta
do alto dos seus oitenta,
bem puxados, vividos,
nos breves lampejos da vida,
alegre ou bem sofrida,
desde a ternurenta infância
até à idade adulta,
convencida, abrupta,
poderosa na ganância
sem pausas, para discernir,
a fraqueza, no provir,
o entender da verdade
na recta última, final
que acaba na bondade
dum ser que, no mal,
viveu, se esqueceu
do que viu, prometeu,
lá no íntimo, lá no fundo,
que ia endireitar o Mundo
com suas forças, engenho
e agora, gasto, velho,
pede perdão a Deus,
para ele, para os seus,
porque é chegada a hora
de partir, de ir embora,
de prestar contas, de morrer,
acabando o seu sofrer
de figura gasta, curvada,
branca…alquebrada!!!...

…Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 06:19
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...trapos!!!...

Trapos


Farrapos e esparadrapos,
restos duma civilização,
vestida com muitos fatos,
consoante a posição,
com marcas ou copiados,
segundo a sua origem,
não deixam de ser farrapos
que nos mascaram, nos fingem,
perante os olhos de mentecaptos,
perante a nossa imaginação,
nesta sucia de macacos,
nesta vida de mundo cão,
de disparates tão marcantes,
de dislates tão controversos,
onde a moda, pode ser rainha,
onde a fome, pode imperar,
onde se adora um fuinha,
onde se pode, até matar,
num Mundo de trapos garridos,
num Mundo de nus esquecidos,
num Mundo cruel e trágico
num Mundo mais que fantástico,
numa panóplia desgarradora
onde tudo se admite e permite,
onde a felicidade é sofredora
por muito que ela se agite,
se tente manter em conserva,
se tente mascarar com trapos
num local, numa reserva,
num país de esparadrapos
que tapam feridas e chagas
escondendo, em consciência,
ódios, dores e mágoas
que nos põem em falência,
nesta sociedade decadente,
onde morre tanta gente,
tanta gente que também sente!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 06:16
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2004

...eu!!!...

Eu


Custa-me ser doce, no falar,
usar de artimanhas enganadoras,
no relacionamento pessoal,
dobrar a espinha dorsal,
para cumprimentar,
lamber botas, bajular,
qualquer fulano e tal
que, do alto, mal me veja
na minha pequena valia
de simples, vulgar mortal,
que, o orgulho me sobeja,
me faz ser bem frontal
provocar muita razia,
com a cabeça oca, fria,
a quem, com bonomia,
me tenta ofuscar
ou, simplesmente, usar
por enganosa via
d´outra intenção pessoal
que, não a minha, mas a tal
que, com pura cortesia,
falsos palavreados
nos envolvem, pelos lados,
nos enaltecem os egos
fazendo-nos pagar caro,
que não é muito raro,
com haveres, dinheiros
alheias fantasias
muitas outras manias
de determinados fulanos
que nos olham, das alturas,
com bem poucas farturas,
bastantes enganos...
Gosto de ser directo,
ir direito ao assunto,
concretizar um projecto,
compreender todo o Mundo...
Não gosto de salamaleques
nem de muita brejeirice,
não vou à bola dos queques,
uma pura palermice,
de gente auto-convencida,
já de si aborrecida,
pela burra, estúpida vida
que arrastam, convencidos,
que são mais esclarecidos,
por Deus, os escolhidos,
d`entre a malta vivente
de toda, toda esta gente
que vive, sofre, sente
alguma discriminação
dos que, lá de cima, os olham
com alguma comiseração,
aguardam, esperam
que lhes lambam o rabo e... a mão!...


…Sherpas!!!...



publicado por sherpas às 07:34
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Domingo, 11 de Abril de 2004

...a flor do...consumismo!!!...

...não se deixem arrastar, deixem-nos lá falar, é melhor não se irem em cantigas, lembrem-se do canto da sereia que, com sua voz maviosa, lá ia lixando os companheiros do Ulisses, segundo reza a lenda da mitologia grega, mais propriamente, a Odisseia, escrita por Homero...de boas intenções e com boas (perversas e falsas), palavras está o inferno cheio e vão-se amanhando, sempre os mesmos, os bacocos bem instalados que tratam a turba molta, como jumentos incapazes de utilizarem, com proveito próprio, o que todos temos em comum, a massa cinzenta...é tempo de colocar as pintas nos is, dar-lhes a entender que, sem o colectivo, não há grupo económico, por muito forte que seja, que se aguente e...a tanga, a maldita crise, transformada em recessão ou em smoking esburacado, para inglês ver, que termine...que ponha um ponto, no parágrafo com final, que arrume de vez esta situação e que nos dê um respiro de alívio, aos de sempre e de credibilidade, ao governo, ao mau governo que teima em manter maus ministros, os incompetentes e os mesquinhos, os que trabalham em proveito dos grandes grupos económicos privados, esquecendo as suas obrigações morais para com o País, para com todo o Povo, os que são maus ministros, porque incompetentes e os que, nunca lá deveriam ter entrado porque, sem moral nem ética, só arranjam trapalhada atrás de trapalhada...mas, tudo isto a propósito das falsas promessas que, os que vendem trapos ou sapatos, comestíveis ou detergentes, dinheiros ou seguros, máquinas ou maquinetas, virtualidades com imagens ou com sons polifónicos, lhes tentam impingir de qualquer maneira, a seu modo, enganando, vigarizando, pensando no lucro fácil e vultuoso, rapinando-os, como papalvos que se vão na conversa, iludidos, espoliados, perante a flor formosa e cheirosa que lhes apresentam, a pílula doirada:


