Sábado, 29 de Julho de 2006

... perseguidos... nos dois lados!!!...

… saem do abrigo, do bunker, quase cegos, de rastos,

olham entorno arruinado, escombros, por ali espalhados,

ferros retorcidos, casas aos pedaços, destruição,

desânimo, desolação,

estremecem ao recordar o fragor, quando encolhidos,

num montão, bem no fundo da terra,

sentindo aqueles rugidos,

aquela fúria, aquela guerra,

insensatez de quem comete tal malvadez,

que solta todos os ódios, duma só vez,

que o enterra!!!...

 

… alguém, alguns, muitos que os odeiam,

colocam bombas que lhes enviam,

desfazem lares, vidas, provocam medos,

dores, feridas, mortes sentidas nos esconderijos,

ali reduzidos,

quais ratos medrosos, escondidos!!!...

 

… longe vai o muro dos lamentos, nos recôndito dos seus buracos,

orações, promessas, segredos,

lugar santo dos pecados,

queixa colectiva dum povo perseguido,

que, de vítima se transmutou em algoz,

destruindo outras vidas, longe de vós,

mães, pais, avós,

crianças que brincavam nas ruas,

farrapos, vestígios bem sangrentos,

estrondo colossal, colateral o dano,

raivas daqueles momentos,

espirais de fumo intenso, vistas do alto,

quase jogo, quase engano!!!...

 

… botão que accionam, manípulo,

continuados gestos, sem protestos, concertados,

defesa como fortaleza, no ataque… bem fracos,

rebentando tudo quanto lhes interessa,

devastando,

remessa sobre remessa,

insensíveis ao que estão provocando,

vítimas em bando,

refugiados duma loucura que se criou,

falso pretexto,

neste local que se virou,

neste terror que se instalou

cruel contexto,

mentes arruinadas pela ganância,

prepotências, resistências,

atitudes idênticas, as mesmas,

ruindade… estupidez ou jactância

de quem, lá no fundo,

se julga o dono do Mundo!!!...

 

… vejo-os, diligentes,

quando auguram o que não futuram,

escondendo estratégias indecentes,

no conforto dos gabinetes, quando falam,

quando calam,

quando deslocam, interrogam

outras gentes,

quando confrontam, afrontam

destroços, mortos que carregam,

pensados com anterioridade,

políticas ao abrigo da realidade,

junto dos netos, dos filhos que não matam,

que guardam, resguardam,

suas vidas, protegidas,

como num filme de pavor,

espectador,

sem gritos lancinantes,

sem dor,

sentados no seu bocado, arrecadados,

deveras preocupados, aparentemente,

como quem mente

perante o inocente que foge da morte,

num desnorte,

refugiados da guerra, ratos nos abrigos,

apanhados, desprevenidos,

despedaçados aos bocados,

perseguidos… nos dois lados!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 16:41
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2006

... amargura!!!...

… tento encontrar, uma razão válida, para este deambular pela vida,

quando me sinto mais tristonho, cansado,

que tenho levado de vencida,

razão dos anos que carrego, já acumulados,

alguns desencantos, curvas difíceis, descidas íngremes,

saltos, sobressaltos,

pequenas nesgas, alívios, boas sensações,

compensações,

curtas, entranháveis alegrias,

palavras doces, simpatias, pelo meio de tantas confusões,

complicada se torna, inválida, cruel,

quando nos sabe a fel,

nos deixa pastosos, desiludidos, como que vazios, perdidos,

desgostosos, exauridos,

dor com que nos afrontamos,

males que nos perseguem, quando olhamos, nos sentimos

tão débeis… pequeninos!!!...

