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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

13
Dez20

... Sirocco!!!...

sherpas

... dias luminosos que, num repente, mudaram de feição,

 

ventos fortes do SUL, maré alta, muita chuva,

tudo que era perfeito,

imperfeição,

água por toda a parte, fora dos canais,

tristeza húmida que desalenta,

sala de estar, mais portentosa pela monumentalidade,

piscina aberta,

 

JSJV8867.jpg

a quatro palmos do solo,

passadeira que nos conduz, enquanto Veneza afunda,

maré que incomoda, transtorna,

agravada pelo SIROCCO,

deixa de ser um sonho,

inconveniência que modifica hábitos,

dá tiques de requinte no calçado que se apropria,

botas de borracha de cano alto,

dfino recorte, cores que cativam,

dão tom à vestimenta,

 

agasalhos que se completam, lenços à volta do pescoço,

chapéus, bonés de variados tipos, com ou sem bicos,

inventiva de quem habita,

de quem vende uma cidade que é única,

sem rodas, sem fumos, sem escapes, ruídos esparsos,

nos táxis que são barcos,

 

anoitecer menos festivo,

na linha do horizonte daquela lagoa,

cruzeiros que seguem destino,

abrindo caminho,

solene,

relampejante, nos flashes que se vão disparando,

imagens que levam,

saudades que sentem,

estando ainda,

na hora da passagem, da partida,

 

saboreando um bom vinho tinto, palitando delícias de maravilha,

encostado a balcões modernos,

mais antigos,

vozear que nos segue,

acompanha no bom trato recebido,

na saborosa gastronomia de Burano,

nas jóias de artífices em vidro,

em Murano,

saltitante de ilha para ilha, passando na dos mortos,

cemitério que é descanso,

 

pormenor que lembro nas cores vivas das casas de famílias,

no pedacito que é catedral,

fio que se estende do outro lado do grande canal,

ambulâncias que acorrem a qualquer emergência,

polícia que utiliza transportes idênticos,

devagar, com urgência,

 

divagar pedonal, estreitinhas as ruas,

esplanadas nos “campos”

barulheira nas tratorias,

visual tão igual, na simpatia, na pujança,

no recebimento,

luxos, espaventos no palácio principal,

vista total do alto da torre,

violinos, pianos que tocam,

emudecem,

pela maré, pelo SIROCCO,

a quatro palmos do solo,

 

desalento momentâneo na velha senhora que continua

tão bela, tão única,

que se afunda,

não afunda,

se canta,

encanta, guarda num canto do pensamento,

dias de chuva, de vento,

dias de sol que valorizam ainda mais tanto esplendor... Sherpas!!!...

 

12
Dez20

... a cunha!!!...

sherpas
... ao fim de dois anos complicados, marcando passo e fazendo continência a gente desconhecida, espécie de cumprimento, perfilado e submisso, simples número com uma diagonal nos ombros, mais tarde com dois vês, confrontados com um invertido, encarnados, bem visíveis... depois da recruta e da especialidade, pura verdade!!!...

Dei recrutas a soldados, fazia o que qualquer sargento do quadro fazia, mal pago... era mais barato, com mais substância intelectual, formação académica obtida antes de ingressar naquela coisa que nunca se deu bem comigo, militar mais que forçado, indignado quase sempre!!!...

 

28062008(018).jpg

... passados dois anos ascendi a furriel miliciano, sem ser por engano... com guia de marcha adequada, enviaram-me para a Guiné, não integrado em companhia ou pelotão, muito menos em batalhão, na qualidade de individual disponível em qualquer ocasião, render quem acabasse a comissão!!!... Já contei, retomo o fio à meada... numa barcaça mista, géneros, irracionais, civis e militares, o Alfredo da Silva que navegava com costa à vista, fazendo paragens e abastecimentos por parcelas do nosso vasto território ultramarino, d´aquém e d´além mar, arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, lá chegámos ao porto de Bissau, terra quente e húmida, estranha para um estranho que chegava com malas e... uma missão (???...) imposta!!!... Alguém reparou em mim, me encaminhou para a traseira dum camião militar que se dirigia para o Q.G. Onde teria de me apresentar!!!...

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... arranjei instalação adequada num barracão onde dormia, como companheiros de quarto, imensa caserna, mais umas dezenas alargadas... em camas cobertas por mosquiteiros!!!... Começou a minha comissão de serviço, sem viço, sem graça, continuidade daquela complicação onde me tinham metido desde os vinte, já cumpridos e com mais dois, esperando por outros dois naquele “Paraíso”... pena a que me tinham condenado!!!...

 

... não vou descrever mais, só sei que... perdida e sempre recordada num bolso da fardamenta, levava uma cartinha de recomendação dum Primeiro Sargento, amigo do meu pai, para outro amigo, colega dele em serviço naquela província ultramarina, espécie de cunha apropriada, descanso dos meus progenitores, encosto, influência que talvez surtisse algum efeito!!!...

 

... os primeiros dias foram longos, difíceis de passar, aos caídos e sem funções, aguardando ordens, à disposição de quem necessitasse dos meus serviços, rendição individual, claro!!!... Via passar os outros, encostava-me a uma coluna de cimento frente à sala de sargentos, olhava para os jagudis em cima dos mangueiros, respirava aquele ar denso e húmido, quente e abafado, matava um que outro mosquito mais sedento do que tinha nas veias, sangue fresco da metrópole, coisa boa, apreciava os naturais nas suas vestes miseráveis, os seios das mulheres que não tinham vergonha do que tinham, mostravam sem pudor, por carências de toda a ordem, hábitos antigos, as lavadeiras que vinham buscar a roupa aos militares, todos os dias, à mesma hora, camisa ensopada de suor, algum frescor nas pernas que trazia ao léu, calções militares, meias verdes e sapatos adequados com boina castanha na cabeça... uma lindeza que ainda recordo quando aprecio fotografias passadas, bem mais novo e sujeito a todas estas travessuras que me impunham, quando dispunham!!!...

 

... numa dessas tarde de “fare niente” sem ocupação, deambulando por ali, olhando com enfado o ambiente estranho em que me encontrava, bebendo uma Cuca, cervejola da altura, emborcando um uísque baratinho com soda, coisa fina e na moda, falando com quem encontrava a jeito... ainda perdido e confuso, apalpei o bolso da camisa e afaguei a minha “cartinha de recomendação” alívio dos pais amados que tinha deixado para trás, descanso deles, ilusão que mantinham, quando ma entregaram, alguma esperança minha... sempre seria um “empurrãozinho” por parte do amigo do amigo do meu criador, parte dele que fui, que era, que continuava sendo em terras africanas, dor de alma, afastamento, quanta saudade já sentia!!!... Pensei nela, interroguei-me sobre o destino a dar-lhe!!!... Sempre tive algum receio de contar com os outros para resolver a minha vida, nunca fui favorável a “cunhas”, sentia e sinto alguma repugnância por esses actos mas... como dádiva e empenho dos meus pais, sossego dos mesmos, sentia um certo impulso em resolver o assunto, encaminhar a recomendação para o sítio certo, resultasse ou não resultasse, encargo que tinha, obrigação moral que me viria a beneficiar ou não!!!...

 

... assim me encontrava, num daqueles dias custosos de passar, encostado a uma coluna de pedra e cal, mesmo em frente à sala de sargentos, congeminando comigo próprio... nesta e noutras situações que se me deparavam nos primeiros dias de Guiné, ainda sem colocação, sujeito à rendição individual em que me encontrava, às ordens da CCS do QG, um desconhecido no meio de imensos desconhecidos, fardado ainda por cima, sem vontade própria, às ordens dos ombros que pesavam mais, batendo a “pala”, perfilando-me, ouvindo o “nosso Furriel” displicente e arrogante de quem o pronunciava com desdém, sargentos “lateiros” ou acima deles, profissionais das guerras, carreiristas fardados, governo deles que não meus!!!...

