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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

04
Abr21

... enfim...

sherpas

Todos diferentes, todos iguais,

todos iguais mas, outros mais...

seres tão complexos e diversos, animais tão esquisitos no pensar,

de cores diversas e dispersos

por locais... onde têm de habitar,

grafi 030.jpg

nascidos da mesma maneira,

duma mãe que os concebeu, burguesa, operária, rameira...

frutos dum amor que morreu... dum amplexo, duma união, dum comungar, duma paixão...

ungidos, logo à nascença, pelo estigma da diferença, no berço que os acolheu,

 

de rendinhas e bordados, no colo que os recolheu,

vazio, o dos desgraçados, de quem nada tem para dar, de quem está nu, desamparado, aqui e em qualquer lugar...

esquecido, posto de lado, por falta de todos os meios, embora parecido com os tais...

os fartos, os que estão cheios, os diferentes, os mais iguais,

 

os que só pensam no bem estar, no que o dinheiro proporciona,

no vestir, comer e gozar... dentro e fora da sua zona,

esquecendo, quase por querer... os explorados e ignorantes,

os que se fartam de sofrer,

 

os calcados, como dantes... pelo sistema, pelos interesses...

dos que não querem abdicar, das mais valias, das benesses,

 

que não querem partilhar, com a multidão de irmãos...

tão diferentes, tão iguais,

que, estendendo suas mãos, vão morrendo, mais e mais...

 

esfomeados, escorraçados,

esquecidos ou ignorados... num Mundo materialista, dominado pelo dinheiro, matéria infecta, pouco altruísta, mal maior e primeiro,

 

mentes curtas, obtusas, sem sentimentos, confusas... dos tais seres complexos e diversos,

egoisticamente imersos em mesquinhas e vãs ganâncias,

 

matérias bem palpáveis, em doses grandes, abundâncias...

pouco valor, não duráveis... porque a vida é passageira,

 

virtualmente ilusória... tal como os bens, o dinheiro, jactâncias de curta memória,

 

tanto se dão com o primeiro, como com o último da história... neste tão grande carrossel, nesta existência imparável, neste tão veloz corcel, desta era incomparável!!!... Sherpas!!!...

30
Mar21

... analfabeto político!!!...

sherpas

... fui carneiro, fui submisso,

fui ignorante, fui omisso,

fui um infeliz analfabeto (politicamente) um

cidadão bem discreto...

DSC01987.JPG

um mancebo utilizado pela cruel situação,

por aqueles homens de estado,

muito antes da revolução...

 

sobrevivi, por acaso, da guerra colonial,

porque foi esse o meu fado, não foi o meu final...

 

acomodei-me a quase tudo, declarei o que quiseram

calei-me como um mudo,

vivi como viveram...

 

todos aqueles portugueses isolados e com medo,

na maioria das vezes...

falando só em segredo...

 

fui guerreiro (?) sem vocação,

escondido numa farda, muito antes da revolução,

cinzenta e muito parda, sem amor e sem paixão...

 

pelo que me obrigavam... sem nenhuma razão,

a odiar os que odiavam...

 

a matar os que matavam (não matei ninguém) sem escolha, sem opção...

 

em nome duma Nação, em nome dum ditador, deixei de ser um senhor...

 

... fui carne para canhão, sem um pingo de razão, muito antes da revolução!... Sherpas!!!...

 

12
Mar21

... um café... a pé!!!...

sherpas

carro arrumado na garagem ESTRELA, passo de lado, ao largo, divirjo,

quando m´oriento, dirijo

a pé... em busca dum café,

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calcando calçada, passeio esburacado, ainda cedo, para longe do meu abrigo,

olhando tudo que passa, casa velha, degradada,

algum ruído...

 

sem graça, sem brio, lá vai, destino incerto,

não perto...

 

carro habitual, transporte, d´alguém que pode,

na penúria que se sente, na rua, pouca gente,

velha que arrasta desgraça, sacos de plástico na mão,

noutra direcção...

 

olhar entristecido, pelo tempo... envelhecido,

no chão, costas curvadas, peso q´aguenta,

ainda intenta,

lentas passadas, fazendo pela vida,

fugida...

 

no contentor ali perto, rebuscando, rapaz novo,

mal vestido... mais buracos que tecido,

leva carreta, atrelado, restos q´acumula, bem cedo,

vasculha no lixo, ainda em segredo... com medo,

e eu, em busca dum café, dando passadas largas,

a pé...

 

fazendo caminhada, passando tempo,

lamento, quando encontro, vejo,

faço estória, componho espaço, deixo vestígio... num escrito,

enquanto passo,

envergonhado, maldigo, pensando comigo...

 

dou voltas à povoação mais próxima, todas em cima umas das outras,

dormitório da capital, margem SUL, anóxina... situação anormal, mau estar que se

prolonga, vida congelada que s´alonga,

 

movimento que se não sente, ausente, café fechado,

passo ao largo...

 

continuo caminhada, passeio esburacado,

um, que outro, carro que passa...

 

por causa de um café, vou a pé, observando meio urbano conhecido,

entristecido...

alguns farrapos que foram gente, sombra que é consequência,

d´atitude de certa excelência,

 

contentor mais vazio, consumo por um fio,

busca, rebusca com um pau, olhar desvairado,

roupa com muito buraco, estômago que reclama alimento,

único pensamento... sobrevivência,

 

mais além, decrépita, tão velha, tão curvada, saco na mão, plástico que é bolsa,

que é saco, que foi compra, o tempo passa, deixa marca, miséria que se acentua,

naquela rua...

 

encontro fortuito, fuga, murmúrio, monossílabo que oiço,

estremeço...

fraco arcaboiço,

 

grande superfície já abriu, desço escadas de madeira, entro,

aprestam-se pastelarias no piso superior, ouve-se barulho de bica que sai, odor

tão quente...

ali em frente, à minha beira, quase maquinal, direccionado pela intenção,

menos mal, menos mal...

 

beberico o que m´acalenta, recomponho, pago, regresso a pé,

desfazendo passos dados,

alguns bocados...

 

trajecto d´ainda há pouco, algum encontro, minha casa, meu prédio, meu

apartamento,

entro, penso...

 

olho para o carro estacionado na garagem ESTRELA,

sento,

escrevo!!!... Sherpas!!!...