- Num jardim multicor/pleno de aromas, de odores/crescia uma rara flor/dona e senhora de amores/de milhões de adolescentes/que, ao passarem, cheiravam/e ficavam incandescentes/amolecidos, românticos/com cara de inocentes/apalermados, pasmados/com tanta e grande paixão/que os enchia de ilusão/pelos elevados sentimentos/tão nobres e aglutinantes/que sentiam, por momentos/fazendo esquecer sofrimentos/ou outras dores gritantes/mais ou menos sonantes/das suas piegas lamúrias/e os concertos dos cantantes/que tanto idolatravam/que esqueciam e logo amavam/aquela raríssima flor/senhora de rico aroma, sabor/de belo recorte, um amor/singular na forma, singela/de cores simples, tão bela/marco duma pausa calmante/que os alegrava, confortante/tanto prazer lhes dava/que os trazia amarrados/e algum mal lhes causava/por, de tão entusiasmados/se sentirem manipulados/por aquela rica flor/raríssima na forma e na cor/com tão agradável odor/que, quanto mais se possuía/mais falta lhes fazia/os transportava à loucura/provocando tanta procura/que pouco a pouco os consumia/numa tristeza, sem alegria/arrastando-os para o fundo/duma carteira bem vazia/aos jovens de todo o Mundo/que, na flor do consumismo/gastam os trocos, sem tino/com uma paixão desmedida/como se lhes acabasse a vida/tão depressa, tão de repente/e deixassem de ser gente/com um cérebro, uma mente/gente equilibrada, decente/com senso prático, consciente!...

...depois, bem, depois, já é tarde e, quando mal nos precatamos encontramo-nos com uma mão cheia de nada, uma à frente e outra atrás, começam as dificuldades porque, casa onde não há pão, todos ralham, ninguém tem razão...antes que seja tarde, ponham-se de pé atrás, desconfiem das facilidades, dos populismos fáceis e demagógicos, utilizem a cabecinha, a tal cabecinha pensadora...o consumismo desregrado, viciante, sem controle, dá sempre bota, ficamos sempre com os burros na água e, as vítimas, são sempre as mesmas...olhem à vossa volta e vejam que, nas casas de luxo, nos carros de elevada cilindrada, os de topo, nas viagens de sonho, não há crise, as vendas até aumentaram enquanto que, com os anónimos e vulgares cidadãos, os insignificantes, é um apertar de cinto que até faz ranger os dentes...País, pobre País, para onde vais com tantas discrepâncias e disparates???...




...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 08:13
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...cravo!!!...

Cravo


Um movimento, uma acção,
um regimento, um pelotão,
vários capitães, batalhões,
muitos civis em multidões,
muitas armas, preparadas,
objectivos perspectivados,
carros com armas pesadas,
milhares de simples soldados,
filhos dum povo, duma Nação,
todos num só, ordenados,
com uma única ilusão,
acabar com a guerra,
acabar com a violência,
longe da Pátria, longe da terra,
aquela suja experiência
na flor da adolescência,
no limiar da inocência,
prova dura, triste vivência,
marcação profunda,
personalidade que se forma
no caracter que se afunda,
no monstro que se torna
depois de fazer sofrer,
depois de odiar, matar,
sem vontade, sem querer,
só por alguém ordenar,
alguém que, convém afastar
da governação, que não interessa,
com rapidez, muito depressa,
com regimentos, com batalhões,
com capitães, pelotões,
com civis, em multidões,
com armas, engalanadas,
todas floridas, muito enfeitadas,
com emoção, com persuasão,
sem mortos nem feridos,
sem guerreiros aguerridos
massacrando os já vencidos,
com uma flor, com um cravo,
vermelho, amarelo, branco,
lá no alto, mesmo no cano,
da arma que eu levanto,
inerte, parada, sossegada,
sem balas, descarregada!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:54
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Sábado, 10 de Abril de 2004

...espanto!!!...

Espanto


Espanto, admiração, incredulidade,
sentimentos similares, diversos
se me deparam, na realidade,
ao escrever estes meus versos,
ao falar, como gosto,
de mim para mim, sossegado,
solitário, sentado no meu posto,
perante um computador, ligado,
puxando todas as linhas do pensamento,
gritando, surdamente, com alma,
com coração, com sentimento,
com uma guerra que se acalma,
com um alargado sofrimento
que me espezinhou, que me chama,
que me destruiu, num momento,
me revirou, me desirmana,
que me deixou órfão, isento,
me baralhou a personalidade,
me quebrou toda a vaidade,
me arrastou pela amargura,
pela dor, pela doença sem cura,
que se prolonga, que perdura,
que me destrói o pensamento,
me banaliza o encantamento
duma vida normal, equilibrada,
em doce paz, sossegada,
duma família coesa, unida,
há muito tempo quebrada,
por meros tostões, partida,
por reles vinténs, separada,
por sentimentos similares, diversos,
de espanto, admiração, incredulidade,
ao escrever estes meus versos
sobre a crua, bruta realidade,
sobre esta hipócrita verdade,
sobre este arrependimento fugaz,
de quem pede, de quem é capaz,
de quem se penitencia, no momento,
de quem se julga, mais isento,
se introverte, se arrepende,
se quebra porque… ainda sente!!!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:48
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Sexta-feira, 9 de Abril de 2004

...Ai, Alentejo!!!...