 

... coincidência ou não, repente que tive... espécie de intuição quando a tirei do bolso e me encaminhei para junto dum primeiro sargento que se encontrava por ali, encostado como eu a outra coluna do alpendre, gordo e farto, palitando os dentes, meio ensonado, petrificado pela modorra do início de tarde, grasnar dos jagudis no cimo dos mangueiros, alguns passantes, indígenas e militares, camisas ensopadas pelo suor, picadas de mosquitos como norma, lugar comum, hábito que ainda estranhava quando os esborrachava com uma palmada repentina, batendo a continência, pedindo licença para quem, do alto da sua posição, graduação mais elevada, mal se mexeu, entreabriu os olhos e... permitiu, perguntando-me o que pretendia!!!...

 

 

... disse-lhe o que se passava, o que me atormentava, a recomendação que levava para um primeiro sargento, de que não me recordo o nome, por parte dum amigo comum que mencionei!!!... Foi como um toque de varinha mágica, personalizou-se, com mais agrado apresentou-se como sendo o endereçado, pediu-me a carta, abriu-a, leu-a com atenção, perguntou-me pelo amigo, dobrou-a com muito cuidado, meteu-a no bolso da camisa e... disparou:

 

... olhe, meu amigo... em terra de cegos, quem tem um olho é rei!!!... Virou-me a costas!!!... Quedei embasbacado!!!... Mais tarde verifiquei que me tinha dado a melhor ajuda que me poderia dar, fez-me abrir os olhos, ver que a vida não era pêra doce, que tinha que me desenrascar por mim próprio!!!... Daí para diante foi o que fiz, arranjei colocação, ascendi no lugar, no respeito que tinham por mim, impus-me... aos poucos e, mais tarde, tive oportunidade de pagar o “favor” a esse senhor, quase da mesma maneira ou pior, sem intuito de vingança, cumprindo o dito à letra!!!...

 

... decerto se lembrou que... em terra de cegos, quem tem um olho é rei, posição inversa da primeira, necessitando de encosto e eu, cantando de galo!!!... Cá se fazem, cá se pagam!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... a esmola que se dá!!!...

sherpas

… esmola que se dá, caridade que se pratica, um gesto, uma dádiva, um acerto,

ajuda voluntária, um bem com que se fica,

satisfação enorme, um ensejo...

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quando se reparte, por quem precisa,

quando se acarinha um pobre, um velho, se dá comida, abrigo a desvalido,

se afaga uma criança, se proporciona sorriso...

 

naquele instante, no momento preciso, em qualquer altura, situação,

ao longo dum ano sofrido, constrangido,

carente a tempo inteiro, mendigo...

 

sofredor, com dor, com medo, diminuído, deitado fora, esquecido… objecto provocado,

não raro, aumentado, exagerado,

réstias duma carreira de sucesso, em tempos de… retrocesso!!!...

 

os pobres abundam, excedem previsões,

que macabras sensações… alucinações!!!...

 

 crises que duram, perduram, estudos que fazem, desfazem, rentabilidades, negras verdades,

visão dum Mundo imperfeito, rarefeito,

abrangente, globalizado, insensível, com defeito...

 

produtor frenético, desfasado, com tantos postos de lado,

pobres, doentes, carentes, abandonados...

lembrados, por instantes, nesta quadra, a que se adapta, enquadra,

a mais adequada,

 

satisfazendo necessidades, afectos, dos que os criam, os fomentam, os excluem,

os deitam abaixo, os diminuem,

praticando a caridade, dando esmola, ficando bem com a religião, a do perdão,

quanta ilusão… quando dão!!!...

 

… filhos sem pais, crianças desvalidas,

sorrisos, afagos, brinquedos… vidas!!!...

 

 praticando a caridade, os que erraram, dando aos que tiram, abandonaram,

aos que fizeram tristes, fizeram pobres,

quando desenvolves, quando resolves...

 

quando cresces em haveres, com muitos teres, à custa de tantos seres,

em harmonia, com cânticos, hossanas,

hipocrisia, quantos enganos… quantas manhas!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... flor orvalhada!!!...

sherpas

… flor orvalhada, da madrugada, pétalas de seda, carne viva, brilhantes,

promessa de beijos, benfazejos...

carícias que sentes, amada, tão radiosa, bela, formosa,

volúpia, dor, contrastantes, campo bem seco, desejos,

GENEVE 193

chuva que nega, água que rega, sol que queima, sombra bendita,

noite que cai, manto que cobre...

algum frescor, orvalho que chega, algum fulgor, ardor que sofre,

 

abrir a sorrir, pétala cheirosa, doce porvir, o que se almeja,

na madrugada… flor orvalhada!!!...

 

flor que se nota, que inebria, que envolve,

de pouca monta, quando se não solta, quando, bem seca, se devolve,

se fecha, se protege, se abriga, se recolhe...

 

no campo estéril, seco, agreste, se estiola, quase fenece,

por causa do tempo, por causa do Sol,

quase se não veste...

 

quando se esquece, na modorra pasmosa,

quando escondida, sendo formosa,

deixando de ser, planta ou flor, simples pontinho, na imensidão,

no campo, no centro… em solidão!!!...

 

manto da noite, frescura que dura,

gotículo pequeno, orvalho que dança, secura que passa, em formosura,

pétala risonha, seda perfeita, bem viva, vermelho garrido,

laivos de cores, diversos, distintos, na manhã que se alcança,

que ostentação, que criação, pouco perdura...

 

uma força, um grito, mais que bendito,

uma chama, inebria sentidos, maravilha, encantamento,

um espaço, um tempo… doce momento!!!... Sherpas!!!...

18
Nov20

... vassalagem!!!...

sherpas

…profusão de pensamentos, ideias díspares, constantes,
bem preenchidos, os momentos,
nos locais, nos instantes,

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mais controversos… diferentes,
destes seres, destes mutantes,
senhores de tantas gentes,


do Universo, do Mundo inteiro, das criaturas inocentes,
das vespas dum vespeiro,


dos rochedos altos… disformes,
das flores dos canteiros, das plantas que dão os comes,
das manadas de carneiros, dos bichos ferozes das selvas,
dos bois, das vacas, dos bezerros, das plantas daninhas, das relvas!!!...


…dos que são menos que senhores, dos indigentes, nas trevas,
dos estúpidos, dos estupores,
dos que pouco pensam, das levas,


dos recrutados, das multidões, dos rebanhos, das presas,
dos que se enganam… aos montões,
da irracionalidade, sem defesas,


da matéria dura… pura, dos que não se sentam nas mesas,
dos que, a vida, descura e põe na triste vassalagem,
como um escravo, simples pagem,
dos que são assolados, por momentos, sempre, em qualquer altura!!!...


…catadupas de pensamentos, numa ideia suja impura,
que faz vergar os joelhos,
nas pernas, nos artelhos,


aos fracos, aos indefesos, a toda, qualquer criatura,
feita de matéria dura e… pura!!!... Sherpas!!!...

 

17
Nov20

... claro que a vida!!!...

sherpas

… claro que a vida, não tem sentido, é uma inversão… do real,

muito mais, quando se poetiza,

se pensa, deixando ir o pensamento, para qualquer lugar,

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fazendo comparações, sem igual,buscando a alma, essa incógnita,

procurando resposta, descortinando o que se nos esconde,

vislumbrando, ao longe...

 

um raio de luz, uma esperança, lobrigando mil punhais,

assestados, contra os mais...

por dignos, provectos, superiores intelectos,

 

poliglotas de pouca monta, encostados a abstracções,

a irrealismos, sem sentido, numa descoordenação, coordenada,

tal como pintura pintada, fazendo tudo... sem nada!!!...

 

… não deito fora, aprecio, dou valor a quem o tem,

muitas vezes, não me fio, dos que, mansamente, me batem à porta,

abro, pouco me importa,

 

seja quem seja, seja quem (???...) na inocência que me caracteriza,

humanidade pródiga, concreta,

de quem viveu muita vida, de passagem, de fugida,

por enquanto, conseguida!!!...

