Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

... a poesia, sente-se... não se avalia!!!...

 

… pode ser tanta coisa,

a poesia que se não avalia,

quase sempre, maravilhosa,

com ou sem rima, sem métrica, até,

uma simples repetição, uns versos sonantes,

estribilho adequado,

eis que… surge uma canção,

louvando uma situação,

em momentos de exaltação,

por sentires pátrios, excitação,

letras fortes, gritantes,

cantando ao vento que passa,

com amor, com muita fé,

identidade própria, raça,

num hino que se levanta,

quando se ergue… quando se canta,

 

pode ser brincadeira, chalaça,

uma picadela aguçada,

quando se arranjam, com graça,

versos e quadras populares,

que achincalham convencidos,

todos aqueles que se dão ares,

nos postos que ocupam, conhecimentos,

com testemunhos e intelectos,

não fechados, mais abertos,

em círculos muito restritos,

com mostras em salão,

bajulados e publicados,

não sendo bem o que são,

simples amostras, fingidos,

metafóricos, por opção,

não mostrando, como devem,

tudo aquilo que escrevem,

meio escondidos… vendidos!!!...

 

… são imagens, são momentos,

são partilha de sentimentos,

são denuncia, intervenção,

guerra assumida, por gosto,

quando desmascaram situação,

quando apontam dedo a feridas,

quando descrevem erros humanos,

escrevendo, com emoção,

lágrimas derramadas, sentidas,

injustiças, mortes provocadas,

logros… enganos tamanhos,

são enlevo, doce porvir,

encantamento permanente,

quando cantamos o amor,

beleza rara duma flor,

natureza que exulta,

que assombra no seu esplendor,

enormidade do homem,

quando se é, por merecimento,

não por favor a alguém,

encanto… encantamento!!!...

 

…a poesia, não se avalia,

sente-se em demasia,

quando  se mete na gaveta,

quando se espalha aos quatro ventos,

a de trazer por casa, sem interesse,

a da denúncia pertinente,

a da luta que se faz,

quando, disso se é capaz,

a publicada, vendida,

a que se lê, se merece,

respeitada, desmerecida,

por uma razão qualquer,

a popular, chocarreira,

numas saias que se batem,

quando se dançam, se enleiam,

nas festas que se fazem,

que embelezam… não desfeiam!!!...

 

… há poetas labirínticos,

rebuscados, bem elevados,

com palavreados rotundos,

loquazes, bem finos,

conhecimentos bastos, fartos,

chilreios maviosos, Olímpicos,

coisas poucas, ultrapassados,

tão sabidos, profundos,

mortos, logo à partida,

postos em livros, contidos,

cheios de pó, não lidos,

enfeitando prateleiras,

resmas que avultam, bem cheias,

um escape, uma fugida,

um recanto, sem encanto,

um grito falso… desencanto,

poesia com pouca valia,

que, também… se não avalia!!!...

 

…a poesia,

quando feita e sentida,

gritos da alma, gritos da vida,

não se denigre… não se avalia!!!... Sherpas!!!...

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 21:32
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Sábado, 27 de Maio de 2006

... quando te embonecas... rapariga!!!...

 

 

… quando te embonecas, rapariga,

quando te esticas, te mascaras,

não lobrigas, não reparas,

a cara com que se fica,

rugas de toda uma vida,

caminhos com que deparas,

tantas curvas, quantos saltos,

torvelinhos, abandonos,

perdas, ganhos, socalcos,

possuída por tantos donos,

artimanhas que usas, com que disfarças,

manobras, rodeios,

simples fugas, enleios,

vontade de congelar, de quedar, de ficar,

como, quando nova, com olhares, meneios,

bem vestida, espampanante,

ainda airosa, como dantes,

num engano propositado,

com muitos anos, vaidosa,

te ficou o jeito, qualidade portentosa,

não defeito, gosto imenso,

quando te vejo e… penso!!!...

 

… um corte aqui, um esticão acolá,

uma fúria na natação, comer com contenção,

marchas, raios apropriados, massagens,

uma enormidade, um fungágá,

de mistura com ilusão,

quantas e quantas passagens,

pelo ginásio, pelo cirurgião,

anos a fio, que continuam,

não param, acumulam,

que, aos poucos, te empurram,

te reduzem a um cabide, ostentando

roupas coloridas, de marca,

tão refinadas… de espantar!!!...

 

… se não te dá para inchar,

com remendos, com enchidos,

ainda podes sacar,

uma beleza singular,

peitos firmes, audazes e túrgidos,

sorrisos medrosos, por cautela,

não vá , a pele… rebentar!!!...

 

… quando te embonecas, rapariga,

montra, escaparate, desafio,

paragem no tempo, quando se estica,

quando se enche, se disfarça com graça,

se mantém a ilusão,

quase presa por um fio,

com décadas que te carregam,

vontade indómita que se não entrega,

luta feroz, dura refrega,

rugas que se apagam, não pegam,

seios flácidos, bem enchidos,

um arzinho de donzela,

plástica eficaz… tão bela!!!...

 

… é vê-la, doirada, leve,

grácil, versátil no seu meio,

dengosa, bem receosa, máscara posta,

boneca composta,

obra bem feita, no torneado, no seio,

ali postada, sem verve,

tudo nos trinques, retoques,

afasta, não toques,

que bonita… maravilhosa!!!...

 

… cabide de muitos anos,

já velho, encarquilhado,

deixaste de ser mulher,

já não és rapariga,

a cara com que se fica,

com uma careta qualquer,

cobertura renovada,

alguns encantos, tamanhos,

mero produto falsificado,

mais para o plastificado,

como uma coisinha… de nada!!!... Sherpas!!!...

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 17:06
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

... gosto da... poesia!!!...