 

… vida que se encurta, nos ensombra o pensamento,

alma minha, tão gentil, sofrimento,

um querer mais forte, enorme,

que tudo vire, transforme num halo resplandecente,

réstia de esperança, recomeço, virar de página, esquecimento,

período menos grato, difícil, tortuoso,

calçada tenebrosa, destino incerto,

quão curta a existência em falência,

tão aguda se sente a chaga, quando perto,

não abarco o esplendor daquela face

amor, companhia, essência,

desvalido, me isolo… desespero,

por muito que pense, ultrapasse momento que não pretendo… não quero!!!...

 

… ao meu redor, fazendo parte de mim, tento encontrar uma razão

neste vaguear sem fim, medroso, por vezes assombração

com que me deparo,

quando olho e reparo,

me detenho, hesitante,

apontamento escasso, delirante,

arremesso constante de azares, evoluem, escurecem corpo e mente,

num repente, que se alonga incessantemente,

teimando no massacre que nos persegue,

que nos derruba, não ergue,

nos arroja no solo degradante, reduzindo uma vida digna, sem piedade,

na cruel, dura… realidade!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 21:35
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006

... silêncios intensos... neste céu!!!...

 

 

… enorme silêncio me arrebata, nuvens imensas me rodeiam,

não oiço teus cascos, lindo corcel,

não sinto tuas crinas castanhas batidas pelo vento,

teus arfares continuados não me incendeiam,

tão distanciado teu tropel,

tua leveza incorpórea não me sustenta, como lamento,

me apercebo da tua morte, do meu finar,

vítimas duma vida em luta, existência bruta,

confronto infundado, triste acabar,

cavaleiro denodado, cavalo derrubado,

despojos sangrentos da luta… na justa!!!...

 

… outras paragens, ambiente estranho,

calma total, renascer ou desengano,

carícia mansa, mortalha, fim da batalha,

cascos já surdos, imóveis no chão,

matéria sem vida, etérea, planando,

memória passada,

sombras esbatidas, guerras perdidas,

alados nos ventos, esquecidos, solidão

se sente, tão de repente,

sofreguidão,

sopro que sustenta leveza mais pura,

num estertor que nos une, fiel alazão,

promessa que persiste, doce ilusão,

espaço bem raro, diferente… anunciação!!!...

 

… longe do mal, impregnado de anseios,

sinto teu corpo bem junto ao meu,

teus saltos bem loucos, amplos passeios,

corridas inteiras, levezas singelas

longe da Terra, acabada a guerra,

paisagens de sonho, nuvens tão belas,

silêncios intensos neste véu, neste céu,

sem sons, sem tons, cabelos ao vento,

quanto choro destino tão trágico,

alma se eleva num pensamento,

caminhos sem pedras, cavalos sem cascos,

teus trotes, teus saltos,

leveza mais leve que alguém já teve,

teus sentires, meus passos,

tuas crinas castanhas, tuas cores tão puras,

luminosidades perenes, por vidas tão… escuras!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 21:36
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Segunda-feira, 24 de Julho de 2006

... Pégaso... cavalo alado!!!...

… alma que se eleva da terra, se perde na justa, na guerra,

no confronto estrondoso das armas que se cruzam,

se chocam,

cavalos esbaforidos, velozes, tão leves, contrastes,

fúria desvalida com que embates,

metais que transportas,

quando encontras postura cerrada,

na vida pujante que sentes, encontro com mortes,

crinas esvoaçantes, alucinação repentina, ventos que cortas,

fragor imenso, troar dos cascos, gritos, rasgos,

beleza brutal, elevação dum corpo pesado, quando te portas,

quando transportas, tão natural, leveza tão forte,

cavalo alado, mitológico, Pégaso indomável,

fantasia que recria a fortaleza dum ser

com vida, perante a morte!!!...