 

não gosto que me dissequem, que me extirpem, me analisem,

ser cobaia, vítima laboratorial, sob olhares conspícuos,

arrogantes, de tratantes… avessos, profícuos,

 

carregados de raivas, de ódios, de mal, por interesses inconfessáveis, perversos,

inversos...

nada abonatórios, falatórios, conversas ocas, vazias,

manias,

 

experiências, com poucas ciências, menos valências,

dos que buscam nos outros, o que lhes falta,

com gula, com muita lata...

 

num desregramento aberrante, excessos de literatura… a pura,

pesporrente, contraditória,

sem inventiva, sem história!!!...

 

na busca do infinito, sendo finitos, procurando espaços, horizontes,

outras fontes...

calados, introvertidos, usando outros caminhos, teoremas,

diversos e raros esquemas,

 

estratégias labirínticas, disformes ou conformes,

apocalípticas, quanto a tamanho… enormes,

falando, sem nada dizer,

podem crer,

 

com dialectos, com idiomas, parafernália simbolística,

um calhar… casuística!!!... Sherpas!!!...

10
Nov20

... num dia mundial da... poesia!!!... (antiga)

sherpas

… dia mundial da poesia, parece impossível, sem poética,

numa universalidade famélica...

que ainda se detenham com estas coisas, com versos, com quadras, com sentires,

com sonhos, com provires,

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com doçuras, com amores, com azuis fortes, esbatidos,

com vermelhos berrantes e floridos...

com esperança de vidas cantadas,

 

mais equilibradas, com aves que nos cativam, quando passam, quando mostram suas cores,

com danças, com músicas,

com trajes a rigor, bem garridos, sorrisos de todos os tamanhos,

sentimentos, sem enganos!!!...

 

… com auroras de espantar, com mares imensos, prometedores, com nuvens esparsas, farrapos,

brancos, soltos, dispersos...

no meio de muitas rimas, pessoas que sonham, que arrumam palavras, que as colocam nos devidos lugares,

famílias felizes, nos lares,

 

flores que pintam a natureza, na sua grandiosidade, na sua pureza,

paz que se acalenta, que aumenta, abraços de coração,

lágrimas no canto dos olhos, emoção...

 

tudo quanto se intenta, poeticamente, empilhando, por aqui, por ali, em todo o lado,

num Mundo que, bem lá no fundo, com tanta dor, com sofrimento,

não passa dum… fingimento!!!...

 

… dum dia que se lhe quer dar, pobre dádiva que se não sente,

quando se oferece, se dedica,

quando se predica,

 

num conflito permanente, entregue a poucas gentes,

práticas, bélicas...

com defeitos, sem cor, sem sonho, provocando criaturas famélicas,

 

corpos nus, mortos... destroçados, tortos,

num dia de Primavera envergonhada, que se não mostra, que se esconde!!!...

 

… pobre poesia mascarada, coitada da árvore que se festeja,

que se queima, se abate, que se planta nesse dia,

como preito, com alegria,

 

dando exemplo desconcertante, num gesto hipócrita, pueril,

como quem disfarça… numa graça, que passa, que esquece,

num dia que arrefece,

 

perante a dor, a desgraça, perante o ódio, o horror,

fazendo face ao pavor,

numa poesia que não é,

deixa de ser… até!!!... Sherpas!!!...

 

08
Nov20

... pairando entre o real e o absurdo!!!...

sherpas

… pairando num vasto absurdo,

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qual pássaro encantado em voo que realiza,

olhando tudo,
maravilhado,
confuso,
cores relaxantes nos tons que produzem,
inebriantes,
coloridas,

são recantos, são vidas,

tudo o que, em mim, se concretiza, se amalgama, se reduz,
engrandecido naquilo que produz,
amor, paz que reluz...

na suplica duma mão carente,
dedos trémulos, mendicantes... acariciando colos doutra gente,

ausentes,

pesadelo momentâneo... imagens vagas,

aparentes,

inflectindo o gesto,
espontâneo,
de tão presto,
maquinal… extemporâneo!!!... Sherpas!!!...
 
08
Nov20

... retrógrados e modernaços!!!... (antiga)

sherpas

… retrógrados e modernaços, difícil fazer a destrinça nos tempos que correm, dados os bons exemplos que temos, a actuação positiva (… deixa-me rir!!!...) dos políticos vigentes, a nível mundial, um descaro, uma vergonha, políticas de guerras e conflitos, como nos tempos da barbárie, a mais abjecta, completa… pelos maus resultados humanitários, é evidente, quando nos escandalizamos com as imagens que nos assolam, que nos perseguem, que não nos consolam, que provocam pesadelos de medo, de horror, de pavor!!!... Globalização mercantilista, economicista, elevação ao cume mais elevado do dinheiro e seus mentores, tendo o petróleo como base sustentatória, triste estória, poluente, cruenta e cruel, colocando ao mais baixo nível a pessoa, como indivíduo, como Deus na Terra, feito à sua imagem e semelhança, quando botam palavreado, quando botam discurso, quando fazem políticas modernaças, simples chalaças!!!...

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… falhas imensas no âmbito europeu, um descalabro, um desvario, um alinhavar de coisas mal cozinhadas, uma solidariedade de mentira, um desequilíbrio profundo, entre parceiros… os dos dinheiros e os tesos, líderes de brincar mantendo posições, botando chavões, querendo mostrar cara séria, quando entrevistados, coitados, espremidinhos… não valem a ponta dum caracol!!!... Os modernaços, seguidores do campeão das gaffes, bridges assumidas, conseguidas à base da lambarice, até agora, pelos vistos, pelo que me é dado observar, como pouca coisa que sou… não provaram nada!!!... São assim!!!...


… quanto aos caseiros, domésticos, internos, os nossos bem amados e adulados dirigentes, no amplo leque que nos apresentam, liberais, novos ou antigos, direitistas dos sete costados, saudosistas ou não… com renovação pelo meio, esquerdistas de brincar, fazendo jeito, praticando artes bem diferentes, quando governo, esquerdistas mais clássicos, retrógrados, como lhes chamam… quem os teme, de esquerdas mais finas, de caviar, sem freio na língua, delatando situações de privilégio, benesses, mordomias e interesses dos profissionais alternativos, invictos e convencidos das suas práticas, bem forrados, pelos vistos, nem vale a pena falar… tanto o tenho feito, por amor de quem gosto, efectivamente, do Povo a quem me honro de pertencer, não os tenho em boa estima, não os coloco num altar, não os idolatro, não os renego, não os bajulo, critico-os quando vejo que há razão para isso!!!...

… modernaços e retrógrados, triste dilema de quem não pensa por si, de quem tenta levar a água ao seu moinho, de quem se julga maior e diferente, no meio de tanta gente!!!... Ainda me recordo da Moderna, dos modernos, doutras modernices bem actuais… não me consigo esquecer, embora tente!!!... Por vezes comparo modernices de agora, com essas, as ditas… as que fizeram gastar montes de tinta, as que se quedaram em águas de bacalhau e fico triste!!!... Se se recuasse um pouco mais, ou se se adiantasse… quiçá o desenrolar dessas situações, como de outras, afinal, dessem o que todos esperavam que dessem!!!... Mas, não!!!...

… até, nas autarquias, com estas modernices de agora, tão longe dos tempos recuados, não retrógrados, sérios de verdade, dignos de corpo inteiro, se admitem candidaturas de arguidos… a lugares autárquicos que, até aposto, conseguirão ganhar, como se nada!!!... E, espanto meu, sem retrógrados, no que respeita a idades… em tempo de Presidenciais, cairíamos numa pasmaceira, sem eira, nem beira!!!... Valham-nos os velhotes!!!... Os modernaços adulteraram éticas, dignidades, valores, exemplos, pendores… promiscuiram-se, de tal modo, que deram em corrupção avultada, por tudo quanto é sítio!!!... Estamos mal e… vamos de mal a pior!!!... Modernaços e retrógrados… que embaraço e embaraçoso, valha-me Deus!!!...