06
Mar21

... meninos e meninas... traquinas!!!...

sherpas
… como irrequietos traquinas, à volta de bolo enorme,

meninos, meninas,
travessos, teimosos, com fome,

DSC07922.JPG

de habituados que estão, esquecem o que não são,
insistem na confusão... quando pregam, não dão,
castigando a populaça, pobre povo, triste raça,

que a tudo se conforma, que paga cada vez mais,
mantendo estes pardais...
numa volta que retorna, alternados que estão, no Poder, sai-se do engano, cai-se no mesmo,
é o que estamos a ver... por vezes, não quero crer,


quando me aquieto, me convenço, me torno mais prestimoso,
augurando tempos melhores,
numa pausa que intento, neste cantinho formoso,
de crápulas, cada vez… piores!!!...

… como traquinas, como crianças, esquecem, quando prometem,
deitam, por terra, esperanças...
não aquecem, nem arrefecem,


limpam bolsos, carteiras, satisfazem seus caprichos,
vão saltando por fronteiras, em viagens de pasmar,
bem forrados, com viços... numa amálgama de bradar,


em negócios, regalias, esquecimentos, fugas,
simples toques, só magias, com sorrisos, remoques,
calcando sobre os tugas...


com impostos, agravamentos, abordando sofrimentos,
distribuindo simples lamentos,
migalhas esparsas, raras, disfarces, empolamentos,
poupando vidas… mais caras!!!...

<> ENTALADOS <?> LOL

… meninos, meninas, travessos, bem situados, forrados,
à volta de bolos espessos, beneficiados, como sempre, não têm recalques, paragem,
na loucura, na voragem,


quando avançam, vão em frente, bem pedantes, sorridentes,
satisfazendo clientes...
numa distribuição aflitiva, perante um Povo que grita,


que não aguenta mais o saque, constante, avassalador,
no meio da miséria, da dor...
bolso sem fundo, não findo, quando escrevo, não minto,
sou dos que pagam, bem sinto,


perante privilégios que gozam, quando viajam, repousam,
na doce almofada dos excelsos,
tal como dantes… perversos!!!... Sherpas!!!...

13
Dez20

... Sirocco!!!...

sherpas

... dias luminosos que, num repente, mudaram de feição,

 

ventos fortes do SUL, maré alta, muita chuva,

tudo que era perfeito,

imperfeição,

água por toda a parte, fora dos canais,

tristeza húmida que desalenta,

sala de estar, mais portentosa pela monumentalidade,

piscina aberta,

 

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a quatro palmos do solo,

passadeira que nos conduz, enquanto Veneza afunda,

maré que incomoda, transtorna,

agravada pelo SIROCCO,

deixa de ser um sonho,

inconveniência que modifica hábitos,

dá tiques de requinte no calçado que se apropria,

botas de borracha de cano alto,

dfino recorte, cores que cativam,

dão tom à vestimenta,

 

agasalhos que se completam, lenços à volta do pescoço,

chapéus, bonés de variados tipos, com ou sem bicos,

inventiva de quem habita,

de quem vende uma cidade que é única,

sem rodas, sem fumos, sem escapes, ruídos esparsos,

nos táxis que são barcos,

 

anoitecer menos festivo,

na linha do horizonte daquela lagoa,

cruzeiros que seguem destino,

abrindo caminho,

solene,

relampejante, nos flashes que se vão disparando,

imagens que levam,

saudades que sentem,

estando ainda,

na hora da passagem, da partida,

 

saboreando um bom vinho tinto, palitando delícias de maravilha,

encostado a balcões modernos,

mais antigos,

vozear que nos segue,

acompanha no bom trato recebido,

na saborosa gastronomia de Burano,

nas jóias de artífices em vidro,

em Murano,

saltitante de ilha para ilha, passando na dos mortos,

cemitério que é descanso,

 

pormenor que lembro nas cores vivas das casas de famílias,

no pedacito que é catedral,

fio que se estende do outro lado do grande canal,

ambulâncias que acorrem a qualquer emergência,

polícia que utiliza transportes idênticos,

devagar, com urgência,

 

divagar pedonal, estreitinhas as ruas,

esplanadas nos “campos”

barulheira nas tratorias,

visual tão igual, na simpatia, na pujança,

no recebimento,

luxos, espaventos no palácio principal,

vista total do alto da torre,

violinos, pianos que tocam,

emudecem,

pela maré, pelo SIROCCO,

a quatro palmos do solo,

 

desalento momentâneo na velha senhora que continua

tão bela, tão única,

que se afunda,

não afunda,

se canta,

encanta, guarda num canto do pensamento,

dias de chuva, de vento,

dias de sol que valorizam ainda mais tanto esplendor... Sherpas!!!...

 

12
Dez20

... a cunha!!!...

sherpas
... ao fim de dois anos complicados, marcando passo e fazendo continência a gente desconhecida, espécie de cumprimento, perfilado e submisso, simples número com uma diagonal nos ombros, mais tarde com dois vês, confrontados com um invertido, encarnados, bem visíveis... depois da recruta e da especialidade, pura verdade!!!...

Dei recrutas a soldados, fazia o que qualquer sargento do quadro fazia, mal pago... era mais barato, com mais substância intelectual, formação académica obtida antes de ingressar naquela coisa que nunca se deu bem comigo, militar mais que forçado, indignado quase sempre!!!...

 

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... passados dois anos ascendi a furriel miliciano, sem ser por engano... com guia de marcha adequada, enviaram-me para a Guiné, não integrado em companhia ou pelotão, muito menos em batalhão, na qualidade de individual disponível em qualquer ocasião, render quem acabasse a comissão!!!... Já contei, retomo o fio à meada... numa barcaça mista, géneros, irracionais, civis e militares, o Alfredo da Silva que navegava com costa à vista, fazendo paragens e abastecimentos por parcelas do nosso vasto território ultramarino, d´aquém e d´além mar, arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, lá chegámos ao porto de Bissau, terra quente e húmida, estranha para um estranho que chegava com malas e... uma missão (???...) imposta!!!... Alguém reparou em mim, me encaminhou para a traseira dum camião militar que se dirigia para o Q.G. Onde teria de me apresentar!!!...

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... arranjei instalação adequada num barracão onde dormia, como companheiros de quarto, imensa caserna, mais umas dezenas alargadas... em camas cobertas por mosquiteiros!!!... Começou a minha comissão de serviço, sem viço, sem graça, continuidade daquela complicação onde me tinham metido desde os vinte, já cumpridos e com mais dois, esperando por outros dois naquele “Paraíso”... pena a que me tinham condenado!!!...

 

... não vou descrever mais, só sei que... perdida e sempre recordada num bolso da fardamenta, levava uma cartinha de recomendação dum Primeiro Sargento, amigo do meu pai, para outro amigo, colega dele em serviço naquela província ultramarina, espécie de cunha apropriada, descanso dos meus progenitores, encosto, influência que talvez surtisse algum efeito!!!...