… gosto da poesia, porque nela

tudo se permite, se harmoniza,

tal como numa tela, quando, com ela,

todas as cores se pintam, tudo se desfeia,

tudo se enfeita… tudo se embeleza!!!...

 

… quantas liberdades nos permite,

quando mergulhados, quando nos premeia,

fúrias e choros, risos alarves, singeleza,

versos em quadras, simples e raras,

arroubos bem caros, requebros buscados,

tão rebuscados, sem graça, sem gozo,

metáforas ao jeito, tão a preceito,

quando não pensas, por ali paras,

um calhar, uma sinfonia, doce repouso,

uma brejeirice, confissão, defeito,

um amor que se declara, suprema paixão,

quando liberto… me atrevo e ouso!!!...

 

 

… descrição do entorno bonito,

da cara que sofre, do corpo ferido,

das aves que cantam, do Mundo vendido,

aflição pertinente, quando deparo

com nojos e mágoas, quando as declaro,

feitios tão baixos, ganâncias e ódios,

baixezas sórdidas, vergonhas… opróbrios!!!...

 

… um fingimento, repentino, voraz,

coisa de momento, desconcerto capaz,

neste concerto, tão desconcertado,

periclitante, emotivo, apartado,

alma de poeta, profundo esteta,

que se renega, quando se estuda,

quando se revolta, quando se avulta,

sorriso matreiro, promessa incumprida,

frase arranjada, sentido oculto… mais que fingida!!!...

 

… sons que cantam, quando lidos,

palavras que brincam, sorridentes,

coisas e gentes,

caminhos andados, passados já idos,

confusão permanente, quando se sente,

inconstância segura,

que dura e perdura,

pessoa diferente, de bem com ela,

como numa tela,

colorida e vasta, pintura que faz,

senti-la e fazê-la,

como nos apraz,

sinfonia tão leve, melodia imensa,

pauta maravilha, que se preenche, se alinha,

quando se não pensa,

se escreve, mansinha,

afagos e carinhos, ouvida baixinho,

no canto apartado… onde me aninho!!!...

 

… por muito que escreva, não a consumo,

espalha-se pelos ares, fumaça ou fumo,

uma chalaça, divertimento,

com alguma graça… entretenimento,

sendo poeta, não sendo ninguém,

tentando ser tudo, não sendo nada,

ficando por aqui, não indo além,

alma perdida, pessoa parada,

num contra-senso assumido,

meio sério, divertido,

muito a brincar, quase fingido,

revolta com luta, com raiva, com zanga,

quando se queixa, aponta, se engana,

poema dorido, bem escrito… sentido!!!... Sherpas!!!...

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 18:42
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

... quando prometo... desmereço!!!...

… quando prometo, desmereço,

estranho comportamento, bem activo,

digo e desdigo, quase não meço,

este meu proceder compulsivo,

vontade enorme,

palavras que se acumulam, perseguem,

uma intensa falta, muita fome,

espécie de voragem que me chama,

ideias, pensamentos que me seguem,

por instantes, por momentos, quase sempre,

me irrompem, quando me não cuido,

sentado no meu recato, recanto aprazível,

silencioso, não audível,

bem apartado do impossível,

quando me nego, fujo,

quando me apago, me recuso,

luta indómita, débil vencido,

me encontro, no meio dum escrito,

prosa, poema, não político, não poeta,

antes que a alma sofra, grite, esteta,

não consigo fugir, revolvo, volto,

quase me acautelo, escolto,

esforço vão, debalde me porto,

quanta vergonha sinto,

por quebra… quando minto!!!...

 

… não está em mim,

espécie de maldição que me assola,

um querer, sem querer,

uma recusa, uma escrita sem fim,

dualidade que permanece,

não vai embora,

turbilhão que aparece,

que me enleia, arrasta, enrola,

empurra tenazmente,

não quero, não pretendo,

parado, vou em frente,

prometendo, logo desdigo,

afirmo, não minto… penso comigo!!!...

 

… frágil, preso a este aparato,

batendo e rebatendo no teclado,

alivio, quando faço,

quando descarrego emoções,

quando desfaço dizeres,

quando critico, quando afirmo razões,

numa continuidade aflitiva,

sendo tudo, sendo nada,

figura virtualizada,

que se mete, quando mexe, invectiva,

não se arrasta, não se prostra, mantendo

valores remotos, dignidade,

igual a si próprio, não opróbrio,

vergonha que não sente,

sarcástico ou inocente,

prometendo, desmerecendo,

no instante… no momento!!!...

 

… sem séquito, bem distanciado,

caminhando isolado

para destino incerto,

com muito ou pouco verbo,

fazendo o que gosto,

numa contradição profunda,

que me arruma, amesquinha,

alma inquieta a minha,

bem no alto, pairando,

deprimida, quando se afunda,

bem a sinto, assim,

com promessas que vou espalhando,

quando estou em mim,

curto intervalo desta loucura,

que busca, que procura,

não encontra, se afronta,

quando instiga… quando aponta!!!...

 

… já no passado distante,

infância, recordatório,

diferente dos que me rodeavam,

visto como aberrante,

metido naquele envoltório,

de tenra idade, paravam,

quando me sentiam absorto,

extasiado perante um horto,

um carreiro de formigas,

plantas coloridas, berrantes,

frutos amadurecidos, outras vidas,

um pássaro abandonado, morto,

uma nuvem carregada, ventania forte,

enxurradas, figuras degradantes,

albergue, alforge que se enche,

que acumula, preenche,

ainda jovem, bem longe… da morte!!!...