… entre retrógrados, com PREC do passado, com fugas para o Brasil, com debandada de dinheiros e… modernaços, corruptos criativos, como lhes chamam, quando os proclamam, destrutivos e invictos, apreciadores de Ferraris e Jaguares, de vivendas espampanantes, de bons hotéis, resorts de luxo, com greens e pancadinhas nas bolinhas, de viagens inacabadas, constantes, mediante dinheiros de todos, fortunas de momento, de espavento, considerados, por eles próprios, como os donos dos anéis (… que palermice!!!...) não sei bem qual a diferença!!!... Um gatuno, tipo que se apropria do que lhe não pertence, fino ou mais vulgar, não deixa de ser o que é… quando desonesto, é evidente!!!... É a destrinça que faço, numa igualdade tremenda, quase ao milímetro, por certo, depois de me pôr a pensar!!!... Conjecturas minhas, claro!!!... Sherpas!!!...
 
04
Nov20

... arroubos poéticos!!!...

sherpas

… arroubos poéticos, êxtases, enlevação, enlevo,

liberdades que se permite, quando critica patéticos,

quando se diminui, se admite,

se procura, quando insiste,

GENEVE 571

quando tira ou… dá relevo, quando se considera o mesmo,

quando não finge, restringe,

se julga pouca coisa, quando se avalia a esmo,

sem ser um fingidor,

provocando mágoa, dor,

 

quando berra, feito blasfemo,

inconformado, deslocado,

quando descreve pássaro que poisa,

flor de cores belas, vivas,

quando fala de ódios, de amor, quando se sente apartado,

 

num cantinho, redutor, escondido, temeroso, com pavor,

perante as maleitas do Mundo, que não compreende, que detesta,

com pensar tão profundo, que o agasta, arresta,

que enfrenta… que contesta!!!...

 

… pobre poeta, coitado, não está bem em nenhum lado,

deslocado, imbecilizado,

quase posto de lado,

da verdade, fez seu lema, doença de que enferma,

quando sincero a valer, quantos não faz sofrer,

sofredor, não fingidor,

com o sofrimento dos outros, seja lá onde for,

 

universal, abrangente,

quanto lhe passa na mente,

nos instantes, nos encontros, fugazes, bem repentinos,

com pensares… com desatinos!!!...

 

… sinceridade, punhal que trespassa, que arrasa, que fere, que mata,

quando se aventa, quando traça,

marca que queda, ferida, tão sentida, tão profunda,

que não altera, que não muda,

 

hipocrisia que abunda, falsidade que enxameia,

dos que vegetam, insanos,

que não atalha, alteia,

avoluma a fantasia, cruel, oca, vazia,

redundante, prepotente… alegoria!!!... Sherpas!!!...

 

03
Nov20

... emudeces!!!...

sherpas

... por paragens impensáveis, lonjuras que confundem,

paroxismos inenarráveis no íntimo de cada um,

crueldade que se não dimensiona,

agiganta, impressiona...

berlim 140.jpg

quando se conjunta, une, esgarro que não aninha,

temor que desalinha...

 

forças maléficas que não suportas, tanto aguentas,

emudeces perante...

soltas torrentes incontáveis, formas lágrimas de pesar,

oceanos de horizonte púrpura sob sol incandescente,

temor vulgar de inocente, cáustico que se castiga,

carrega assombração terrífica,

 

oh Deuses que estais ausentes, tão impotente te sentes,

sofreres, falsas partidas, te quedaras num sentido,

cerrado em pútrido casulo...

vontade amorfa, nascituro indefinido,

gota rosada sem face, rolando em parte incerta,

criatura que não desperta,

 

seres que profanizam templos que derramam chamas ácridas que incendeiam,

despautérios que te reduzem,

lágrimas que soltas em silêncio, teus penares,

desperfeitos...

 

oceanos de águas fundas, longos sofreres, antes não foras parido,

intenção... num desvario,

cenas ocultas,

desafio!!!... Sherpas!!!...

 

03
Nov20

... estava um dia de... calor!!!... (antiga)

sherpas

… estava um dia de calor, como tem sido norma, abafado, molengão e eu… com aquele maldito desejo, vontade que me perseguia, desde há uns tempos atrás, recordação de sabores, doutros dias, quando mais novo, em tertúlia amena, doce cavaqueira, com petisquinho a preceito, bem acompanhado de cerveja fresca, em tubos ou imperiais, canecas disparatadas, que bebia voluptuosamente!!!... Sempre gostei… sem abusos, com conta, peso e medida, é evidente!!!... Nunca fui para borracheiras, alegrote, quando muito… vezes por outras, claro!!!...

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… e, aquele maldito desejo, me perseguia constantemente!!!...


… fui levar a minha mulher e a minha cunhada à praia, desta vez dispensei o local, o fresco do mar que sempre me maravilha, me encanta, me atemoriza… quando penso!!!... De caminho, com aquela cisma, virei o volante do carro para um determinado cantinho de petiscos e de copos, não me contive, quase fui obrigado, tal a vontade, a recordação do sabor, sozinho, não em tertúlia premeditada, combinada, com intenção de satisfazer apetites, como deve!!!...

… a gula, desta vez… foi mais forte, impôs-se!!!...

… estacionei a viatura pertinho da esplanada, meia tarde, quente e molengona!!!... Dei uns passinhos, entrei, perguntei se tinham o que me andava a perseguir, o tal pitéu, nada mais do que amêijoas, (… das pretas, mais carnudas e saborosas!!!... ) feitas num fiozinho de azeite, com muito alho e coentros, bem temperadas, com molho grosso e guloso, regadas com sumo de limão!!!... Sempre apreciei bivalves, mais estes, preparados à maneira!!!... Disseram-me que sim… exultei!!!... Ia satisfazer um gosto, um desejo, fazer de conta que era novo… de novo, empinar umas imperiais, pois então!!!... Sentei-me, expectante!!!... Olhei ao meu redor e vi que… a dita esplanada tinha pouca gente, dois ou três casais, dois rapazes, mais à frente, ali ao pé!!!...

… lá veio o rapazito, empregado de serviço, com uma imperial fresquinha!!!... Dei-lhe um pequeno sorvo, saboreei!!!... Passado um instante surgiram, como por obra de milagre, as causadoras das minhas agruras gustativas, tão lembradas e desejadas!!!... Tinham bom aspecto, mais um pãozinho torrado… uma maravilha!!!... Há quanto tempo, meu Deus!!!... Sublimação!!!... Fui petiscando e bebendo, não muito… acompanhando, com regra, a esmo, com gosto, deliciado!!!...

… o desejo, foi-se satisfazendo, aos poucos!!!...

… no meio de tudo isto, ali ao pé, surgiram duas velhotas, já entradotas, na casa dos oitenta e tais, ainda brejeiras, desenxovalhadas, cheias de calor, falando em voz alta, uma com a outra!!!... Uma delas encaminhou-se para uma mesa, puxou duma cadeira, sentou-se, convidou a amiga!!!... Esta, temerosa e humilde… ainda recusou, apresentou as suas razões mas, com a insistência da amiga, acabou por fazer o mesmo, comentando para os dois rapazes que estavam por ali!!!... Um deles, sorrindo, fez-lhe um sinal de concordância, incentivou-as!!!... Por lá ficaram!!!... Estava mais fresco, tal e qual!!!...

… entretanto, quando pedi a segunda ou terceira imperial (… não passei desta, garanto!!!...) disse ao empregado para levar duas águas frescas às idosas, para pôr na minha conta, com a recomendação expressa… de lhes dizer que era oferta da casa!!!... Ele compreendeu as minhas razões, assentiu e lá apareceu com duas garrafas de água e dois copos!!!... As velhotas estranharam, perguntaram e o rapazito lá lhes disse o que eu lhe tinha pedido, que era obséquio da cervejaria!!!...

… duas garrafas de água, numa esplanada, numa tarde quente e abafada… para duas velhotas, na casa dos oitenta e tais!!!... Pobres e temerosas, gente humilde… não habituada!!!...

