Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

... recordações!!!...

... numa senda muito escura, noite adiantada, céu como breu,

sem destino previsto, num caminho,

indo eu, indo eu,

tão sózinho comigo, acompanhado por tanta gente,

vejo-me rapazola que não foi à escola,

últimos dias, início do Verão,

levo a sacola,

tal como meus amigos, bando enorme

ridente,

antevendo mergulho no “pego” mais fundo da ribeira,

quanta frescura, sensação,

 

brincadeiras que m´ocorrem nesta idade provecta,

no ocaso, não fazendo caso,

sentindo-me bem, revivendo

quase nos setenta,

sentindo-me criança ainda

recordação inopinada,

sem forçar mesmo nada,

 

acossado por imagens que me foram gratas,

companhias que já não são,

o tempo passa,

namoradinha que foi paixão,

quantos sonhos gratos,

emoção,

desejo ardente de quem não dorme,

espera fervorosamente o outro dia,

reencontro,

visão,

grata ilusão, inocência de quem gosta,

quando se posta, embasbacado,

sentindo-se enamorado,

 

formosuras imensas,

rostos mais jovens,

anos recuados, tempos idos,

curtas idades, forças no auge,

crescimento expontâneo,

não desejado,

 

inícios de quem foi feliz,

contacto directo, puro,

com quem encontrava,

futuro,

desejo de ser, perda de muitos,

voragem,

os que nos deixaram, aguardam na terra da verdade,

realidade,

poucos vão restando,

o MUNDO me diz,

 

inexorável marcação de anos passando,

marcas bem fundas,

desgostos,

esbaços rostos,

névoas que s´esfumam,

noites escuras,

tão negras ou mais do que breu,

idoso, velho, camafeu,

 

resistente,

s´agarra ao que resta,

não pensando no que o espera,

nos espera,

nos enterra, nos queima no crematório,

envoltório,

poeira ou pó que s´atira ao vento,

recordação, lamento,

MOMENTO!!!... Sherpas!!!...

 

 

publicado por sherpas às 07:38
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

... bestiais!!!...

... eram tempos bestiais, os das bestas,

como animais,

atreladas a carros, carretas e carroças, pouco normais,

ruas pejadas de dejectos com que as iam borrifando,

sózinhas, atreladas, andando,

andando,

resfolegando,

quando cansadas,

foram força, foram engenho,

ajuda,

foram portento nas eiras, nas pedrinhas das calçadas,

nos carreiros traçados nos campos,

conduzidas por quem as cavalgava,

carregadas,

lá iam, levavam, traziam sementes, frutas,

sustento,

sacas levantadas por impulso, braços esforçados,

caras sem expressão, curtidas pelo sol, pela chuva,

ao lado das bestas, degrauzito apenas, carreiros,

carreteiros ou carroceiros,

 

azeitona ou uva, épocas distintas,

lá vinham a caminho dos lagares,

barulho ensurdecedor de ferraduras,

descanso no quintalão,

lavrador de latifúndio, bem anafado, como patrão,

dono das bestas, dos carreiros, carreteiros,

outros tempos,

menos bestais do que actuais,

 

vidinha dura, fome extrema, cansaço,

força do braço,

força da besta,

uma que outra romaria, um laivo de festa,

penúria que se sentia,

mal o sol luzia,

já posto,

casa humilde que o pressentia,

recolhia,

 

mulher que vinha da monda, da ceifa,

no campo,

miudagem na rua, sem botas, sem sapatos,

descalços,

jogos dispostos, estratagemas, brinquedos de restos,

esquemas,

no que se apanhava, arame, cortiça, lata vazia,

muita, muita companhia,

 

empatia com a malta, pedrada no charco, mergulho na ribeira,

pássaros que comiam,

ninhos com ovos, pardais pequeninos,

peixe que se apanhava com artes diversas,

com as mãos nas lapas, por vezes,

éramos senhores, éramos Deuses,

no tempo das bestas,

nada bestiais,

 