 

... os primeiros dias foram longos, difíceis de passar, aos caídos e sem funções, aguardando ordens, à disposição de quem necessitasse dos meus serviços, rendição individual, claro!!!... Via passar os outros, encostava-me a uma coluna de cimento frente à sala de sargentos, olhava para os jagudis em cima dos mangueiros, respirava aquele ar denso e húmido, quente e abafado, matava um que outro mosquito mais sedento do que tinha nas veias, sangue fresco da metrópole, coisa boa, apreciava os naturais nas suas vestes miseráveis, os seios das mulheres que não tinham vergonha do que tinham, mostravam sem pudor, por carências de toda a ordem, hábitos antigos, as lavadeiras que vinham buscar a roupa aos militares, todos os dias, à mesma hora, camisa ensopada de suor, algum frescor nas pernas que trazia ao léu, calções militares, meias verdes e sapatos adequados com boina castanha na cabeça... uma lindeza que ainda recordo quando aprecio fotografias passadas, bem mais novo e sujeito a todas estas travessuras que me impunham, quando dispunham!!!...

 

... numa dessas tardes de “fare niente” sem ocupação, deambulando por ali, olhando com enfado o ambiente estranho em que me encontrava, bebendo uma Cuca, cervejola da altura, emborcando um uísque baratinho com soda, coisa fina e na moda, falando com quem encontrava a jeito... ainda perdido e confuso, apalpei o bolso da camisa e afaguei a minha “cartinha de recomendação” alívio dos pais amados que tinha deixado para trás, descanso deles, ilusão que mantinham, quando ma entregaram, alguma esperança minha... sempre seria um “empurrãozinho” por parte do amigo do amigo do meu criador, parte dele que fui, que era, que continuava sendo em terras africanas, dor de alma, afastamento, quanta saudade já sentia!!!... Pensei nela, interroguei-me sobre o destino a dar-lhe!!!... Sempre tive algum receio de contar com os outros para resolver a minha vida, nunca fui favorável a “cunhas”, sentia e sinto alguma repugnância por esses actos mas... como dádiva e empenho dos meus pais, sossego dos mesmos, sentia um certo impulso em resolver o assunto, encaminhar a recomendação para o sítio certo, resultasse ou não resultasse, encargo que tinha, obrigação moral que me viria a beneficiar ou não!!!...

 

... assim me encontrava, num daqueles dias custosos de passar, encostado a uma coluna de pedra e cal, mesmo em frente à sala de sargentos, congeminando comigo próprio... nesta e noutras situações que se me deparavam nos primeiros dias de Guiné, ainda sem colocação, sujeito à rendição individual em que me encontrava, às ordens da CCS do QG, um desconhecido no meio de imensos desconhecidos, fardado ainda por cima, sem vontade própria, às ordens dos ombros que pesavam mais, batendo a “pala”, perfilando-me, ouvindo o “nosso Furriel” displicente e arrogante de quem o pronunciava com desdém, sargentos “lateiros” ou acima deles, profissionais das guerras, carreiristas fardados, governo deles que não meus!!!...

 

... coincidência ou não, repente que tive... espécie de intuição quando a tirei do bolso e me encaminhei para junto dum primeiro sargento que se encontrava por ali, encostado como eu a outra coluna do alpendre, gordo e farto, palitando os dentes, meio ensonado, petrificado pela modorra do início de tarde, grasnar dos jagudis no cimo dos mangueiros, alguns passantes, indígenas e militares, camisas ensopadas pelo suor, picadas de mosquitos como norma, lugar comum, hábito que ainda estranhava quando os esborrachava com uma palmada repentina, batendo a continência, pedindo licença para quem, do alto da sua posição, graduação mais elevada, mal se mexeu, entreabriu os olhos e... permitiu, perguntando-me o que pretendia!!!...

 

 

... disse-lhe o que se passava, o que me atormentava, a recomendação que levava para um primeiro sargento, de que não me recordo o nome, por parte dum amigo comum que mencionei!!!... Foi como um toque de varinha mágica, personalizou-se, com mais agrado apresentou-se como sendo o endereçado, pediu-me a carta, abriu-a, leu-a com atenção, perguntou-me pelo amigo, dobrou-a com muito cuidado, meteu-a no bolso da camisa e... disparou:

 

... olhe, meu amigo... em terra de cegos, quem tem um olho é rei!!!... Virou-me a costas!!!... Quedei embasbacado!!!... Mais tarde verifiquei que me tinha dado a melhor ajuda que me poderia dar, fez-me abrir os olhos, ver que a vida não era pêra doce, que tinha que me desenrascar por mim próprio!!!... Daí para diante foi o que fiz, arranjei colocação, ascendi no lugar, no respeito que tinham por mim, impus-me... aos poucos e, mais tarde, tive oportunidade de pagar o “favor” a esse senhor, quase da mesma maneira ou pior, sem intuito de vingança, cumprindo o dito à letra!!!...

 

... decerto se lembrou que... em terra de cegos, quem tem um olho é rei, posição inversa da primeira, necessitando de encosto e eu, cantando de galo!!!... Cá se fazem, cá se pagam!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... a esmola que se dá!!!...

sherpas

… esmola que se dá, caridade que se pratica, um gesto, uma dádiva, um acerto,

ajuda voluntária, um bem com que se fica,

satisfação enorme, um ensejo...

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quando se reparte, por quem precisa,

quando se acarinha um pobre, um velho, se dá comida, abrigo a desvalido,

se afaga uma criança, se proporciona sorriso...

 

naquele instante, no momento preciso, em qualquer altura, situação,

ao longo dum ano sofrido, constrangido,

carente a tempo inteiro, mendigo...

 

sofredor, com dor, com medo, diminuído, deitado fora, esquecido… objecto provocado,

não raro, aumentado, exagerado,

réstias duma carreira de sucesso, em tempos de… retrocesso!!!...

 

os pobres abundam, excedem previsões,

que macabras sensações… alucinações!!!...

 

 crises que duram, perduram, estudos que fazem, desfazem, rentabilidades, negras verdades,

visão dum Mundo imperfeito, rarefeito,

abrangente, globalizado, insensível, com defeito...

 

produtor frenético, desfasado, com tantos postos de lado,

pobres, doentes, carentes, abandonados...

lembrados, por instantes, nesta quadra, a que se adapta, enquadra,

a mais adequada,

 

satisfazendo necessidades, afectos, dos que os criam, os fomentam, os excluem,

os deitam abaixo, os diminuem,

praticando a caridade, dando esmola, ficando bem com a religião, a do perdão,

quanta ilusão… quando dão!!!...