 

… tempos de luta, correrias loucas,

embates estrepitosos, armaduras se amolgam,

reduzem tua ligeireza,

sob um Sol que se esconde, envergonhado,

na singular beleza,

incontida leveza de quem se lança, impetuoso,

na refrega dos homens, fúrias, zangas,

com que te conduzem, quando te esganas,

ocultando debilidades, duras realidades,

com que caprichas loucuras, inverdades,

dos que te conduzem p´rá morte,

essa a tua sorte,

irreversível destino, final ingrato,

duro trato,

contrário ao trote caprichoso, doçura inefável,

toques no dorso, crinas ao vento,

cascos tão leves,

salto invejável,

cavaleiro de momento,

elegância que sempre mostraste nas curvas do corpo,

requebros, meneios com que nos serves,

quando em passeio,

teu jeito, propenso, natural anseio,

todo um inverso daquele terror,

esvoaçando num ímpeto, sem custo ou temor!!!...

 

… não consigo separar imagens que me assolam,

animal tão belo, companheiro de corridas,

percursos que o imolam,

nobrezas sentidas,

locais tão diversos, vigores que te elevam, isolam,

esforços colossais, remansos que inebriam,

pujança que torna leves qualquer esforço cometido,

beleza que manténs, na paz ou no perigo,

porte majestoso, velocidade incontida,

quando veloz, recrias

leveza dum corpo que se entrega, já morto,

vontade perdida,

esvoaçantes, ao vento, tuas crinas castanhas,

tons que se misturam, belezas tamanhas,

teus trotes, teus toques, teus cascos tão fortes,

da terra te elevam, sons duma guerra,

relinchos comiserados, passeios atinados,

requebros, meneios… outros anseios,

contrastes, enganos, almas perdidas,

fugas e gestos… fúrias e vidas!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 12:28
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Domingo, 23 de Julho de 2006

... que se eleva... no fragor da luta!!!...

… numa revoada se atropelam, cascos duros que esvoaçam,

crinas ao vento, espaçadas nos tons que ostentam,

selas de couro, estribos, botas refulgentes,

espumam babas, espumam raivas, quando passam,

resfolegam em conjunto, num corpo que se irmana, confunde,

barulho que ensurdece, solo que estremece,

manifestação furiosa dos que intentam,

fugir da morte que os persegue, buscando um final apoteótico,

punhado de enfurecidos cavaleiros que merece

a vida que os aguarda, proceder ciclónico,

sequência de tempos violentos, entrecruzar de metais,

armaduras que se chocam, rangem, gemem,

poeiras bem densas, espirais,

barulhos que se ouvem, que se temem!!!...

 

… batalhas passadas, gritos, espasmos surdos, abafados,

voragem, uma passagem,

tão sentidas,

mortes provocadas, fugas, corridas,

choques violentos, golpes sangrentos, corpos decepados,

relinchos de cavalos, de homens que são bestas,

unidos no proceder, vontade de vencer, campo de refrega,

numa luta, brutal entrega,

por uma razão qualquer, por uma sem razão,

num querer que se impõe, que dispõe,

rude, cruel situação, numa beleza distorcida,

levando a bom termo, de vencida,

irracionalidade tão temida,

pela morte que se sobrepõe à vida!!!...

 

… local paradisíaco, tão frondoso, terreno plano,

horizonte riscado por laivos solarengos, ao longe,

raiar do dia, que desengano,

grupos rivais que se enfrentam, armas em riste,

nervosos, inquietos, quantos viste,

através da viseira com que te cobriste,

alazão da tua infância com que te completas,

cavaleiro em vias de luta bestial, tão triste,

local prazenteiro, momentos de antanho,

passeios, fugas e namoricos, amigos,

encantamentos passados, vividos,

numa série de imagens que lhe perpassam pela mente,

naquele sepulcral silêncio que antecede

aquela loucura que se inicia, retumbante,

uníssono, num corpo imenso que se segue,

sons que se agitam, reacendem ódios, pobre gente,

cascos que rasgam terras e pedras, metais que traçam,

qual gigante,

embebido numa intensa fúria,

crinas ao vento, espaçadas… esvoaçam!!!... Sherpas

publicado por sherpas às 15:53
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

... apocalípticos... na destruição que provocam!!!...