nas resmas de palha, no centro das searas,

nas tocas dos grilos,

na azeitona que sobrava, rabisco,

num abelharuco, numa popa, num pisco,

cotovia saltitante,

liberdade nos campos,

azinheiras com bolota gorda, adocicada,

entrada na horta, fruta bem fresca,

fanada,

gado a pastar, ajuda no campo,

feira que se avizinha,

bota calçada, varapau nas unhas,

caminho do gado, boca que ajuda,

 

de pais para filhos,

patrões eram patrões, acima das bestas, carreiros ou carreteiros,

quase iguais,

eram filhos, já crescidos, como os pais,

labuta campestre, idade rupestre, poeira na estrada,

torrões que se esboroam com passagem de arado,

força do braço,

força da besta,

descanso, campo lavrado,

bestas ao lado comendo ração,

dejectos no chão,

 

sombra que convida,

tristeza de vida no tempo das bestas,

com pausa nas festas,

na tasca,

na bebedeira que se toma,

cantiga que se forma,

sorriso imbecilizado,

momento, recado,

 

filho que vem, sustenta seu pai, condu-lo para casa,

reduto sombrio,

uma cama, uma trempe,

panela de ferro, de barro, ao lume,

feijão que requenta,

míngua tão grande, trabalho esforçado,

tão besta como a besta,

repetição,

tanto no INVERNO, como no VERÃO,

 

restos pelo lajedo,

gato enrolado,

caçador de ratos,

cão que se tinha, companhia,

ajuda no gado

empedrado da rua, regato ao meio,

sem sonhos,

devaneio,

 

gaita de beiços, cantigas e danças,

na esquina, no casão,

associação ali perto,

rancho que se forma,

caldo que se entorna,

zanga com navalha reluzente,

com murros e berros, feridas profundas,

vidas tão pobres,

no tempo das bestas,

 

os menos, com patas, duas ou quatro,

os mais, tão iguais, donos de todas,

fartos,

latifúndios ou feudos, no tempo da lavoura,

imitando obscurantismo medievo,

tal como duque, conde ou barão,

erguendo ceptro, erguendo bastão,

dando, tirando com a mesma mão,

coisinha pouca,

se recorda, não se doura,

 

no tempo das bestas,

de cima, de baixo,

quando as penso, as encaixo,

por vezes, com festas,

assim as vejo, revejo,

recuso... não desejo!!!... Sherpas!!!...

 

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publicado por sherpas às 18:43
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

... flor mãe!!!...

... paixão que se tem,

comunhão,

afeição,

felicidade tão grande no recato de alguém,

prolongamento da vida,

duplicidade que se partilha,

recreia, embevece,

num filho, numa filha,

aquece, arrefece,

 

amor que foi vulcão, lavas tão quentes,

ruínas, choros,

uniões como garrotes,

fracos se fazem fortes,

adversidades que enfrentam,

disputam qualquer contratempo, saltam obstáculos,

vencem correntes,

sem regras, sem compassos, alguns indigentes,

sem esperas,

duras refregas,

 

separação que se rejeita,

intensa ligação,

sem luzes, ribaltas,

flor que foi cativa,

prisão consensual duma vida,

 

vivida com gosto,

vinho doce, apenas mosto,

ágrio encanto, tanto desgosto,

composto,

 

efémera também,

renascida em nova,

mãe inocente, caminho que renova,

floreado num vaso, ramos diversificados,

encantos, recados,

 

tratados,

regados com mil cuidados,

têmpera imensa,

de aço, a rijeza,

faminta de amor,

foi cravo, foi flor,

espinho aguçado,

escudo protector,

 

sombra que afaga calor insuportável,

abano tamanho,

refrigério, às vezes,

condicionante valia, cúmulo de fezes,

ralações de arrepio,

por um hiato, percalço, por um fio,

 

raspanete tremendo,

defesa dum filho,

mãe doçura, esposa fiel,

fera temerosa na guarda que tem,

na cria desvalida,

precavida

ao ataque de alguém!!!... Sherpas!!!...