 

… mais velho, não me detenho,

me envergonho, quando prometo,

não cumpro, não retenho,

loquaz, compulsivo aflitivo,

em qualquer coisa em que me meto,

fazendo o que sou capaz,

desdizendo o que sinto,

fingindo que não sou,

quando me engano e minto,

poeta de brincar que não consegue parar,

sem juízo, na idade da razão,

decrépito intrépido,

não senil, mais ousado,

com juízo… não escondido!!!...

 

… quando prometo, desmereço,

digo e desdigo… porque não meço!!!... Sherpas!!!...

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 08:59
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006

... Alice das... maravilhas!!!...

… no cantinho da insensatez,

era uma vez,

numa irmandade muito unida,

de passagem, de fugida,

sem anel, sem poder,

fazendo o gosto ao dedo,

só para inglês ver,

num faz de conta de medo,

mostrando artes, saberes,

entre outras coisas, haveres,

pertinácia bem voraz,

de quem, de tudo é capaz,

com perfídia, insinuação,

convencidos… sem razão!!!...

… qual Alice esfusiante,

num País de brincadeira,

coelho com relógio, cartola,

rainha déspota, foleira,

cartas de brincar, como escolta,

maravilhas mirabolantes,

falando ao mesmo tempo,

sem juízo, entretenimento,

numa pressa que desfaz,

numa fúria que  não contém,

desmedida, quase sombria,

corrida louca, um vaivém,

aríete que se atira,

reviravolta que se solta,

imbecilidade com que se fica,

quando se pensa… medita!!!...

no que temos à nossa volta!!!...

 

… quase um crime, pesadelo,

enrolados neste novelo,

debitando o que nos vem,

dando a outros, a alguém,

o que sentimos, com desdém,

com entrega, devoção,

consoante a formação,

o que fazemos no momento,

dando alma, sentimento,

pedaços de nós, também,

bocadinhos que nos apoucam,

quando os deixamos, quando voam,

sem destino, a parte incerta,

enquanto o cinto… se aperta!!!...

 

… maravilhas que sobram,

que arruínam, desiludem,

quando há gentes que se portam,

quando escrevem, assumem,

papel diverso e tonto,

Alices desmesuradas, enlouquecidas,

como entretém, contraponto,

lutas bem descabidas,

numa harmonia inexistente,

calcando vontades e gente,

maravilhas fictícias, de espantar,

quando fazem, desfazem,

quando acabam por inventar,

o que já foi escrito, pensado,

noutro sítio, noutro local,

não correm, não pensam, não agem,

pensamento incerto, desmesurado,

de quem já está instalado,

cantando o mesmo fado,

num Paraíso encantado,

de plástico… falsificado!!!... Sherpas!!!...  

 

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 10:08
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Sábado, 20 de Maio de 2006

... coisa ruim!!!...

 

 

 

… tenho medo, muito medo,

sinto coisa ruim, perto de mim,

não escondo, não fujo, não aponto o dedo,

sinto medo, perpassa, trespassa,

corrói, enquanto mói,

não é brincadeira, chalaça,

quando sinto, bem que me dói,

massacra, ronda como fera,

tudo se espera,

vida com surpresa, frieza,

sentimento que desespera,

amor que se sente,

pela vítima… inocente!!!...

 

… sinto medo, confesso,

não entristeço,

endureço, fico sério,

tremendo vitupério,

atentado, sem estado,

corpo que se debilita,

que me irrita,

pelo incómodo, pela vulnerabilidade,

simples, aberto,

tão perto,

de braços caídos, sem ânimo,

num desespero,

inânime, inconsciente,

apartado dessa coisa,

que ronda, que insiste,

que teima, persiste,

medroso me sinto,

fraco, sem forças… não minto!!!...

 

… desamparo que, me não ampara,

desgosto que dura, perdura,

refúgio, abrigo, loucura,

coisa ruim que não pára,

que anda por esta banda,

que massacra, que tresanda,

que persegue, não esquece,

enfraquece, debilita,

amedronta, quando afronta,

quando irrita, não grita,

ataca, não passa,

fracos, indefesos, tementes,

dores que se sentem,

que se pensam, reduzem,

arrefecem… fracas gentes!!!...

 

… tenho medo, pressinto,

quando sinto, não minto,

quero fugir, afastar, ir embora,

na hora, mesmo agora,

quando imploro e choro,

quando tremo, nervoso,

medroso,

com essa coisa que me assola,

doença que massacra,

desvirtua, corrói,

enquanto mói,

corpo que sofre, que sente,

que se instala na mente,

que nos aflige,

que nos atinge,

que nos tira o sossego,

aconchego,

futuro incerto,

menos aberto,

aqui… tão perto!!!... Sherpas!!!...

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 07:58
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2006

... regresso ao... Alentejo!!!...

 

 

 

… depois de ausência prolongada,

volto à minha região, ao Alentejo,

vou passando pela via rápida,

alongando os olhos pelas planuras,

nelas me encontro, vejo,

terra desejada, bendita,

de mim, por circunstâncias, afastada,

com verdes mais sujos, secos,

muitos amarelos que se sobrepõem,

às cores das flores, que esmorecem,

pelo calor que se vai sentindo,

pela chuva que se ausentou,

vou pensando, sorrindo,

observando o que lobrigo,

trabalhos lentos que se fazem,

cortando ervas nas bermas,

crescidas, grande perigo,

no Verão que vem aí, não chegou!!!...

 

 

… tractores na faina dos fenos,

avisados, depenando campos,

arrecadando, com avidez,

prevendo chuvas intensas, trovoadas,

alturas do Maio, feira da cidade,

não seria a primeira vez,

dada que é a grandes chuvadas,

imprevisto, calamidade,

gado sem alimento, lavradores pequenos,

tudo estragado, quedando nos terrenos,

sem préstimo, depois de molhados!!!...

 

… quanto mais me aproximo, mais recordo,

atento, olho e comparo,

tonalidades diferentes daquela verdura,

na copa das árvores, mais feia, escura,

nos montados de sobreiros e azinhos,

um pouco mais clara, a dos pinhos,

quase faiscante, prateada,

nas folhas das oliveiras,

pega atrevida, debicando carne morta,

ali no centro da via, na estrada,

mais além, um corvo negro, grande,

que se afasta, esvoaçante,

um sossego, uma solidão,

pouco movimento, enquanto não chego,

bando de passarada inquieta, de rompão,

quanto aprecio, naquilo que vejo!!!...

 

… um tufo colorido que resiste,

uns amarelos, uns lilases, alguns vermelhos,

pintura débil que persiste,

que se apaga, que dá lugar

aos secos amarelados, por todos os lados,

na planície que se transforma devagar,

cumprindo calendário, tempos secos,

calores intensos,

Verão, sem contemplação,

altura de colher os fenos,

uma vinha de verdes esplendorosos,

outra que se avista, zona do líquido precioso,

branco, tinto e seco,

apaladado, saboroso,

com muita parra, sem fruto,

lá para Setembro, o vinho novo,

ainda é cedo

passo junto à barragem, bem cheia,

a Primavera foi farta,

que se meneia,

pela aragem que sopra, lhe toca,

logo se afasta,

me fica pelas costas,

pensando e vendo,

em direcção ao meu destino,

vou seguindo o meu caminho,

prevendo… temendo!!!...

 

… sou para o pessimista,

cauteloso, quase temeroso,

experiência de vida, algo me diz,

enquanto o meu olhar avista,

terreno alongado e formoso,

não foi acautelada, prevista,

época de incêndios, de fogo,

fraca intervenção, lenta e seca,

altura errada, neste País,

campanha que, por tardia, ainda peca,

quando se fala sério, com cariz,

em qualquer órgão de comunicação,

mesmo em cima, quase no Verão!!!...

 

… assim me engane, já chegado

junto à capela, altura do evento de Maio,

prenúncio de chuvadas, mau negócio,

uma reza que a minha mulher faz,

uma vela, um conforto, um obrigado,

é com ela, pessoa de muita fé,

igreja dominante, ali… na Piedade,

barracas que se alinham, altura de ócio,

distracção que a muitos apraz,

umas bugigangas, carrinhos de choque,

bifanas e cervejas, aglomerado, mercado,

algazarra, poeiras… nas feiras,

incomodidade, pura verdade,

um regresso, um pensar, leve toque

na memória, sentimento,

passado lembrado, momento,

de volta ao lar, ainda vejo,

neste encanto que me toca, no Alentejo,

junto a uma rotunda, já na cidade,

colónia activa de abelharucos,

pássaros lindos, multicolores, realidade,

voares lentos, graciosos, outros Mundos,

tão conformes, tão no lugar, que maravilha,

só não vê, quem não perfilha,

este sol que se partilha,

que vai aquecendo, cada vez mais,

por estas bandas… por estes locais!!!... Sherpas!!!...

sinto-me:
publicado por sherpas às 17:42
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

... os loucos estão... no Poder???...

… os loucos estão no Poder,

quando se fazem, podem crer,

avisados e sapientes,

encaminhando destinos e guerras,

massacrando vidas e gentes,

destruindo terras e terras,

com palavreado fácil… a rodos!!!...

 

… vão-nos tomando por tontos,

com basta hipocrisia,

praticando pura ignominia,

disfarçando vilões consumados,

semeados por tantos lados,

quando nos vão aos bolsos,

nos topos mais elevados,

famintos de regalias,

satisfazendo fantasias,

avultando egos tremendos,

espalhando avisos e medos,

pavoneando vaidadezinhas,

tão pequenas… comezinhas!!!...

 

… loucura que se aponta,

que se dá, que se tira,

postura que se monta,

diatribe que se faz, que se atira,

convulsões passageiras,

entendimentos, convénios,

rendimentos que se buscam,

simpatias tão matreiras,

mal de muitos milénios,

quando tapam, ofuscam,

oponentes, seus contrários,

com sorrisos, maneiras,

desancando em adversários,

chamando-os de loucos, de tontos,

maus provires no futuro,

entre debates, encontros,

numa luta que se desfruta,

numa rinha que… se não oculta!!!...

 

… os loucos estão no Poder,

bem vistas as coisas, sem acerto,

quanto mais possuem, só por ter,

mesmo em altura de aperto,

não despegam, antes… agarram,

colados a ele, com gana,

não convencem, só enganam,

criam crise, criam trama,

vivendo suas manias,

inchados, até mais não,

criam pânico, confusão,

saem limpos, intocáveis,

forrados, bem colocados,

gozando de prerrogativas

próprias, desejáveis,

dos que, de bem instalados,

com influências mui activas,

se perpetuam, se alternam!!!...

 

… numa loucura doce, bem feita,

que não leva a mal, se ajeita,

prossegue a caminhada,

neste teatro concertado,

pondo muitos de lado,

sob o jugo dos que mandam,

mui unidos, bem precisos,

mesmo tontos, quando comandam,

ordenam loucuras profundas,

graves, grotescas… imundas!!!...

 

… o Poder envilece, ofusca,

dá loucura permanente,

quando cria, quando busca,

ambição desmedida, prepotente,

orgulhosa, só, bem no alto, até,

esquecida que fica… da ralé!!!... Sherpas!!!…

 

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 09:17
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

... cow parade em... Lisboa!!!...

… gosto de ir a Lisboa,

encostar o carro, passear,

mais na baixa pombalina,

coisa linda, coisa fina,

mesmo com alguns pormenores,

não deixa de ser coisa boa,

são males bem menores,

que proliferam, existem,

se vêem, se detestam,

continuam e persistem,

bem tristes, dão pena, não prestam,

pedintes em abundância,

um que outro indigente,

desleixo, redundância,

de quem se mostra indiferente,

perante o que sofre da mente,

o drogado, a prostituta,

que fazem da vida, uma luta,

todos os dias, na rua,

durante a jornada, ao sol,

ao longo da noite, à lua,

feridas, chagas, marcas maiores,

na sociedade de qualquer cidade,

diga-se… em boa verdade!!!...

 

… alguma obra se tem feito,

se faz, se vai fazendo,

um que outro remendo,

continuam os estaleiros,

tratam os prédios, recuperam,

um toque, mais outro na calçada,

revolvem-se as infra-estruturas,

grades amarelas, farturas,

vista normal, rua esburacada,

instaurado, instituído o rebuliço,

quantos passantes, turistas,

olhos abertos para as vistas,

com desvios, quando as enfrentam,

com digitais sempre à mão,

foto que se tira na hora,

viram costas, vão embora,

como também gosto de fazer,

não me canso, não me perco,

nesta cidade que eu amo,

quando a tento descobrir, ver,

capital, encanto, prazer,

quando a nomeio… a clamo!!!...

 

… desta vez, com cow parade,

continuação da vacaria,

já conhecida, no Luxemburgo,

é giro, é arte, é improviso,

uma bonita realidade,

dá mais cor à cidade,

alegra o espírito, fantasia,

faz assomar um sorriso,

a um magote de turistas,

perante o imprevisto, as vistas,

tirar uma fotografia,

preenche um certo vazio,

num caos permanente, que se sente,

quase como um desafio,

restos que, já não são gente,

numa realidade sempre presente,

que se chora, se pressente!!!...

 

 

… naquela amálgama indiferente,

onde prolifera o desgraçado,

cabisbaixo, quase demente,

um pouco, por todo o lado,

arrumador diligente,

doido, cantando o fado,

num palco improvisado,

mais mudo… do que calado,

pedinte em cada esquina,

prostituta que faz olhinhos,

drogado que desafina,

lamentos meus, constantes… baixinhos,

vergonha e humilhação,

do infortunado irmão,

que, na rua, estende a mão,

enquanto vou fotografando

vacas coloridas, sem pressas,

que ontem, foram espalhando,

por praças, avenidas… dispersas,

nas ruas mais diversas!!!... Sherpas!!!...

sinto-me:
publicado por sherpas às 07:16
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Domingo, 14 de Maio de 2006

... partículas em... suspensão!!!...

… pobre de mim, tão vulnerável,

reduzido, constrangido,

coisas pequenas, ínfimas,

coisas de flores que se reproduzem,

que buscam, quando se espargem,

que se dão aos ventos, aos insectos,

sem recato, em abundância,

além do que produzimos,

quando andamos, quando fugimos,

sujidades em suspensão,

medalhas que nos dão,

na envolvência… escuridão,

espíritos incultos, em degradação,

modernidade que avança,

no carro que se alcança,

que aumenta em quantidade,

alterando… a realidade!!!...

 

 

… Mundo mais sujo, impuro,

ar que nos rodeia, fluido que se respira,

gás que nos prejudica, quando se inspira,

na urbanidade desmesurada,

na selva de cimento,

prisão invisível, cruel,

canga do simples, do jumento,

de todos, indiferente, sujeita,

não é bênção, pior que fel,

quando nos corrói, nos enfeita,

nos provoca esta maleita,

rejeição do que não presta,

defesa do nosso corpo,

templo imaculado, máquina perfeita,

que não aceita,

que expele,

quando tosse, quando espirra,

quando enguiça,

que mau estar… chiça!!!...

 

 

… num sono agitado, que se espreguiça,

que não sossega, que desperta

antes do tempo necessário,

quando ataca, quando aperta,

em plena madrugada,

por coisinhas de nada,

ar impuro, conspurcado,

um pouco… por todo o lado!!!... Sherpas!!!...

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 09:45
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

... nas nuvens!!!...

… nas nuvens, sem visão, perdido,

bem no alto, absorto, distraído,

apartado das coisas deste Mundo,

etéreo, pensamento que me abraça,

que me traça, que me conduz, profundo,

que me leva os passos, quando me transporto,

não sei para onde, não me importo,

estranho, quando me vejo, quando acordo,

mais sonhador, desligado,

dizem que pouco interessado,

quase sempre discordo,

gosto de olhar para o lado,

ver com olhos de ver, quem sofre,

quem mendiga, quem se vende,

quem passa pela vida, como um dissabor,

com um amargo de boca… seja onde for!!!...

 

… quando o meu espírito sente,

se revolta, é levado a pensar,

comparando, inevitavelmente,

entre o acomodado, displicente,

o desgraçado que… não é gente,

o confesso canalha, com coisas, com tralha,

carregado de mordomias, fantasias,

o Cristo sofredor, com dor,

quando se esforça, trabalha,

atirado, com ímpeto, para a valeta

pelo prepotente matreiro, dono do dinheiro,

dominador absoluto, dissoluto,

sem valia, sem conhecimento, sem letra,

quando se considera, como useiro,

sempre o primeiro,

voraz, insensível… um bruto!!!...

 

… repleto de ideias que me perseguem,

que me assolam, que me seguem,

levado por elas, quando ascendo,

quando me perco nas nuvens,

perdido, com vistas despertas, alargadas,

pensando em tudo, em simultâneo,

fazendo parte deste engano, vendo,

quantas disparidades, quantos volúveis,

quanta vidas sofridas, estragadas,

evolução congelada,

amnésia total ou… aparente,

do que se não entrega, do que arrecada,

do que não partilha, egoísta, fera,

que não vê o que… o espera!!!...