Ai Alentejo!...


Ai Alentejo meu amigo,
região de encantamentos,
trago-te sempre comigo
num canto, dos pensamentos...
Terra tão desprezada,
espezinhada, não esquecida,
pelos que a têm lembrada
e a sentem, muito querida...
É um paraíso de emoções,
uma tela de muitas cores,
um ramo de corações,
um molhinho de tantas flores...
Agreste, dura e calosa,
ingrata e mal agradecida
para quem a acha formosa
e a trata como bendita...
Estende-se pelo horizonte,
sem árvores nem rochedos,
poucos rios, nenhuma fonte,
terra só, de muitos medos...
Nela, o silêncio é maior
e maior a fantasia
de quem a sente, com amor,
e a vive, com alegria...
De azuis, amarelos
e brancos a fartar
nas casas, nos farelos,
nos trigais de encantar,
nos céus, tão belos,
na pureza, de embalar,
das pessoas que o habitam
e, revoltados, o rejeitam
para sobreviverem,
bem longe, vão morrer...
Ai Alentejo, que saudade
dos tempos idos, passados,
da franqueza, da verdade,
dos entes queridos e amados,
da vida calma, da amizade,
dos cheiros dos cozinhados,
dos sons da aldeia e da cidade,
dos centros urbanos, interiorizados,
dos campos bem trabalhados,
antes de serem espoliados,
saqueados e pilhados
por bandos de malfeitores,
radicais e caçadores
que vão beber e comer,
espalhar seus temores,
pelos que os aturam,
cheios de estranhos furores
que tudo matam, tudo roubam...
Ai Alentejo, pobre mártir,
desertificado, arruinado,
donde também vão fugir
os que se têm aguentado
porque se vão sentir,
enquanto vão cantando
para os turistas ouvirem,
humanos vegetando
numa terra enfeitiçada
há muito abandonada!...


…Sherpas!!!...






publicado por sherpas às 08:08
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2004

...açorda...à alentejana!!!...

Açorda


Almoço do pobre,
sopa de pão, sopa de fome,
açorda colorida,
cheirosa, magra, sofrida,
com um pouquinho de nada,
com um pouquinho de tudo,
com sabor, sem entrada,
num prato raso, sem fundo,
uns restos de côdea dura,
num alguidar de barro,
um azeite de cor escura,
água do cântaro de barro,
um alhinho de tempero,
sal pouco, com esmero,
um poejo, para dar cheiro,
bem quente, a ferver,
que faz soprar, passar tempo,
a essa gente que, no sofrer,
se cura, a todo o momento,
com cantigas lânguidas,
chorosas, sofridas,
nas fainas duras, custosas,
mal pagas, pelos patrões,
donos de terras rendosas,
de empregados, aos montões,
alheios a todas as açordas,
com mesas amplas, fartas,
com barrigas grandes, gordas,
esquecidos das pessoas magras,
pobres e esfomeadas!...


…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 21:28
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...a grande...farra!!!...