 

 

publicado por sherpas às 21:26
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

... chamado desejo!!!...

... quando tudo disfarçado, tempo de trevas profundas,

mentes hediondas, imundas,

religião de excomunhão, quase possessa,

castigo, tortura, inquisição, cidade de medo, de perdão,

castigadora de então,

 

mais abrangente agora, foi-se o Diabo embora,

Deus andou por cá, deixou luz, cores diversas,

pessoas raras, tão complexas,

bondade na humildade que mostram, hospitaleiras desde que as conheço,

entendo-as porque as percebo, desde bem jovem, mancebo,

 

experiente, no dealbar da vida que tenho,

orgulho-me do que vejo, mantenho,

cidade dos meus amores, vistas intensas, tão belas,

casario como desafio, alquebrado por idade avançada,

desleixo ou descuidada,

parede branca que se derrama, reboco quase desfeito,

 

telhado não reparado, plantio feroz que avassala,

avanço da ruína que sente, chama que a magoa, a chaga,

dentro do amor que proclamo,

levo passos cidade acima, repasso sítios conhecidos,

bairros velhinhos, esquecidos,

 

movimentos dos que gostam, intentos de quem a protege,

bícipes pletóricos em grupo, carrinhos ao desafio,

cidade em desvario,

 

recordo outrora, comparo, congelo na foto que tiro,

quando vou, fico, não me retiro, levo imagem comigo,

 

sonho que tinha, aproximação dum eléctrico que desejava,

fui turista dentro dela, vi-a passar como numa tela,

reconheci sons tão antigos, rebrilhar de carris férreos no chão,

metálicos avisos a quem passa,

a quem estaciona, atrasa,

 

colina sobre colina, entre tantos era mais um,

quebrei intenso jejum,

subi dois degraus apenas, sentei majestático num banco,

olhei, com companheira que tenho,

maravilha de que me não abstenho,

 

paixão enorme que sinto, dor profunda que me perturba

perante o que vejo, vou vendo, fazendo parte de turística turba,

gulosa de tanta beleza, caminhada como romaria,

num dia claro, alegria,

 

satisfeito, fui turista cá dentro, passei pelos Anjos, pela Graça,

espreitei o Tejo lá ao fundo,

entrada de estranhos, de todo o Mundo,

cosmopolita como sempre, Lisboa palpita, pressente

formigueiro que se adivinha,

mochileiros ou já velhinhos, olhos escancarados de gozo,

conjunto lindo, formoso,

 

quanta tristeza, na ruína que se sente,

na Madre que era de Goa, nomenclatura popular,

no elevador da Bica, com Santos ali por perto,

abandonada, quase esventrada, caindo, estando entaipada,

louca juventude, pobre gente, riscos feitos nas portas, nas paredes,

páginas frustradas, inglória da raiva, insensatez,

vândalos aloucados que passam,

deixam marca, tudo estragam,

 

fado da que já foi menina e moça, conservando explendor antigo

numa Estrela que se esmera,

por lá passam os que espera,

num adeus mais forçado, num repente inesperado,

ponto culminante de todas as vidas,

término, princípio do fim,

num canteiro, branco jasmim,

 

subindo, descendo, fui vendo, num eléctrico, grande desejo,

fui turista, cá dentro, desde o Terreiro até à Graça,

passei pelo Martim Moniz,

subi troço de avenida, tortuosos caminhos trilhei,

mais apaixonado fiquei,

mágoa por tanta incúria, desleixo,

dia formoso, mais lindo, propensão para recebimento,

num queixume, surdo lamento,

 

vi obras de espavento,

nos sítios mais desajustados,

um que outro recuperamento, alguns sorrisos, tantos lados

bastante mais visitados, cidade de tantos pecados

desde tempos recuados,

tragédias humanas, tristes fados, ali ao Sodré,

escuro recanto de pé,

 

alquebrada ou recuperada,

manta tão retalhada,

entorno belo no conjunto, quando a olho, toca bem fundo,

imenso pedaço do MUNDO!!!... Sherpas!!!...