… nas insondáveis sombras que te rodeiam,

não disfarces mais tuas loucuras,

enfrenta tuas verdades, sê corajoso,

agarra com força, com denodo o que procuras,

faz cativo o que todos anseiam,

não receies ventos, vendavais, inclemências

impróprias, desajustadas,

opróbrios dos que se alçam, aparentes,

dejectos da raça inumana que prevalece,

quando prepotente, esquece

respeito, favores que deve aos Deuses que a favorece,

que não  a ignora, como merece,

apocalípticos os desígnios… na destruição que provocam,

com intenção!!!...

 

 

… quando juras, quando enfrentas, quando repeles,

intentas afastar o que não queres,

fazes-te enorme, força invencível, audaz cavaleiro,

no remoinho voraz da refrega,

desafio numa batalha que se prolonga,

na que se entrega ódio, amor, paixão,

num complexo emaranhado que se alonga,

guerra que, com proveito, sem razão,

enfrentamento infindável, permanente se estabelece,

entre forças do bem, do mal,

raivosas as feras… incomensuráveis os esforços,

não arrefece,

abatem-se os corpos, decepam-se os membros,

inertes, bem mortos,

na luta pela sobrevivência das feras gentes,

vítimas que acumulam, emulam, enojam as mentes,

fortalecem os quereres dos fracos, dos fortes,

dos que lutam, prolongam, alongam

vontades férreas, inquebrantáveis,

dementes, pouco ou bem vorazes

dos muitos… dos menos capazes!!!...

 

… não te apagues luz da esperança, raio da vida,

que sobrevivas, que te engrandeças,

não há mal que não venças,

não há sombras que te escondam,

não há feras que te subjuguem,

não há lutas que te atemorizem,

tarefas árduas, insanas, imagens

de todos, os mais audazes,

no desafio que se interpõe no teu caminho

que não alteram, pretendem outra verdade,

frutos, flores, outros amores,

doçura, compreensão na imensidão do planeta que se junta,

quando se irmana, sem sanha, sem ódio, sem prisão,

doce harmonia, compreensão,

afastando crueldade, devassidão, quereres abjectos,

denegridos restos que ofuscam,

quando mentem, matam, afastam o que não pretendem,

sobras que não consolam, consciências pesadas,

sombras que te rodeiam,

tapando tuas buscas, tuas procuras,

reacendendo tuas loucuras,

satisfazendo teus provires, Mundo melhor, teus sentires,

esperança que tens, te alimenta… te mantém!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 14:07
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Domingo, 16 de Julho de 2006

... local dos... infernos repetidos!!!...

… quero cantar, quero rir, ser feliz,

olhar o que me rodeia, condescendente, aberto,

quero fazer o que sempre quis,

falar, com amizade, com os que me estão perto,

 

encarar, resolver problemas que me não pertencem,

dando um jeitinho na hora certa,

sentir um sorriso, um afago, um carinho,

aliviar um choro, uma lágrima que desliza de mansinho,

ajudar, quando pedregoso e difícil o caminho,

os sofredores do Mundo inteiro,

quero fazer parte da imensa legião que ajuda o irmão,

sofrer chagas, lavar feridas, chorar mágoas,

renegar o interesseiro,

rejeitá-lo, deitá-lo no fundo do porão,

bem amarrado, cela escura, podridão!!!...

 

 

… quero esquecer a cara de estupor, incredulidade

estampada naquele rosto, com dor,

não ouvir o grito lancinante, a mortandade,

os ferros retorcidos amalgamados, de pavor,

o local dos infernos repetidos,

o sorriso dos anafados, contorcidos,

donos dos destinos dos desprotegidos,

indiferentes, lá no alto… convencidos!!!...