A grande farra, é verdade, “la grand bouffe” como dizem os franceses... é ao que estamos assistindo, vai para trinta anos, todos nós, os portugueses normais, os cidadãos anónimos, os que pagam sempre, os que não têm nem nunca tiveram qualidade de vida, na saúde, na educação, na segurança, na infância e na velhice... impávidos e serenos vamos assistindo, porque disso se trata, à bela vida, “La belle vie” dos que, mediante artimanhas bolsistas e golpes menos claros, se alcandoraram a posições cimeiras, no aspecto económico, claro está, porque a maior parte das vezes são os que mais males possuem a nível saúde porque os fartanços nunca fizeram bem a ninguém e, com a pança cheia, morrem mais cedo mas, morrem felizes...benza-os DEUS. É uma vida santa, a vida destes senhores, os que, por acumularem muitas energias com grandes comezainas e vidas sedentárias, as têm de gastar nos ginásios da moda, nas piscinas privadas ou do clube, nas maquinetas que compraram e têm nos seus palacetes, ou a brincarem com bolinhas no golfe, no ténis e noutras brincadeiras mui similares... por vezes agarram nos seus jipes de grande potência e vão até ao Alentejo participar nalguma brincadeira colectiva e tal como nas outras, dão-se taças e prémios uns aos outros e...tudo bem. Vidas santas e preenchidas que não lhes dá tempo sequer para olharem à sua volta, para as reles criaturas que, para sobreviverem têm de trabalhar no duro, utilizando a mente ou o físico, a fim de obterem algumas migalhas que porventura sobrem das enormes e desconformes mesas destas criaturas, abençoadas pela fortuna e, na maioria dos casos, muito crentes e praticantes, os tais que não passam pelo fundo duma agulha, os que têm menos sorte que qualquer elefante, pois é... há também um grande grupo desta fauna, os mais jovens, que frequentam assiduamente as festarolas do “jet” e se entretêm a deambular pelo Mundo, em grupos e viaturas próprias ou nos Jumbos, Concords ou nos TGV, saltitando de capital em capital, de continente em continente, estrapaceando o que os velhotes lhes dão, sem consciência do que fazem porque, eles, coitados, eles nasceram para isso mesmo, são compulsivos irracionais nos gastos que praticam, sem sentimentos, não humanos, outra espécie de gente, gente que não presta. Lá vão aparecendo nas revistas da especialidade, num ou noutro programa de tipos finos, assistem a espectáculos dignos da sua condição, longe da turba, longe do vulgo, de costas viradas para o MUNDO, enfim, muito bonito mas sem sumo, como se costuma dizer... nestas suas deslocações, claro, utilizam o melhor que há, em hotéis, em restaurantes, tudo, mas tudo, de cinco estrelas para cima porque é ao que estão habituados nos seus palacetes, nas suas quintas, nos seus duplex, nos condomínios cerrados a sete cadeados, muito privados, onde fazem a sua vidinha de aviário. Outras vidas, outros mundos, redomas muito apartadas do exterior, do real, do dia a dia dos que trabalham e se conformam com algumas migalhas... destes, mediante o que observam, há muitos que ambicionam este estilo de vida e por, parasitismo ou outros meios, conseguem usufruir algo mais do que os vulgares e, como lacaios subservientes, lá se vão desenrascando...depois, ah, depois, aparecem os, como numa democracia qualquer que se preze, deslumbrados pelo PODER e, incluídos num bando político de centro ou de direita, até mesmo de esquerda, inscritos como tal, com toda a ambição a funcionar tentam alcançar o POLEIRO e...quando o alcançam, é vê-los, na aprendizagem rápida dessa boa vida, da BELLE VIE, misturados na grande farra, la grand bouffe, em comezainas de fartar, bem arreados, muito bem instalados, transportados com todas as porras em carrinhos de topo, último modelo, utilizando os palacetes públicos como excelências que passaram a ser, gastando à tripa forra porque o que gastam não é deles e...é como o outro, habituados como ficam a tratar só com milhões e milhões, a lidar com a gentinha de berço, os tais imprestáveis que, quando nasceram já o eram, tal como a pescada, a praticarem o ténis, o golfe, a fazerem umas piscinas, a frequentarem os ginásios de clubes muito privados, os tais, a serem assediados por tudo quanto é meio de comunicação, sempre em viagens de representação nacional em proveito pessoal, claro, depressa, mesmo muito depressa se esquecem do que prometeram antes de serem eleitos e...tratam a ralé com um certo distanciamento, com arrogância até, para não dizer com desprezo...enfim, entram na grande farra, de esquerdas, de centros ou de direitas porque se vão substituindo sistematicamente, a eles e aos seus clientes, os boys ou os laranjas, os laranjas ou os boys, todos muito BEM de vida, misturados com o Jet porque este, embora não lhes ligue muita importância, sempre vai beneficiando, beneficiam sempre, um bocadinho ou um pedação, consoante o quadrante político e...a farra continua, continua, vai-se prolongando já vai para trinta anos e as migalhas vão caindo, poucas, pouquinhas, os miseráveis vão aumentando, Les Misérables, como nos tempos de Victor Hugo, agora, com mais tecnologia, os télélés, os que sugam e vão sugando as perras aos bacocos, tal como outros brinquedos que pesam no orçamento dos que não vivem, dos que sobrevivem, vegetam, porque não dá para mais e lá no cimo, numa redoma, no Olimpo, os endeusados, os que, pelo dinheiro, se afastaram da ralé, desta mísera gente, esquecida, enganada, vigarizada e...adulada em tempos de eleições... porca miséria esta, tristeza de vida para os que saíram duma ditadura de quarenta e tal anos para caírem numa democracia de treta que só consegue dar um bom modus vivendus aos que não precisam, aos que já o têm, aos amigos, aos clientes e a eles próprios, os eleitos, as excelências...mas que grand bouffe, mas que grande farra, mas que dolce vita a destes insensatos destes políticos que só fazem asneiras, atrás de asneiras e só dão umas migalhas ao POVO enquanto se banqueteiam à grande e à francesa... tenho pena que estes factos sejam reais, verídicos, confirmados, agravados e não resolvidos porque, neste País, o fosso que separa os ricos dos que nada têm é cada vez maior perante a insensibilidade dos que já pertenceram à classe dos mais desfavorecidos mas que se conseguiram libertar dela...é bem verdade o provérbio que diz que nunca sirvas quem já serviu pois parece que conseguem ser ainda piores dos que estão habituados à vassalagem de geração em geração... sou dos que gostariam que os governantes tentassem puxar os de baixo para cima, os que não admitem a caridadezinha e as boas palavras, de boas intenções está o inferno cheio, dos que acreditam que o Sol quando nasce é para todos, dos que não olham só para o próprio umbigo, dos que, egoísticamente, se estão nas tintas para quem sofre, para quem não tem, contra, visceralmente, os carreiristas, os ambiciosos que não olham a meios para atingirem os seus fins, os pouco dignos, os amorais ou imorais arrogantes que se consideram diferentes ou superiores aos vulgares e normais, sou, por natureza, contra as grandes farras de alguns e as barrigas vazias da maioria e...não pertenço a nenhum bando, não tenho nenhuma bandeira, só tenho a minha consciência que tem consciência que muita COISA vai mal neste cantinho que poderia estar mais equilibrado e...não está...acabem com as farras e tentem remediar o que está mal feito, acabem com as mordomias, dêem o exemplo, sejam honestos convosco e com quem vos colocou no PODER...