 

  

publicado por sherpas às 19:36
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

... TODOS!!!...

... quem é crente, aos domingos, vai à missa,

todo se derrete, todo se derriça,

orando fundo, pensando em tudo,

coisinhas do Mundo, religião que é confissão,

igreja que conheço,

tão sofredora,

amostragem GRANDE para gente pecadora,

juntinha a MEMÓRIA, perseguição de judeus,

monarquia tão férrea, fechamento na inquisição,

mortandade desmedida, intolerância que ainda persiste,

curta visão,

abrangência reduzida,

mente tão só, racionalidade perdida,

 

como quem diz,

ali bem perto, ao Martim Moniz,

bairros antigos de mouros, judiaria,

lembranças seculares passadas,

vozes de escravos, mercadores,

calçadas onde ainda entoam cascos de alimárias,

moçoilas juntinhas a navegadores,

canticos esganiçados nas tascas,

dedilhados nas noites escuras, mais pacatas,

refregas nas ruas por dores,

paixões iniciadas nas partidas, chegadas,

amores,

 

saudade bem vincada,

desgraça no meio de tanto resplendor,

fogosidade de burgueses, nobres mais pobres, ralé no pivete,

exalação de restos, fedor,

sobranceria num que outro palacete,

lambuzadela do padre, frade, clero que impõe respeito,

defeito,

obstrução no conhecimento,

feitiços, mestiços, rezas, excomunhão,

mézinhas com ladaínhas, fogueira, tortura, perseguição,

medo tão medo,

confissão, denuncia, segredo,

 

disfarçados na turba

cristãos novos, marranos d´antanhos,

foram vivendo, escapando, multiplicaram frutos,

raizes tão fundas,

terra tão nobre, ruas imundas,

consciência de agora,

ora que não ora,

na crença de alguém,

aos domingos, quem a tem, vai à missa,

todo se derriça,

 

descendentes mais condescendentes,

aceitação, mistura que se nota no meio de TODOS,

prevalência de orientais, africanos,

raças díspares,

convivência natural,

festa que se mostra,

tempos concretos, medida certa que se junta,

já se não prostra,

 

valor mais elevado, compreensão que é exemplo,

curto momento,

aprecio passos estudados de professor oriental,

alguns alunos, atenção tão natural,

integração perfeita,

sensação de agrado, praça rarefeita,

hora matinal,

recinto que lhes pertence, que nos pertence, que partilhamos,

quando entoamos, quando dançamos,

quando cantamos,

VIVEMOS!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 19:19
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

... bastião!!!...

... como bastião,

peça proeminente duma ideologia,

nos tempos presentes, pura fantasia,

contradição que permanece, altaneira, robusta, centrica,

da cultura, como palácio resistente,

obra de vulto que se mantém,

muito para além de quem a mandou construir,

ditador sanguinário passado,

Estaline do socialismo libertador,

logo após guerra do alemão do Terror,

funâmbulo doutro socialismo, mais nacional,

criador de tantas correntes rácicas, bélicas, xenófobas,

matador por excelência, dotado dum virtualismo impressionante,

tão degradante,

 

 

no que a sentimentos humanos nos referimos,

quando sentimos,

comparamos, medimos,

ainda hoje, detestados os dois, razões iguais,

tão imortais,

corações prenhes de ódios imensos,

muito dotados, apensos,

crias bem puras do Demo,

mando a contento, populações que foram mártires,

milhões de vítimas, catástrofes,

caminhos erráticos,

apostáticos,

 

religiões votadas ao abandono,

espezinhadas, como num mau sonho,

donos, senhores,

ditadores com império, com cortina,

tendo como tónica primeira, medos, mortes, perseguições, dores,

construções de espanto feitas pelo povo,

nada de novo,

perpetuação de quem se pretende sobrepor,

ir além da sua vida,

passagem curta,

fugida,

 

