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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

10
Out21

... imperceptível!!!...

sherpas

impercetível,

tão integrado,

observando, atentamente, em meu redor,

silêncio cortado por cicios melodiosos,

vale encantado,

DSC05898.JPG

ribeirinho que segue seu caminho,

ranúnculos amarelos que brotam da terra húmida, com medo,

murmuram, entre si, quase em segredo...

 

crescimento lento, entre outras herbáceas,

mesmo à beirinha da água cristalina, verdes, tenros, débeis,

harmonia plena,

pequenos insectos que esvoaçam,

 

natureza com seus pincéis,

uma que outra flor que compõe,

pintura, profusão de cores...

cheiros, sabores,

 

pipilar duma ave que poisa, depenica,

acaricia, volteia, rodopia, gorjeia

retina plena que me incendeia,

visão espantosa, maravilha perdida, pequeno vale,

existente,

quantos odores...

 

rastejante, réptil colorido, em busca de presa,

sinto receio, alguma surpresa, rã que coaxa, desprevenida,

num ápice, foi comida,

lei da vida, sobrevivência,

maior valência...

 

faço por não existir,

presença cautelosa, atento,

olho, aprecio... comparo, acaricio,

encho meus pulmões de ar matinal, sem ruído,

 

um verme que sai da terra e... logo s´enterra,

uma vespa exploradora que passa,

a água corre, a água vai...

que graça,

 

pequeno peixe que espadana, assoma,

mergulha,

raio de sol que o benfazeja, transparência,

frescura,

 

brisa que sopra, revoar das folhas de árvore próxima,

folha que cai,

mais um pontinho no atapetado daquele chão,

fica bem, formiguinha que sai,

mordisca, esforço imensurável,

tentação,

 

inopinadamente,

a cena perdeu o colorido,

nuvem que cobre o astro-rei...

deixa cair umas lágrimas esparsas,

grande choradeira, na certa, noutras paragens,

finjo que não existo,

como gente,

 

devagar, devagarinho,

sem deixar pegadas minhas,

retiro-me daquele pedacinho de paraíso,

reconfortado, agradecido!!!... Sherpas!!!...

09
Out21

... sinto!!!...

sherpas

sinto vontade de me soltar,

procurar um paraíso, irmandade de todos os seres,

partir sem destino, voar,

como faço, quando escrevo, imaginação, doces haveres...

DSC07678

mãozinha cheia de nada, corpo leve, poucos teres,

céu brilhante tão perto, harmonia a cada canto,

leve ária pressentindo, num caminho desconhecido,

colorido luxuriante,

pensamento que m´incendeia...

 

não me acho diferente,

não sou estranho, com a idade o sentido avança,

sensível, atento, apaixonado pelo passado,

mais recuado, mais recuado, infância bela, tão plena, que... tão distante me vai ficando...

 

água murmurando num vale,

encanto que m´avassala, olhar fixo, quanto espanto,

deambulando por vereda de sonho,

quando escrevo, quando m´aparto...

 

quanto silêncio, quando calo... metido comigo próprio,

memória que me castiga, persegue, minha figadal confrontação, quase opróbio que me reduz, vexame constante pela espécie a que pertenço,

 

não, a família não s´escolhe, cai-nos em cima,

HUMANIDADE tão desumana,

quando rouba, quando engana, quando persegue e mata,

quando destrói, mostra, aplaude, suicida constantemente... quanto mundo, quanta gente...

 

sociedade sem valores, destruidora permanente,

inteligente ou “ HOMO SAPIENS “ se qualifica o homúnculo, moderno... na sua concepção,

quanto inconformismo, desilusão,

 

indiferença pelo cometido.

Irmão contra irmão, destruição constante,

“ hábitus “ tão desprezível, quando o penso, o rejeito, quanto e quanto defeito...

 

sim, a família não se escolhe... cai-nos em cima,

gostava de m´apartar, voar como ser alado,

buscar um mundo encantado...

 

pobre HUMANIDADE que se não entende,

quanta vítima inocente,

quanto mundo, quanta gente!!!... Sherpas!!!...

 

 

14
Set21

... sopinha de... tomate!!!...

sherpas

dei uma voltinha, a pé, pelas imediações

do meu apartamento,

no Seixal,

faz bem, encontro gente com quem falo,

como alentejano... ou me calo ou nunca mais paro,

image.jpeg

espingarda apontada, recordação d´outro tempo,

patrício ou não, doce lembrança que se partilha,

vejo, admiro melhorias,

algumas ninharias...

 

pormenores que se vão alindando,

buraco que se tapa, furo dum cano que é reparado,

pequeno café... onde tomo a minha dose habitual de cafeína,

preenchimento de tempo dum aposentado,

 

passo por expositor de fruta, comércio urbano,

por vezes, descubro algo da minha afeição,

não hesito, compro, concebo

ementa do dia seguinte,

com um tinto que bebo... crio água na boca,

cabecinha louca,

 

sabor das minhas origens,

ovinho escalfado, numa sopinha de tomate,

bem acompanhada com figos roxos, pedacinhos de pão torrado,

regalo que me sacia, divina graça,

e... o tempo passa,

 

penso, logo existo, como dizia o outro,

se me fosse dada outra oportunidade de vida,

retrocedendo,

nova e consciente partida,

reconverteria, por completo, meus hábitos alimentares,

outros ares... mais salutares,

 

gosto muito de fruta, de qualquer tipo de vegetal,

pouparia a vida de muito animal,

nada carnívoro, algum peixe, se por acaso,

culinária tradicional...

 

alentejana, sopitas, fruta, ovos, leite de soja

e... pouco mais, grelhados ou mais trabalhados,

peixes variados, porco e seus derivados,

origens,

 

mas, o tempo é voraz... não se condói,

não volta para trás!!!... Sherpas!!!...