...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:26
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...aos maiores!!!...

Aos maiores


Não me quero comparar
com outros “vates” passados
que bem souberam sonhar
ao escreverem, bem narrados,
seus versos de encantar,
ajudados ou não ajudados
pelos Deuses, pelas musas,
que, nos seus tristes fados,
lhes deram forças confusas
nos sórdidos momentos,
das suas vidas obscuras,
dentro das dificuldades
lhes mostraram a verdade
do que havia de formoso
no meio da promiscuidade
do que era bem famoso,
próprio daquelas “eras”,
porcaria, ignorância
faziam militância
em quase todas as terras
deste jardim ribeirinho,
país de muitas feras
com poucos cravos, no cimo,
de todos bem comentado,
pelo que tinha de atrasado...


Eles, como tantos outros,
surgiram do lodaçal
para bem dos vindouros
de alguns antepassados
apresentaram o nosso mal
com versos tão dourados
que nos honraram bem
mostrando mais além
nossos feitos passados
por mares, não navegados,
de todos desconhecidos,
outros mundos, só sonhados,
cobiçados, enfraquecidos
depois de bem explorados...


Foram grandes na pena
férteis na imaginação
foi com garra, sanha
que deixaram, para os que estão,
obras de magia tamanha
que nos tocam o coração
pelo profundo encantamento,
pela beleza total,
que, para mim, não há igual
esse tão doce momento
quando leio, ouço recitar
poemas dum Camões, dum Bocage,
dum Pessoa ou duma Espanca,
doutros, que nos dão a imagem,
dum Paraíso, que não estanca,
antes progride, ressurge
mais novo, porque urge,
acompanhar o progresso
dum Mundo, que está pelo avesso,
que é preciso parar
para o fazer pensar, em verso!...



…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 07:23
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2004

...o ladrão!!!...

O Ladrão




Numa derradeira luta
do bem contra o mal,
duma vida que se encurta
por um caso trivial,
de alguém que se furta
num golpe, sem igual,
de destreza, habilidade,
fugindo à vulgaridade,
mas que é detectado
por um elemento fardado
representante do sistema
por agora, implantado,
que, como num teorema,
não admite nada errado,
nem sequer um poema,
quanto mais ser roubado,
um vulgar cidadão,
por um honesto ladrão
que, durante o seu trabalho,
foi directo, sem atalho
à vítima descuidada
sem notar gente fardada
nas cercanas imediações
que opusessem problemas,
ou outras complicações,
a pessoas, não enfermas,
como ele, em condições
de activo trabalhador
para roubar, seja o que for,
aos papalvos despistados,
rural, piloto ou doutor,
sem posses, bem abonados
que o possam ir mantendo,
sem esforços, com magia,
com arte, só dependendo
da esperta policia
que servindo, vai defendendo
a imensa maioria
dos que sofrendo, gemendo
pelas tarefas do dia a dia
até se vão esquecendo
da algibeira que, de vazia,
faz o ladrão ir sofrendo
na luta sempre desigual,
nesta sociedade ingrata,
do bem contra o mal
que tanto fere como mata!...



…Sherpas!!!...



publicado por sherpas às 15:01
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...a ganância!!!...

...pus-me a pensar sobre o Poder e os que o adoram, acima de todas as COISAS, os que são capazes de tudo a fim de o alcançarem, os dotados duma ambição tremenda, duma ganância desmedida que não olham a quem desde que o tenham como objectivo principal de vida...triste vida, baixo e sem valor objectivo...o Poder é ilusório, passageiro, ridículo até, em certas personalidades da nossa praça, que não importa comentar... não vale a pena, pois já tudo foi dito e redito e... só o fulaninho em questão é que teima em não ver o que é de mais evidente...não se justifica o injustificável e... já o meu pai me dizia: - Manel, escreve sempre com boa letra para que todos te possam ler. Um pai é assim, quer sempre o BEM dos filhos e, ao meu pai, tenho de agradecer muitos conselhos como este...há os que não tiveram a mesma sorte e incutiram-lhes no espírito, muito arreigadamente, falsos valores como a vaidade, a ambição ou ganância, o orgulho desmedido e outros como estes ou...piores...depois, bem, depois, deram no que deram, num puuff...imenso e...bacoco, tal como um balão que se despeja do ar que o enche, ficando vazios, sem nada...coitados, dignos de pena, tudo pelo dinheiro que adoram:

- É o dinheiro, é a ganância/a ambição desmedida/querer, em toda a pujança/o poder de toda a vida/a superioridade exacerbada/o egoísmo, como lida/o orgulho, numa manada/de uma besta assumida/um cancro terminal/num corpo carcomido/uma dependência vital/num ser mais que vencido/uma torpeza, uma baixaria/um defeito desgarrador/um sinal de vilania/do que se considera senhor/vil metal, duro e sujo/que corrompe, que corrói/que, dum homem, faz um sabujo/que tanto mata e destrói.../é o dinheiro, é o poder/é a extrema deturpação/dos que têm muito a comer/e procedem com emoção/roubando e destruindo/chegando até a matar/espezinhando e fugindo/sempre e sempre, sem parar/pela ganância, pela ambição/pelo egoísmo, pela vaidade/por essa eterna maldição/do poder, da superioridade!...

