Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

03
Ago21

... fogo posto!!!...

sherpas

matagal a perder de vista, desponte, natureza que brota,

plantas rasteiras,

rarefeitas...

DSC07817.JPG

quadro, pintura cinzenta, cinzas que cobrem os solos,

pedras enormes, pontuadas...

trilhas quase tapadas...

 

rostos de pessoas que sofrem, isoladas, acontecimento recente,

grande mal para tanta gente,

ausência das que foram imoladas...

 

verde esbatido, ventania incrível,

como tudo isto foi possível,

quando passo, paro, choro, lamento tudo aquilo que vejo, ruína que ainda fumega,

foi lar, algum conchego, no alto daquela serra...

 

puro desleixo de quem recebeu, floresta tão variada, árvores seculares, oferendas

próprias daquela região...

raiva, vingança, deformação, tudo aquilo se perdeu...

 

castanheiros imponentes, carvalhos... doces frutos,

grandes bugalhos,

madeira preciosa, mobiliário, nogueiras, ciprestes, arbustos como giestas,

alecrim, urze, alfazema, rosmaninho, erva cidreira...

 

oliveiras, nos olivais,

mimoseiras em grande grupo, sobreiros e azinheiras,

muito mais, muito mais...

 

tília que nos abriga, folha medicinal, sombreada, bem amiga,

plátanos imponentes, cerejeira, madeira nobre,

tão altaneira, como forte...

 

outras, bem diferentes, toda uma faina apropriada,

vida de acordo, harmoniosa,

numa região bem dotada...

 

vilarejos bem semeados, população, rotina diária, pastorícia, resineiros,

alguns pinheiros dispersos,

hábitos, costumes ancestrais...

faziam os filhos, fizeram os pais...

 

triste sina, má sorte,  ganância, interesses vários,

vales pejados de pomares,

casinhas que eram encanto, objectivo de alguns DIABOS, diabinhos incendiários...

 

alvos de tanta cobiça... surgiu o caos, surgiu a morte,

quanta,

quanta carniça...

 

existência de planta intrusa, oriunda de terra estranha,

desenvolvimento rápido, sequiosa,

futura pasta, papel, bom rendimento que açula...

 

 incúria, desleixo também,

governança que propicia, juízo de quem não tem,

quanta voragem,

quanta gula...

 

acabou-se o ÉDEN na TERRA, quadros dantescos,

infernais...

foi notícia nos jornais,

nas más televisões que temos, quantos casos,

dramas pessoais,

 

num VERÃO que se prolongou, regozijo de quem propiciou

prevalência do petróleo verde, combustível inadequado,

que veio do outro lado...

terra estranha, distante, no alto daquela serra...

 

fez muitas mortes, qual guerra,

indignou todo um PAÍS, num PARAÍSO que se desterra...

cinza que cobre o solo,

quadro, pintura cinzenta, quando paro, a olho e choro,

destruição como na guerra...

 

crianças, como diabinhos, mandantes, DIABOS maiores,

ignições, foram aos montões,

propositadas, sem dó, criminosos pelos caminhos,

 

inacessíveis locais, os piores, maldade, de pais para filhos, crueza, raivas, milhões,

inveja, sem contemplação, especialistas no mau fazer,

queimaram, fizeram morrer...

 

não dignos desta NAÇÃO, poderes que se afrontam, GOVERNANÇA sem opção,

afectuoso, verbo de encher, prodigaliza beijos, abraços...

 

aos que sobrevivem, emoção,

justiça do tanto faz... residual, incapaz,

investigação, investigação...

 

dores, estridentes, lancinantes, ecoam por vales,

por montes, por serras, gritos de quebrar a alma,

tochas humanas, inauditas, escape, sem retorno,

do fogo...

 

tudo se poderia evitar, conjungando o verbo amar,

aproximando o afastado,

tão longe, mal governado...

 

sopas depois do almoço, solidariedade, penso rápido,

ferida funda...

exéquias tardias na tumba, solução,

triste remorso,

 

fora de clubite que existe, ideologia tão díspar, insensatez, pura verdade,

deformação, crueza,

maldade...

 

espinhos cravados no corpo... não se louva,

depois de morto,

magistratura do tanto faz,

criminaliza-se o que persiste, justiça cega, não eficaz...

 

doa a quem doer, tanto fizeram sofrer,

sorriso, brejeirice,

lamechas, que se evite tanta burrice,

não se culpa o inocente da morte de tanta gente...

 

... fogo posto, intenção,

investigação, criminalização!!!... Sherpas!!!...

03
Ago21

... c´a passarada... m´entendo eu!!!...

sherpas

Com a passarada... m´entendo eu,

culpas no cartório, tempos d´infância,

reconheço...

bons exemplos de quem mos deu,

meu cãozito que já morreu,

amigos, a quem agradeço,

arrentela 007

não se aprende, vive-se intensamente,

mesmo à nossa frente,

aqui perto, aqui ao lado, modificamos,

fazemo-nos melhores, bem formados,

basta estarmos atentos junto dos mais informados,

bons de coração... abrangentes, na aceitação

do gato, da passarada, dum cão,

 

o meu fiel, em casa, na rua... era mais um,

tratado como igual, nos passeava, divertia,

fazia companhia,

trocava impressões comigo,

chorava pela minha mulher, verdadeiro amigo,

 

curta vida, verdadeiro funeral quando se finou,

deixou rasto, fez-nos mais humanos,

curou-nos de feridas antigas,

abriu-nos os olhos, enterrou tantos danos...

 

só depois de idosos, experiência fala... nos apercebemos,

quão racionais são os companheiros de viagem,

os que nos acompanham e os que não,

domésticos e selvagens, tristes nomenclaturas

para tais criaturas,

 

são como são, não os merecemos

pelos maus tratos, pela diversão, alimentação,

pedido de perdão,

respeito, admiração, gratidão,

 

lembro, a cada momento, imagem clássica,

velhote num banco de jardim... dando comida a pombos e pardais,

outros que tais,

arrependimento no final do trajecto,

maior o afecto,

 

recordo e parabenizo, todos os dias, quando passo, caminhando, na minha rotina,

humanos que alimentam gatos, cães de rua, aves diversas,

algo me engrandece, afaga,

penso comigo... nem tudo está perdido!!!... Sherpas!!!...