 

… filhos sem pais, crianças desvalidas,

sorrisos, afagos, brinquedos… vidas!!!...

 

 praticando a caridade, os que erraram, dando aos que tiram, abandonaram,

aos que fizeram tristes, fizeram pobres,

quando desenvolves, quando resolves...

 

quando cresces em haveres, com muitos teres, à custa de tantos seres,

em harmonia, com cânticos, hossanas,

hipocrisia, quantos enganos… quantas manhas!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... flor orvalhada!!!...

sherpas

… flor orvalhada, da madrugada, pétalas de seda, carne viva, brilhantes,

promessa de beijos, benfazejos...

carícias que sentes, amada, tão radiosa, bela, formosa,

volúpia, dor, contrastantes, campo bem seco, desejos,

GENEVE 193

chuva que nega, água que rega, sol que queima, sombra bendita,

noite que cai, manto que cobre...

algum frescor, orvalho que chega, algum fulgor, ardor que sofre,

 

abrir a sorrir, pétala cheirosa, doce porvir, o que se almeja,

na madrugada… flor orvalhada!!!...

 

flor que se nota, que inebria, que envolve,

de pouca monta, quando se não solta, quando, bem seca, se devolve,

se fecha, se protege, se abriga, se recolhe...

 

no campo estéril, seco, agreste, se estiola, quase fenece,

por causa do tempo, por causa do Sol,

quase se não veste...

 

quando se esquece, na modorra pasmosa,

quando escondida, sendo formosa,

deixando de ser, planta ou flor, simples pontinho, na imensidão,

no campo, no centro… em solidão!!!...

 

manto da noite, frescura que dura,

gotículo pequeno, orvalho que dança, secura que passa, em formosura,

pétala risonha, seda perfeita, bem viva, vermelho garrido,

laivos de cores, diversos, distintos, na manhã que se alcança,

que ostentação, que criação, pouco perdura...

 

uma força, um grito, mais que bendito,

uma chama, inebria sentidos, maravilha, encantamento,

um espaço, um tempo… doce momento!!!... Sherpas!!!...

18
Nov20

... vassalagem!!!...

sherpas

…profusão de pensamentos, ideias díspares, constantes,
bem preenchidos, os momentos,
nos locais, nos instantes,

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mais controversos… diferentes,
destes seres, destes mutantes,
senhores de tantas gentes,


do Universo, do Mundo inteiro, das criaturas inocentes,
das vespas dum vespeiro,


dos rochedos altos… disformes,
das flores dos canteiros, das plantas que dão os comes,
das manadas de carneiros, dos bichos ferozes das selvas,
dos bois, das vacas, dos bezerros, das plantas daninhas, das relvas!!!...


…dos que são menos que senhores, dos indigentes, nas trevas,
dos estúpidos, dos estupores,
dos que pouco pensam, das levas,


dos recrutados, das multidões, dos rebanhos, das presas,
dos que se enganam… aos montões,
da irracionalidade, sem defesas,


da matéria dura… pura, dos que não se sentam nas mesas,
dos que, a vida, descura e põe na triste vassalagem,
como um escravo, simples pagem,
dos que são assolados, por momentos, sempre, em qualquer altura!!!...


…catadupas de pensamentos, numa ideia suja impura,
que faz vergar os joelhos,
nas pernas, nos artelhos,


aos fracos, aos indefesos, a toda, qualquer criatura,
feita de matéria dura e… pura!!!... Sherpas!!!...

 

17
Nov20

... claro que a vida!!!...

sherpas

… claro que a vida, não tem sentido, é uma inversão… do real,

muito mais, quando se poetiza,

se pensa, deixando ir o pensamento, para qualquer lugar,

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fazendo comparações, sem igual,buscando a alma, essa incógnita,

procurando resposta, descortinando o que se nos esconde,

vislumbrando, ao longe...

 

um raio de luz, uma esperança, lobrigando mil punhais,

assestados, contra os mais...

por dignos, provectos, superiores intelectos,

 

poliglotas de pouca monta, encostados a abstracções,

a irrealismos, sem sentido, numa descoordenação, coordenada,

tal como pintura pintada, fazendo tudo... sem nada!!!...

 

… não deito fora, aprecio, dou valor a quem o tem,

muitas vezes, não me fio, dos que, mansamente, me batem à porta,

abro, pouco me importa,

 

seja quem seja, seja quem (???...) na inocência que me caracteriza,

humanidade pródiga, concreta,

de quem viveu muita vida, de passagem, de fugida,

por enquanto, conseguida!!!...

 

não gosto que me dissequem, que me extirpem, me analisem,

ser cobaia, vítima laboratorial, sob olhares conspícuos,

arrogantes, de tratantes… avessos, profícuos,

 

carregados de raivas, de ódios, de mal, por interesses inconfessáveis, perversos,

inversos...

nada abonatórios, falatórios, conversas ocas, vazias,

manias,

 

experiências, com poucas ciências, menos valências,

dos que buscam nos outros, o que lhes falta,

com gula, com muita lata...

 

num desregramento aberrante, excessos de literatura… a pura,

pesporrente, contraditória,

sem inventiva, sem história!!!...

 

na busca do infinito, sendo finitos, procurando espaços, horizontes,

outras fontes...

calados, introvertidos, usando outros caminhos, teoremas,

diversos e raros esquemas,

 

estratégias labirínticas, disformes ou conformes,

apocalípticas, quanto a tamanho… enormes,

falando, sem nada dizer,

podem crer,

 

com dialectos, com idiomas, parafernália simbolística,

um calhar… casuística!!!... Sherpas!!!...

10
Nov20

... num dia mundial da... poesia!!!... (antiga)

sherpas

… dia mundial da poesia, parece impossível, sem poética,

numa universalidade famélica...

que ainda se detenham com estas coisas, com versos, com quadras, com sentires,

com sonhos, com provires,

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com doçuras, com amores, com azuis fortes, esbatidos,

com vermelhos berrantes e floridos...

com esperança de vidas cantadas,

 

mais equilibradas, com aves que nos cativam, quando passam, quando mostram suas cores,

com danças, com músicas,

com trajes a rigor, bem garridos, sorrisos de todos os tamanhos,

sentimentos, sem enganos!!!...

 

… com auroras de espantar, com mares imensos, prometedores, com nuvens esparsas, farrapos,

brancos, soltos, dispersos...

no meio de muitas rimas, pessoas que sonham, que arrumam palavras, que as colocam nos devidos lugares,

famílias felizes, nos lares,

 

flores que pintam a natureza, na sua grandiosidade, na sua pureza,

paz que se acalenta, que aumenta, abraços de coração,

lágrimas no canto dos olhos, emoção...