...é por causa destes idiotas, gentes com muitas ideias, evidentemente, que o Mundo anda desequilibrado, assimétrico, porque há os que tudo querem, de qualquer maneira, os que não olham a quem, os que olham muito para o umbigo e...os pobres coitados que, por falta de agaias ou de oportunidades, passam as agruras do inferno, nesta vida, na nossa vida, à nossa frente, perante os nossos olhos, para mal deles e dos que, ainda têm sentimentos e são humanos...enfim, é mais uma opinião insignificante dum vulgar cidadão anónimo que...não vai para os copos e...nas horas livres...gosta de escrevinhar sobre tudo, um autêntico escreve (fala) barato...

...Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 06:41
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Terça-feira, 6 de Abril de 2004

...a criatura!!!...

A CRIATURA


Dar-me a conhecer
a todo o mundo,
a toda a gente,
sem ter nada que temer
bem lá no fundo,
dizer o que se sente,
gritar a plenos pulmões,
a toda a gente,
a todo o mundo,
que todos os corações
são meus irmãos
com eles, me confundo
porque sou gente, que sente,
que chora, que grita,
que não mente,
porque acredita
em si próprio
Naquele, que me compreende,
que, numa hora bendita,
me criou,
me igualou
a Ele, como criador,
digno artista, sonhador,
que nos deu todo o amor
que desprezámos,
que espezinhámos,
provocando mortes, dor
por todo o lado,
por toda a parte,
com escárnio descarado
pelo Supremo, pela sua arte...

Dar-me a conhecer
aos que me rodeiam
sem ter que temer
os que me odeiam
os que me olham
com despeito,
sem senso, nem respeito,
pela obra, por Deus criada,
que, pela vida, foi modificada
se tenta guindar
a um nível, mais perfeito,
que o possa fazer amar
doutro modo, doutro jeito,
o semelhante,
que lhe grita, atraiçoa
a cada instante,
o amaldiçoa
pelo que lhe diz, pelo que lhe faz,
por tudo, de que é capaz,
esquecido de que é igual,
quando menino, rapaz,
da vida toda inteira,
ao Ser celestial
que o criou, criatura perfeita...
...imperfeita!...


…Sherpas!!!...


publicado por sherpas às 07:27
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2004

...hormonas, dioxinas...mercúrios!!!...

Hormonas, dioxinas, mercúrios...


Somos o que comemos,
seres plásticos, transgenizados,
pelo que somos, sofremos,
pelos enlatados sintetizados,
pelo que nos cobram
em produtos lindos, calibrados,
que nos enrolam,
nos seduzem, envenenados,
nos ares que respiramos,
de dioxinas carregados,
nas águas que admiramos,
plúmbeas, transparentes,
onde, sem medo, navegamos
nas sedes que saciamos,
nos peixes, tão inocentes,
que, gulosamente, degustamos
ignorando mercúrio, matéria orgânica,
um que outro componente,
restos desta sociedade titânica,
individual, ego crente,
adoradora satânica do dinheiro,
que se sacrifica, a tanta gente,
pensando sempre, primeiro
no que rende, no que vende,
no que engorda, no que duplica,
na vaca, no frango, que triplica,
no fruto grande, vistoso,
exaltando o pensamento,
cruel, frio, viscoso,
sem réstia de sentimento,
dum lucro, fácil, fabuloso,
resultado de envenenamento,
calculado com indiferença,
sobre toda uma civilização,
desde o princípio, da nascença,
desta, daquela geração,
condenadas, sem apelação,
a um Mundo promíscuo, sujo,
tão diferente do que nos deram,
esta valeta sórdida, de sabujo
onde os assassinos… prosperam!...


…Sherpas!!!...





publicado por sherpas às 05:58
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...conversa!!!...

Conversa


Tenho fome de conversa,
uma necessidade premente,
uma fome que, depressa,
se mitiga, de repente,
com a minha alma, imersa,
num poema sobre gente,
numa conversa pessoal,
muito só, interiorizada,
corriqueira, bem banal,
versejada, bem rimada,
sem muitas deferências,
nem requebros elegantes,
com algumas referências
a vulgares, a pedantes,
numa sintaxe singular,
com fonética adequada,
monocórdica, regular,
com pausas, descansada,
sobre grandes pensamentos,
sobre figuras, casos,
muitos outros acontecimentos,
sobre rosas, jasmins, cravos,
uma conversa distinta,
bem diferente, bem diversa,
relaxante, bem retinta,
este tipo de conversa
que faz com que me sinta
aliviado, contente
que, sem falar com gente,
consumo a necessidade
que me põe, de verdade,
a conversa actualizada,
embora… versejada!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 05:56
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...Fátima!!!...