01
Ago21

... as árvores... também falam!!!...

sherpas

Estive para o cortar, quando o vi,

ramito de oliveira tão bonito...

com flores, desponte de azeitona verde,

formosa, prometedora,

reconsiderei, sorri,

fiz-lhe uma carícia, apenas, apreciei...

DSC06050.JPG

não sei, não sei... não sei,

ligeira brisa que se levanta,

marulhar de tantas folhas, tantos ramos,

estranhei,

parei, incrédulo, pensei... aplausos???...

 

agradecimento dum corpo inerte,

embora vivo...

 

não sou para fantasias, mui real, tão concreto,

sonho momentâneo, calmaria de Verão,

consequência de calor que sentia,

as coisas... são como são,

 

mente que brota, que verte...

palavreado que me caracteriza,

por vezes, inferniza,

 

de supetão, revoada de pintassilgos, testemunhos

chilreantes coloridos,

quatro, dos muitos, enamorados certamente, unos,

pousaram numa encruzilhada da oliveira, espécie de forquilha,

entrecruzamento de ramos,

voaram em direcção ao solo, apanharam ramos secos,

voando rente,

 

assentaram naquele sítio,

alicerces de futuro lar... aninharam,

 

sonho, estória d´encantar,

rendido perante tantas demonstrações,

nem conversa, nem um pio,

melodia celestial...

 

constatei o que... já pensava,

quando m´introvertia, refugiava na teia dos meus pensamentos,

imaginação fértil, disparatada, coisitas minhas,

somenos,

 

quanta quentura, dia bravo, inusitada para a época,

 

“eureka “como dizia o outro,

sombra ofertada pela minha amiga,

grato, compreendi,

reciprocidade... pura verdade,

 

tal como o canto dos pintassilgos,

saltitantes, bem vivos...

 

então pensei... TAMBÉM, naquele líquido verde amarelado,

doirado e saboroso que

uso,

no tempero dos meus alimentos,

porque GOSTO, até ABUSO!!!... Sherpas!!!...

30
Jul21

... intimidades!!!...

sherpas

... com medo, mui afastado destas práticas,

por circunstâncias diversas,

mais conversas, mais conversas, impenitente, defeito meu,

proceder que me foi cravado, me moldou, me fez como sou,

dádivas...

praga2 014.jpg

nem diferente, nem igual,

como tantos,

buscando justificação para tudo que me rodeia,

íntimo que não me deixa sossegado.

contacto, contacto...

 

abordo pessoas, as mais diversas, com que me cruzo,

avento palavreado de ocasião, mantendo distancionamento,

disfarçado, evitando transmissão dum inimigo invisível,

tão tangível, tão feroz, incontido,

sombra maléfica que paira, nos persegue, mata,

sofrido,

tão frágil me sinto, induzo, curta pausa, triste momento,

intimamente pergunto...

 

pela idade, vivências várias,

actividade que realizei, enquanto no activo,

pela vida que foi deslizando, endurecendo, castigando,

 

num ápice, ainda vivo,

quanta recordação, quanta recordação...

da alma, do coração,

 

intimamente pergunto,

com distancionamento, disfarçado, já vacinado

contra coisa ruim que nos afecta,

nos reduz, nos alerta,

falo por mim... coisinha de nada, neste MUNDO,

insignificância,

 

intimidade que me devora, lamento profundo,

tristeza que me avassala, se instala, preocupa,

desocupa, esvazia,

decepa qualquer chispa de alegria,

 

estamos doentes, nossa CASA entrou em GUERRA connosco,

cataclismos, variações,

razões, razões,

pobres corações dos desvalidos, dos que não contam,

medo, intolerância, prepotência,

GANÂNCIA... Sherpas!!!... 

 

 

 

07
Jun21

... há mais cores... no arco-íris!!!...

sherpas
enxergamos… coloridos mais densos!!!...

 

GENEVE 571

 

… quando enlaçados, bem juntos, comunhão intensa, dois corpos se unem, partilhando quereres perfeitos,

esvoaçando por céus, fazendo dos sonhos, meus,

imaginando outras cores, nos entregamos à voragem da paixão que nos consome,

deixando de ser homem,

no corpo duma mulher, nos braços que recebe desejos que são teus,

 

uníssonos, em amálgama, clímax se produz... no recesso duma cama,

objecto que se inflama,

lençóis que nos cobrem maravilhas que vemos, momentos que temos,

amor que se partilha,

 

no meio de tantos caminhos, carícias afagos, beijos, incontáveis torvelinhos, montes de encantamento,

graal, cálice santo, receptáculo... vale da criação, sem obstáculo,

 

eterno feminino, adoração, menir gigante, exaltação,

erectus penetrante...

entoação de encanto, um hino, rendidos, lado a lado, prostração,

 profunda adoração, cores que modificam, se esvaem, intensificam,

alucinação...

{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile} 

confusa viagem, magia que transforma, sede que inebria,

noite que se faz dia,

acalmia, tão grande fome recebendo toque divino, formando união de facto,

 conjugação dum acto...

que nos seduz, reluz, nos conduz num arco-íris em coche feito de prata,

enxergamos coloridos mais densos,

tons de profunda luxúria, apensos...

{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.smile} 

no gozo, na formosura, no prazer que possuímos,

teus olhos que são meus, nos meus que Deus me deu,

quando choramos, quando rimos...

 no âmago que completa, vida que recomeça, prolongamento do que somos,

quando nos entregamos,

quando fomos...

Deuses, num vasto Olimpo, dois Mundos no infinito,

 

quase rogo, quase afirmo, naquela entrega sem enganos, cores tão lindas, diversas,

vários tons, tamanhos, enxergados num curto hiato por olhos que nunca viram,

quando riram,

choraram… sentiram!!!... Sherpas!!!...