 

tudo quanto se intenta, poeticamente, empilhando, por aqui, por ali, em todo o lado,

num Mundo que, bem lá no fundo, com tanta dor, com sofrimento,

não passa dum… fingimento!!!...

 

… dum dia que se lhe quer dar, pobre dádiva que se não sente,

quando se oferece, se dedica,

quando se predica,

 

num conflito permanente, entregue a poucas gentes,

práticas, bélicas...

com defeitos, sem cor, sem sonho, provocando criaturas famélicas,

 

corpos nus, mortos... destroçados, tortos,

num dia de Primavera envergonhada, que se não mostra, que se esconde!!!...

 

… pobre poesia mascarada, coitada da árvore que se festeja,

que se queima, se abate, que se planta nesse dia,

como preito, com alegria,

 

dando exemplo desconcertante, num gesto hipócrita, pueril,

como quem disfarça… numa graça, que passa, que esquece,

num dia que arrefece,

 

perante a dor, a desgraça, perante o ódio, o horror,

fazendo face ao pavor,

numa poesia que não é,

deixa de ser… até!!!... Sherpas!!!...

 

08
Nov20

... pairando entre o real e o absurdo!!!...

sherpas

… pairando num vasto absurdo,

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qual pássaro encantado em voo que realiza,

olhando tudo,
maravilhado,
confuso,
cores relaxantes nos tons que produzem,
inebriantes,
coloridas,

são recantos, são vidas,

tudo o que, em mim, se concretiza, se amalgama, se reduz,
engrandecido naquilo que produz,
amor, paz que reluz...

na suplica duma mão carente,
dedos trémulos, mendicantes... acariciando colos doutra gente,

ausentes,

pesadelo momentâneo... imagens vagas,

aparentes,

inflectindo o gesto,
espontâneo,
de tão presto,
maquinal… extemporâneo!!!... Sherpas!!!...
 
08
Nov20

... retrógrados e modernaços!!!... (antiga)

sherpas

… retrógrados e modernaços, difícil fazer a destrinça nos tempos que correm, dados os bons exemplos que temos, a actuação positiva (… deixa-me rir!!!...) dos políticos vigentes, a nível mundial, um descaro, uma vergonha, políticas de guerras e conflitos, como nos tempos da barbárie, a mais abjecta, completa… pelos maus resultados humanitários, é evidente, quando nos escandalizamos com as imagens que nos assolam, que nos perseguem, que não nos consolam, que provocam pesadelos de medo, de horror, de pavor!!!... Globalização mercantilista, economicista, elevação ao cume mais elevado do dinheiro e seus mentores, tendo o petróleo como base sustentatória, triste estória, poluente, cruenta e cruel, colocando ao mais baixo nível a pessoa, como indivíduo, como Deus na Terra, feito à sua imagem e semelhança, quando botam palavreado, quando botam discurso, quando fazem políticas modernaças, simples chalaças!!!...

06072008(056).jpg

… falhas imensas no âmbito europeu, um descalabro, um desvario, um alinhavar de coisas mal cozinhadas, uma solidariedade de mentira, um desequilíbrio profundo, entre parceiros… os dos dinheiros e os tesos, líderes de brincar mantendo posições, botando chavões, querendo mostrar cara séria, quando entrevistados, coitados, espremidinhos… não valem a ponta dum caracol!!!... Os modernaços, seguidores do campeão das gaffes, bridges assumidas, conseguidas à base da lambarice, até agora, pelos vistos, pelo que me é dado observar, como pouca coisa que sou… não provaram nada!!!... São assim!!!...


… quanto aos caseiros, domésticos, internos, os nossos bem amados e adulados dirigentes, no amplo leque que nos apresentam, liberais, novos ou antigos, direitistas dos sete costados, saudosistas ou não… com renovação pelo meio, esquerdistas de brincar, fazendo jeito, praticando artes bem diferentes, quando governo, esquerdistas mais clássicos, retrógrados, como lhes chamam… quem os teme, de esquerdas mais finas, de caviar, sem freio na língua, delatando situações de privilégio, benesses, mordomias e interesses dos profissionais alternativos, invictos e convencidos das suas práticas, bem forrados, pelos vistos, nem vale a pena falar… tanto o tenho feito, por amor de quem gosto, efectivamente, do Povo a quem me honro de pertencer, não os tenho em boa estima, não os coloco num altar, não os idolatro, não os renego, não os bajulo, critico-os quando vejo que há razão para isso!!!...

… modernaços e retrógrados, triste dilema de quem não pensa por si, de quem tenta levar a água ao seu moinho, de quem se julga maior e diferente, no meio de tanta gente!!!... Ainda me recordo da Moderna, dos modernos, doutras modernices bem actuais… não me consigo esquecer, embora tente!!!... Por vezes comparo modernices de agora, com essas, as ditas… as que fizeram gastar montes de tinta, as que se quedaram em águas de bacalhau e fico triste!!!... Se se recuasse um pouco mais, ou se se adiantasse… quiçá o desenrolar dessas situações, como de outras, afinal, dessem o que todos esperavam que dessem!!!... Mas, não!!!...

… até, nas autarquias, com estas modernices de agora, tão longe dos tempos recuados, não retrógrados, sérios de verdade, dignos de corpo inteiro, se admitem candidaturas de arguidos… a lugares autárquicos que, até aposto, conseguirão ganhar, como se nada!!!... E, espanto meu, sem retrógrados, no que respeita a idades… em tempo de Presidenciais, cairíamos numa pasmaceira, sem eira, nem beira!!!... Valham-nos os velhotes!!!... Os modernaços adulteraram éticas, dignidades, valores, exemplos, pendores… promiscuiram-se, de tal modo, que deram em corrupção avultada, por tudo quanto é sítio!!!... Estamos mal e… vamos de mal a pior!!!... Modernaços e retrógrados… que embaraço e embaraçoso, valha-me Deus!!!...

… entre retrógrados, com PREC do passado, com fugas para o Brasil, com debandada de dinheiros e… modernaços, corruptos criativos, como lhes chamam, quando os proclamam, destrutivos e invictos, apreciadores de Ferraris e Jaguares, de vivendas espampanantes, de bons hotéis, resorts de luxo, com greens e pancadinhas nas bolinhas, de viagens inacabadas, constantes, mediante dinheiros de todos, fortunas de momento, de espavento, considerados, por eles próprios, como os donos dos anéis (… que palermice!!!...) não sei bem qual a diferença!!!... Um gatuno, tipo que se apropria do que lhe não pertence, fino ou mais vulgar, não deixa de ser o que é… quando desonesto, é evidente!!!... É a destrinça que faço, numa igualdade tremenda, quase ao milímetro, por certo, depois de me pôr a pensar!!!... Conjecturas minhas, claro!!!... Sherpas!!!...
 
