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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

08
Abr04

...açorda...à alentejana!!!...

sherpas

Açorda, almoço do pobre,

sopa de pão... sopa de fome,

DSC01668

açorda colorida, cheirosa,  magra,

sofrida,

com um pouquinho de nada...

com um pouquinho de tudo,

 

com sabor,  sem entrada,

num prato raso... sem fundo,

uns restos de côdea dura,  num alguidar de barro,

 

um azeite de cor escura, água do cântaro de barro,

um alhinho de tempero...

sal pouco,  com esmero,

 

um poejo, para dar cheiro,

bem quente,  a ferver,

que... faz soprar,  passar tempo,  a essa gente que, no sofrer,

se cura, a todo o momento,  com cantigas lânguidas,  chorosas,

sofridas,

 

nas fainas duras, custosas,  mal pagas pelos patrões,

donos de terras rendosas,  com empregados... aos montões,

 

com mesas amplas, fartas, com barrigas grandes,

gordas,

esquecidos das pessoas magras,  pobres e esfomeadas,

indiferentes a todas as... açordas!!!... …Sherpas!!!...

 

08
Abr04

...a grande...farra!!!...

sherpas

A grande farra, é verdade, “la grand bouffe” como dizem os franceses... é ao que estamos assistindo, vai para trinta anos, todos nós, os portugueses normais, os cidadãos anónimos, os que pagam sempre, os que não têm nem nunca tiveram qualidade de vida, na saúde, na educação, na segurança, na infância e na velhice... impávidos e serenos vamos assistindo, porque disso se trata, à bela vida, “La belle vie” dos que, mediante artimanhas bolsistas e golpes menos claros, se alcandoraram a posições cimeiras, no aspecto económico, claro está, porque a maior parte das vezes são os que mais males possuem a nível saúde porque os fartanços nunca fizeram bem a ninguém e, com a pança cheia, morrem mais cedo mas, morrem felizes...benza-os DEUS. É uma vida santa, a vida destes senhores, os que, por acumularem muitas energias com grandes comezainas e vidas sedentárias, as têm de gastar nos ginásios da moda, nas piscinas privadas ou do clube, nas maquinetas que compraram e têm nos seus palacetes, ou a brincarem com bolinhas no golfe, no ténis e noutras brincadeiras mui similares...

DSC00263

por vezes agarram nos seus jipes de grande potência e vão até ao Alentejo participar nalguma brincadeira colectiva e tal como nas outras, dão-se taças e prémios uns aos outros e...tudo bem. Vidas santas e preenchidas que não lhes dá tempo sequer para olharem à sua volta, para as reles criaturas que, para sobreviverem têm de trabalhar no duro, utilizando a mente ou o físico, a fim de obterem algumas migalhas que porventura sobrem das enormes e desconformes mesas destas criaturas, abençoadas pela fortuna e, na maioria dos casos, muito crentes e praticantes, os tais que não passam pelo fundo duma agulha, os que têm menos sorte que qualquer elefante, pois é... há também um grande grupo desta fauna, os mais jovens, que frequentam assiduamente as festarolas do “jet” e se entretêm a deambular pelo Mundo, em grupos e viaturas próprias ou nos Jumbos, Concords ou nos TGV, saltitando de capital em capital, de continente em continente, estrapaceando o que os velhotes lhes dão, sem consciência do que fazem porque, eles, coitados, eles nasceram para isso mesmo, são compulsivos irracionais nos gastos que praticam, sem sentimentos, não humanos, outra espécie de gente, gente que não presta.

Lá vão aparecendo nas revistas da especialidade, num ou noutro programa de tipos finos, assistem a espectáculos dignos da sua condição, longe da turba, longe do vulgo, de costas viradas para o MUNDO, enfim, muito bonito mas sem sumo, como se costuma dizer... nestas suas deslocações, claro, utilizam o melhor que há, em hotéis, em restaurantes, tudo, mas tudo, de cinco estrelas para cima porque é ao que estão habituados nos seus palacetes, nas suas quintas, nos seus duplex, nos condomínios cerrados a sete cadeados, muito privados, onde fazem a sua vidinha de aviário. Outras vidas, outros mundos, redomas muito apartadas do exterior, do real, do dia a dia dos que trabalham e se conformam com algumas migalhas... destes, mediante o que observam, há muitos que ambicionam este estilo de vida e por, parasitismo ou outros meios, conseguem usufruir algo mais do que os vulgares e, como lacaios subservientes, lá se vão desenrascando...depois, ah, depois, aparecem os, como numa democracia qualquer que se preze, deslumbrados pelo PODER e, incluídos num bando político de centro ou de direita, até mesmo de esquerda, inscritos como tal, com toda a ambição a funcionar tentam alcançar o POLEIRO e...quando o alcançam, é vê-los, na aprendizagem rápida dessa boa vida, da BELLE VIE, misturados na grande farra, la grand bouffe, em comezainas de fartar, bem arreados, muito bem instalados, transportados com todas as porras em carrinhos de topo, último modelo, utilizando os palacetes públicos como excelências que passaram a ser, gastando à tripa forra porque o que gastam não é deles e...é como o outro, habituados como ficam a tratar só com milhões e milhões, a lidar com a gentinha de berço, os tais imprestáveis que, quando nasceram já o eram, tal como a pescada, a praticarem o ténis, o golfe, a fazerem umas piscinas, a frequentarem os ginásios de clubes muito privados, os tais, a serem assediados por tudo quanto é meio de comunicação, sempre em viagens de representação nacional em proveito pessoal, claro, depressa, mesmo muito depressa se esquecem do que prometeram antes de serem eleitos e...