04
Abr21

... enfim...

sherpas

Todos diferentes, todos iguais,

todos iguais mas, outros mais...

seres tão complexos e diversos, animais tão esquisitos no pensar,

de cores diversas e dispersos

por locais... onde têm de habitar,

grafi 030.jpg

nascidos da mesma maneira,

duma mãe que os concebeu, burguesa, operária, rameira...

frutos dum amor que morreu... dum amplexo, duma união, dum comungar, duma paixão...

ungidos, logo à nascença, pelo estigma da diferença, no berço que os acolheu,

 

de rendinhas e bordados, no colo que os recolheu,

vazio, o dos desgraçados, de quem nada tem para dar, de quem está nu, desamparado, aqui e em qualquer lugar...

esquecido, posto de lado, por falta de todos os meios, embora parecido com os tais...

os fartos, os que estão cheios, os diferentes, os mais iguais,

 

os que só pensam no bem estar, no que o dinheiro proporciona,

no vestir, comer e gozar... dentro e fora da sua zona,

esquecendo, quase por querer... os explorados e ignorantes,

os que se fartam de sofrer,

 

os calcados, como dantes... pelo sistema, pelos interesses...

dos que não querem abdicar, das mais valias, das benesses,

 

que não querem partilhar, com a multidão de irmãos...

tão diferentes, tão iguais,

que, estendendo suas mãos, vão morrendo, mais e mais...

 

esfomeados, escorraçados,

esquecidos ou ignorados... num Mundo materialista, dominado pelo dinheiro, matéria infecta, pouco altruísta, mal maior e primeiro,

 

mentes curtas, obtusas, sem sentimentos, confusas... dos tais seres complexos e diversos,

egoisticamente imersos em mesquinhas e vãs ganâncias,

 

matérias bem palpáveis, em doses grandes, abundâncias...

pouco valor, não duráveis... porque a vida é passageira,

 

virtualmente ilusória... tal como os bens, o dinheiro, jactâncias de curta memória,

 

tanto se dão com o primeiro, como com o último da história... neste tão grande carrossel, nesta existência imparável, neste tão veloz corcel, desta era incomparável!!!... Sherpas!!!...

30
Mar21

... analfabeto político!!!...

sherpas

... fui carneiro, fui submisso,

fui ignorante, fui omisso,

fui um infeliz analfabeto (politicamente) um

cidadão bem discreto...

DSC01987.JPG

um mancebo utilizado pela cruel situação,

por aqueles homens de estado,

muito antes da revolução...

 

sobrevivi, por acaso, da guerra colonial,

porque foi esse o meu fado, não foi o meu final...

 

acomodei-me a quase tudo, declarei o que quiseram

calei-me como um mudo,

vivi como viveram...

 

todos aqueles portugueses isolados e com medo,

na maioria das vezes...

falando só em segredo...

 

fui guerreiro (?) sem vocação,

escondido numa farda, muito antes da revolução,

cinzenta e muito parda, sem amor e sem paixão...

 

pelo que me obrigavam... sem nenhuma razão,

a odiar os que odiavam...

 

a matar os que matavam (não matei ninguém) sem escolha, sem opção...

 

em nome duma Nação, em nome dum ditador, deixei de ser um senhor...

 

... fui carne para canhão, sem um pingo de razão, muito antes da revolução!... Sherpas!!!...

 

12
Mar21

... um café... a pé!!!...

sherpas

carro arrumado na garagem ESTRELA, passo de lado, ao largo, divirjo,

quando m´oriento, dirijo

a pé... em busca dum café,

thumb_IMG_1086_1024

calcando calçada, passeio esburacado, ainda cedo, para longe do meu abrigo,

olhando tudo que passa, casa velha, degradada,

algum ruído...

 

sem graça, sem brio, lá vai, destino incerto,

não perto...

 

carro habitual, transporte, d´alguém que pode,

na penúria que se sente, na rua, pouca gente,

velha que arrasta desgraça, sacos de plástico na mão,

noutra direcção...

 

olhar entristecido, pelo tempo... envelhecido,

no chão, costas curvadas, peso q´aguenta,

ainda intenta,

lentas passadas, fazendo pela vida,

fugida...

 

no contentor ali perto, rebuscando, rapaz novo,

mal vestido... mais buracos que tecido,

leva carreta, atrelado, restos q´acumula, bem cedo,

vasculha no lixo, ainda em segredo... com medo,

e eu, em busca dum café, dando passadas largas,

a pé...

 

fazendo caminhada, passando tempo,

lamento, quando encontro, vejo,

faço estória, componho espaço, deixo vestígio... num escrito,

enquanto passo,

envergonhado, maldigo, pensando comigo...

 

dou voltas à povoação mais próxima, todas em cima umas das outras,

dormitório da capital, margem SUL, anóxina... situação anormal, mau estar que se

prolonga, vida congelada que s´alonga,

 

movimento que se não sente, ausente, café fechado,

passo ao largo...

 

continuo caminhada, passeio esburacado,

um, que outro, carro que passa...

 

por causa de um café, vou a pé, observando meio urbano conhecido,

entristecido...

alguns farrapos que foram gente, sombra que é consequência,

d´atitude de certa excelência,

 

contentor mais vazio, consumo por um fio,

busca, rebusca com um pau, olhar desvairado,

roupa com muito buraco, estômago que reclama alimento,

único pensamento... sobrevivência,

 

mais além, decrépita, tão velha, tão curvada, saco na mão, plástico que é bolsa,

que é saco, que foi compra, o tempo passa, deixa marca, miséria que se acentua,

naquela rua...

 

encontro fortuito, fuga, murmúrio, monossílabo que oiço,

estremeço...

fraco arcaboiço,

 

grande superfície já abriu, desço escadas de madeira, entro,

aprestam-se pastelarias no piso superior, ouve-se barulho de bica que sai, odor

tão quente...

ali em frente, à minha beira, quase maquinal, direccionado pela intenção,

menos mal, menos mal...

 

beberico o que m´acalenta, recomponho, pago, regresso a pé,

desfazendo passos dados,

alguns bocados...

 

trajecto d´ainda há pouco, algum encontro, minha casa, meu prédio, meu

apartamento,

entro, penso...