04
Nov20

... arroubos poéticos!!!...

sherpas

… arroubos poéticos, êxtases, enlevação, enlevo,

liberdades que se permite, quando critica patéticos,

quando se diminui, se admite,

se procura, quando insiste,

GENEVE 571

quando tira ou… dá relevo, quando se considera o mesmo,

quando não finge, restringe,

se julga pouca coisa, quando se avalia a esmo,

sem ser um fingidor,

provocando mágoa, dor,

 

quando berra, feito blasfemo,

inconformado, deslocado,

quando descreve pássaro que poisa,

flor de cores belas, vivas,

quando fala de ódios, de amor, quando se sente apartado,

 

num cantinho, redutor, escondido, temeroso, com pavor,

perante as maleitas do Mundo, que não compreende, que detesta,

com pensar tão profundo, que o agasta, arresta,

que enfrenta… que contesta!!!...

 

… pobre poeta, coitado, não está bem em nenhum lado,

deslocado, imbecilizado,

quase posto de lado,

da verdade, fez seu lema, doença de que enferma,

quando sincero a valer, quantos não faz sofrer,

sofredor, não fingidor,

com o sofrimento dos outros, seja lá onde for,

 

universal, abrangente,

quanto lhe passa na mente,

nos instantes, nos encontros, fugazes, bem repentinos,

com pensares… com desatinos!!!...

 

… sinceridade, punhal que trespassa, que arrasa, que fere, que mata,

quando se aventa, quando traça,

marca que queda, ferida, tão sentida, tão profunda,

que não altera, que não muda,

 

hipocrisia que abunda, falsidade que enxameia,

dos que vegetam, insanos,

que não atalha, alteia,

avoluma a fantasia, cruel, oca, vazia,

redundante, prepotente… alegoria!!!... Sherpas!!!...

 

03
Nov20

... emudeces!!!...

sherpas

... por paragens impensáveis, lonjuras que confundem,

paroxismos inenarráveis no íntimo de cada um,

crueldade que se não dimensiona,

agiganta, impressiona...

berlim 140.jpg

quando se conjunta, une, esgarro que não aninha,

temor que desalinha...

 

forças maléficas que não suportas, tanto aguentas,

emudeces perante...

soltas torrentes incontáveis, formas lágrimas de pesar,

oceanos de horizonte púrpura sob sol incandescente,

temor vulgar de inocente, cáustico que se castiga,

carrega assombração terrífica,

 

oh Deuses que estais ausentes, tão impotente te sentes,

sofreres, falsas partidas, te quedaras num sentido,

cerrado em pútrido casulo...

vontade amorfa, nascituro indefinido,

gota rosada sem face, rolando em parte incerta,

criatura que não desperta,

 

seres que profanizam templos que derramam chamas ácridas que incendeiam,

despautérios que te reduzem,

lágrimas que soltas em silêncio, teus penares,

desperfeitos...

 

oceanos de águas fundas, longos sofreres, antes não foras parido,

intenção... num desvario,

cenas ocultas,

desafio!!!... Sherpas!!!...

 

03
Nov20

... estava um dia de... calor!!!... (antiga)

sherpas

… estava um dia de calor, como tem sido norma, abafado, molengão e eu… com aquele maldito desejo, vontade que me perseguia, desde há uns tempos atrás, recordação de sabores, doutros dias, quando mais novo, em tertúlia amena, doce cavaqueira, com petisquinho a preceito, bem acompanhado de cerveja fresca, em tubos ou imperiais, canecas disparatadas, que bebia voluptuosamente!!!... Sempre gostei… sem abusos, com conta, peso e medida, é evidente!!!... Nunca fui para borracheiras, alegrote, quando muito… vezes por outras, claro!!!...

DSC04571.JPG

… e, aquele maldito desejo, me perseguia constantemente!!!...


… fui levar a minha mulher e a minha cunhada à praia, desta vez dispensei o local, o fresco do mar que sempre me maravilha, me encanta, me atemoriza… quando penso!!!... De caminho, com aquela cisma, virei o volante do carro para um determinado cantinho de petiscos e de copos, não me contive, quase fui obrigado, tal a vontade, a recordação do sabor, sozinho, não em tertúlia premeditada, combinada, com intenção de satisfazer apetites, como deve!!!...

… a gula, desta vez… foi mais forte, impôs-se!!!...

… estacionei a viatura pertinho da esplanada, meia tarde, quente e molengona!!!... Dei uns passinhos, entrei, perguntei se tinham o que me andava a perseguir, o tal pitéu, nada mais do que amêijoas, (… das pretas, mais carnudas e saborosas!!!... ) feitas num fiozinho de azeite, com muito alho e coentros, bem temperadas, com molho grosso e guloso, regadas com sumo de limão!!!... Sempre apreciei bivalves, mais estes, preparados à maneira!!!... Disseram-me que sim… exultei!!!... Ia satisfazer um gosto, um desejo, fazer de conta que era novo… de novo, empinar umas imperiais, pois então!!!... Sentei-me, expectante!!!... Olhei ao meu redor e vi que… a dita esplanada tinha pouca gente, dois ou três casais, dois rapazes, mais à frente, ali ao pé!!!...

… lá veio o rapazito, empregado de serviço, com uma imperial fresquinha!!!... Dei-lhe um pequeno sorvo, saboreei!!!... Passado um instante surgiram, como por obra de milagre, as causadoras das minhas agruras gustativas, tão lembradas e desejadas!!!... Tinham bom aspecto, mais um pãozinho torrado… uma maravilha!!!... Há quanto tempo, meu Deus!!!... Sublimação!!!... Fui petiscando e bebendo, não muito… acompanhando, com regra, a esmo, com gosto, deliciado!!!...

… o desejo, foi-se satisfazendo, aos poucos!!!...

… no meio de tudo isto, ali ao pé, surgiram duas velhotas, já entradotas, na casa dos oitenta e tais, ainda brejeiras, desenxovalhadas, cheias de calor, falando em voz alta, uma com a outra!!!... Uma delas encaminhou-se para uma mesa, puxou duma cadeira, sentou-se, convidou a amiga!!!... Esta, temerosa e humilde… ainda recusou, apresentou as suas razões mas, com a insistência da amiga, acabou por fazer o mesmo, comentando para os dois rapazes que estavam por ali!!!... Um deles, sorrindo, fez-lhe um sinal de concordância, incentivou-as!!!... Por lá ficaram!!!... Estava mais fresco, tal e qual!!!...