… aceitaram as ditas, recusaram os copos, guardaram-nas no saquito das compras… por lá se quedaram!!!... Terminei o meu repasto, contente comigo próprio, pelo petisco, pelo gesto, pela satisfação dum desejo antigo!!!... Paguei, meti-me no carro… fui buscar a minha mulher e a minha cunhada à praia, ali perto!!!... Coisas!!!...

… Povo que… lavas no rio!!!... Sherpas!!!...
 

 

02
Nov20

... de cortar... à faca!!!...

sherpas

… de cortar à faca, o silêncio, numa penumbra que se vai desfazendo,
isolado, na madrugada, como gosto de fazer, escrevendo,
bem longe de refregas, imenso...

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na minha individualidade, crendo, com uma grande vontade, penso,
dentro do meu melhor amigo...
quando o faço só, comigo,


sem companhias adversas, muito longe das conversas,
adentrando-me, muito íntimo, companheiro nas horas vagas,
no tempo que se alonga, perdido... quanto caminho, quantas chagas,


quantas alegrias visualizo, nesta penumbra que se desfaz,
neste silêncio que me apraz, nesta entrega, sem refrega,
que me assola… que me chega!!!...

… encontro marcado, todos os dias, numa hora imprópria, bem cedo,
entrega, voragem, manias,
fuga de todos, fuga do medo,


esperança que se constrói, sonhos, utopias, quanto silêncio, quase segredo,
quando, sentado, vou escrevendo...
bem afastado de qualquer pensamento,


ao sabor do que me sai, sem rumo definido, muito sentido,
por dias passados, sofridos...
recolhido em mim, introvertido,


escondido da vida, em silêncio, nesta penumbra que se dissipa,
que se vai desvanecendo, lentamente, numa normalidade que se repete,
dando lugar ao dia, imenso...


que se clareia, que se agita, num instante, de repente,
nos enche… nos aquece!!!...

… tantos factos, acontecimentos, sociedade que se procura, com loucura,
insatisfação permanente, que passa... sofrimentos,
bem calados, bem fundos, em tanta vida perdida, obscura,


na alma de muita gente, quanta insanidade,
quanta perversão disfarçada...
dos que têm tudo, dos que não têm nada,


vorazes inconsequentes, seres que não sentem, dementes,
conduzidos por interesses materiais...
falando dos mais normais,


esquecendo os menos iguais, tão entregues aos seus quereres,
em silêncios estarrecedores...
penumbras densas, haveres,


posições desmedidas, favores, quantos conluios, quantos segredos,
quantos receios, quantos medos,
não solitários, matinais… em grupos,


alargados ou reduzidos,
bem delineados, conduzidos,
quantos espectros… quantos vultos!!!... Sherpas!!!...

 

01
Nov20

... carroças... dos meus velhos tempos!!!...

sherpas

… carroças dos meus velhos tempos, muares que resfolegam, jungindo,

caminhos de terras brancas,

searas batidas pelos ventos, crianças casquinantes, fugindo,

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grupos de moçoilas rijas, tantas, olhos vidrados de choro, transbordam,

sonhos que maravilham, retornam...

fôlego que persegue, erupção, magma incandescente,

repente,

 

fúria do ventre da terra, na serra, rochedo que brilha e rola, encosta,

vale do infortúnio, má sorte,

hora depois da morte... encontro,

 

face com que deparo, reparo, anjo escuro que ceifa, maléfico,

tempo que foge de pronto, num ápice, céu escuro, medonho, terrífico,

porta do pensamento, momento,

outra vida, outro encontro, outro tempo...

 

confissão de toda uma vida, cumprida, promessa que se arrasta,

se gasta...

pranto que não contenho, imagem que se afasta,

torrente que me alaga,

 

carpires que se juntaram, tão doces, reencontro com um dado tempo,

penoso...

carroças que vão surgindo nas névoas que se adensam,

formosas,

 

bando casquinante e belo, vital, muares que resfolegam,

jungindo...

num desencontro continuado, teimosas, terras do meu passado,

fugindo,

 

dossel que me protege, quadriga romana, ausente,

lembrança que me persegue,

na luta que se pressente...

 

futuro que se oculta, ausência tão inocente,

num tempo que não se culpa, recordação permanente,

afago que mantenho sempre...

 

olhos cerrados, recuo, paragens remotas, passadas,

recreio sombras e feitos...

nas asas dum pássaro ferido,

tudo isso visualizo,

 

rio, choro, amuo, vejo águas que estão paradas,

fontes secas, meus ribeiros, campos amplos, terras brancas,

searas tocadas pelos ventos...

carroças e pensamentos, mula jungida, teimosa,

crianças que vão para a… escola!!!... Sherpas!!!...

30
Out20

... recordar é... VIVER!!!...

sherpas

... escrevo porque escrevo, escrevo porque me dá gozo, escrevo porque sinto necessidade de deitar para fora o que me vai dentro, escrevo porque, escrevendo, racionalizo melhor o irracional, compreendo melhor ou tento compreender, o que se não compreende... tal como dizia Mia Couto, a escrita, é a verdadeira arma de destruição maciça, quer dizer, a verdadeira arma de construção maciça... quem escreve e quem lê melhora-se bastante em relação aos que são partidários da ignorância endinheirada... o novo riquismo não leva a lado nenhum, quer dizer, encaminha-nos, por uma vereda de estupidez, ao pântano da ignorância total... os deslumbramentos não são objectivo, são escape dúbio, sombrio, para os que se convencem, para os que se pavoneiam, para os curtos de espírito ou para os ambiciosos desmedidos e palermas... fugir à estupidez, à ignorância parcial ou total é obrigação de todo e qualquer um que tenha um mínimo de respeito por si próprio, porque:

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- Escrever, só por escrever/sem ter nada que dizer/ou mostrar o que quer que seja/do que pensa ou do que veja/é pura idiotice/uma grande patetice/de quem não tem que fazer/e acaba por se aborrecer.../Ter ideias, pensamentos/sobre tudo e sobre nada/é possuir sentimentos/é como uma escalada/ao âmago da existência/como uma funda experiência/que nos inebria e enaltece/nos eleva e enobrece/nos enche de empatia/nos dá tristeza e alegria/num enorme desconcerto/na certeza, um desacerto/pelo incerto, simpatia/e uma razão para viver/no profundo do nosso ser/que entra em sintonia/com a pura fantasia/deste breve intervalo/um saltinho de cavalo/desde o nascer esperançoso/até ao final choroso/da linda sinfonia/que nos acompanha de dia/ao triste vendaval/que nos arrasta para o final!.../É aproveitar e bem/o DOM que DEUS nos dá.../Feliz de quem o tem/porque só, nunca está!.../A solidão/para quem tem que escrever/é uma grande companhia/porque, ao coração/vamos rebuscar e trazer o que nos deu alegria.../Por vezes, nas recordações/encontramos espinhos aguçados/e quebram-se as ilusões/tornamo-nos amargos e desiludidos/e então escrevemos com tanto fel/que nos apetece ser cruel/com tudo e com todos que nos rodeiam/como se apaziguássemos os demónios que nos incendeiam.../Escrever é um prazer/difícil de descrever!.../Escrever sobre ideias e imagens/torna-nos bons e dá-nos vantagens/sobre os outros, mais infelizes/porque nós, os que escrevemos/vivemos duas vezes... porque queremos!...

 

- Escrevam, ponham no papel tudo o que sintam, tudo que os revolta, tudo que vos faz sentir mal, escrevam porque as escrevinhadelas são a verdadeira arma de construção maciça em prol duma sociedade melhor... não se deixem embalar com mentiras, falsas promessas e vigarices de xico espertos, demagógicos e populistas. Simples pensar dum vulgar cidadão anónimo deste Pais onde, para nosso mal, ainda proliferam analfabetos.