 

olho para o carro estacionado na garagem ESTRELA,

sento,

escrevo!!!... Sherpas!!!...

06
Mar21

... meninos e meninas... traquinas!!!...

sherpas
… como irrequietos traquinas, à volta de bolo enorme,

meninos, meninas,
travessos, teimosos, com fome,

DSC07922.JPG

de habituados que estão, esquecem o que não são,
insistem na confusão... quando pregam, não dão,
castigando a populaça, pobre povo, triste raça,

que a tudo se conforma, que paga cada vez mais,
mantendo estes pardais...
numa volta que retorna, alternados que estão, no Poder, sai-se do engano, cai-se no mesmo,
é o que estamos a ver... por vezes, não quero crer,


quando me aquieto, me convenço, me torno mais prestimoso,
augurando tempos melhores,
numa pausa que intento, neste cantinho formoso,
de crápulas, cada vez… piores!!!...

… como traquinas, como crianças, esquecem, quando prometem,
deitam, por terra, esperanças...
não aquecem, nem arrefecem,


limpam bolsos, carteiras, satisfazem seus caprichos,
vão saltando por fronteiras, em viagens de pasmar,
bem forrados, com viços... numa amálgama de bradar,


em negócios, regalias, esquecimentos, fugas,
simples toques, só magias, com sorrisos, remoques,
calcando sobre os tugas...


com impostos, agravamentos, abordando sofrimentos,
distribuindo simples lamentos,
migalhas esparsas, raras, disfarces, empolamentos,
poupando vidas… mais caras!!!...

<> ENTALADOS <?> LOL

… meninos, meninas, travessos, bem situados, forrados,
à volta de bolos espessos, beneficiados, como sempre, não têm recalques, paragem,
na loucura, na voragem,


quando avançam, vão em frente, bem pedantes, sorridentes,
satisfazendo clientes...
numa distribuição aflitiva, perante um Povo que grita,


que não aguenta mais o saque, constante, avassalador,
no meio da miséria, da dor...
bolso sem fundo, não findo, quando escrevo, não minto,
sou dos que pagam, bem sinto,


perante privilégios que gozam, quando viajam, repousam,
na doce almofada dos excelsos,
tal como dantes… perversos!!!... Sherpas!!!...

13
Dez20

... Sirocco!!!...

sherpas

... dias luminosos que, num repente, mudaram de feição,

 

ventos fortes do SUL, maré alta, muita chuva,

tudo que era perfeito,

imperfeição,

água por toda a parte, fora dos canais,

tristeza húmida que desalenta,

sala de estar, mais portentosa pela monumentalidade,

piscina aberta,

 

JSJV8867.jpg

a quatro palmos do solo,

passadeira que nos conduz, enquanto Veneza afunda,

maré que incomoda, transtorna,

agravada pelo SIROCCO,

deixa de ser um sonho,

inconveniência que modifica hábitos,

dá tiques de requinte no calçado que se apropria,

botas de borracha de cano alto,

dfino recorte, cores que cativam,

dão tom à vestimenta,

 

agasalhos que se completam, lenços à volta do pescoço,

chapéus, bonés de variados tipos, com ou sem bicos,

inventiva de quem habita,

de quem vende uma cidade que é única,

sem rodas, sem fumos, sem escapes, ruídos esparsos,

nos táxis que são barcos,

 

anoitecer menos festivo,

na linha do horizonte daquela lagoa,

cruzeiros que seguem destino,

abrindo caminho,

solene,

relampejante, nos flashes que se vão disparando,

imagens que levam,

saudades que sentem,

estando ainda,

na hora da passagem, da partida,

 

saboreando um bom vinho tinto, palitando delícias de maravilha,

encostado a balcões modernos,

mais antigos,

vozear que nos segue,

acompanha no bom trato recebido,

na saborosa gastronomia de Burano,

nas jóias de artífices em vidro,

em Murano,

saltitante de ilha para ilha, passando na dos mortos,

cemitério que é descanso,

 

pormenor que lembro nas cores vivas das casas de famílias,

no pedacito que é catedral,

fio que se estende do outro lado do grande canal,

ambulâncias que acorrem a qualquer emergência,

polícia que utiliza transportes idênticos,

devagar, com urgência,

 

divagar pedonal, estreitinhas as ruas,

esplanadas nos “campos”

barulheira nas tratorias,

visual tão igual, na simpatia, na pujança,

no recebimento,

luxos, espaventos no palácio principal,

vista total do alto da torre,

violinos, pianos que tocam,

emudecem,

pela maré, pelo SIROCCO,

a quatro palmos do solo,

 

desalento momentâneo na velha senhora que continua

tão bela, tão única,

que se afunda,

não afunda,

se canta,

encanta, guarda num canto do pensamento,

dias de chuva, de vento,

dias de sol que valorizam ainda mais tanto esplendor... Sherpas!!!...

 

12
Dez20

... a cunha!!!...

sherpas
... ao fim de dois anos complicados, marcando passo e fazendo continência a gente desconhecida, espécie de cumprimento, perfilado e submisso, simples número com uma diagonal nos ombros, mais tarde com dois vês, confrontados com um invertido, encarnados, bem visíveis... depois da recruta e da especialidade, pura verdade!!!...

Dei recrutas a soldados, fazia o que qualquer sargento do quadro fazia, mal pago... era mais barato, com mais substância intelectual, formação académica obtida antes de ingressar naquela coisa que nunca se deu bem comigo, militar mais que forçado, indignado quase sempre!!!...

 

28062008(018).jpg

... passados dois anos ascendi a furriel miliciano, sem ser por engano... com guia de marcha adequada, enviaram-me para a Guiné, não integrado em companhia ou pelotão, muito menos em batalhão, na qualidade de individual disponível em qualquer ocasião, render quem acabasse a comissão!!!... Já contei, retomo o fio à meada... numa barcaça mista, géneros, irracionais, civis e militares, o Alfredo da Silva que navegava com costa à vista, fazendo paragens e abastecimentos por parcelas do nosso vasto território ultramarino, d´aquém e d´além mar, arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, lá chegámos ao porto de Bissau, terra quente e húmida, estranha para um estranho que chegava com malas e... uma missão (???...) imposta!!!... Alguém reparou em mim, me encaminhou para a traseira dum camião militar que se dirigia para o Q.G. Onde teria de me apresentar!!!...