… entretanto, quando pedi a segunda ou terceira imperial (… não passei desta, garanto!!!...) disse ao empregado para levar duas águas frescas às idosas, para pôr na minha conta, com a recomendação expressa… de lhes dizer que era oferta da casa!!!... Ele compreendeu as minhas razões, assentiu e lá apareceu com duas garrafas de água e dois copos!!!... As velhotas estranharam, perguntaram e o rapazito lá lhes disse o que eu lhe tinha pedido, que era obséquio da cervejaria!!!...

… duas garrafas de água, numa esplanada, numa tarde quente e abafada… para duas velhotas, na casa dos oitenta e tais!!!... Pobres e temerosas, gente humilde… não habituada!!!...

… aceitaram as ditas, recusaram os copos, guardaram-nas no saquito das compras… por lá se quedaram!!!... Terminei o meu repasto, contente comigo próprio, pelo petisco, pelo gesto, pela satisfação dum desejo antigo!!!... Paguei, meti-me no carro… fui buscar a minha mulher e a minha cunhada à praia, ali perto!!!... Coisas!!!...

… Povo que… lavas no rio!!!... Sherpas!!!...
 

 

02
Nov20

... de cortar... à faca!!!...

sherpas

… de cortar à faca, o silêncio, numa penumbra que se vai desfazendo,
isolado, na madrugada, como gosto de fazer, escrevendo,
bem longe de refregas, imenso...

DSC09748

na minha individualidade, crendo, com uma grande vontade, penso,
dentro do meu melhor amigo...
quando o faço só, comigo,


sem companhias adversas, muito longe das conversas,
adentrando-me, muito íntimo, companheiro nas horas vagas,
no tempo que se alonga, perdido... quanto caminho, quantas chagas,


quantas alegrias visualizo, nesta penumbra que se desfaz,
neste silêncio que me apraz, nesta entrega, sem refrega,
que me assola… que me chega!!!...

… encontro marcado, todos os dias, numa hora imprópria, bem cedo,
entrega, voragem, manias,
fuga de todos, fuga do medo,


esperança que se constrói, sonhos, utopias, quanto silêncio, quase segredo,
quando, sentado, vou escrevendo...
bem afastado de qualquer pensamento,


ao sabor do que me sai, sem rumo definido, muito sentido,
por dias passados, sofridos...
recolhido em mim, introvertido,


escondido da vida, em silêncio, nesta penumbra que se dissipa,
que se vai desvanecendo, lentamente, numa normalidade que se repete,
dando lugar ao dia, imenso...


que se clareia, que se agita, num instante, de repente,
nos enche… nos aquece!!!...

… tantos factos, acontecimentos, sociedade que se procura, com loucura,
insatisfação permanente, que passa... sofrimentos,
bem calados, bem fundos, em tanta vida perdida, obscura,


na alma de muita gente, quanta insanidade,
quanta perversão disfarçada...
dos que têm tudo, dos que não têm nada,


vorazes inconsequentes, seres que não sentem, dementes,
conduzidos por interesses materiais...
falando dos mais normais,


esquecendo os menos iguais, tão entregues aos seus quereres,
em silêncios estarrecedores...
penumbras densas, haveres,


posições desmedidas, favores, quantos conluios, quantos segredos,
quantos receios, quantos medos,
não solitários, matinais… em grupos,


alargados ou reduzidos,
bem delineados, conduzidos,
quantos espectros… quantos vultos!!!... Sherpas!!!...

 

01
Nov20

... carroças... dos meus velhos tempos!!!...

sherpas

… carroças dos meus velhos tempos, muares que resfolegam, jungindo,

caminhos de terras brancas,

searas batidas pelos ventos, crianças casquinantes, fugindo,

badelvas 027.jpg

grupos de moçoilas rijas, tantas, olhos vidrados de choro, transbordam,

sonhos que maravilham, retornam...

fôlego que persegue, erupção, magma incandescente,

repente,

 

fúria do ventre da terra, na serra, rochedo que brilha e rola, encosta,

vale do infortúnio, má sorte,

hora depois da morte... encontro,

 

face com que deparo, reparo, anjo escuro que ceifa, maléfico,

tempo que foge de pronto, num ápice, céu escuro, medonho, terrífico,

porta do pensamento, momento,

outra vida, outro encontro, outro tempo...

 

confissão de toda uma vida, cumprida, promessa que se arrasta,

se gasta...

pranto que não contenho, imagem que se afasta,

torrente que me alaga,

 

carpires que se juntaram, tão doces, reencontro com um dado tempo,

penoso...

carroças que vão surgindo nas névoas que se adensam,

formosas,

 

bando casquinante e belo, vital, muares que resfolegam,

jungindo...

num desencontro continuado, teimosas, terras do meu passado,

fugindo,

 

dossel que me protege, quadriga romana, ausente,

lembrança que me persegue,

na luta que se pressente...

 

futuro que se oculta, ausência tão inocente,

num tempo que não se culpa, recordação permanente,

afago que mantenho sempre...

 

olhos cerrados, recuo, paragens remotas, passadas,

recreio sombras e feitos...

nas asas dum pássaro ferido,

tudo isso visualizo,

 

rio, choro, amuo, vejo águas que estão paradas,

fontes secas, meus ribeiros, campos amplos, terras brancas,

searas tocadas pelos ventos...

carroças e pensamentos, mula jungida, teimosa,

crianças que vão para a… escola!!!... Sherpas!!!...