…sou católico porque, na altura, quando bebé, não sabia dizer não, ainda não falava, pois então!!!...Tive formação religiosa…de acordo com esta religião!!!...Presentemente, a minha religião é a minha consciência…a que pratico, todos os dias!!!...Quanto às outras, a todas elas respeito e rezo!!!... No contexto poético, o meu…nada mais é, do que falar com Alguém (???...)!!!...Respeito e admiro os que têm fé!!!...Eu sou como S. Tomé…para meu mal, para meu bem, quiçá!!!...

Fátima


Fui a Fátima, olhei
para uma povoação disforme,
fui a Fátima, pensei
sobre aquela fé enorme,
fui a Fátima, rezei
pelos pobres, que têm fome,
fui a Fátima, sorri
por muitas coisas que vi,
que contraste tão invulgar,
tão absurdo, tão tremendo,
dos que não vão para rezar,
dos que se sentem bem, comendo,
nesta terra de paixão,
de crendices, de milagres,
terra de tantos padres,
de freiras, de oração,
altar mor de todo o Mundo,
lugar santo de promessas,
com a Basílica ao fundo,
com multidões imensas,
terra das velas, em procissão,
dos lenços brancos, no ar,
da casinha da aparição,
dos pastores que iam rezar,
da Senhora, mais que linda,
a Virgem Imaculada,
que foi vista, Bem vinda,
que, hoje, é adorada,
nesta Fátima de perdão,
nesta terra de comunhão,
neste lugar de contrastes,
onde se junta o ladrão,
as tendinhas das imagens,
o comerciante ratão,
reles, muito matreiro,
pensando só no dinheiro,
coniventes com os padres,
no meio de tantos milagres,
de tanta reza, de tanta crença,
que se sorri, quando se pensa,
quando se olha, se vê,
o grande povo, que crê,
que chora, enquanto ora,
que deixa uma curta esmola,
que parte, que vai embora,
desta Fátima que… eu olhei,
que me fez sorrir, pensar,
onde, baixinho, rezei
quase me pus a chorar!...



…Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 05:54
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...saem...aos borbotões!!!...




…saem-nos assim, aos borbotões, em torrente, como coisa que jorra, num repente, sempre iguais, sempre diferentes, estes amontoados de palavras, as que se acumulam, na nossa mente que, quando contidas, incomodam, dão mau estar…a quem as sente!!!...

…só, quem passa por isso, avalia esta tortura, um dom, sublime bênção, toque dos Deuses…oferta nobre, doce relíquia, manjar esquisito, que faz dum pobre, dum plebeu, dum reles qualquer, coisa pouca, gente pouca, alguém muito especial, simples transmissor, doutros seres, quiçá, Superiores, os que o conduzem, o encaminham, o façam peça sua, mais afinada, como indutor, catalisador, desta humanidade tão sem nada, desqualificada…aos trambolhões, sem ilusões, cruenta e cruel, massacrante de tudo quanto é nobre, de tudo quanto é digno, nesta máquina gigante, tão bestial, aberrante e confusa, meio difusa…mais que perdida!!!...

…somos jograis, somos palhaços, bobos que tais…como nos jornais, somos cronistas, comentadores, concretos ou fantasistas, puros e verdadeiros, a tempo inteiro, como pensamos, em consciência, sem enganos, nada servis, não subjugados, nada castrados, nada vendidos, iguais a nós próprios…como somos, como queremos!!!...

…viemos da plebe, iguais a ela, somos povo, somos ralé, somos o Zé, no seu melhor, como o entendemos, como o vemos, como o amamos!!!...Nem mais, nem menos, somos o que somos, não esquecemos o que fomos, sabemos o que pensamos…quando sonhamos, quando escrevemos, usando termos, desenhando palavras, aos borbotões, aos mil milhões, muitos montões, em torrentes imparáveis, incontidas…as que se sentem, que nos aliviam…depois de escritas!!!...

…somos assim, fiéis, sinceros, puros, direitos, pensadores de palavras múltiplas, escrevinhadores, palradores mudos, quando escrevem, papagaios, comentadores, jograis, palhaços, bobos, cronistas e…muito mais!!!...Abraço do Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 05:51
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Domingo, 4 de Abril de 2004

...baralhamentos!!!...

Baralhamentos


Quando me baralho e perco,
por momentos, a compostura,
retrocedo até ao berço,
enquanto o baralhamento dura,
com atitudes de criança,
com birrinhas de bebé,
porque o juízo não alcança,
porque me quedo choné,
embora transitoriamente,
por um motivo qualquer,
encerro-me, fecho a mente,
petrifico-me num ser,
tão esquisito, tão diferente,
que não pode, não quer ver,
nada, ninguém, outra gente,
nesses momentos cruciais,
de baralhamento total,
deixando de ser como os mais,
um ente completo, normal,
neste Mundo de indecisões,
de egoísmos exacerbados,
de quereres, de pretensões,
de normais e baralhados,
que se perdem, se encontram,
se enfrentam, se desdizem,
se despicam, se confrontam,
se ferem e… contradizem!...


…Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 06:56
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Sábado, 3 de Abril de 2004

...já lá vão... os tempos!!!...

Homo Sapiens

Já lá vão os tempos,
já passaram essas eras,
os tempos dos inventos,
os tempos das esferas,
do desconhecido, do ignoto,
do medo pelas estrelas,
da fuga dum corpo morto,
das superstições, bruxarias,
das rezas, das alquimias,
da redenção pelo fogo,
no tempo da inquisição,
o receio pelo sol posto,
o abrigo, na escuridão,
nos fundos duma caverna,
todos juntos, ao montão,
sem claridade, sem luzerna,
tempos remotos, diversos,
seculares, mais recuados,
distantes, esquecidos berços
sem memória, quase apagados,
dos que se quedaram nuns traços,
nuns rabiscos, nuns pedregulhos,
em restos de porcelana, nuns passos,
nuns ossos, nalguns entulhos,
em obra escrita, nas paredes,
em pedras fúnebres, em cascas,
em papéis velhos que ledes
em relicários escassos, rascas,
em bibliotecas monacais,
nuns que outros jograis,
ou nos cronistas de serviço,
da época, pois então,
nas armaduras, sem viço,
nos apetrechos de latão,
nas espadas, lanças, setas,
nas tapeçarias reais,
nos copos, pratos, peças,
noutros pontos finais,
noutros objectos grosseiros,
arrastados por animais,
burros, bois, cavalos,
por homens menos iguais,
escravos, simples vassalos
das casas senhoriais,
noutros tempos, noutras eras,
tempos de inventos, esferas,
tempos bem mais recuados,
sem memória, quase apagados,
no berço da escuridão,
no princípio da ilusão!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 22:14
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...passarada!!!...

Passarada


De madrugada, quando me levanto,
quase de noite, bem cedinho,
abro a janela, oiço o canto
de várias aves, bem pertinho,
muito mais madrugadoras,
sempre alegres, joviais,
não se importando com horas,
porque são simples pardais,
vivendo cada momento,
da sua curta existência,
com total empenhamento,
dando sabor à vivência
desse escasso período,
partilhado, já esquecido,
nos meus tempos de miúdo,
d´outro tempo, já vivido,
na minha terra de origem,
pequena, no Alentejo,
onde nasceram, vivem
pessoas que, há muito, não vejo,
que, comigo, partilharam
essa entrega, essa paixão,
que nos deram, nos mostraram,
nos campos, a ilusão
da natureza mais pura,
do belo, harmonioso,
do que sempre dura, perdura,
do singelo, do mais formoso,
dos cantos da passarada,
dos verdes da vegetação,
dos cheiros da madrugada,
dos acordes duma canção,
do silêncio alto, gritante,
da brancura nívea, total,
do vermelho, mais berrante,
das papoilas, em geral,
do azul do céu, celestial,
das águas bem cristalinas,
dos rios de pouco caudal,
dos montes, das colinas,
tantas e tantas lembranças,
de quando éramos crianças,
nos afluem, por instantes,
nestes lugares mutantes,
corroídos pelo progresso,
pelo casario em barda
que, sem mostras de retrocesso,
tudo absorve, abarca,
tudo destrói… estraga!...



…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 17:20
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...autista!!!...

Autista


Com um punhado de palavras,
com sentimentos variados,
com as penas com que lavras
os papéis, imaculados,
com metáforas altissonantes,
meio abstractas, pouco concretas,
com frases revigorantes,
de ignotos, de ascetas,
de gentes poucas, desconhecidas,
nada vistas, escondidas,
vulgares, quase esquecidas,
com um Dom, que é natural,
uma bênção dada por Deus,
um trovador, um jogral,
debaixo destes imensos céus,
nesta época de virtualidades,
de comunicação global,
de puras, falsas verdades,
do que não é natural,
do que foge ao humanismo,
ao romântico, poético,
do puro, péssimo capitalismo,
do egoísta, fanático,
vivo eu, um metafórico,
um poeta assumido,
sossegado mas, retórico,
realmente compungido
com a realidade desta gente,
que foge ao que se sente,
que nada lê, pouco escreve,
que esconde os sentimentos,
fútil, vazia, oca, leve
que espalha pelos ares, aos ventos,
o que manuseia, não teve,
o que utiliza, estropeia,
que clama alto, de viva voz,
como uma espécie de panaceia,
que é uma fera vil, feroz,
sem poesia, com autismo,
adoentada… sem romantismo!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 17:08
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...começo!!!...

Começo


Meta que se alcança,
objectivo já atingido,
barreira que se passa,
um tempo já vivido,
porta que se abre,
horizonte mais alargado,
noção de que se sabe
menos jovem, já formado,
princípio duma vida,
caminho começado,
responsabilidade assumida,
sem sonho, sem utopia,
uma realidade concreta,
certeza sem fantasia
um momento que se acerta,
altura de festejar,
de partilhar em conjunto,
depois de alcançar
nova fase, novo mundo,
esfera da realidade,
do labor, criação,
de maior liberdade
na subtil orientação,
nas ilusões pensadas
das ideias concebidas,
depois de realizadas,
ultrapassadas, vencidas,
desta vida… doutras vidas!...

…Sherpas!!!...
publicado por sherpas às 12:17
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