{#emotions_dlg.smile}{#emotions_dlg.confused}{#emotions_dlg.smile}

... arranjei instalação adequada num barracão onde dormia, como companheiros de quarto, imensa caserna, mais umas dezenas alargadas... em camas cobertas por mosquiteiros!!!... Começou a minha comissão de serviço, sem viço, sem graça, continuidade daquela complicação onde me tinham metido desde os vinte, já cumpridos e com mais dois, esperando por outros dois naquele “Paraíso”... pena a que me tinham condenado!!!...

 

... não vou descrever mais, só sei que... perdida e sempre recordada num bolso da fardamenta, levava uma cartinha de recomendação dum Primeiro Sargento, amigo do meu pai, para outro amigo, colega dele em serviço naquela província ultramarina, espécie de cunha apropriada, descanso dos meus progenitores, encosto, influência que talvez surtisse algum efeito!!!...

 

... os primeiros dias foram longos, difíceis de passar, aos caídos e sem funções, aguardando ordens, à disposição de quem necessitasse dos meus serviços, rendição individual, claro!!!... Via passar os outros, encostava-me a uma coluna de cimento frente à sala de sargentos, olhava para os jagudis em cima dos mangueiros, respirava aquele ar denso e húmido, quente e abafado, matava um que outro mosquito mais sedento do que tinha nas veias, sangue fresco da metrópole, coisa boa, apreciava os naturais nas suas vestes miseráveis, os seios das mulheres que não tinham vergonha do que tinham, mostravam sem pudor, por carências de toda a ordem, hábitos antigos, as lavadeiras que vinham buscar a roupa aos militares, todos os dias, à mesma hora, camisa ensopada de suor, algum frescor nas pernas que trazia ao léu, calções militares, meias verdes e sapatos adequados com boina castanha na cabeça... uma lindeza que ainda recordo quando aprecio fotografias passadas, bem mais novo e sujeito a todas estas travessuras que me impunham, quando dispunham!!!...

 

... numa dessas tardes de “fare niente” sem ocupação, deambulando por ali, olhando com enfado o ambiente estranho em que me encontrava, bebendo uma Cuca, cervejola da altura, emborcando um uísque baratinho com soda, coisa fina e na moda, falando com quem encontrava a jeito... ainda perdido e confuso, apalpei o bolso da camisa e afaguei a minha “cartinha de recomendação” alívio dos pais amados que tinha deixado para trás, descanso deles, ilusão que mantinham, quando ma entregaram, alguma esperança minha... sempre seria um “empurrãozinho” por parte do amigo do amigo do meu criador, parte dele que fui, que era, que continuava sendo em terras africanas, dor de alma, afastamento, quanta saudade já sentia!!!... Pensei nela, interroguei-me sobre o destino a dar-lhe!!!... Sempre tive algum receio de contar com os outros para resolver a minha vida, nunca fui favorável a “cunhas”, sentia e sinto alguma repugnância por esses actos mas... como dádiva e empenho dos meus pais, sossego dos mesmos, sentia um certo impulso em resolver o assunto, encaminhar a recomendação para o sítio certo, resultasse ou não resultasse, encargo que tinha, obrigação moral que me viria a beneficiar ou não!!!...

 

... assim me encontrava, num daqueles dias custosos de passar, encostado a uma coluna de pedra e cal, mesmo em frente à sala de sargentos, congeminando comigo próprio... nesta e noutras situações que se me deparavam nos primeiros dias de Guiné, ainda sem colocação, sujeito à rendição individual em que me encontrava, às ordens da CCS do QG, um desconhecido no meio de imensos desconhecidos, fardado ainda por cima, sem vontade própria, às ordens dos ombros que pesavam mais, batendo a “pala”, perfilando-me, ouvindo o “nosso Furriel” displicente e arrogante de quem o pronunciava com desdém, sargentos “lateiros” ou acima deles, profissionais das guerras, carreiristas fardados, governo deles que não meus!!!...

 

... coincidência ou não, repente que tive... espécie de intuição quando a tirei do bolso e me encaminhei para junto dum primeiro sargento que se encontrava por ali, encostado como eu a outra coluna do alpendre, gordo e farto, palitando os dentes, meio ensonado, petrificado pela modorra do início de tarde, grasnar dos jagudis no cimo dos mangueiros, alguns passantes, indígenas e militares, camisas ensopadas pelo suor, picadas de mosquitos como norma, lugar comum, hábito que ainda estranhava quando os esborrachava com uma palmada repentina, batendo a continência, pedindo licença para quem, do alto da sua posição, graduação mais elevada, mal se mexeu, entreabriu os olhos e... permitiu, perguntando-me o que pretendia!!!...

 

 

... disse-lhe o que se passava, o que me atormentava, a recomendação que levava para um primeiro sargento, de que não me recordo o nome, por parte dum amigo comum que mencionei!!!... Foi como um toque de varinha mágica, personalizou-se, com mais agrado apresentou-se como sendo o endereçado, pediu-me a carta, abriu-a, leu-a com atenção, perguntou-me pelo amigo, dobrou-a com muito cuidado, meteu-a no bolso da camisa e... disparou:

 

... olhe, meu amigo... em terra de cegos, quem tem um olho é rei!!!... Virou-me a costas!!!... Quedei embasbacado!!!... Mais tarde verifiquei que me tinha dado a melhor ajuda que me poderia dar, fez-me abrir os olhos, ver que a vida não era pêra doce, que tinha que me desenrascar por mim próprio!!!... Daí para diante foi o que fiz, arranjei colocação, ascendi no lugar, no respeito que tinham por mim, impus-me... aos poucos e, mais tarde, tive oportunidade de pagar o “favor” a esse senhor, quase da mesma maneira ou pior, sem intuito de vingança, cumprindo o dito à letra!!!...