30
Out20

... recordar é... VIVER!!!...

sherpas

... escrevo porque escrevo, escrevo porque me dá gozo, escrevo porque sinto necessidade de deitar para fora o que me vai dentro, escrevo porque, escrevendo, racionalizo melhor o irracional, compreendo melhor ou tento compreender, o que se não compreende... tal como dizia Mia Couto, a escrita, é a verdadeira arma de destruição maciça, quer dizer, a verdadeira arma de construção maciça... quem escreve e quem lê melhora-se bastante em relação aos que são partidários da ignorância endinheirada... o novo riquismo não leva a lado nenhum, quer dizer, encaminha-nos, por uma vereda de estupidez, ao pântano da ignorância total... os deslumbramentos não são objectivo, são escape dúbio, sombrio, para os que se convencem, para os que se pavoneiam, para os curtos de espírito ou para os ambiciosos desmedidos e palermas... fugir à estupidez, à ignorância parcial ou total é obrigação de todo e qualquer um que tenha um mínimo de respeito por si próprio, porque:

MUNIQUE 041.jpg

- Escrever, só por escrever/sem ter nada que dizer/ou mostrar o que quer que seja/do que pensa ou do que veja/é pura idiotice/uma grande patetice/de quem não tem que fazer/e acaba por se aborrecer.../Ter ideias, pensamentos/sobre tudo e sobre nada/é possuir sentimentos/é como uma escalada/ao âmago da existência/como uma funda experiência/que nos inebria e enaltece/nos eleva e enobrece/nos enche de empatia/nos dá tristeza e alegria/num enorme desconcerto/na certeza, um desacerto/pelo incerto, simpatia/e uma razão para viver/no profundo do nosso ser/que entra em sintonia/com a pura fantasia/deste breve intervalo/um saltinho de cavalo/desde o nascer esperançoso/até ao final choroso/da linda sinfonia/que nos acompanha de dia/ao triste vendaval/que nos arrasta para o final!.../É aproveitar e bem/o DOM que DEUS nos dá.../Feliz de quem o tem/porque só, nunca está!.../A solidão/para quem tem que escrever/é uma grande companhia/porque, ao coração/vamos rebuscar e trazer o que nos deu alegria.../Por vezes, nas recordações/encontramos espinhos aguçados/e quebram-se as ilusões/tornamo-nos amargos e desiludidos/e então escrevemos com tanto fel/que nos apetece ser cruel/com tudo e com todos que nos rodeiam/como se apaziguássemos os demónios que nos incendeiam.../Escrever é um prazer/difícil de descrever!.../Escrever sobre ideias e imagens/torna-nos bons e dá-nos vantagens/sobre os outros, mais infelizes/porque nós, os que escrevemos/vivemos duas vezes... porque queremos!...

 

- Escrevam, ponham no papel tudo o que sintam, tudo que os revolta, tudo que vos faz sentir mal, escrevam porque as escrevinhadelas são a verdadeira arma de construção maciça em prol duma sociedade melhor... não se deixem embalar com mentiras, falsas promessas e vigarices de xico espertos, demagógicos e populistas. Simples pensar dum vulgar cidadão anónimo deste Pais onde, para nosso mal, ainda proliferam analfabetos.

SHERPAS

28
Out20

... a leitura... nunca fez mal!!!... (antiga)

sherpas

…a leitura nunca fez mal a ninguém, sempre foi uma maneira de adquirirmos novos conhecimentos, de nos aperfeiçoarmos, de nos armadilharmos contra tudo e contra todos, de nos distrairmos, de sentirmos prazer inefável, diferente, supremo, de encararmos o que nos rodeia, com outros olhos, mais perspicazes, mais vorazes, mais sedentos, porque, quanto mais temos, através da leitura, mais e mais pretendemos, nunca nos satisfazemos!!!...

Mafra 028.jpg

…agora, com a minha idade, pouco vou lendo mas, mantenho uma certa disciplina intelectual, lendo menos, lendo a qualidade, lendo o que me interessa, mantendo-me activo, como vivo, como sedento, como participe desta maravilhosa aventura…a da leitura!!!...

 

…em tempos, quando mais novo, pleno de ilusões, em busca de respostas a perguntas que me fazia, tudo lia, sem discriminar, fosse o que fosse!!!...Muito mais teria lido se não tivesse vivido numa época de obscurantismo, no tempo do Marcelo e do Salazar, os da censura prévia, os da proibição total!!!...

 

…quando olho para trás, quanta pena sinto, verdade, porque não minto…de relembrar as bibliotecas que rebusquei, com muitos volumes mas, incompletos, com muitos espaços, mais que vazios, dos livros da minha ambição, dos que se não viam, dos que se não liam, dos que se não comentavam…eram, estavam proibidos, tal como outras COISAS mais!!!...

 

…ainda há quem nos queira fazer regredir e, pelo que vejo, pelo que sinto, aos poucos, vamo-nos esquecendo, vamo-nos acomodando, vamo-nos alheando…do fundamental, da leitura, da boa leitura, em prosa, ou poesia!!!...Os culpados desta profunda apatia, deste descalabro intelectual, são monstros, piores do que assassinos, são os que nos matam o pensamento, nos igualam a um jumento, nos imbecilizam, nos reduzem, nos diminuem!!!...

 

…cursos superiores, sem bases variadas, sem cultura geral, não passam daquilo que são, ferramentas, para determinada função!!!...Quão triste me ponho quando licenciado, de qualquer licenciatura, mostra desconhecimento, apresenta ignorância perante perguntas corriqueiras, de ordem geral, de qualquer sector, de qualquer ofício ou arte, por não ler, um simples jornal, por não se dedicar, parcialmente, a esse vício nobre e salutar…a leitura, como prazer, como aventura!!!...

 

…ler, faz-nos subir, faz-nos elevar, faz-nos ir aos céus, faz-nos melhores, faz-nos completos, faz-nos possuir mais afectos, faz-nos despertar todos os sentidos, faz-nos ser mais ligeiros, mais vivos, faz-nos pensar, faz-nos escrever as nossas emoções, faz-nos sentir tantas sensações, ser diferentes, dos que não lêem, dos que se quedam pelo simples, pelo vulgar, pelo aparente, a outra gente, a que não precisa, segundo pensam e acreditam…pobres, coitados, os iletrados, analfabetos, licenciados, com cursos superiores, muitos doutores!!!...Há excepções, claro, como em tudo na vida!!!...

 

…enfim, verdade seja dita que, no meio dos que gostam de ler, por vezes, encontramos os que se preocupam somente de determinados assuntos, de certas matérias, técnicas ou quejandas, as que lhes dizem respeito, as que lhes dão dinheiro!!!...São pobres de espírito, não gostam de sonhar, não apreciam brincar com as letras, com as palavras, de as sentir, no mais belo que elas possuem, o dom de fazerem chorar, de fazerem sofrer, de fazerem rir, de fazerem pensar!!!...

 

…a leitura, ah, a leitura, meus amigos, quanta ilusão, no tempo da proibição, o que me ofereceu, quanto sonho me proporcionou, quanta gargalhada proferi, só, como um tonto, com um livro na mão, quanta aventura, quanta emoção, quanta mais não teria, se tivesse…os livros da minha ambição, no tempo próprio, quando mais novo, ilusionado!!!...Mas, quem sou eu???...Um abraço do Sherpas!!!...

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