 

 

… deitá-lo, ao ódio, abaixo das fragas para um mar enfurecido,

entregá-lo a forças imensas, destruidoras,

que, com a mesma raiva que vivem, o tratem

sem nenhuma espécie de contemplação,

amor que se não dá, não recebe,

pestilência que se verte, retrocede,

ganância e exorbitância não têm lugar

num local que se pretende tranquilo, feliz, tão igual,

harmonia, sem fantasia alguma, como norma adquirida,

sem marca, sem nódoa, sem ferida,

com risos, cânticos e danças, irmanados,

juntos, de braços dados, numa viagem de grupo,

pelo espaço, através da imensidão sideral,

como uma coisa natural!!!...

 

 

 

… diminutos, unidos, formando equipa compreensiva,

arremetendo contra imprestáveis convictos,

mentecaptos deturpados, taciturnos degradantes,

figuras escassas, horripilantes …

arrecadando-os nas profundas cloacas, porões escuros,

bem no fundo imundo donde provêem,

diabólicos assumidos, por dinheiros, coagidos,

mentes liquefeitas, diluídas em excrementos,

causadores dos males que grassam, que matam,

da destruição que nos persegue, quando consegue

apocalípticos resultados, monstruosos, rotineiros,

desequilíbrios costumeiros,

aversão do irmão pelo irmão,

pranto descontrolado… por todo o lado,

quero olvidar o passado!!!...

 

 

… quero cantar, quero rir, ser feliz,

olhar o que me rodeia, condescendente, aberto,

quero fazer o que sempre quis,

falar, com amizade, com os que me estão perto!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 21:10
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

... guerras e... loucuras!!!...

… o Mundo enlouqueceu,  quando o olho… deprecio,

me enoja, me causa incómodo,

mau estar que se avoluma perante indiferença tamanha,

mortandade continuada, um pouco por toda a parte,

violento inferno se tornou,

atirada por tantos lados,

quanta gente morre, morreu,

rebentamentos, corpos esventrados

deuses da desventura,

almas, igrejas inteiras, calamidade que se futura,

são lares, são ases, são bombas,

vorazes que se comprazem

com a desdita que provocam,

quando contam dinheiros que fazem!!!...

 

 

 

… vangloriam-se, enaltecem feitos, rumos, destinos,

caprichos dos próprios filhos,

cegos permanentes perante a desgraça

que mata, que marca, que passa,

que repete vezes sem conta, que não interessa, não aponta

índice importante no gráfico dos ganhos,

da empresa que cresce, raivosa,

demente, gulosa,

do grupo que alucina tantas gentes,

que consome, que suja, conspurca,

destrói deuses, seres inocentes,

procissão macabra que avassala,

se instala!!!...

 

 

… não perdoa, espezinha, provoca sanha com raiva, com zanga,

esfrangalha almas, igrejas inteiras, hecatombe que se sente,

reduz, induz, habitua… indiferente,

loucura desvairada sem rumo,

global o sentimento, vómito bem defronte,

aos olhos de todos, lá longe,

em cima de cada casa, aqui ao lado,

carrascos de nós, dos outros,

coniventes, culpados dos loucos

que temos, mantemos, fazemos,

albergamos porque… queremos!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 12:02
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Domingo, 9 de Julho de 2006

... hoje, no Rossio... outro desafio!!!...

… não abandono, não m´envergonho,

não coloco uma parede enorme entre mim e outro,

numa permanência, num simples encontro,

nem quando sonho,

incapaz de desprezar, aceito, aproveito,

que gosto tenho quando converso,

quando desconfio, me deparo com alguém, disperso,

de meio diferente, de extracto menor,

um não senhor,

como com um igual, com outro maior,

vítimas da vida, sem vida, afinal,

um ponto pequeno, um pormenor,

um varredor, um engraxador,

pedinte de mão estendida,

aldrabão convicto, disfarçado,

enganador profissional,

sabendo bem o recado,

de minucioso, bem estudado,

sorriso matreiro, cara sisuda,

fingindo de muda,

conversa atreita, de animada, convincente,

gente pobre… outra gente!!!...