 

... decerto se lembrou que... em terra de cegos, quem tem um olho é rei, posição inversa da primeira, necessitando de encosto e eu, cantando de galo!!!... Cá se fazem, cá se pagam!!!... Enfim!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... a esmola que se dá!!!...

sherpas

… esmola que se dá, caridade que se pratica, um gesto, uma dádiva, um acerto,

ajuda voluntária, um bem com que se fica,

satisfação enorme, um ensejo...

DSC03127

quando se reparte, por quem precisa,

quando se acarinha um pobre, um velho, se dá comida, abrigo a desvalido,

se afaga uma criança, se proporciona sorriso...

 

naquele instante, no momento preciso, em qualquer altura, situação,

ao longo dum ano sofrido, constrangido,

carente a tempo inteiro, mendigo...

 

sofredor, com dor, com medo, diminuído, deitado fora, esquecido… objecto provocado,

não raro, aumentado, exagerado,

réstias duma carreira de sucesso, em tempos de… retrocesso!!!...

 

os pobres abundam, excedem previsões,

que macabras sensações… alucinações!!!...

 

 crises que duram, perduram, estudos que fazem, desfazem, rentabilidades, negras verdades,

visão dum Mundo imperfeito, rarefeito,

abrangente, globalizado, insensível, com defeito...

 

produtor frenético, desfasado, com tantos postos de lado,

pobres, doentes, carentes, abandonados...

lembrados, por instantes, nesta quadra, a que se adapta, enquadra,

a mais adequada,

 

satisfazendo necessidades, afectos, dos que os criam, os fomentam, os excluem,

os deitam abaixo, os diminuem,

praticando a caridade, dando esmola, ficando bem com a religião, a do perdão,

quanta ilusão… quando dão!!!...

 

… filhos sem pais, crianças desvalidas,

sorrisos, afagos, brinquedos… vidas!!!...

 

 praticando a caridade, os que erraram, dando aos que tiram, abandonaram,

aos que fizeram tristes, fizeram pobres,

quando desenvolves, quando resolves...

 

quando cresces em haveres, com muitos teres, à custa de tantos seres,

em harmonia, com cânticos, hossanas,

hipocrisia, quantos enganos… quantas manhas!!!... Sherpas!!!...

20
Nov20

... flor orvalhada!!!...

sherpas

… flor orvalhada, da madrugada, pétalas de seda, carne viva, brilhantes,

promessa de beijos, benfazejos...

carícias que sentes, amada, tão radiosa, bela, formosa,

volúpia, dor, contrastantes, campo bem seco, desejos,

GENEVE 193

chuva que nega, água que rega, sol que queima, sombra bendita,

noite que cai, manto que cobre...

algum frescor, orvalho que chega, algum fulgor, ardor que sofre,

 

abrir a sorrir, pétala cheirosa, doce porvir, o que se almeja,

na madrugada… flor orvalhada!!!...

 

flor que se nota, que inebria, que envolve,

de pouca monta, quando se não solta, quando, bem seca, se devolve,

se fecha, se protege, se abriga, se recolhe...

 

no campo estéril, seco, agreste, se estiola, quase fenece,

por causa do tempo, por causa do Sol,

quase se não veste...

 

quando se esquece, na modorra pasmosa,

quando escondida, sendo formosa,

deixando de ser, planta ou flor, simples pontinho, na imensidão,

no campo, no centro… em solidão!!!...

 

manto da noite, frescura que dura,

gotículo pequeno, orvalho que dança, secura que passa, em formosura,

pétala risonha, seda perfeita, bem viva, vermelho garrido,

laivos de cores, diversos, distintos, na manhã que se alcança,

que ostentação, que criação, pouco perdura...

 

uma força, um grito, mais que bendito,

uma chama, inebria sentidos, maravilha, encantamento,

um espaço, um tempo… doce momento!!!... Sherpas!!!...

18
Nov20

... vassalagem!!!...

sherpas

…profusão de pensamentos, ideias díspares, constantes,
bem preenchidos, os momentos,
nos locais, nos instantes,

DSC07773

mais controversos… diferentes,
destes seres, destes mutantes,
senhores de tantas gentes,


do Universo, do Mundo inteiro, das criaturas inocentes,
das vespas dum vespeiro,


dos rochedos altos… disformes,
das flores dos canteiros, das plantas que dão os comes,
das manadas de carneiros, dos bichos ferozes das selvas,
dos bois, das vacas, dos bezerros, das plantas daninhas, das relvas!!!...


…dos que são menos que senhores, dos indigentes, nas trevas,
dos estúpidos, dos estupores,
dos que pouco pensam, das levas,


dos recrutados, das multidões, dos rebanhos, das presas,
dos que se enganam… aos montões,
da irracionalidade, sem defesas,


da matéria dura… pura, dos que não se sentam nas mesas,
dos que, a vida, descura e põe na triste vassalagem,
como um escravo, simples pagem,
dos que são assolados, por momentos, sempre, em qualquer altura!!!...


…catadupas de pensamentos, numa ideia suja impura,
que faz vergar os joelhos,
nas pernas, nos artelhos,


aos fracos, aos indefesos, a toda, qualquer criatura,
feita de matéria dura e… pura!!!... Sherpas!!!...

 

17
Nov20

... claro que a vida!!!...

sherpas

… claro que a vida, não tem sentido, é uma inversão… do real,

muito mais, quando se poetiza,

se pensa, deixando ir o pensamento, para qualquer lugar,

13102008(022).jpg

fazendo comparações, sem igual,buscando a alma, essa incógnita,

procurando resposta, descortinando o que se nos esconde,

vislumbrando, ao longe...

 

um raio de luz, uma esperança, lobrigando mil punhais,

assestados, contra os mais...

por dignos, provectos, superiores intelectos,

 

poliglotas de pouca monta, encostados a abstracções,

a irrealismos, sem sentido, numa descoordenação, coordenada,

tal como pintura pintada, fazendo tudo... sem nada!!!...

 

… não deito fora, aprecio, dou valor a quem o tem,

muitas vezes, não me fio, dos que, mansamente, me batem à porta,

abro, pouco me importa,

 

seja quem seja, seja quem (???...) na inocência que me caracteriza,

humanidade pródiga, concreta,

de quem viveu muita vida, de passagem, de fugida,

por enquanto, conseguida!!!...