queda dum muro em Berlim, indo por aí, queda duma cortina,

guerra fria, desmoronamento duma ideologia,

supremacia,

tombos e broncos, guerras, afins,

constetação como afirmação,

amostragem dum capitalismo excessivo,

garras, quereres disfarçados de saberes democráticos,

GANÂNCIAS,

vidas felizes, constantes, ao invés doutras mais aberrantes,

EXORBITÂNCIAS,

paraísos na terra, liberalismos nos costumes, nos ganhos, nas perdas,

bolsa que carambola, milagre americano,

engano tamanho,

 

papéis sem valor,

décadas de falsa abundância,

redundância,

crise imobiliária,

desmandos económico-financeiros,

fúria nas ACUMULAÇÕES, dinheiros,

CRISE GLOBAL logo no início de banquete capital,

países cinzentos com tantos lamentos,

corrida de multinacionais, aplicação no mais ou menos milhão,

construções vanguardistas que rodeiam palácio da cultura,

espécie de guarda avançada acutilante,

perante,

 

bastião vigilante d´então que se sobrepõe,

da cultura, como palácio central,

rodeado por manifestações do grande capital,

contradição,

logo agora, com um grande senão,

desemprego que avassala,

estala,

desequilibra outra ideologia,

 

entre duas facções tão distintas, resposta mais adequada

só na China,

que não desatina,

joga pelo seguro,

dois sistemas, um império, uma nação,

meio termo como virtude, precaução,

futuro que se desenha,

despenha sobre HUMANIDADE tão sofrida,

levando de vencida teimosia, insensatez,

estupidez secular,

que ainda há-de vingar,

coabitar... tal como na Varsóvia do bastião,

com mais ou menos milhão,

 

população humilde, deslumbrada perante cintilâncias,

casamentos tradicionais na cidade antiga, fotografias, passeios,

sereia rodeada de restaurantes, turismo,

acutilâncias,

desempenho, esperança, MUNDO melhor,

sorriso no rosto, Chopin tão presente,

ainda se sente,

 

recordatório, envoltório, miasma passada que ainda pasma,

rosa vermelha, iluminária, corvo que grasna,

pêga na praça, esvoaça, passa,

pedra memória, estatuária que fere,

presente, refere!!!... Sherpas!!!...

 

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publicado por sherpas às 14:30
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Domingo, 12 de Setembro de 2010

... Varsóvia!!!...

 ... recomposta,

tão cicratizada se nota ainda,

na rua que se contorna, na avenida,

no largo fronteiro a pedaço de monumento,

memorial de religião que se mantém,

crença tão grande,

logo erguida, depois de destruída,

fé inabalável dum povo que se massacrou,

redenção na culpa,

monstruosidade bestial que passou,

encruzilhada na conflitualidade permanente,

dura corrente,

trajectória que se vai notando, quando se narra,

recuada história, mais recente,

traça que marca, palácio que mostra,

luminária vermelha sempre acesa,

rosa que chora mortos em barda,

 

concentração num recinto fechado,

câmara de espera,

partida por um trajeco sem retorno,

estação sem despedida amistosa, carruagens funéreas,

armas em riste, caras de aço,

figura que faço

quando recordo, quando passo,

 

enorme pedregulho com placa metálica,

esverdeado descampado,

quase finito

num grasnido dum corvo,

duma pega que poisa,

descolorido rebento que permanece na mente,

elegante avenida,

recordatório em imagens que mostram destruição,

reconstrução,

 

seguimento doutras contendas,

afluências que convergiram,

mataram, destruiram,

fizeram grandes alguma figuras, renomes sonantes,

vizinhos tão déspotas,

algozes da vida, povo prostrado,

não precavido,

vítima na dor, na flor que surge,

na fuga dum som, refúgio no templo,

triste momento,

 