SHERPAS

28
Out20

... a leitura... nunca fez mal!!!... (antiga)

sherpas

…a leitura nunca fez mal a ninguém, sempre foi uma maneira de adquirirmos novos conhecimentos, de nos aperfeiçoarmos, de nos armadilharmos contra tudo e contra todos, de nos distrairmos, de sentirmos prazer inefável, diferente, supremo, de encararmos o que nos rodeia, com outros olhos, mais perspicazes, mais vorazes, mais sedentos, porque, quanto mais temos, através da leitura, mais e mais pretendemos, nunca nos satisfazemos!!!...

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…agora, com a minha idade, pouco vou lendo mas, mantenho uma certa disciplina intelectual, lendo menos, lendo a qualidade, lendo o que me interessa, mantendo-me activo, como vivo, como sedento, como participe desta maravilhosa aventura…a da leitura!!!...

 

…em tempos, quando mais novo, pleno de ilusões, em busca de respostas a perguntas que me fazia, tudo lia, sem discriminar, fosse o que fosse!!!...Muito mais teria lido se não tivesse vivido numa época de obscurantismo, no tempo do Marcelo e do Salazar, os da censura prévia, os da proibição total!!!...

 

…quando olho para trás, quanta pena sinto, verdade, porque não minto…de relembrar as bibliotecas que rebusquei, com muitos volumes mas, incompletos, com muitos espaços, mais que vazios, dos livros da minha ambição, dos que se não viam, dos que se não liam, dos que se não comentavam…eram, estavam proibidos, tal como outras COISAS mais!!!...

 

…ainda há quem nos queira fazer regredir e, pelo que vejo, pelo que sinto, aos poucos, vamo-nos esquecendo, vamo-nos acomodando, vamo-nos alheando…do fundamental, da leitura, da boa leitura, em prosa, ou poesia!!!...Os culpados desta profunda apatia, deste descalabro intelectual, são monstros, piores do que assassinos, são os que nos matam o pensamento, nos igualam a um jumento, nos imbecilizam, nos reduzem, nos diminuem!!!...

 

…cursos superiores, sem bases variadas, sem cultura geral, não passam daquilo que são, ferramentas, para determinada função!!!...Quão triste me ponho quando licenciado, de qualquer licenciatura, mostra desconhecimento, apresenta ignorância perante perguntas corriqueiras, de ordem geral, de qualquer sector, de qualquer ofício ou arte, por não ler, um simples jornal, por não se dedicar, parcialmente, a esse vício nobre e salutar…a leitura, como prazer, como aventura!!!...

 

…ler, faz-nos subir, faz-nos elevar, faz-nos ir aos céus, faz-nos melhores, faz-nos completos, faz-nos possuir mais afectos, faz-nos despertar todos os sentidos, faz-nos ser mais ligeiros, mais vivos, faz-nos pensar, faz-nos escrever as nossas emoções, faz-nos sentir tantas sensações, ser diferentes, dos que não lêem, dos que se quedam pelo simples, pelo vulgar, pelo aparente, a outra gente, a que não precisa, segundo pensam e acreditam…pobres, coitados, os iletrados, analfabetos, licenciados, com cursos superiores, muitos doutores!!!...Há excepções, claro, como em tudo na vida!!!...

 

…enfim, verdade seja dita que, no meio dos que gostam de ler, por vezes, encontramos os que se preocupam somente de determinados assuntos, de certas matérias, técnicas ou quejandas, as que lhes dizem respeito, as que lhes dão dinheiro!!!...São pobres de espírito, não gostam de sonhar, não apreciam brincar com as letras, com as palavras, de as sentir, no mais belo que elas possuem, o dom de fazerem chorar, de fazerem sofrer, de fazerem rir, de fazerem pensar!!!...

 

…a leitura, ah, a leitura, meus amigos, quanta ilusão, no tempo da proibição, o que me ofereceu, quanto sonho me proporcionou, quanta gargalhada proferi, só, como um tonto, com um livro na mão, quanta aventura, quanta emoção, quanta mais não teria, se tivesse…os livros da minha ambição, no tempo próprio, quando mais novo, ilusionado!!!...Mas, quem sou eu???...Um abraço do Sherpas!!!...

27
Out20

... estavam adormecidas!!!...

sherpas

… estavam adormecidas, quase esquecidas,

tínhamo-las perdido, por uns tempos,

quando soltávamos a vista pelos campos, secos e nus,

cinzentos, castanhos e pretos, poucas vidas,

alguns verdes escuros do arvoredo, nos montados,

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inquieto, interrogava memórias idas,

relembrava cenários passados,

tentava dar formas e cores, alguns odores,

zumbidos e trinados, por todos os lados,

 

colorir tela vazia, quando me pus,

parado, tolhido, pensativo, naquele lugar,

imenso descampado colorido,

inverso do meu pensamento, noutro momento,

agora solarengo, pintura esmerada,

com tons adequados, um primor,

com águas nos ribeiros, verdes vivos… tanta flor!!!...

 

… com roxos esfuziantes, alvuras imaculadas,

tão densas, espalhadas,

amarelos doirados, bem carregados, vermelhos nas papoilas,

rosmaninhos e alecrins, pelos caminhos,

odores inebriantes, carmesins e jasmins rosados,

por todos os lados,

 

rosas silvestres, de colorido variado,

tufos de silvados, algumas amoras,

esteva de flor branca, sensível,

giestas de flores caídas, que se derramam,

urzes, com cores aos cachos, incrível,

malmequeres embrutecidos que nos chamam,

que nos gritam suas belezas, quando clamam,

gramíneas e bromélias, lírios,

em qualquer canto… por todos os sítios!!!...

 

 

… vidas que brotaram pelos ares, pelos terrenos,

nestes sítios, sempre os mesmos, isolado

do Mundo de betão, urbanidade que me aflige e cansa,

quando me massacra, não descansa, corrida louca,

me isola na multidão, companhia ilusória,

ruídos, caras estranhas que se aproximam, passam,

carros que correm com fúria notória,

destinos díspares, vidas sem estória,

repetição dum filme já visto, gasto… sem préstimo!!!...

 

 

… quando olho e vejo, aceito, me afirmo,

embevecido por elas, tão belas,

renovadas pelas chuvas passadas, vigorosas,

esbeltas, aos molhos, quantos tapetes se alongam,

com tonalidades diferentes, matizes esplendorosos,

vivas as cores daquelas flores silvestres, formosas,

descanso meus olhos, pensares se prolongam,

recuos, avanços meus, paisagens, memórias,

vales ondulantes, viçosos,

ponteados, aqui e ali… sentidos, tocados por mim!!!...

 

 

… berço, começo, lembranças do tempo,

paragem, renovação, recomeço,

aversão, quando adormecidas, inertes, escondidas,

brotaram, por fim,

cobrindo campos extensos, floridas,

as plantas próprias da Primavera,

a que se adora, que antecede o Verão,

quanta beleza… rara emoção!!!... Sherpas!!!...

20
Out20

... NECHA!!!... <> ANTIGA <>

sherpas

…muitas vezes, por associação de ideias, de nomes, de estórias aqui contadas, sem intenção, como recordação, simplesmente, utilizando chavões ou não, a meu jeito, claro… dá-me para relatar coisas, dum passado, já distante, o de dantes, muito pior do que o de agora, o que muitos, saudosamente, apelidam de…tempos da lavoura e, outras tretas mais!!!... Podem estar descansados que não é meu propósito, por agora, voltar a tema já gasto, ultrapassado, posto de lado!!!...

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…foram casos, são reflexos fugazes que, queira ou não, me assolam o pensamento, episódios vários, passados comigo, com gentes que brincavam, que se cruzavam, por vezes, no meu caminho, em terra pequena, de todos conhecidas…nos meus tempos de gaiato, a milhas de televisões, de leitores de cassetes e de DVD,s, de computadores, de play stations, de tudo o que, nos nossos dias… é normal, natural, entretém, obsessão até…direi!!!...

 

…os brinquedos não se compravam, faziam-se, com os materiais que tínhamos mais próximos, na rua, nos campos, em casa…restos de telhas, de tijolos, pedras, arames, latas vazias de conserva, paus, alguns pedaços de madeira, a bicharada dos campos e…muita, muita imaginação!!!... Claro, havia excepções!!!... A dos meninos, nos seus grandes casarões!!!...