 

 

… mal empregado, de abandonado,

tinha saída se encostado,

com trabalho simples, olhando os sapatos,

esfrega que esfrega, quanta entrega,

resposta pronta, cabeça aos saltos,

nos baixos, nos altos,

 

de papel na mão, com sida, dizia

bem tristonho, sem alegria

enquanto pedia,

 

mais conforme, pessoa enorme,

africano com fome,

numa confissão, coração na mão,

falava dele, do seu irmão,

sem trabalho que lhes valesse,

aceitava o que eu quisesse,

ali, no Rossio… um desafio,

sem brio,

 

sentado num banco, ouvindo um senhor,

um engraxador,

pensando nos outros, encontros apressados,

esquecidos, com fome, por tantos lados,

no salão nobre da nossa cidade,

num dia sem poesia,

não sei, pensei,

alguém que, por vezes, auxilia

enquanto fazia o que não é normal,

pagando, como paguei,

assinando um papel, recusando moeda,

logro, afinal,

criança que, de muda, não tinha nada,

com gestos, suplicante… porque se nega,

romena pedinte, que jura, que insiste,

 

ali no Rossio, que desafio,

salão nobre da cidade,

tudo isto existe,

 

de repente, um autocarro pintado,

publicidade de cerveja,

aos berros, bem alto,

música incentivadora,

nos sinais, quase parado,

lá vai a um encontro que se veja,

para o estádio dos “heróis”

os… dos futebóis,

 

contraste, inverso,

absurdo, ridículo,

neste pedaço, neste cubículo,

um espaço, um verso,

 

… na verdade, realidade,

de fio a pavio,

medonho entorno, com conversada,

quando me disponho, num lapso, num nada,

fazer o que não faço,

pagar, como paguei,

a um senhor engraxador,

porque, normalmente limpo, engraxo

em casa, os sapatos,

que trago, que calço!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 20:09
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Sexta-feira, 7 de Julho de 2006

... amigos... os livros!!!...

… passo os olhos pelos recantos do meu lar,

livros que se acumulam, já lidos, não esquecidos,

arrumados nos sítios, bem juntos, recolhidos,

aos molhos, milhares, são muitos, vivências,

saberes, amigos,

partilhas cúmplices, rotinas, leituras,

sofreres, amarguras,

enaltecimentos, descrições, pinturas,

épocas passadas, buscas que se fazem,

consultas discretas, páginas abertas, cheirosas,

papel que vai amarelecendo no tempo,

sinais negros, palavras, pensamentos,

frases plenas, bem feitas… formosas,

capas amachucadas algumas, enrijecidas bem fortes,

autores já mortos, lembrados, contidos,

bem vivos… nos livros com pó,

na estante, bastantes, aos molhos,

amigos, são sonhos passados… presentes!!!...

 

… companheiros queridos, fonte inesgotável,

tesouros preciosos, nas mesas, nos armários,

meu Mundo, meu lar… notável,

fundamento do meu castelo,

mais velhos, bem conhecidos,

aquele, ali ao lado, faz-me lembrar paisagens maravilhosas,

outro, dum filósofo, frases profundas sábias, capciosas,

arrumados, não esquecidos,

pelo tempo, mais amarelecidos,

monstruosas criaturas ali descritas, estudo bem feito,

análise dum horror, já morto, ser imperfeito,

perfilados, juntinhos, dispersos

depois de abertos, discretos,

dúvida que se tira, quando se consulta,

quando se investiga, se procura,

dispostos, concretos, prestáveis,

honestos,

valores infindáveis,

dádivas permanentes… presentes!!!...

 

… recreio, adoração, enleio,

leitura, devaneio,

quando leio, quase entoo,

passeio, descanso, quando voo

pelas páginas que devoro, fluente,

mesmo quando inocente,

gosto de há muito que acarinho,

que mantenho, de mansinho,

poema de doce pena,

palavras etéreas, sensíveis,

alma minha, tão pequena,

bem postas, incríveis,

não há mal que me não venha,

não há bem que sempre dure,

não há mal que perdure,

imaginação que fervilha, que brilha,

combustível que não polui,

que alimenta… evolui!!!...