dedilhado com arte, café da tertúlia,

conversa abafada,

coisa tão triste, revolta, cilada,

murmúrio distante,

fervilhar duma vontade, melodia que evola,

se expande, avassala,

objecto tão negro nas teclas que se calcam,

se ouvem,

as vozes se calam,

 

sentem-se arrepios, frémitos tremendos,

querer que antecipa horror que se adivinha,

campo da desolação,

inumano, desconcerto, guetto apartado,

raça que se dizima, resistência que surge,

memória, desprezo pelo vento que ruge,

 

botas com fúria, apontamento distante,

objectivo comum,

sofrimento intenso,

conchavo tão grande, ruínas que se adensam,

cavername imenso,

rua sobre rua, recanto escondido,

num velho, num soldado rendido,

numa criança rebelde,

 

num tiro, incêndio, escalavrar nas pedras,

grito nas trevas,

corpo chagado, flor vermelha que lembra,

um sítio, um campo, um muro, um guetto,

esperança mais nobre,

um salvador tão pobre!!!... Sherpas!!!...

 

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publicado por sherpas às 14:01
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

... canídeos!!!...

... não fora o ladeamento, grandes avenidas no centro,

prédios de apartamentos,

luxo exterior e por dentro,

ajardinamento que se estende, aprimorado com rigor,

arvoredo diverso que se sente em altura de maior calor,

sombra que é uma dádiva,

repuxo lindo no lago,

correnteza de águas mansas, sossego quebrantado,

acontecimento inusitado num dia não calculado,

mesmo por baixo do Casino,

 

centro de batota, recreio,

entrega de quem não despega, devaneio de quem pouco lhe custa,

das artes, divertimentos vários,

cultura,

exposições de reputados,

na pintura,

assombração de curtas mentes nos fraques,

nas vestimentas,

 

deliciosas ementas,

restauração tão variaga,

outra coisa pensaria naquele dia radioso,

um calhar,

indo por ali, devagar,

latidos de quem se sente MOTIVO,

pentear como se afaga,

limpeza geral, a preceito, unhas cortadas com jeito,

impecável na aparência de quem vai desfilar,

 

pois é, acaso dos acasos,

tendas cónicas impecáveis,

recinto aberto, multidão, vozes de pura apreciação,

mesas bem compostas,

cadeiras preenchidas por bundas mais que fornidas,

géneros indistintos, júris atentos àquela exibição,

 

mui longínqua de camelóides, areias ardentes do Sahará,

Oásis de Tuaregues,

que se passará, que se passará,

ainda pensei em Kadafi, líbio tão extravagante,

pelas tendas, acampamento,

quanto engano, quanto engano,

pela brisa que fazia trapejar “atuendo”

bandeirola chamejante,

antes de me adentrar,

no momento,

 

passinho que dás e me segues,

certamente, de canídeos se tratava,

como já tinham descortinado

no início do palavreado,

marca reconhecida de rações, aposta,

incentivo para quem gosta,

marcado o dia para dono, aficionado,

ambição de quem tem, mostra,

metinha que se propõe na medalha, na tacinha ou na menção,

primeiro, segundo campeão,

 

consoante raça, feitio, belezura,

vivacidade que cativa,

tratamento, postura, improviso,

corridinha ao longo dum recinto,

quantas jaulas, quantos parques,

quantas mesinhas com trastes,

quantos e quantos desvelos nas pinturas, nos cabelos,

na ordem que se dá, cumpre,

desde arriba, indo ao centro, estendendo aos lados,

cerquinha de estrada que passa,

quantos e quantos quadros,

 

possantes, ferozes mas controlados,

canídeos por tantos lados,

barulheira que se adensa, inquietação como frenesi,

entretenimento com barraquinhas à Kadafi,

num Oásis exuberante, sem Tuaregues,

camelóides,

bandeirinhas a dar, a dar,

na brisa que sopra do mar,

vestimenta que se movimenta num trapejo continuado,

naquela tarde, um acaso,

onde eu HAVIA de... PARAR!!!... Sherpas!!!...

 

 

publicado por sherpas às 20:52
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