Sábado, 5 de Março de 2016

... tão longe me... vais ficando!!!...

... muito antes da mecanização,

quando trabalho rural era feito à mão,

utensílios vários, para cortar, cavar, semear,

malhar sementes na eira,

separá-las da sua envoltura,

utilizando força de muar,

carro que transporta,

mui rudimentar,

costado de quem carrega, braço q´empunha

forquilha que levanta, iça,

suor que inunda o rosto,com vigor,

sem preguiça,

 

 

desde o nascer ao pôr do SOL,

tanto d´Inverno, como em AGOSTO,

chuva, frio, panais estendidos no chão,

grande varapau com que batia oliveira,

varejão, creio, serrote,

quando na poda com escada ou escadote,

 

acumulação de palha em grandes almearas,

almeadas,

antes de guardadas em casões,

latifundiários regalados,

no clube chique da terra,

na esplanada ou dentro do café,

canseira, acompanhada de lamentos,

tipo choradas, canções,

mais vivazes, alegres,

momentos,

 

aquando da ceifa,

da sementeira,

plantas nefastas, com sacho,

devidamente cortadas,

eram ranchos coloridos,

fainas duras, tempos bem sofridos,

qual plantio de algodão,

na Geógia americana,

escravos vindos d´África,

cânticos com que abafavam escravidão,

tanta gente q´engana,

 

filhos sem carinho,

brincando,

na rua, na casa vazia,

bocado de pão na mão,

navalhinha a preceito,

cortando conduto parco,

azeitona vinda do rabisco,

num pretérito IMPERFEITO,

 

pés nuzinhos no chão,

ajuntamentos, grandes bandos,

na rua da vila, da aldeia,

enquanto o filho do rico se recreia,

amas para toda função,

amamentos, bibes, compras,

acompanhamento,

meu recordar, meu pensamento,

 

quando criança, também,

privilegiado como era,

filho do comerciante da terra,

meus companheiros, tão queridos,

mourejando nas planuras imensas,

tanto nos campos, como na eira,

junto d´oliveira robusta,

quanto sacrifício, canseira,

 

braços vigorosos,

costado,

físico bastante usado,

como empregado, como criado,

para recados, curtas tarefas,

acompanhando a dona nas rezas,

fazendo rendinhas, enfeites,

limpando o que os outros sujam,

criando filhos alheios,

sorriso na prestabilidade,

quando lembro,

curiosidade,

 

padrinhos da filharada,

mal comidos, mal pagos,

sempre c´a boina na mão,

servil, humilde, educado,

mandado para todo o lado,

 

muito antes da mecanização,

falando das sementes,

do tempo,

convivendo no clube d´afeição,

conversando, na esplanada,

usufruindo, sem fazer nada,

 

passa o doutor,

passa o padre,

confissão, na hora certa,

quando o calor aperta,

mantinha do pobre

que não desperta,

enquanto o que fica,

sofre,

 

refreado pela autoridade,

antes do SOL nascer, já escuridão total,

regressado ao lar,

cansado,

não dá pelo entorno, usado,

quanto trabalho braçal,

 

puxando rédeas de carros, carretas,

carregando fardos bem pesados,

forquilha na mão que iça,

com vontade,

sem preguiça,

 

copito na tasca com amigo,

mais alegrote,

sofrido,

filhos,

quase sem abrigo,

 

pézinhos nus, no chão,

corrida, em bandos alegres,

ranchos de mondadeiras,

bem vistosas,

tão leves,

 

ainda moçoilas jovens,

bem abrigadas do SOL,

enquanto na eira ampla,

almearas ou almeadas,

separando sementes da palha,

 

chega a casa, cansado,

com ira,

zangado com algum filho que desmanda,

ameaça,

não se zanga,

pensa na compra que não faz,

serviçal,

não capataz,

 

guardando gado tão diverso,

retalhando carnes que não come,

passando agruras,

tanta fome,

 

fazendo habilidades com o que tem,

terra de cheiros,

sabores,

poucos são os que desertam,

quando avisados,

quando despertam,

 

meu ALENTEJO lonjano,

terra milagre, tanto engano,

latifúndio que mantém,

pouca valia, vencimento,

moedas tão escassas,

pagamento,

 

tão apagado, humilde,

frente ao patrão,

cortando conduto no pão,

navalhinha sempre a jeito,

bicicleta, grande luxo,

busca por aqui, vai ao brejo,

alguma coisinha para casa,

quando o sinto, quando o vejo,

ainda o lembro,

 

tão longe me vais ficando,

quando o bebo,

quando o como,

nesta tarde quente d´Outono,

Primavera tão colorida,

que cheirinho que m´encanta,

minha doce recordação,

serviçal,

boné na mão,

 

muito antes da mecanização,

livro d´assentos na loja,

dívida concertada,

combinação,

privilegiado, meu irmão,

pézinhos nus... no chão,

 

vida difícil d´outrora,

na forquilha,

pesado fardo que s´iça,

lembrança que,

tão longe, me vai ficando,

quantos fardos d´agora,

aos ombros dum POVO que chora,

 

tão servil, humilde,

perante...

 

naco de pão na mão,

conduto,

cortado c´a navalha,

triste de quem sofre,

TANTO trabalha,

alguns com tanto,

com TUDO,

bastantes sofridos... sem nada!!!... Sherpas!!!...

 

publicado por sherpas às 14:31
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