 

… cova funda, negra e escura,

num terreno a esmo, com casa por cima,

pedra branca, tão alva, tão pura,

palavras de ocasião,

quando morre, quando se arruma,

para o honesto, para o ladrão,

para o impoluto, para o nojento,

palavras, leva-as o vento,

incinerado, feito em cinzas,

atitudes mais precisas

dos desiludidos da vida,

restos atirados ao mar, numa onda que passa,

projecto final, sem destino,

que se sente, que se traça,

como um choro, mágoa… caminho,

palavras poucas, dos mais próximos,

vozes loucas, afónicas, sem tónicas,

perante sofredores mudos, lacónicos,

sem sorrisos, macabros, atónitos,

confusos, descrentes, gentes,

quantos e quantos… inocentes!!!...

 

… bem no alto, bem perto,

ao mesmo nível, se por acaso,

quando olho, quando paro,

quando vejo no concreto,

alma que geme, pensamento fechado,

ferido e condoído, escrevo calado,

fora das vulgaridades comezinhas,

logo me encontro… quanto desencontro!!!... Sherpas!!!...

 

 

sinto-me:
publicado por sherpas às 14:34
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... quando nasceu... já lá estava!!!...

… foi crescendo naquele ambiente,

fez-se formosa, fez-se gente,

poucas letras, suficientes,

escola de rua, com indecentes,

mal de família, filha de prostituta,

vida indigna, tão devoluta,

vazia, sem sentido,

a mesma sina, mesmo destino,

numa passagem, caminho traçado,

meio votada ao abandono,

tal como cão sem dono,

entorno de quem vende o que tem,

de quem vende o que possui,

de quem se vende a alguém,

de quem não pensa, não intui,

descarada, devassa,

filha de peixe, a mesma raça,

não caiu em desgraça,

quando nasceu… já lá estava!!!...

 

 

… continuou o mesmo caminho,

amparo de homens, escaninho,

sem entrega, sem paixão,

modo de vida, profissão,

seguimento do que estava traçado,

logo à nascença, filha sem sorte,

não desejada, simples azar,

mais lhe valera a morte,

dado o lugar onde foi parar,

filha de todos, de ninguém,

repositório de ardores sexuais,

doutros seres, não iguais,

compradores de corpos, de quem não tem,

tal como a mãe… prostituta também!!!...

 

… um brinquedo, um querubim,

um anjo alado, mais que amado,

criança em risco, perigo constante,

antro de bruxas, vítimas da vida,

resguardada, bem protegida,

lar sem bases, ultrajes e danos,

mimada por mãe, por companheiras,

fáceis de rua, num bar qualquer,

que vendem o que têm, quase sem querer,

sempre assim foram, amargas e duras,

abusadas no corpo, pouco impuras,

perante a candura, menina tão linda,

um raio de luz… flor bem vinda!!!...

 

… ainda surgiu senhora da assistência,

que tentou, com insistência,

tirá-la dali, daquele lodaçal,

mas, como o bem se quer bem,

tal como o mal,

não houve ninguém,

por forte e audaz, que conseguisse,

tal feito, tal cometimento,

agarradas como tenazes,

de tudo foram capazes,

questão dum amor que persiste,

mesmo na lama, ganho na cama,

carne da sua carne… criada por ama!!!...

 

 

… livre e aberta, quando na rua,

ao longo do dia, vadiando,

durante a noite ao abrigo da lua,

noites escuras que se vão prolongando,

a vão criando, por vezes, marcando,

contactos que teve, carícias de rameiras,

exemplos de mãe, de companheiras,

segredos que nunca foram, percepção,

entendimento, aceitação,

corpo perfeito, idade justa,

foi-se para a vida, como uma fuga,

como um destino, fado traçado,

nascida na lama, profissão de cama,

trabalho assumido, um continuado,

não caiu em desgraça

quando nasceu… já lá estava!!!... Sherpas!!!...

sinto-me:
publicado por sherpas às 07:48
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

... um resto com... muita estória!!!...

… sem ter, sem ser, vegetando como tantos,

sombra esguia, fugidia, vergonha dela própria,

olhos tristes, cabisbaixa, sem ruído, com avanços

tímida se aproxima, uma escória,

um resto… com muita estória!!!...

 

 

… quando pequena, criatura amada,

nos braços da sua mãe adorada,

protegida, guardada por pai diligente,

noutro tempo, afastado, tão diferente,

não era sombra, não era escória,

tinha vida, tinha glória,

rodeada de mimos, roliça e rosada,

um encanto, raio de luz resplandecente,

um mais que tudo, um quase nada,

reflexo, imagem aparente,

miragem num deserto… agora, indigente!!!...

 

 

… tinha quanto quisesse, com fartura,

foi crescendo, como qualquer filha de família,

com risos, com choros, com amor à mistura,

um misto normal, muita alegria,

foi jovem, foi forte, amou e foi amada,

vida fácil, prazeres e risos,

alguns percalços, poucos juízos,

com grupo avançado, liberal no proceder,

sem barreiras, sem paragens, sentires alucinantes,

tirando partido da juventude, com atitude,

como entendia, um bem querer,

um gozo momentâneo… sumo prazer!!!...

 

 

… experiência vedada, proibida, desejada,

uma aventura, um descontrolo, um arrojo,

não custou nada,

sensação tão boa, algo de novo,

um segredo, um esconder, mistério até,

partilha, entendimento, profusão de fé,

companheirismo, degradação consentida,

iniciação, dependência, amarração,

agarrada àquela droga, um rebotalho,

zangas, brigas, desentendimentos,

choros, gritos… lamentos!!!...