tratam a ralé com um certo distanciamento, com arrogância até, para não dizer com desprezo...enfim, entram na grande farra, de esquerdas, de centros ou de direitas porque se vão substituindo sistematicamente, a eles e aos seus clientes, os boys ou os laranjas, os laranjas ou os boys, todos muito BEM de vida, misturados com o Jet porque este, embora não lhes ligue muita importância, sempre vai beneficiando, beneficiam sempre, um bocadinho ou um pedação, consoante o quadrante político e...a farra continua, continua, vai-se prolongando já vai para trinta anos e as migalhas vão caindo, poucas, pouquinhas, os miseráveis vão aumentando, Les Misérables, como nos tempos de Victor Hugo, agora, com mais tecnologia, os télélés, os que sugam e vão sugando as perras aos bacocos, tal como outros brinquedos que pesam no orçamento dos que não vivem, dos que sobrevivem, vegetam, porque não dá para mais e lá no cimo, numa redoma, no Olimpo, os endeusados, os que, pelo dinheiro, se afastaram da ralé, desta mísera gente, esquecida, enganada, vigarizada e...adulada em tempos de eleições... porca miséria esta, tristeza de vida para os que saíram duma ditadura de quarenta e tal anos para caírem numa democracia de treta que só consegue dar um bom modus vivendus aos que não precisam, aos que já o têm, aos amigos, aos clientes e a eles próprios, os eleitos, as excelências...mas que grand bouffe, mas que grande farra, mas que dolce vita a destes insensatos destes políticos que só fazem asneiras, atrás de asneiras e só dão umas migalhas ao POVO enquanto se banqueteiam à grande e à francesa...

tenho pena que estes factos sejam reais, verídicos, confirmados, agravados e não resolvidos porque, neste País, o fosso que separa os ricos dos que nada têm é cada vez maior perante a insensibilidade dos que já pertenceram à classe dos mais desfavorecidos mas que se conseguiram libertar dela...é bem verdade o provérbio que diz que nunca sirvas quem já serviu pois parece que conseguem ser ainda piores dos que estão habituados à vassalagem de geração em geração... sou dos que gostariam que os governantes tentassem puxar os de baixo para cima, os que não admitem a caridadezinha e as boas palavras, de boas intenções está o inferno cheio, dos que acreditam que o Sol quando nasce é para todos, dos que não olham só para o próprio umbigo, dos que, egoísticamente, se estão nas tintas para quem sofre, para quem não tem, contra, visceralmente, os carreiristas, os ambiciosos que não olham a meios para atingirem os seus fins, os pouco dignos, os amorais ou imorais arrogantes que se consideram diferentes ou superiores aos vulgares e normais, sou, por natureza, contra as grandes farras de alguns e as barrigas vazias da maioria e...não pertenço a nenhum bando, não tenho nenhuma bandeira, só tenho a minha consciência que tem consciência que muita COISA vai mal neste cantinho que poderia estar mais equilibrado e...não está...acabem com as farras e tentem remediar o que está mal feito, acabem com as mordomias, dêem o exemplo, sejam honestos convosco e com quem vos colocou no PODER... ...Sherpas!!!...

08
Abr04

...aos maiores!!!...

sherpas
Aos maiores


Não me quero comparar
com outros “vates” passados
que bem souberam sonhar
ao escreverem, bem narrados,
seus versos de encantar,
ajudados ou não ajudados
pelos Deuses, pelas musas,
que, nos seus tristes fados,
lhes deram forças confusas
nos sórdidos momentos,
das suas vidas obscuras,
dentro das dificuldades
lhes mostraram a verdade
do que havia de formoso
no meio da promiscuidade
do que era bem famoso,
próprio daquelas “eras”,
porcaria, ignorância
faziam militância
em quase todas as terras
deste jardim ribeirinho,
país de muitas feras
com poucos cravos, no cimo,
de todos bem comentado,
pelo que tinha de atrasado...


Eles, como tantos outros,
surgiram do lodaçal
para bem dos vindouros
de alguns antepassados
apresentaram o nosso mal
com versos tão dourados
que nos honraram bem
mostrando mais além
nossos feitos passados
por mares, não navegados,
de todos desconhecidos,
outros mundos, só sonhados,
cobiçados, enfraquecidos
depois de bem explorados...


Foram grandes na pena
férteis na imaginação
foi com garra, sanha
que deixaram, para os que estão,
obras de magia tamanha
que nos tocam o coração
pelo profundo encantamento,
pela beleza total,
que, para mim, não há igual
esse tão doce momento
quando leio, ouço recitar
poemas dum Camões, dum Bocage,
dum Pessoa ou duma Espanca,
doutros, que nos dão a imagem,
dum Paraíso, que não estanca,
antes progride, ressurge
mais novo, porque urge,
acompanhar o progresso
dum Mundo, que está pelo avesso,
que é preciso parar
para o fazer pensar, em verso!...



…Sherpas!!!...

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