 

 

… qualquer que se predisponha,

que se embrenhe nessa prática tão grata,

leitura, sossego, desassossego,

inquietação que se sente,

acalmia rebuscada, parada, pensada,

poesia relaxante, imagem que se tem,

fantasia procurada, viagem alucinante,

comportamentos estranhos, atitudes,

 virtudes,

enredos, obscuridades,

 medos,

conluios, mistérios,

outras tantas tramas,

imperadores, impérios,

cataclismos enormes, gentes com fome,

figuras medonhas, insanas,

vidas completas, exemplos,

abjectas, plasmadas nos compêndios,

enciclopédias vastas, históricas,

retóricas,

livros que se acumularam ao longo dos anos,

mais simples, complexos, repletos,

de agora, de antanho,

arrumados, com pó… abertos, alguns,

nas mesas, esquecidos,

amigos!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 21:19
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Terça-feira, 4 de Julho de 2006

... sobre as coisas... deste Mundo!!!...

… quando me interrogo sobre as coisas deste Mundo,

casa plena que nos diminui pela fartura,

sinto-me desfasado, bem no fundo,

sendo como sou,

elemento da espécie predadora que se não futura,

sem culpas que me reduzam porque respeito,

tento ser racional, perfeito,

usufruir a beleza que me rodeia, apreciar a natureza,

visitar, como num Museu de obras primas,

convidado que fui, fazendo parte

destas esplêndidas maravilhas,

caminhando com mil cuidados, apreciando a singeleza,

norteando minha vida pelas que vivem junto de mim,

sob o céu, ampla campânula que nos protege,

aquecidos por Sol rutilante, estrela, energia, firmeza,

calor que nos abriga, nos inebria, êxtase sem fim,

labareda permanente, fonte inesgotável, lençol alvo e puro,

fantasia do sonho continuado que nos rege,

irmanados, quando visitantes responsáveis,

pela experiência grandiosa que nos ofertaram,

como quem protege

coisa rara, delicada, frágil e forte ao mesmo tempo,

num alucinante rodopio,

vexatório de quem, como num desafio,

malbarata a harmonia existente,

o equilíbrio que se pretende!!!...

 

… encantos do meu devaneio,

sons da minha ilusão,

quantos espaços se alargam, convergem,

nas alturas que nos assombram,

nas profundidades que nos agastam, donde emergem

criaturas belas e esfuziantes,

aves de cores berrantes,

planuras infindáveis, a perder de vista,

multidões que se empurram, urbes enormes,

frios intensos, inversos e reversos,

desertos, areais junto aos mares,

mundos diversos,

cloacas provocadas por gentes degradantes,

sol que se esvai, cor avermelhada, incêndio que não arde,

quando nasce, quando se põe,

numa madrugada, quase noite, bem tarde,

escuridão que nos cobre, encobre, tapa e cintila,

miríades de estrelas que nos espreitam,

nos vigiam, nos enfeitam,

nos extasiam, inebriam a pupila,

olhar que se não aparta, que se detém,

quando olhamos… quando nos convém!!!...

 

… como num lugar sagrado me porto,

porque me importo,

pensando que sou um pontinho diminuto,

numa passagem que se esvai, num segundo,

sem culpa formada, tranquilo, extasiado,

sendo parte dum todo, maravilhado,

produto inacabado, evolutivo, convencido,

triste bocado do que mais degrada, estraga,

não se dando por vencido,

dono de tudo, dono de nada,

descobrindo o descoberto, julgando sem ser julgado,

desmerecendo todo um projecto

mais elevado, complexo… no seu curto trajecto!!!... Sherpas!!!...

publicado por sherpas às 21:40
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