 

…tal como agora, (duma maneira mais sofistificada) formavam-se bandos, consoante a rua, consoante a proximidade, independentemente de classes sociais, os mais normais ou…de acordo com elas, inconscientemente!!!... Recordo-me que, por vezes, havia brigas entre os ditos que… se resolviam com uns engalfinhamentos, umas cabeças partidas, uns arranhões!!!... Nada de grave, próprio da idade, dos tempos… diferentes, mais saudáveis, embora miseráveis, para muitos, os dos pés descalços!!!...

 

…nestas guerras de rua, com muito alvoroço, com muita gritaria…distinguiam-se três elementos que, todos temiam, pela valentia, pela agressividade!!!... E, daí a minha recordação... eram conhecidos por todos, entre eles, como o Necha, o Nacho e o Nanacho!!!... Eram descendentes de famílias bastante carenciadas, com muitos irmãos, vítimas da vida, extracto mais baixo, entre os baixos, habituados a valerem-se por eles, de garras bem afiadas, sempre de prevenção e, aos poucos, atingiram esse estatuto, o de intocáveis, o de temidos por todos!!!... Depois de crescido, pela ordem natural da vida, deixei de os ver!!!... Passados uns anitos bem largos, quando me fizeram tropa, sem vocação, quando me enviaram para o Ultramar, por obra do acaso… vim encontrar, cumprindo o seu dever, à força, dois deles, já homens, como eu… o Necha e o Nanacho!!!...

 

…o tempo é cruel, não pára, não perdoa, vai-se arrastando, vai-se extinguindo, vai-nos afastando desses momentos, os da infância e… por acaso, sem intenção de polemizar, longe de mim tal ideia, lendo… aqui no Fórum, algo que se assemelha, voltei a ser criança, a desses tempos bem diferentes, os da penúria intensa, os que muitos recordam com saudade, pela fartura, outros… pela saudade das diabruras, das brincadeiras, das amizades, dos temíveis, nas pandilhas… especialmente, os já referidos, que… espero, estejam vivos, a quem… se, por acaso, tiverem conhecimento deste meu escrito, envio um abraço, bem forte, esquecendo alguma pedrada que me deram, alguma sova que me propinaram, na altura!!!...

 

…por nós, em plena liberdade, num Mundo mais seguro, no contacto com os outros, com a própria vida… íamos ganhando defesas, íamos aprendendo, endurecendo!!!... Os que, como eles, mais pobres entre os pobres…mais ainda, mais endurecidos se tornavam, umas feras… sem rival, temidos!!!... Isto, há uns tempos, num Universo mais pacífico, sem tanta ganância, sem tanta hipocrisia, sem tanta mentira!!!...

 

…nos tempos que decorrem, os presentes, para as crianças… o melhor do Mundo, concordo, desde que os pais possuam meios, pertençam a classes sociais médias ou elevadas, todos os cuidados são poucos, autênticas redomas de vidro, em volta dos pingentes, com razão, pela perversidade, pela adversidade, pela crueldade… pelas armadilhas que se lhes deparam, a qualquer momento, num instante!!!... Mas, há sempre um mas, nisto e em tudo!!!... Há o reverso da medalha, tanto agora, como dantes!!!... Nesta sociedade desequilibrada de paizinhos que ganham milhões, doutros que se governam com uns tostões e muitos outros que… nem isso, só miséria, com frutos, com rebentos, mal abrigados, ao relento, sem carinho, ao desprezo, com carradas de frustrações… surgem os Nechas modernos, os Nachos actualizados, os Nanachos desprezados, os párias dum País, deste que se diz Europeu, do século XXI!!!... Sozinhos ou em bandos, vão fazendo os seus estragos, vítimas da situação, dum sistema desigual, roubando, massacrando, matando…tentando, por eles próprios, obter o que nunca tiveram, sequer, a parte material da questão, destruindo-se irremediavelmente… perante a incúria de quem não quer ver, de quem se não interessa um pouco, de quem está bem, tal como os seus, de quem se limita a distribuir umas simples migalhinhas, fazendo uma caridadezinha, insignificante, comezinha!!!...

 

…é o quadro vigente, passadas umas décadas, com evolução, claro… natural, dado os tempos, num Portugal desigual, pobre, miserável, sem cheta, com aumento de criminalidade, sem verdade, com hipocrisia, por parte de quem se não enxerga, de quem se limita, convencidos que estão… do que não são, dos que se governam, dos que viram costas a esta terrível situação, com tantos Nechas, Nachos e Nanachos…por tantos lados!!!... Sherpas!!!...

10
Out20

.. até que a morte... os separe???... (antiga)

sherpas

... contribuí, com o meu esforço pessoal e na altura própria, para o bem de seres humanos, fui produtivo enquanto trabalhador no activo!!!... Mais missão e ensinamento do que esforço físico que dispendia!!!... Pela polivalência envolvida, pau para toda a colher, quando professor primeiro ou primário!!!... Como contrapartida, salário reduzido que me davam!!!... Ensinava tudo e mais alguma coisa, primeiras ferramentas que contribuiam para a formação integral da criança que me entregavam, quase sempre com as palavras que já eram norma “professor, só lhe quero a pele” ainda em altura da palmatória!!!...

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... as turmas eram extensas, as carteiras desconformes, os vencimentos reduzidos, os programas enormes, a sociedade era de pedra, tal como o papel, de pedra era o lápis ou esferográfica, ainda quando a caneta com aparo mergulhava num tinteiro de porcelana, dando origem a borrão incomodativo, quando s´usava uma pele de borrego como apagador do giz que s´utilizava no quadro negro, livro aberto, tempo do ponteiro da cana da India, com várias funções, admito, do cuspinho e do pedaço de pano com que se limpavam os arabescos na ardósia, do calção curto nas crianças, dos pés descalços de quase todos, dos “absurdos” que se cometiam!!!...

 

... lembro as contas a perder de vista, todas as provas e mais algumas, problemas com várias interpretações, tabuadas memorizadas, papagueios ritmados, história dos quatro reinados, geografia abrangente, leitura fluida e corrente, escrita como perfeição, ciências naturais do corpo, das plantas, dos animais, com exames no terceiro e no quarto anos realizados por júris que se deslocavam doutras escolas, quase todas do plano dos centenários, rudes, agrestes, rústicas e pesadas!!!...

 

... anos de formação para a maioria da população, uma quarta classe bem feita, com diploma e fotografia era um atestado de valia... naqueles tempos!!!... As coisas evoluiram, modificaram os procedimentos em relação aos alunos, a sociedade tornou-se mais permissiva, outros valores surgiram, utensílios que se deitaram fora, os velhos compêndios, livros únicos, foram-se colorindo e variando, maior oferta, negócio rendoso, o velho mestre-escola foi-se actualizando, servindo com brio e profissionalismo, sendo mestre, sendo exemplo, praticando uma missão, um trabalho, respeitando e sendo respeitado!!!...

 

... actualizando sempre, acompanhando os tempos, inclusive nos vencimentos, na reforma das práticas docentes que s´iniciou, que continua, pelos vistos, praticando o meu trabalho, tarefa que fazia com gosto... não físico, sendo também, continuando “pau para toda a colher” vendo transformar os programas em “elásticos” porque mais curtos mas que se podiam esticar, consoante gosto de quem os interpretava, obtendo resultados, regando jardim, vendo-o viçoso, forte de tal modo que, quando os entregava para outro grau, o “ciclo” não necessitavam muito de se esforçar porque o que lhes ensinavam, já sabiam!!!...

 

... satisfação que me preenchia quando... passados anos, tomava conhecimento dos êxitos obtidos pelos que me foram entregues no “primário” ou primeiro ano de vida escolar!!!... Como tudo... fui envelhecendo, chegou a altura, arrumei as botas e parti, com sentimento redobrado de dever cumprido, para a situação de reforma, não, sem antes, ter tomado contacto com computadores, inciar, iniciando ainda alguns discentes nesta portentosa valência, conhecimento mais fácil, futuro promissor, tempo tão diferente dos meus primeiros passos numa profissão que realizei, gostei... enquanto trabalhei!!!...