06
Set21

... visão!!!...

sherpas

Informes, se levantam,

gigantescas, tão cerca,

m´assolam na pequenez que sinto,

devastam interioridades tão íntimas,

mui minhas... coração aperta,

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sombras fantasmagóricas que carrego,

alma minha que s´esvai no momento, tão perto,

desapareço,

deixo de ser, só vejo...

 

instante,

ausência que me transporta,

irreal, tal o feito, tal a deformação,

sombras que se projectam em mim,

um porquê, um senão,

qual a razão...

 

visão frontal,

cinzentos carregados

com borrões indistintos, pontuados,

pintura surreal, absurdo... à minha porta,

 

incorporo,

situo presença, local,

racionalizo...

afasto dúbios pensamentos,

entro em mim, arrumo ideias, estupefacto,

 

paro,

identifico, estremunhado,

gesto maquinal, passos perdidos na cozinha,

persiana, janela aberta, matinal

nevoeiro denso, carregado...

mais sossegado,

 

influências externas, senhores dos terrores,

destruição, matança e roubo,

de TUDO... um pouco,

por ganâncias, por poderes, haveres,

 

caixinha da deturpação,

desinformação concertada,

circunstância que... nos deforma,

corpos e almas,

 

baralha, decalca valores, monstros que rugem,

invadem espíritos,

apertam coração, nevoeiro cerrado,

meio estremunhado...

 

árvores num descampado, vizinhas de casa,

sombras tão baças, pintura sem cor,

imenso PAVOR!!!... Sherpas!!!...

 

 

01
Set21

... estória... duma vida!!!...

sherpas

refastelado na cadeira da esplanada... como cidadão vulgar,

vendo quem passa,

tomando seu cafezito matinal,

tão normal, fatiota limpa, apropriada,

barba aparada, cabelos alinhados,

DSC09755

passei... troca momentânea d´olhares,

cúmplices, díspares,

 

percurso de vida diferente, não dando ares,

sendo mais um entre tantos...

antanhos,

 

sorri, satisfeito... lembrando passado mais agitado,

segundo me disseram, não afirmo,

não denuncio,

 

foi artista consumado na arte do gamanço,

especialidade mui eficaz,

quando lhe surgia, era bem capaz,

ramo d´automóveis... por aqui, margem sul,

 

um portento, entre os primeiros,

o primeiro...

não havia impossíveis,

conhecido e respeitado, no ramo,

 

se bem lembro... assim o clamo,

sem alarde, com respeito,

 

o tempo passou,

a fúria do latrocínio acalmou,

passou dificuldades, mal esgalhado, vestimenta suja,

inapropriada, suja,

não lavada... alma penada,

 

cabelo em desalinho, barba hirsuta,

uma sombra...

volteando pelos contentores,

escarafunchando por restos, por comida,

algo que lhe valesse uns cobres, papel ou cartão,

fazia impressão,

 

a bola volteia, revolteia... tempo se consome

para o rico, para quem tem fome,

 

um ror d´anos sem o ver,

agora... qual o meu espanto,

recuperado, bem vestido,

afinado,

numa esplanada, refastelado!!!... Sherpas!!!...

23
Ago21

... pirilampos!!!...

sherpas

não,

já não vejo pirilampos

nas noites húmidas de Verão,

no meio das ervas esquecidas, podridão,

madeira arruinada no chão...

DSC04270

mais alto,

adulto, bem velho, perspectiva diferente,

passa comigo, com outra gente...

mais afastado do entorno,

muito acima do chão...

para quando o meu retorno???...

 

porque,

não m´envergonho, quase aposto,

tenho uma ideia daquilo que penso, daquilo que creio, daquilo que gosto...

um dia, bem tarde, convenhamos,

uns séculos,

uns milénios talvez,

acredito no “ era uma vez “

 

regresso apoteótico dos que foram,

já não são,

bem sentado, com o rabiosque no chão,

meus fundilhos,

tanto eu, como tantos outros que fui perdendo,

lentamente, lentamente,

tanta gente...

brincando, correndo,

 

vendo a luzinha dos pirilampos...,

nas noites escuras, mais frescas, quase húmidas... de Verão,

rara excepção,

 

nas ruas escondidas,

nos campos,

erva esquecida, madeira seca, quase podre, mero abrigo

do insecto nocturno, d´outros mais,

vaga-lume, meu amigo,

quanta ilusão...

 

tenho saudade dos pirilampos, catraio de campo,

vila pequena,

mais pertinho deles, bem rentinho ao chão,

agora, minha alma chora,

envelhecido...

sinto pena!!!... Sherpas!!!...

18
Ago21

... Sodoma e Gomorra!!!...

sherpas

Na falta doutros livros, ia lendo as suas incríveis estórias,

família praticante, crente,

entre boas e más, d´arrepiar,

tem-nas todas, com fartura,

amostra dum DEUS cruel, castigador,

antiguíssimo ditador

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que,

com medo... se fazia amar...

 

vingativo, prepotente,

assim relatam os testamentos,

antigo e novo,

com povo predilecto, apoiado nas lutas que fazia,

todo um relato de bons e maus exemplos,

nada de novo... surreal,

 

cidades desregradas, excessos de âmbito sexual,

Sodoma e Gomorra,

ora porra, ora porra,

quase como agora, quanto a minha alma chora,

 

libidinosos, como antes, pedófilos assumidos,

desviantes, diminuídos,

não castos... uns devassos,

com excepções,

 

leitura erótica, quase pornografia,

o que se fazia,

ficava sabendo, enquanto lia,

castigo do DEUS criador, arrasar tudo e TODOS,

fúria colossal, estátuas de sal,

alguns eleitos, sem defeitos...

 

marido enganado, mulher adúltera, apedrejamento,

castigo, deleite, sentença creditada,

ainda praticada,

certas religiões, contra outras da mesma fonte,

triste momento,

 

para apaziguamento, na pedra, pura magia,

dez princípios arrasantes,

vindos do máximo dos MÁXIMOS, directamente,

para toda a gente...