 

 

… fuga do lar que a viu nascer,

para obter, teve de vender,

quando não tinha, ânsia enorme,

mais faminta do que a própria fome,

arrepios, dores sem nome,

mau estar geral, poço fundo e escuro,

abandono da realidade, confusão,

visão ofuscada, olhar parado,

esquecida, perdida,

quantas vezes vendida,

por meia dúzia de patacos,

quantia que lhe dava para a dose,

que tristeza, uma secura, uma osmose

recepção quase passiva, permissiva,

gestos e utensílios, obsessão,

quanta degradação,

que alívio, que sensação,

mundilho sujo, seringa, veia,

picada que alteia,

energia súbita, repentina,

olhar que logo brilha,

reacção, sombra que se ergue,

fluido que corre, que inebria, fervilha,

rebotalho, naquele beco, naquele atalho,

quando anda, estende a mão, pede,

vegetando, como tantos,

cabisbaixa, sem ruído… alguns avanços!!!...

 

… de degrau em degrau,

cada vez mais fundo, no lodaçal,

mão estendida, quando não vendida,

farrapo humano num buraco, num vau,

tão diferente a sua vida,

vi-a junto de mim, tão desigual,

suja, magra, olhar vazio, mão estendida,

fantasma que se arrasta, quando passa,

sem ruído, Mundo esquecido,

alma em perigo, quase sem graça,

corpo vendido, corpo perdido,

uma sombra do que foi, mais que agarrada,

uma dor intensa… um simples nada!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 09:24
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

... no beiral do... telhado!!!...

… no beiral do telhado, como sempre,

são ninhos, são cachos, feitos de barro,

ganharam vida, tão de repente,

voltas vertiginosas com que deparo,

voos rasantes, geométricos, idas e vindas,

alguns chilreios, poucas paragens,

brancas e pretas, sempre bem-vindas,

leves, gráceis, puras imagens,

símbolo repetitivo dum tempo,

andorinhas em atropelo,

sem encontros, nem encontrão,

vão cuidando, com desvelo,

quanto a cuidados… alimentação!!!...

 

 

… insectos que captam pelos ares,

pedaços de lama, para completar

aquele encanto, aquele lar,

cachos de barro, bem no beiral,

abrigo ou ninho das suas proles,

ainda sem penas, de bico aberto,

voos repentinos, gráceis, velozes,

em idas e vindas, quando desperto,

fico bem quedo, boquiaberto,

com aquela bulha de Primavera,

que me acorda bem cedo, de madrugada,

sol que espreita aquele local,

vida repleta de chilreada

são pios, gorjeios, andorinha… pardal!!!...

 

 

… quase sem esforço, sempre a voar,

traços e curvas, quase rasantes,

num frenesim, sem parar,

linhas seguidas, caminhos inebriantes,

geométricas, alucinantes,

são débeis, são fortes, são aves de encanto,

pretas e brancas, num bando disperso,

em busca de insectos que captam no ar,

numa intensa actividade,

em idas e vindas, tão repetidas,

são quadros, são vidas,

são espelhos do tempo,

início, começo, uma realidade,

são ninhos, são cachos, ali no beiral,

Primavera tão bela, andorinha e pardal,

telhado da casa, pequeno universo,

são pios, gorjeios, são puro encanto,

deslumbre, poema, naquele recanto,

dia risonho, uma rima… um verso!!!...

 

… são ninhos, são cachos, feitos de barro,

levanto meus olhos, sorrio, deparo,

bando disperso, num frenesim,

voltas repentinas, sem custo, sem fim,

vida pequenina, encantos tamanhos,

anuncio, prenuncio, todos os anos,

tempo quente que se avizinha,

naquele beiral… onde se aninha,

desvelos, é vê-los, beijos enternecidos,

de bicos abertos, sem penas, nos ninhos,

azáfama continuada, sem quebras, no ar,

um quadro, um espelho, exemplo a pairar,

naquele beco, naquele… beiral!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 08:01
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

... são folhas de... Outono!!!...

… são folhas de Outono, varridas pelos ventos,

depois de caídas, já gastas e secas!!!...

 

 

… são projectos, são intentos, simples pensamentos,

bem arrumados, cantando em uníssono,

voz maviosa, sinfonia de sonho,

imagens que tenho, quando os componho,

músicas e sons, odaliscas tão belas,

formosas sereias em águas tão mansas,

que embalas, que pensas, enquanto te encantas,

magia assombrosa, doces manias,

viçosos, tão verdes, quando me agitam,

vigorosos repentes, que berram, que gritam,

confusos, medrosos, humildes e pobres,

dores, gritos, mágoas e choros,

sentires aflitos com que… te cobres!!!...

 

 

… são manta de horrores, perante pelouros,

escárnio avisado, ódio até,

aversão que se tem a tretas, a loucos

predição, um juízo, uma fé,

entrega, um amor, uma paixão,

recanto tão belo, uma doce visão,

cor tão intensa, equilíbrio total,

enfoque bem directo, harmonia geral,

num Mundo perfeito, esquecido do mal,

num gesto, num canto, numa pedra caída,

num lago escondido, com verdes por perto,

num mar tão vasto, num céu descoberto,

riso repentino, num abraço sentido,

são folhas, são verdes, viçosas e belas,

ideias que tenho, poema assumido,

bem postas, no sítio… é vê-las!!!...

 

… são filhos queridos, tratados com gosto,

doce afeição, espiral barroca,

labirinto proposto,

são folhas varridas, por ventos de Outono,

depois de caídas, já gastas e secas,

pródigos lembrados, vestidos, compostos,

hinos saídos da minha boca,

entoados e escritos… nas noites sem sono!!!...

 

… sobre tudo, sobre nada, poema já feito,

bem vivo, versátil, quase indiferente,

foi um instante, pedaço sentido,

negação que se faz, certo defeito,

interpretação fugaz, engano a preceito,

gostos e gastos, de seres, de gentes,

louvores, pavores, horrores atrozes,

fugas e figas, pensamentos atrozes,

loucuras imensas, adorações desmedidas,

sensações dispersas, emoções sentidas,

palavras que dás, folhas esquecidas,

já gastas, já secas, Outonos tão tristes,

coisas tão belas, cenas que vistes,

filhos que deste, que esqueces depois,

são pródigos, são queridos, versos sentidos,

são muitos, são poucos… poemas escritos!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 08:53
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

... mãe!!!...

… das três palavrinhas, apenas,

poderia, se me propusesse,

alterando motes e penas,

escrevendo o que bem quisesse,

continuar por essa linha,

sendo lamecha, ternurento,

recordando quem se adivinha,

nesta data, no momento,

homenagem que bem merece,

pela renovação da vida,

pelo amor que nos tem,

tão cantada, tão sentida,

por todos que… ainda a têm!!!...

 

 

… origem, inicio, destino

do que somos, quando crescidos,

que nos gerou com carinho,

enfrentando cravos e espinhos,

ao longo… do caminho!!!...

 

 

… braço forte, meigo, afago,

dedicação com que se desvela,

sorriso espontâneo ou amargo,

sofrimento que protela,

que esconde lá no fundo,

mesmo que lhe toque a ela,

incentiva filho doente,

levando sempre em frente,

todas as cruzes do Mundo,

padecimentos que carrega,

que sofre, como sendo seus,

pedindo aos Santos… a Deus!!!...

 

 

… canseiras, amor, paixão,

que dá, de coração,

quando se revê nos filhos,

seus pedaços, seus cadilhos,

quando se nega, se entrega,

com sorriso doce, amigo,

que trago sempre comigo,

em tempos de acalmia,

de sensatez, de alegria,

em dias de felicidade,

orgulho, preceito… vaidade!!!...

 

 

… enquanto o tempo passa,

envelhece, fortalece,

sua razão, sua existência,

seu querer desmedido,

mão no ombro de quem padece,

do filho amado, essência,

já débil, fraca, sem forças,

anos que vão pesando,

experiências que acumula,

mãe com todas as forças,

que tanto nos vai amando,

quando nos dá, nos empurra,

filhos de todas as horas,

que sofrem… quando choras!!!...

 

… mães, corpos de nós,

foram jovens, são avós,

protectoras diligentes,

mães de todas as gentes,

de todas as raças deste Mundo,

de credos bem diferentes,

rasgos, sofrimentos,

céus abertos, luminosos,

risonhas frontes, intentos,

caudal de pensamentos,

sorrisos bem caprichosos,

fonte inesgotável de amor,

amplo jardim, uma flor,

regaço que nos embala,

que tudo sente, tudo cala,

compreensão que nos abraça,

que nos protege, que não passa,

se recorda, se pretende,

nos baixios da caminhada,

feliz de quem a sente,

já velhinha… adorada!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 07:15
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006

... campos e... encantos!!!...

… estavam adormecidas, quase esquecidas,

tínhamo-las perdido, por uns tempos,

quando soltávamos a vista pelos campos, secos e nus,

cinzentos, castanhos e pretos, poucas vidas,

alguns verdes escuros do arvoredo, nos montados,

inquieto, interrogava memórias idas,

relembrava cenários passados,

tentava dar formas e cores, alguns odores,

zumbidos e trinados, por todos os lados,

colorir tela vazia, quando me pus,

parado, tolhido, pensativo, naquele lugar,

imenso descampado colorido,

inverso do meu pensamento, noutro momento,

agora solarengo, pintura esmerada,

com tons adequados, um primor,

com águas nos ribeiros, verdes vivos… tanta flor!!!...

 

… com roxos esfuziantes, alvuras imaculadas,

tão densas, espalhadas,

amarelos doirados, bem carregados, vermelhos nas papoilas,

rosmaninhos e alecrins, pelos caminhos,

odores inebriantes, carmesins e jasmins rosados,

por todos os lados,

rosas silvestres, de colorido variado,

tufos de silvados, algumas amoras,

esteva de flor branca, sensível,

giestas de flores caídas, que se derramam,

urzes, com cores aos cachos, incrível,

malmequeres embrutecidos que nos chamam,

que nos gritam suas belezas, quando clamam,

gramíneas e bromélias, lírios,

em qualquer canto… por todos os sítios!!!...

 

 

… vidas que brotaram pelos ares, pelos terrenos,

nestes sítios, sempre os mesmos, isolado

do Mundo de betão, urbanidade que me aflige e cansa,

quando me massacra, não descansa, corrida louca,

me isola na multidão, companhia ilusória,

ruídos, caras estranhas que se aproximam, passam,

carros que correm com fúria notória,

destinos díspares, vidas sem estória,

repetição dum filme já visto, gasto… sem préstimo!!!...

 

 

… quando olho e vejo, aceito, me afirmo,

embevecido por elas, tão belas,

renovadas pelas chuvas passadas, vigorosas,

esbeltas, aos molhos, quantos tapetes se alongam,

com tonalidades diferentes, matizes esplendorosos,

vivas as cores daquelas flores silvestres, formosas,

descanso meus olhos, pensares se prolongam,

recuos, avanços meus, paisagens, memórias,

vales ondulantes, viçosos,

ponteados, aqui e ali… sentidos, tocados por mim!!!...

 

 

… berço, começo, lembranças do tempo,

paragem, renovação, recomeço,

aversão, quando adormecidas, inertes, escondidas,

brotaram, por fim,

cobrindo campos extensos, floridas,

as plantas próprias da Primavera,

a que se adora, que antecede o Verão,

quanta beleza… rara emoção!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 08:29
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