 

não gosto que me dissequem, que me extirpem, me analisem,

ser cobaia, vítima laboratorial, sob olhares conspícuos,

arrogantes, de tratantes… avessos, profícuos,

 

carregados de raivas, de ódios, de mal, por interesses inconfessáveis, perversos,

inversos...

nada abonatórios, falatórios, conversas ocas, vazias,

manias,

 

experiências, com poucas ciências, menos valências,

dos que buscam nos outros, o que lhes falta,

com gula, com muita lata...

 

num desregramento aberrante, excessos de literatura… a pura,

pesporrente, contraditória,

sem inventiva, sem história!!!...

 

na busca do infinito, sendo finitos, procurando espaços, horizontes,

outras fontes...

calados, introvertidos, usando outros caminhos, teoremas,

diversos e raros esquemas,

 

estratégias labirínticas, disformes ou conformes,

apocalípticas, quanto a tamanho… enormes,

falando, sem nada dizer,

podem crer,

 

com dialectos, com idiomas, parafernália simbolística,

um calhar… casuística!!!... Sherpas!!!...

10
Nov20

... num dia mundial da... poesia!!!... (antiga)

sherpas

… dia mundial da poesia, parece impossível, sem poética,

numa universalidade famélica...

que ainda se detenham com estas coisas, com versos, com quadras, com sentires,

com sonhos, com provires,

image.jpeg

com doçuras, com amores, com azuis fortes, esbatidos,

com vermelhos berrantes e floridos...

com esperança de vidas cantadas,

 

mais equilibradas, com aves que nos cativam, quando passam, quando mostram suas cores,

com danças, com músicas,

com trajes a rigor, bem garridos, sorrisos de todos os tamanhos,

sentimentos, sem enganos!!!...

 

… com auroras de espantar, com mares imensos, prometedores, com nuvens esparsas, farrapos,

brancos, soltos, dispersos...

no meio de muitas rimas, pessoas que sonham, que arrumam palavras, que as colocam nos devidos lugares,

famílias felizes, nos lares,

 

flores que pintam a natureza, na sua grandiosidade, na sua pureza,

paz que se acalenta, que aumenta, abraços de coração,

lágrimas no canto dos olhos, emoção...

 

tudo quanto se intenta, poeticamente, empilhando, por aqui, por ali, em todo o lado,

num Mundo que, bem lá no fundo, com tanta dor, com sofrimento,

não passa dum… fingimento!!!...

 

… dum dia que se lhe quer dar, pobre dádiva que se não sente,

quando se oferece, se dedica,

quando se predica,

 

num conflito permanente, entregue a poucas gentes,

práticas, bélicas...

com defeitos, sem cor, sem sonho, provocando criaturas famélicas,

 

corpos nus, mortos... destroçados, tortos,

num dia de Primavera envergonhada, que se não mostra, que se esconde!!!...

 

… pobre poesia mascarada, coitada da árvore que se festeja,

que se queima, se abate, que se planta nesse dia,

como preito, com alegria,

 

dando exemplo desconcertante, num gesto hipócrita, pueril,

como quem disfarça… numa graça, que passa, que esquece,

num dia que arrefece,

 

perante a dor, a desgraça, perante o ódio, o horror,

fazendo face ao pavor,

numa poesia que não é,

deixa de ser… até!!!... Sherpas!!!...

 

08
Nov20

... pairando entre o real e o absurdo!!!...

sherpas

… pairando num vasto absurdo,

10082008(054).jpg

qual pássaro encantado em voo que realiza,

olhando tudo,
maravilhado,
confuso,
cores relaxantes nos tons que produzem,
inebriantes,
coloridas,

são recantos, são vidas,

tudo o que, em mim, se concretiza, se amalgama, se reduz,
engrandecido naquilo que produz,
amor, paz que reluz...

na suplica duma mão carente,
dedos trémulos, mendicantes... acariciando colos doutra gente,

ausentes,

pesadelo momentâneo... imagens vagas,

aparentes,

inflectindo o gesto,
espontâneo,
de tão presto,
maquinal… extemporâneo!!!... Sherpas!!!...
 
08
Nov20

... retrógrados e modernaços!!!... (antiga)

sherpas

… retrógrados e modernaços, difícil fazer a destrinça nos tempos que correm, dados os bons exemplos que temos, a actuação positiva (… deixa-me rir!!!...) dos políticos vigentes, a nível mundial, um descaro, uma vergonha, políticas de guerras e conflitos, como nos tempos da barbárie, a mais abjecta, completa… pelos maus resultados humanitários, é evidente, quando nos escandalizamos com as imagens que nos assolam, que nos perseguem, que não nos consolam, que provocam pesadelos de medo, de horror, de pavor!!!... Globalização mercantilista, economicista, elevação ao cume mais elevado do dinheiro e seus mentores, tendo o petróleo como base sustentatória, triste estória, poluente, cruenta e cruel, colocando ao mais baixo nível a pessoa, como indivíduo, como Deus na Terra, feito à sua imagem e semelhança, quando botam palavreado, quando botam discurso, quando fazem políticas modernaças, simples chalaças!!!...

06072008(056).jpg

… falhas imensas no âmbito europeu, um descalabro, um desvario, um alinhavar de coisas mal cozinhadas, uma solidariedade de mentira, um desequilíbrio profundo, entre parceiros… os dos dinheiros e os tesos, líderes de brincar mantendo posições, botando chavões, querendo mostrar cara séria, quando entrevistados, coitados, espremidinhos… não valem a ponta dum caracol!!!... Os modernaços, seguidores do campeão das gaffes, bridges assumidas, conseguidas à base da lambarice, até agora, pelos vistos, pelo que me é dado observar, como pouca coisa que sou… não provaram nada!!!... São assim!!!...