 

... não me sinto arrumado, faço o que gosto... com gosto, escrevo como gosto, delicio-me com algumas coisas que vou lendo, tento brincar com as palavras, amigas do peito, amigas de sempre, zelo, à minha maneira, pelo cadinho que me pertence, conquistado a duras penas, critico e sempre criticarei aproveitadores dos trabalhos dos outros, velhos e encarquilhados que estão agarrados, quando babosos e deslumbrados com eles próprios, tentando impor ideias, comportamentos, acumuladores d´impérios piramidais que, por capitais, se reduzem e tentam confundir, impeditivos do que é natural, tal como o caudal dum rio, barragem ou paredão que... não interrompe, não, faz parar a água por momentos, depois vai por aí buscando e abrindo caminho, sem qualquer tipo de contenção!!!...

 

... lembro políticos que deveriam estar arrumados.... praticando a nobre arte da pesca ou da caça, escrevendo livros d´encanto, com ou sem memórias, lembro velhíssimos empresários que, donos de tudo e de muitos, julgam que não acaba, reconheço parasitas de regime, açambarcadores de milhões, indevidamente, não exalto redutores d´ideias... mesmo nos cargos mais elevados, contesto-os, não os respeito, acumuladores do que poderiam dividir pelos mais necessitados, lembro teias que tentam atirar para mentes mais jovens e lamento-os profundamente!!!...

 

... cada galo com seu poleiro, a tempo inteiro, na hora certa, mente desperta!!!... Quando “caducos”... arredados com dignidade, dando lugar a outros, não tentando marcar posições, reformados ou aposentados, se possível, mais calados ou resmungando, como eu, opinando, opinando, deixando fluir com normalidade, sem ofensas ou impedimentos!!!...Os que foram “vedetas”... deixam de ser, mais tarde, mais cedo!!!... Há que aceitar o que é natural!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

10
Out20

... contadores de... estórias!!!... (antiga )

sherpas

…contadores de estórias, pessoas com boa memória, simples… e, ricas de interior, frutos com muito sumo, verdadeiros repositórios de cenas do passado!!!...Sempre existiram e…teimam em continuar porque, da vida, tentam tirar o melhor!!!...Dá-lhes gozo…quando as contam, sentem prazer nisso, quando as relembram, quando as dizem, uma e outra vez, numa obsessão contínua!!!...Partilham, com prazer, o que sentem!!!...Estórias, casos e coisas, fantasias e sonhos, invenções, ilusões…tudo lhes serve para, com entrega e paixão, se dedicarem a isso, dar aos outros, o que têm, de melhor, da sua própria vida, a já passada!!!...É uma maneira, como outra qualquer, de se realizarem, de se sentirem felizes, com eles próprios, com o Mundo que os rodeia, cruel, insensível…o actual!!!...

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…nos meus tempos de criança, há quanto tempo, meu Deus, não havia TV, nem PC,s e…os livros, eram raros, caros e censurados!!!...Sempre senti, nesses tempos, verdadeira atracção pela banda desenhada, sem cores mas, com muita acção, nos quadradinhos do Kit Carson, do Mandrake, das figuras do Walt Disney, sei lá, tanta que me falha a memória!!!...Ainda não sabia ler, pela idade, não tinha iniciado a primária e, pobre de mim, contentava-me com o que os mais velhos iam lendo, em voz alta!!!...Tanto vi, tanto ouvi que, antes do professor me ensinar a ler, mais tarde, já o fazia, por mim próprio, por vontade imensa de saber decifrar aqueles gatafunhos, os da banda desenhada, que devorava, ao som da leitura dos meus amigos, os que já sabiam, os que liam, os que me explicavam o que os bonecos diziam, nos quadradinhos da dita… como se nada, naturalmente!!!...

 

…eram tempos de verdadeira felicidade, sentados, todos juntos, na soleira duma porta qualquer, ali, na rua, irmanados pelo mesmo gosto, o da acção, o da aventura, o da fantasia!!!...Íamos repartindo o tempo dessa maneira, com brincadeiras, as da infância, em liberdade, sem peias, pela idade…ainda curta!!!...Outros tempos, porque sim!!!...Brincava muito com os filhos, cerca de cinco, dum vizinho, já falecido, sapateiro que, no seu trabalho, pausado e sem ritmo, por vezes, quando parava, num grito, chamava a criançada que, alvoroçada, porque sabia, se aproximava, sedenta e… o rodeava. aguardando, ansiosa, o que calculava, já estava habituada!!!...O Mestre…ia-nos contar um conto, ia-nos perguntar umas adivinhas, ia-nos ensinar umas anedotas, ia repartir, connosco, pobres de espírito, simples analfabetos, pela idade, ainda curta, os seus saberes, com toda a bonomia, que sentia e repartia, com toda a afeição e carinho, pelos filhos e pelos amigos dos referidos, nos quais me incluía, pois então!!!...

 

…eram momentos gratificantes!!!...Todos os aguardávamos!!!...Todos os gozávamos até à exaustão!!!...O Mestre, para nós, catraios, na altura…era uma bênção!!!...Recordo-o… com imensa saudade!!!...Era benfiquista a valer e, mesmo com pouco dinheiro, com dificuldades avultadas, pela filharada, pelo pouco que ganhava, em dias de desafio…lá ia, a caminho de Lisboa, gastar o que fazia falta à família, que vivia com muitas penúrias!!!...A mulher, a tia Maria, gritava-lhe, tentava chamá-lo à razão mas, pela paixão do clube, ele nem ouvia!!!...No desafio seguinte, o Mestre, lá ia!!!...Mestre sapateiro, com cinco filhos, pois então, descalços, porque sem sapatos ou…botas, no tempo do dito, da miséria absoluta…tempos da lavoura, como diz o outro, coitado, saudosista e, quiçá, incitador do Movimento em Santa Comba, p´rá colocação da estátua do referido, o botas, claro, lá na praça da terra, por feitos valorosos, triste memória, infelizmente, história, não estória!!!...Eu, fazia-lhes a vontade porque…uma estátua, não é, senão, um repositório, dos mais favoritos, da passarada, pombos inclusive, para colocar, com rigor, sumo primor, dejectos, abjectos, resíduos fecais dessas simpáticas criaturas, racionais no que fazem…quando o fazem, com satisfação!!!...Porque não???...Mas, voltando ao tema…mais que visto que, quem fazia alguma coisa pelo agregado familiar do sapateiro, a fim de suprir as faltas, na ausência do marido era ela, mulher de armas, com uns bolos que vendia, uns sorvetes que confeccionava, umas farturas, deliciosas, que vendia…com muito trabalho, com muita canseira!!!...Os filhos…eram muitos!!!...

 

…nos entretantos, o Mestre, gostava de se deslocar à tasca mais próxima, onde entornava uns copos e se alegrava, mais do que devia!!!...Vi-o regressar a casa…já carregado, balbuciando palavras sem nexo, algumas com espírito, com graça…muitas vezes!!!...Respeitava-o, pela outra faceta, a de contador de estórias, anedotas, adivinhas, as que repartia…com os filhos e respectivos amigos!!!...Ainda me recordo duma frase, alcoolizada, balbuciada, com espírito, muito dele, repetida, vezes sem conta, quando, cambaleando…vinha para casa:

- O meu vizinho, papo-seco me chamou!!!...Eu, pareço mas…não sou!!!...Saudoso Mestre da minha infância!!!...Veio a morrer, de morte natural e…com idade avançada!!!...É a vida!!!...Eram os contadores de estórias, os fidedignos, os completos, as televisões do passado, os computadores da altura, num tempo de livros raros, caros e…censurados, de extrema pobreza, numa vila do interior alentejana, como muitas!!!...Mas, quem sou eu???...Sherpas!!!...

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