 

leis que se não cumprem, carne fraca, vontade escassa,

arrependimento,

lágrima furtiva, confissão...

logo seguida de absolvição,

 

baralho os tempos,

recuados, mais próximos, como sói fazer...

podem crer, confusão na minha mente,

uns destroem, matam e roubam,

praticantes de fino trato,

um facto,

 

vão contra todas as leis SANTAS,

terrenais...

por capitais, perdoados porque arrependidos em confissão,

ora bem, não entendo tal permissão,

 

é melhor não aprofundar mais...

respeito quem acredita, vida maldita,

intolerância, casualidade,

falta de verdade...

fico com a minha, simples cobaia

em pequeníssimo balão de ensaio, muitas ampulhetas, retortas várias

experimentação... sem religião!!!... Sherpas!!!...

 

15
Ago21

... evolução!!!...

sherpas

máquina portentosa,

complexo artefacto, separando tudo e todos com que se cruza, não rejeitando,

aceitando, aceitando...

um facto,

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faço por guardar, cofre cerrado, escura, cavernosa repartição,

sentida,

quarto sombrio, inacessível,

o que me pode machucar... parte negativa da vida,

recordo cada momento, fazendo por esquecer,

façanha incrível, porque se sente, se sente, se sente...

na minha mente,

 

sempre presente, distante,

noutro lado...

o que me forma a cada instante,

mais gritante, maravilhoso, o que me faz sorrir,

na minha ascensão, partição diminuta dum TODO, pó d´estrela que sou, evolução, para quando partir...

reunir,

 

capacidade, duas partes que se confrontam,

pura verdade,

mar tenebroso ou acalmia que... me faz sonhar,

bando de andorinhas na sua caçada matinal, quantas voltas, reviravoltas...

 

com que precisão, certeza, captação d´alimento para crias,

natureza que ensina, deslumbra, encanta...

tufo de flores brancas, silvestres,

arrumadinhas umas às outras, pedacinho que ri,

que canta...

 

hoje,

o dia está deslumbrante, a baía faísca...  de bela q´está,

encontro, curta conversa, sorriso, tarefa que se cumpre, caminhando, vendo, apreciando,

manutenção,

ai coração, coração,

 

mais um dia em PAZ,

contente comigo próprio, bondiando, como gosto, sendo como sou... uma peça

insignificante,

máquina portentosa, complexo artefacto

que m´aguarda, entretanto!!!... Sherpas!!!...

 

10
Ago21

... fanáticos!!!...

sherpas

excessos,

num pedaço de tantos carentes, são desperdício, puro malefício,

possessos,

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raivas incontidas, medos sem freio, sombras tenebrosas, maldade impura,

produzem vítimas, praticam cruel sacrifício,

processos...

 

aparentes,

máscaras que disfarçam, que mal... causam quando tresloucados...

por aqui, em tantos lados,

misturados,

 

tempo de racionalizar o anormal,

apaziguar o violento,

encaminhar o fanático, cada qual, como cada qual...

 

transformar a tempestade em vento,

briza benfazeja, esperança que se vislumbra,

muro que se derruba, intolerância com espavento,

enfrentamento...

 

conciliação connosco, com os outros, respeitar crenças e credos,

fazer delas... bom exemplo,

 

da cor, seja qual for,

fazer esplendoroso arco-íris, maravilha que nos maravilha,

aproveitamento de toda, qualquer criatura,

aceitação do ser vivente, seja verme, seja gente...

 

grande ou pequena figura,

mente suja, SEMPRE se limpa, consciência se transfigura,

doa a quem doer, não provoca sofrimento,

vida não s´elimina, triste lamento,

aperfeiçoa...

corpo, é-nos emprestado, maior valia,

desenvolve, embora doa,

crescimento, duração, envelhecimento,

 

pensa, avalia, alma lhe chamam,

mente que se desconhece, nos caracteriza,

quantas vezes nos inferniza...

 

vaidade, egoísmo, ganância, predicados maléficos,

ilusão de pobres, ilusão de ricos,

MENTIRA que s´atira...

matéria infecta que TUDO destrói,

quanto nos rói,

querer maior do que valemos,

quando nos cremos...

 

apossámos do que não nos pertence,

do que nos foi emprestado,

corroemos,

pensando que sabemos,

destruímos,

abrimos fendas profundas na casa em que vivemos...

 

criámos infernos dantescos, paraísos idílicos,

rebentámos com outros, somos o que somos,

quando nos pomos, convencidos...

 

choro percurso que trilhámos, tanta coisa má que criámos,

ainda não aprendemos...

fazemos sofrer, sofremos,

com ladainhas,

prometimentos,

pensamentos, pensamentos...

 

a nossa CASA está arruinada,

vítima de fanáticos e de VIOLENTOS!!!... Sherpas!!!...

 

03
Ago21

... fogo posto!!!...

sherpas

matagal a perder de vista, desponte, natureza que brota,

plantas rasteiras,

rarefeitas...

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quadro, pintura cinzenta, cinzas que cobrem os solos,

pedras enormes, pontuadas...

trilhas quase tapadas...

 

rostos de pessoas que sofrem, isoladas, acontecimento recente,

grande mal para tanta gente,

ausência das que foram imoladas...

 

verde esbatido, ventania incrível,

como tudo isto foi possível,

quando passo, paro, choro, lamento tudo aquilo que vejo, ruína que ainda fumega,

foi lar, algum conchego, no alto daquela serra...

 

puro desleixo de quem recebeu, floresta tão variada, árvores seculares, oferendas

próprias daquela região...

raiva, vingança, deformação, tudo aquilo se perdeu...

 

castanheiros imponentes, carvalhos... doces frutos,

grandes bugalhos,

madeira preciosa, mobiliário, nogueiras, ciprestes, arbustos como giestas,

alecrim, urze, alfazema, rosmaninho, erva cidreira...

 

oliveiras, nos olivais,

mimoseiras em grande grupo, sobreiros e azinheiras,

muito mais, muito mais...

 

tília que nos abriga, folha medicinal, sombreada, bem amiga,

plátanos imponentes, cerejeira, madeira nobre,

tão altaneira, como forte...

 

outras, bem diferentes, toda uma faina apropriada,

vida de acordo, harmoniosa,

numa região bem dotada...

 

vilarejos bem semeados, população, rotina diária, pastorícia, resineiros,

alguns pinheiros dispersos,

hábitos, costumes ancestrais...

faziam os filhos, fizeram os pais...

 

triste sina, má sorte,  ganância, interesses vários,

vales pejados de pomares,

casinhas que eram encanto, objectivo de alguns DIABOS, diabinhos incendiários...

 

alvos de tanta cobiça... surgiu o caos, surgiu a morte,

quanta,

quanta carniça...

 

existência de planta intrusa, oriunda de terra estranha,

desenvolvimento rápido, sequiosa,

futura pasta, papel, bom rendimento que açula...

 

 incúria, desleixo também,

governança que propicia, juízo de quem não tem,

quanta voragem,

quanta gula...

 

acabou-se o ÉDEN na TERRA, quadros dantescos,

infernais...

foi notícia nos jornais,

nas más televisões que temos, quantos casos,

dramas pessoais,

 

num VERÃO que se prolongou, regozijo de quem propiciou

prevalência do petróleo verde, combustível inadequado,

que veio do outro lado...

terra estranha, distante, no alto daquela serra...

 

fez muitas mortes, qual guerra,

indignou todo um PAÍS, num PARAÍSO que se desterra...

cinza que cobre o solo,

quadro, pintura cinzenta, quando paro, a olho e choro,

destruição como na guerra...

 

crianças, como diabinhos, mandantes, DIABOS maiores,

ignições, foram aos montões,

propositadas, sem dó, criminosos pelos caminhos,

 

inacessíveis locais, os piores, maldade, de pais para filhos, crueza, raivas, milhões,

inveja, sem contemplação, especialistas no mau fazer,

queimaram, fizeram morrer...

 

não dignos desta NAÇÃO, poderes que se afrontam, GOVERNANÇA sem opção,

afectuoso, verbo de encher, prodigaliza beijos, abraços...

 

aos que sobrevivem, emoção,

justiça do tanto faz... residual, incapaz,

investigação, investigação...

 

dores, estridentes, lancinantes, ecoam por vales,

por montes, por serras, gritos de quebrar a alma,

tochas humanas, inauditas, escape, sem retorno,

do fogo...

 

tudo se poderia evitar, conjungando o verbo amar,

aproximando o afastado,

tão longe, mal governado...

 

sopas depois do almoço, solidariedade, penso rápido,

ferida funda...

exéquias tardias na tumba, solução,

triste remorso,

 

fora de clubite que existe, ideologia tão díspar, insensatez, pura verdade,

deformação, crueza,

maldade...

 

espinhos cravados no corpo... não se louva,

depois de morto,

magistratura do tanto faz,

criminaliza-se o que persiste, justiça cega, não eficaz...

 

doa a quem doer, tanto fizeram sofrer,

sorriso, brejeirice,

lamechas, que se evite tanta burrice,

não se culpa o inocente da morte de tanta gente...

 

... fogo posto, intenção,

investigação, criminalização!!!... Sherpas!!!...

03
Ago21

... c´a passarada... m´entendo eu!!!...

sherpas

Com a passarada... m´entendo eu,

culpas no cartório, tempos d´infância,

reconheço...

bons exemplos de quem mos deu,

meu cãozito que já morreu,

amigos, a quem agradeço,

arrentela 007

não se aprende, vive-se intensamente,

mesmo à nossa frente,

aqui perto, aqui ao lado, modificamos,

fazemo-nos melhores, bem formados,

basta estarmos atentos junto dos mais informados,

bons de coração... abrangentes, na aceitação

do gato, da passarada, dum cão,

 

o meu fiel, em casa, na rua... era mais um,

tratado como igual, nos passeava, divertia,

fazia companhia,

trocava impressões comigo,

chorava pela minha mulher, verdadeiro amigo,

 

curta vida, verdadeiro funeral quando se finou,

deixou rasto, fez-nos mais humanos,

curou-nos de feridas antigas,

abriu-nos os olhos, enterrou tantos danos...

 

só depois de idosos, experiência fala... nos apercebemos,

quão racionais são os companheiros de viagem,

os que nos acompanham e os que não,

domésticos e selvagens, tristes nomenclaturas

para tais criaturas,

 

são como são, não os merecemos

pelos maus tratos, pela diversão, alimentação,

pedido de perdão,

respeito, admiração, gratidão,

 

lembro, a cada momento, imagem clássica,

velhote num banco de jardim... dando comida a pombos e pardais,

outros que tais,

arrependimento no final do trajecto,

maior o afecto,

 

recordo e parabenizo, todos os dias, quando passo, caminhando, na minha rotina,

humanos que alimentam gatos, cães de rua, aves diversas,

algo me engrandece, afaga,

penso comigo... nem tudo está perdido!!!... Sherpas!!!...

01
Ago21

... as árvores... também falam!!!...

sherpas

Estive para o cortar, quando o vi,

ramito de oliveira tão bonito...

com flores, desponte de azeitona verde,

formosa, prometedora,

reconsiderei, sorri,

fiz-lhe uma carícia, apenas, apreciei...

DSC06050.JPG

não sei, não sei... não sei,

ligeira brisa que se levanta,

marulhar de tantas folhas, tantos ramos,

estranhei,

parei, incrédulo, pensei... aplausos???...

 

agradecimento dum corpo inerte,

embora vivo...

 

não sou para fantasias, mui real, tão concreto,

sonho momentâneo, calmaria de Verão,

consequência de calor que sentia,

as coisas... são como são,

 

mente que brota, que verte...

palavreado que me caracteriza,

por vezes, inferniza,

 

de supetão, revoada de pintassilgos, testemunhos

chilreantes coloridos,

quatro, dos muitos, enamorados certamente, unos,

pousaram numa encruzilhada da oliveira, espécie de forquilha,

entrecruzamento de ramos,

voaram em direcção ao solo, apanharam ramos secos,

voando rente,

 

assentaram naquele sítio,

alicerces de futuro lar... aninharam,

 

sonho, estória d´encantar,

rendido perante tantas demonstrações,

nem conversa, nem um pio,

melodia celestial...

 

constatei o que... já pensava,

quando m´introvertia, refugiava na teia dos meus pensamentos,

imaginação fértil, disparatada, coisitas minhas,

somenos,

 

quanta quentura, dia bravo, inusitada para a época,

 

“eureka “como dizia o outro,

sombra ofertada pela minha amiga,

grato, compreendi,

reciprocidade... pura verdade,

 

tal como o canto dos pintassilgos,

saltitantes, bem vivos...

 

então pensei... TAMBÉM, naquele líquido verde amarelado,

doirado e saboroso que

uso,

no tempero dos meus alimentos,

porque GOSTO, até ABUSO!!!... Sherpas!!!...

30
Jul21

... intimidades!!!...

sherpas

... com medo, mui afastado destas práticas,

por circunstâncias diversas,

mais conversas, mais conversas, impenitente, defeito meu,

proceder que me foi cravado, me moldou, me fez como sou,

dádivas...

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nem diferente, nem igual,

como tantos,

buscando justificação para tudo que me rodeia,

íntimo que não me deixa sossegado.

contacto, contacto...

 

abordo pessoas, as mais diversas, com que me cruzo,

avento palavreado de ocasião, mantendo distancionamento,

disfarçado, evitando transmissão dum inimigo invisível,

tão tangível, tão feroz, incontido,

sombra maléfica que paira, nos persegue, mata,

sofrido,

tão frágil me sinto, induzo, curta pausa, triste momento,

intimamente pergunto...

 

pela idade, vivências várias,

actividade que realizei, enquanto no activo,

pela vida que foi deslizando, endurecendo, castigando,

 

num ápice, ainda vivo,

quanta recordação, quanta recordação...

da alma, do coração,

 

intimamente pergunto,

com distancionamento, disfarçado, já vacinado

contra coisa ruim que nos afecta,

nos reduz, nos alerta,

falo por mim... coisinha de nada, neste MUNDO,

insignificância,

 

intimidade que me devora, lamento profundo,

tristeza que me avassala, se instala, preocupa,

desocupa, esvazia,

decepa qualquer chispa de alegria,

 

estamos doentes, nossa CASA entrou em GUERRA connosco,

cataclismos, variações,

razões, razões,

pobres corações dos desvalidos, dos que não contam,

medo, intolerância, prepotência,

GANÂNCIA... Sherpas!!!... 

 

 

 

07
Jun21

... há mais cores... no arco-íris!!!...

sherpas
enxergamos… coloridos mais densos!!!...

 

GENEVE 571

 

… quando enlaçados, bem juntos, comunhão intensa, dois corpos se unem, partilhando quereres perfeitos,

esvoaçando por céus, fazendo dos sonhos, meus,

imaginando outras cores, nos entregamos à voragem da paixão que nos consome,

deixando de ser homem,

no corpo duma mulher, nos braços que recebe desejos que são teus,

 

uníssonos, em amálgama, clímax se produz... no recesso duma cama,

objecto que se inflama,

lençóis que nos cobrem maravilhas que vemos, momentos que temos,

amor que se partilha,

 

no meio de tantos caminhos, carícias afagos, beijos, incontáveis torvelinhos, montes de encantamento,

graal, cálice santo, receptáculo... vale da criação, sem obstáculo,

 

eterno feminino, adoração, menir gigante, exaltação,

erectus penetrante...

entoação de encanto, um hino, rendidos, lado a lado, prostração,

 profunda adoração, cores que modificam, se esvaem, intensificam,

alucinação...

{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile} 

confusa viagem, magia que transforma, sede que inebria,

noite que se faz dia,

acalmia, tão grande fome recebendo toque divino, formando união de facto,

 conjugação dum acto...

que nos seduz, reluz, nos conduz num arco-íris em coche feito de prata,

enxergamos coloridos mais densos,

tons de profunda luxúria, apensos...

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no gozo, na formosura, no prazer que possuímos,

teus olhos que são meus, nos meus que Deus me deu,

quando choramos, quando rimos...

 no âmago que completa, vida que recomeça, prolongamento do que somos,

quando nos entregamos,

quando fomos...

Deuses, num vasto Olimpo, dois Mundos no infinito,

 

quase rogo, quase afirmo, naquela entrega sem enganos, cores tão lindas, diversas,

vários tons, tamanhos, enxergados num curto hiato por olhos que nunca viram,

quando riram,

choraram… sentiram!!!... Sherpas!!!...

04
Abr21

... enfim...

sherpas

Todos diferentes, todos iguais,

todos iguais mas, outros mais...

seres tão complexos e diversos, animais tão esquisitos no pensar,

de cores diversas e dispersos

por locais... onde têm de habitar,

grafi 030.jpg

nascidos da mesma maneira,

duma mãe que os concebeu, burguesa, operária, rameira...

frutos dum amor que morreu... dum amplexo, duma união, dum comungar, duma paixão...

ungidos, logo à nascença, pelo estigma da diferença, no berço que os acolheu,

 

de rendinhas e bordados, no colo que os recolheu,

vazio, o dos desgraçados, de quem nada tem para dar, de quem está nu, desamparado, aqui e em qualquer lugar...

esquecido, posto de lado, por falta de todos os meios, embora parecido com os tais...

os fartos, os que estão cheios, os diferentes, os mais iguais,

 

os que só pensam no bem estar, no que o dinheiro proporciona,

no vestir, comer e gozar... dentro e fora da sua zona,

esquecendo, quase por querer... os explorados e ignorantes,

os que se fartam de sofrer,

 

os calcados, como dantes... pelo sistema, pelos interesses...

dos que não querem abdicar, das mais valias, das benesses,

 

que não querem partilhar, com a multidão de irmãos...

tão diferentes, tão iguais,

que, estendendo suas mãos, vão morrendo, mais e mais...

 

esfomeados, escorraçados,

esquecidos ou ignorados... num Mundo materialista, dominado pelo dinheiro, matéria infecta, pouco altruísta, mal maior e primeiro,

 

mentes curtas, obtusas, sem sentimentos, confusas... dos tais seres complexos e diversos,

egoisticamente imersos em mesquinhas e vãs ganâncias,

 

matérias bem palpáveis, em doses grandes, abundâncias...

pouco valor, não duráveis... porque a vida é passageira,

 

virtualmente ilusória... tal como os bens, o dinheiro, jactâncias de curta memória,

 

tanto se dão com o primeiro, como com o último da história... neste tão grande carrossel, nesta existência imparável, neste tão veloz corcel, desta era incomparável!!!... Sherpas!!!...

30
Mar21

... analfabeto político!!!...

sherpas

... fui carneiro, fui submisso,

fui ignorante, fui omisso,

fui um infeliz analfabeto (politicamente) um

cidadão bem discreto...

DSC01987.JPG

um mancebo utilizado pela cruel situação,

por aqueles homens de estado,

muito antes da revolução...

 

sobrevivi, por acaso, da guerra colonial,

porque foi esse o meu fado, não foi o meu final...

 

acomodei-me a quase tudo, declarei o que quiseram

calei-me como um mudo,

vivi como viveram...

 

todos aqueles portugueses isolados e com medo,

na maioria das vezes...

falando só em segredo...

 

fui guerreiro (?) sem vocação,

escondido numa farda, muito antes da revolução,

cinzenta e muito parda, sem amor e sem paixão...

 

pelo que me obrigavam... sem nenhuma razão,

a odiar os que odiavam...

 

a matar os que matavam (não matei ninguém) sem escolha, sem opção...

 

em nome duma Nação, em nome dum ditador, deixei de ser um senhor...

 

... fui carne para canhão, sem um pingo de razão, muito antes da revolução!... Sherpas!!!...

 

12
Mar21

... um café... a pé!!!...

sherpas

carro arrumado na garagem ESTRELA, passo de lado, ao largo, divirjo,

quando m´oriento, dirijo

a pé... em busca dum café,

thumb_IMG_1086_1024

calcando calçada, passeio esburacado, ainda cedo, para longe do meu abrigo,

olhando tudo que passa, casa velha, degradada,

algum ruído...

 

sem graça, sem brio, lá vai, destino incerto,

não perto...

 

carro habitual, transporte, d´alguém que pode,

na penúria que se sente, na rua, pouca gente,

velha que arrasta desgraça, sacos de plástico na mão,

noutra direcção...

 

olhar entristecido, pelo tempo... envelhecido,

no chão, costas curvadas, peso q´aguenta,

ainda intenta,

lentas passadas, fazendo pela vida,

fugida...

 

no contentor ali perto, rebuscando, rapaz novo,

mal vestido... mais buracos que tecido,

leva carreta, atrelado, restos q´acumula, bem cedo,

vasculha no lixo, ainda em segredo... com medo,

e eu, em busca dum café, dando passadas largas,

a pé...

 

fazendo caminhada, passando tempo,

lamento, quando encontro, vejo,

faço estória, componho espaço, deixo vestígio... num escrito,

enquanto passo,

envergonhado, maldigo, pensando comigo...

 

dou voltas à povoação mais próxima, todas em cima umas das outras,

dormitório da capital, margem SUL, anóxina... situação anormal, mau estar que se

prolonga, vida congelada que s´alonga,

 

movimento que se não sente, ausente, café fechado,

passo ao largo...

 

continuo caminhada, passeio esburacado,

um, que outro, carro que passa...

 

por causa de um café, vou a pé, observando meio urbano conhecido,

entristecido...

alguns farrapos que foram gente, sombra que é consequência,

d´atitude de certa excelência,

 

contentor mais vazio, consumo por um fio,

busca, rebusca com um pau, olhar desvairado,

roupa com muito buraco, estômago que reclama alimento,

único pensamento... sobrevivência,

 

mais além, decrépita, tão velha, tão curvada, saco na mão, plástico que é bolsa,

que é saco, que foi compra, o tempo passa, deixa marca, miséria que se acentua,

naquela rua...

 

encontro fortuito, fuga, murmúrio, monossílabo que oiço,

estremeço...

fraco arcaboiço,

 

grande superfície já abriu, desço escadas de madeira, entro,

aprestam-se pastelarias no piso superior, ouve-se barulho de bica que sai, odor

tão quente...

ali em frente, à minha beira, quase maquinal, direccionado pela intenção,

menos mal, menos mal...

 

beberico o que m´acalenta, recomponho, pago, regresso a pé,

desfazendo passos dados,

alguns bocados...

 

trajecto d´ainda há pouco, algum encontro, minha casa, meu prédio, meu

apartamento,

entro, penso...

 

olho para o carro estacionado na garagem ESTRELA,

sento,

escrevo!!!... Sherpas!!!...

06
Mar21

... meninos e meninas... traquinas!!!...

sherpas
… como irrequietos traquinas, à volta de bolo enorme,

meninos, meninas,
travessos, teimosos, com fome,

DSC07922.JPG

de habituados que estão, esquecem o que não são,
insistem na confusão... quando pregam, não dão,
castigando a populaça, pobre povo, triste raça,

que a tudo se conforma, que paga cada vez mais,
mantendo estes pardais...
numa volta que retorna, alternados que estão, no Poder, sai-se do engano, cai-se no mesmo,
é o que estamos a ver... por vezes, não quero crer,


quando me aquieto, me convenço, me torno mais prestimoso,
augurando tempos melhores,
numa pausa que intento, neste cantinho formoso,
de crápulas, cada vez… piores!!!...

… como traquinas, como crianças, esquecem, quando prometem,
deitam, por terra, esperanças...
não aquecem, nem arrefecem,


limpam bolsos, carteiras, satisfazem seus caprichos,
vão saltando por fronteiras, em viagens de pasmar,
bem forrados, com viços... numa amálgama de bradar,


em negócios, regalias, esquecimentos, fugas,
simples toques, só magias, com sorrisos, remoques,
calcando sobre os tugas...


com impostos, agravamentos, abordando sofrimentos,
distribuindo simples lamentos,
migalhas esparsas, raras, disfarces, empolamentos,
poupando vidas… mais caras!!!...

<> ENTALADOS <?> LOL

… meninos, meninas, travessos, bem situados, forrados,
à volta de bolos espessos, beneficiados, como sempre, não têm recalques, paragem,
na loucura, na voragem,


quando avançam, vão em frente, bem pedantes, sorridentes,
satisfazendo clientes...
numa distribuição aflitiva, perante um Povo que grita,


que não aguenta mais o saque, constante, avassalador,
no meio da miséria, da dor...
bolso sem fundo, não findo, quando escrevo, não minto,
sou dos que pagam, bem sinto,


perante privilégios que gozam, quando viajam, repousam,
na doce almofada dos excelsos,
tal como dantes… perversos!!!... Sherpas!!!...

13
Dez20

... Sirocco!!!...

sherpas

... dias luminosos que, num repente, mudaram de feição,

 

ventos fortes do SUL, maré alta, muita chuva,

tudo que era perfeito,

imperfeição,

água por toda a parte, fora dos canais,

tristeza húmida que desalenta,

sala de estar, mais portentosa pela monumentalidade,

piscina aberta,

 

JSJV8867.jpg

a quatro palmos do solo,

passadeira que nos conduz, enquanto Veneza afunda,

maré que incomoda, transtorna,

agravada pelo SIROCCO,

deixa de ser um sonho,

inconveniência que modifica hábitos,

dá tiques de requinte no calçado que se apropria,

botas de borracha de cano alto,

dfino recorte, cores que cativam,

dão tom à vestimenta,

 

agasalhos que se completam, lenços à volta do pescoço,

chapéus, bonés de variados tipos, com ou sem bicos,

inventiva de quem habita,

de quem vende uma cidade que é única,

sem rodas, sem fumos, sem escapes, ruídos esparsos,

nos táxis que são barcos,

 

anoitecer menos festivo,

na linha do horizonte daquela lagoa,

cruzeiros que seguem destino,

abrindo caminho,

solene,

relampejante, nos flashes que se vão disparando,

imagens que levam,

saudades que sentem,

estando ainda,

na hora da passagem, da partida,

 

saboreando um bom vinho tinto, palitando delícias de maravilha,

encostado a balcões modernos,

mais antigos,

vozear que nos segue,

acompanha no bom trato recebido,

na saborosa gastronomia de Burano,

nas jóias de artífices em vidro,

em Murano,

saltitante de ilha para ilha, passando na dos mortos,

cemitério que é descanso,

 

pormenor que lembro nas cores vivas das casas de famílias,

no pedacito que é catedral,

fio que se estende do outro lado do grande canal,

ambulâncias que acorrem a qualquer emergência,

polícia que utiliza transportes idênticos,

devagar, com urgência,

 

divagar pedonal, estreitinhas as ruas,

esplanadas nos “campos”

barulheira nas tratorias,

visual tão igual, na simpatia, na pujança,

no recebimento,

luxos, espaventos no palácio principal,

vista total do alto da torre,

violinos, pianos que tocam,

emudecem,

pela maré, pelo SIROCCO,

a quatro palmos do solo,

 

desalento momentâneo na velha senhora que continua

tão bela, tão única,

que se afunda,

não afunda,

se canta,

encanta, guarda num canto do pensamento,

dias de chuva, de vento,

dias de sol que valorizam ainda mais tanto esplendor... Sherpas!!!...

 

12
Dez20

... a cunha!!!...

sherpas
... ao fim de dois anos complicados, marcando passo e fazendo continência a gente desconhecida, espécie de cumprimento, perfilado e submisso, simples número com uma diagonal nos ombros, mais tarde com dois vês, confrontados com um invertido, encarnados, bem visíveis... depois da recruta e da especialidade, pura verdade!!!...

Dei recrutas a soldados, fazia o que qualquer sargento do quadro fazia, mal pago... era mais barato, com mais substância intelectual, formação académica obtida antes de ingressar naquela coisa que nunca se deu bem comigo, militar mais que forçado, indignado quase sempre!!!...

 

28062008(018).jpg

... passados dois anos ascendi a furriel miliciano, sem ser por engano... com guia de marcha adequada, enviaram-me para a Guiné, não integrado em companhia ou pelotão, muito menos em batalhão, na qualidade de individual disponível em qualquer ocasião, render quem acabasse a comissão!!!... Já contei, retomo o fio à meada... numa barcaça mista, géneros, irracionais, civis e militares, o Alfredo da Silva que navegava com costa à vista, fazendo paragens e abastecimentos por parcelas do nosso vasto território ultramarino, d´aquém e d´além mar, arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, lá chegámos ao porto de Bissau, terra quente e húmida, estranha para um estranho que chegava com malas e... uma missão (???...) imposta!!!... Alguém reparou em mim, me encaminhou para a traseira dum camião militar que se dirigia para o Q.G. Onde teria de me apresentar!!!...

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... arranjei instalação adequada num barracão onde dormia, como companheiros de quarto, imensa caserna, mais umas dezenas alargadas... em camas cobertas por mosquiteiros!!!... Começou a minha comissão de serviço, sem viço, sem graça, continuidade daquela complicação onde me tinham metido desde os vinte, já cumpridos e com mais dois, esperando por outros dois naquele “Paraíso”... pena a que me tinham condenado!!!...

 

... não vou descrever mais, só sei que... perdida e sempre recordada num bolso da fardamenta, levava uma cartinha de recomendação dum Primeiro Sargento, amigo do meu pai, para outro amigo, colega dele em serviço naquela província ultramarina, espécie de cunha apropriada, descanso dos meus progenitores, encosto, influência que talvez surtisse algum efeito!!!...

 

... os primeiros dias foram longos, difíceis de passar, aos caídos e sem funções, aguardando ordens, à disposição de quem necessitasse dos meus serviços, rendição individual, claro!!!... Via passar os outros, encostava-me a uma coluna de cimento frente à sala de sargentos, olhava para os jagudis em cima dos mangueiros, respirava aquele ar denso e húmido, quente e abafado, matava um que outro mosquito mais sedento do que tinha nas veias, sangue fresco da metrópole, coisa boa, apreciava os naturais nas suas vestes miseráveis, os seios das mulheres que não tinham vergonha do que tinham, mostravam sem pudor, por carências de toda a ordem, hábitos antigos, as lavadeiras que vinham buscar a roupa aos militares, todos os dias, à mesma hora, camisa ensopada de suor, algum frescor nas pernas que trazia ao léu, calções militares, meias verdes e sapatos adequados com boina castanha na cabeça... uma lindeza que ainda recordo quando aprecio fotografias passadas, bem mais novo e sujeito a todas estas travessuras que me impunham, quando dispunham!!!...

 

... numa dessas tardes de “fare niente” sem ocupação, deambulando por ali, olhando com enfado o ambiente estranho em que me encontrava, bebendo uma Cuca, cervejola da altura, emborcando um uísque baratinho com soda, coisa fina e na moda, falando com quem encontrava a jeito... ainda perdido e confuso, apalpei o bolso da camisa e afaguei a minha “cartinha de recomendação” alívio dos pais amados que tinha deixado para trás, descanso deles, ilusão que mantinham, quando ma entregaram, alguma esperança minha... sempre seria um “empurrãozinho” por parte do amigo do amigo do meu criador, parte dele que fui, que era, que continuava sendo em terras africanas, dor de alma, afastamento, quanta saudade já sentia!!!... Pensei nela, interroguei-me sobre o destino a dar-lhe!!!... Sempre tive algum receio de contar com os outros para resolver a minha vida, nunca fui favorável a “cunhas”, sentia e sinto alguma repugnância por esses actos mas... como dádiva e empenho dos meus pais, sossego dos mesmos, sentia um certo impulso em resolver o assunto, encaminhar a recomendação para o sítio certo, resultasse ou não resultasse, encargo que tinha, obrigação moral que me viria a beneficiar ou não!!!...

 

... assim me encontrava, num daqueles dias custosos de passar, encostado a uma coluna de pedra e cal, mesmo em frente à sala de sargentos, congeminando comigo próprio... nesta e noutras situações que se me deparavam nos primeiros dias de Guiné, ainda sem colocação, sujeito à rendição individual em que me encontrava, às ordens da CCS do QG, um desconhecido no meio de imensos desconhecidos, fardado ainda por cima, sem vontade própria, às ordens dos ombros que pesavam mais, batendo a “pala”, perfilando-me, ouvindo o “nosso Furriel” displicente e arrogante de quem o pronunciava com desdém, sargentos “lateiros” ou acima deles, profissionais das guerras, carreiristas fardados, governo deles que não meus!!!...

 

... coincidência ou não, repente que tive... espécie de intuição quando a tirei do bolso e me encaminhei para junto dum primeiro sargento que se encontrava por ali, encostado como eu a outra coluna do alpendre, gordo e farto, palitando os dentes, meio ensonado, petrificado pela modorra do início de tarde, grasnar dos jagudis no cimo dos mangueiros, alguns passantes, indígenas e militares, camisas ensopadas pelo suor, picadas de mosquitos como norma, lugar comum, hábito que ainda estranhava quando os esborrachava com uma palmada repentina, batendo a continência, pedindo licença para quem, do alto da sua posição, graduação mais elevada, mal se mexeu, entreabriu os olhos e... permitiu, perguntando-me o que pretendia!!!...

 

 

... disse-lhe o que se passava, o que me atormentava, a recomendação que levava para um primeiro sargento, de que não me recordo o nome, por parte dum amigo comum que mencionei!!!... Foi como um toque de varinha mágica, personalizou-se, com mais agrado apresentou-se como sendo o endereçado, pediu-me a carta, abriu-a, leu-a com atenção, perguntou-me pelo amigo, dobrou-a com muito cuidado, meteu-a no bolso da camisa e... disparou:

 

... olhe, meu amigo... em terra de cegos, quem tem um olho é rei!!!... Virou-me a costas!!!... Quedei embasbacado!!!... Mais tarde verifiquei que me tinha dado a melhor ajuda que me poderia dar, fez-me abrir os olhos, ver que a vida não era pêra doce, que tinha que me desenrascar por mim próprio!!!... Daí para diante foi o que fiz, arranjei colocação, ascendi no lugar, no respeito que tinham por mim, impus-me... aos poucos e, mais tarde, tive oportunidade de pagar o “favor” a esse senhor, quase da mesma maneira ou pior, sem intuito de vingança, cumprindo o dito à letra!!!...

 

... decerto se lembrou que... em terra de cegos, quem tem um olho é rei, posição inversa da primeira, necessitando de encosto e eu, cantando de galo!!!... Cá se fazem, cá se pagam!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

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