… quanto aos caseiros, domésticos, internos, os nossos bem amados e adulados dirigentes, no amplo leque que nos apresentam, liberais, novos ou antigos, direitistas dos sete costados, saudosistas ou não… com renovação pelo meio, esquerdistas de brincar, fazendo jeito, praticando artes bem diferentes, quando governo, esquerdistas mais clássicos, retrógrados, como lhes chamam… quem os teme, de esquerdas mais finas, de caviar, sem freio na língua, delatando situações de privilégio, benesses, mordomias e interesses dos profissionais alternativos, invictos e convencidos das suas práticas, bem forrados, pelos vistos, nem vale a pena falar… tanto o tenho feito, por amor de quem gosto, efectivamente, do Povo a quem me honro de pertencer, não os tenho em boa estima, não os coloco num altar, não os idolatro, não os renego, não os bajulo, critico-os quando vejo que há razão para isso!!!...

… modernaços e retrógrados, triste dilema de quem não pensa por si, de quem tenta levar a água ao seu moinho, de quem se julga maior e diferente, no meio de tanta gente!!!... Ainda me recordo da Moderna, dos modernos, doutras modernices bem actuais… não me consigo esquecer, embora tente!!!... Por vezes comparo modernices de agora, com essas, as ditas… as que fizeram gastar montes de tinta, as que se quedaram em águas de bacalhau e fico triste!!!... Se se recuasse um pouco mais, ou se se adiantasse… quiçá o desenrolar dessas situações, como de outras, afinal, dessem o que todos esperavam que dessem!!!... Mas, não!!!...

… até, nas autarquias, com estas modernices de agora, tão longe dos tempos recuados, não retrógrados, sérios de verdade, dignos de corpo inteiro, se admitem candidaturas de arguidos… a lugares autárquicos que, até aposto, conseguirão ganhar, como se nada!!!... E, espanto meu, sem retrógrados, no que respeita a idades… em tempo de Presidenciais, cairíamos numa pasmaceira, sem eira, nem beira!!!... Valham-nos os velhotes!!!... Os modernaços adulteraram éticas, dignidades, valores, exemplos, pendores… promiscuiram-se, de tal modo, que deram em corrupção avultada, por tudo quanto é sítio!!!... Estamos mal e… vamos de mal a pior!!!... Modernaços e retrógrados… que embaraço e embaraçoso, valha-me Deus!!!...

… entre retrógrados, com PREC do passado, com fugas para o Brasil, com debandada de dinheiros e… modernaços, corruptos criativos, como lhes chamam, quando os proclamam, destrutivos e invictos, apreciadores de Ferraris e Jaguares, de vivendas espampanantes, de bons hotéis, resorts de luxo, com greens e pancadinhas nas bolinhas, de viagens inacabadas, constantes, mediante dinheiros de todos, fortunas de momento, de espavento, considerados, por eles próprios, como os donos dos anéis (… que palermice!!!...) não sei bem qual a diferença!!!... Um gatuno, tipo que se apropria do que lhe não pertence, fino ou mais vulgar, não deixa de ser o que é… quando desonesto, é evidente!!!... É a destrinça que faço, numa igualdade tremenda, quase ao milímetro, por certo, depois de me pôr a pensar!!!... Conjecturas minhas, claro!!!... Sherpas!!!...
 
04
Nov20

... arroubos poéticos!!!...

sherpas

… arroubos poéticos, êxtases, enlevação, enlevo,

liberdades que se permite, quando critica patéticos,

quando se diminui, se admite,

se procura, quando insiste,

GENEVE 571

quando tira ou… dá relevo, quando se considera o mesmo,

quando não finge, restringe,

se julga pouca coisa, quando se avalia a esmo,

sem ser um fingidor,

provocando mágoa, dor,

 

quando berra, feito blasfemo,

inconformado, deslocado,

quando descreve pássaro que poisa,

flor de cores belas, vivas,

quando fala de ódios, de amor, quando se sente apartado,

 

num cantinho, redutor, escondido, temeroso, com pavor,

perante as maleitas do Mundo, que não compreende, que detesta,

com pensar tão profundo, que o agasta, arresta,

que enfrenta… que contesta!!!...

 

… pobre poeta, coitado, não está bem em nenhum lado,

deslocado, imbecilizado,

quase posto de lado,

da verdade, fez seu lema, doença de que enferma,

quando sincero a valer, quantos não faz sofrer,

sofredor, não fingidor,

com o sofrimento dos outros, seja lá onde for,

 

universal, abrangente,

quanto lhe passa na mente,

nos instantes, nos encontros, fugazes, bem repentinos,

com pensares… com desatinos!!!...

 

… sinceridade, punhal que trespassa, que arrasa, que fere, que mata,

quando se aventa, quando traça,

marca que queda, ferida, tão sentida, tão profunda,

que não altera, que não muda,

 

hipocrisia que abunda, falsidade que enxameia,

dos que vegetam, insanos,

que não atalha, alteia,

avoluma a fantasia, cruel, oca, vazia,

redundante, prepotente… alegoria!!!... Sherpas!!!...

 

03
Nov20

... emudeces!!!...

sherpas

... por paragens impensáveis, lonjuras que confundem,

paroxismos inenarráveis no íntimo de cada um,

crueldade que se não dimensiona,

agiganta, impressiona...

berlim 140.jpg

quando se conjunta, une, esgarro que não aninha,

temor que desalinha...

 

forças maléficas que não suportas, tanto aguentas,

emudeces perante...

soltas torrentes incontáveis, formas lágrimas de pesar,

oceanos de horizonte púrpura sob sol incandescente,

temor vulgar de inocente, cáustico que se castiga,

carrega assombração terrífica,

 

oh Deuses que estais ausentes, tão impotente te sentes,

sofreres, falsas partidas, te quedaras num sentido,

cerrado em pútrido casulo...

vontade amorfa, nascituro indefinido,

gota rosada sem face, rolando em parte incerta,

criatura que não desperta,

 

seres que profanizam templos que derramam chamas ácridas que incendeiam,

despautérios que te reduzem,

lágrimas que soltas em silêncio, teus penares,

desperfeitos...

 

oceanos de águas fundas, longos sofreres, antes não foras parido,

intenção... num desvario,

cenas ocultas,

desafio!!!... Sherpas!!!...

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2005
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2004
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub