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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

29
Jun05

... tão elevados que... nós somos!!!...

sherpas



… aprofundar o íntimo, ir ao âmago, ao infinito,
tentar ver mais do que nos é permitido,
perceber o incompreendido,
justificar a essência, o recôndito, o escondido,
filosofar, com palavras bonitas, de encantar,
debitar saberes, mostrar valias, habilidades,
falar… só por falar, complicar,
com termos rebuscados, mui elevados,
tão inatingíveis, tão longe de realidades,
apanágio de alguns, poucos… dotados,
de intelectos vastos, loucos e absurdos, confusos,
distanciados do vulgo, dúbias sumidades,
por vezes, com interioridades medonhas… obtusos,
no seu círculo restrito, contido, não abrangente,
simples amostras de gente,
falhos, débeis, somente,
numa redoma protectora, redutora,
guardados, não expansíveis,
diminuídos… nada críveis, incríveis!!!...

… não culpo, não aponto, desconto,
não me congratulo, não me quedo fulo,
admito, congemino, escrevo, quando conto,
como caricata, anedota episódica… que enfatizo,
não prego berro, não dou grito, nem pulo,
apelo à falta de juízo,
ao apego à exclusão, quando nos excluímos,
por palavrões filosóficos, reminiscências, grafismos,
de tão fechados, reduzidos… em clube de mortos,
logo à nascença, drásticos resultados, congelados,
de tão elevados, amorfos,
parados no tempo, singulares, estancados,
sem ponta por onde se lhes pegue,
reduzidos ao ínfimo, à essência, ao recôndito,
habilidade de alguns, nenhures,
por aqui, por ali… algures!!!...

… sempre assim foi, continuará sendo,
vínculo de transmissão, ligação, entendimento,
desde os desenhos cavernículas, símbolos diversos,
cuneiformes fenícios, hieróglifos egípcios,
formas várias de expressão escrita,
concretização da fala, através de símbolos, bonecos,
entre outros artifícios,
evolução, maravilha mais que bendita,
abrangente, não excelsa,
aberta, não restrita,
forma plural, globalizante, grandiosa,
redutora, nunca,
escrever para que nos leiam, para que nos entendam,
mesmo quando se aprofunda,
quantos filósofos consagrados, já no fim, acabados,
olhando o seu próprio percurso, concluíram
que, sabendo quase tudo,
para mal dos seus pecados,
à hora da partida, reconheceram… não saber nada,
legaram-nos conhecimentos, filosofias e… sumiram,
congeminando, aprofundando,
quiçá, pensando!!!...


… verdadeiro crânio, dotado,
depois de ter descoberto, o que descobriu,
logo após a devassa, concluiu,
seu espanto, seu temor… pavor,
quando, escandalizado, amedrontado,
enfrentando o Mundo, sorriu,
dando a língua, simplesmente,
como saliva, como passagem,
dum, dos muitos selos, das imensas cartas,
como remetente,
enviadas a um Presidente,
missiva, mensagem urgente,
perante o monstro desatado,
devastador, quando não controlado,
pobre cientista abismado,
infeliz achado… pouco ou nada cuidado!!!... Sherpas!!!...


28
Jun05

... em baixo... cabisbaixo!!!...

sherpas



… estou na fossa, em baixo,
como pretendam, como entendam,
cabisbaixo,
é bom que compreendam,
pouco me importa,
nas tintas, revirado do avesso,
confesso,
sem paciência, de cara torta,
por inconveniências, excrescências,
biltres aviltantes,
minudências,
algo pesporrentes, extravagantes,
sem crédito algum,
de somenos valia,
comezinhos,
todos juntos… não valem um,
tão pouco valor, nenhuma simpatia,
bacocos, tropeços… reles escaninhos!!!...

… não é meu jeito,
não possuo tal defeito,
creio que não me estou… ultrapassando,
quando me aquieto, pensando,
sem jeito,
abismado e inquieto,
não travesso, como gosto,
mais parado, contrafeito,
sentindo-me maldisposto,
por uma simples banalidade,
diga-se de verdade,
nestas atitudes, nestes dizeres,
nestas posturas… nestes escreveres,
falsas confirmações, aversões,
da dualidade que em mim existe,
que persiste,
que teima, como tormento,
que me persegue, que me segue,
como maldição, não afirmação,
sombra de quem segue
um destino… uma ilusão,
uma sociedade a esmo, incólume,
com toda a gente, sem fome,
risonha, sorridente,
na esperança, uma ambição que se sente,
um objectivo… bem activo,
persuasivo!!!...

… quanta razão,
quanta justificação,
para a fossa em que me sinto,
podem crer, não minto,
quanto desgosto,
quando me ponho maldisposto,
quanto sofrimento,
no momento,
cabisbaixo e tristonho,
quando assim me ponho,
quando deixo de ser, como sou,
alguém que acabou,
que se sente revirado do avesso,
tão contrário, quando comparo e penso,
sobre gentes e vidas,
calcadas, ultrajadas, mal digeridas,
depois de comidas,
vilmente enganadas, claro,
sem antropofagia, é evidente,
numa de tramas e manhas,
não é raro,
é norma, em tanta gente,
a das mentiras… tamanhas!!!... Sherpas!!!...
26
Jun05

... para Mona Lisa... com amor!!!...

sherpas

… há uns anitos, não muitos,

tive oportunidade de o enfrentar,

àquele sorriso enigmático,

àqueles fluidos que dele brotam,

nos prendem, fazem pensar,

no local indicado,

no sítio certo,

cópia ou original, não sei,

 

tanto se escreve,

tão enormes,

para seu mal,

os desejos, os quereres,

a verve,

nem de longe,

nem de perto,

justificadores duma obra,

tão colossal,

que se arrasta no tempo,

que engrandece,

mais pertinente, afinal!!!... …

 

nesta pequena pintura,

misteriosa,

guardada com cuidados máximos,

segurança criteriosa,

temperaturas adequadas,

num salão enorme,

ponto ínfimo,

confluência de gentes… paradas,

embevecidas pela enormidade,

contradição profunda,

pura verdade,

permanece sorrindo,

pequena, muda, parada,

pensativa,

congeminando,

calada,

mais precisamente, dans la salle dés Ètats,

já roubada,

vandalizada,

agora, protegida… mais que vigiada!!!... …

 

 

a obra suplantou o artista,

penso, por vezes,

sem razão alguma,

dada a universalidade da dita,

o simbolismo daquele sorriso,

que se não esfuma,

permanece,

agudiza a curiosidade,

se eterniza,

através dos séculos,

 

em suma,

mistérios, deduções,

conclusões,

sem nada de verdade,

conjectura de adoradores,

ilusões,

narrativas, quantas se não fizeram,

romances,

especulações,

histórias,

estudos que se escreveram,

simples aproximações!!!... …

 

a uma pintura, a um génio,

homem de muitas valias,

artista de várias artes,

inventor, futurólogo,

ágil no engenho,

mestre consagrado no desenho,

um louco, pelo conhecimento,

superior,

com taras e manias,

com segredos tão escusos,

não confessos,

propiciadores de… especulações,

fantasiosas confabulações,

o nosso Leonardo da Vinci,

o dos excessos,

figura mítica,

indescritível,

tal como o sorriso imperceptível,

tão doce, cúmplice mavioso,

enganador… formoso,

da Gioconda,

a Mona Lisa, roubada,

vandalizada,

restaurada e… mantida!!!... Sherpas!!!...

25
Jun05

... Tarantino!!!...

sherpas



… fui ver um filme,
sempre gostei, desde miúdo,
desde que me afirme,
vejo a contento… quase tudo,
sinto-me repleto,
mais completo, quando encontro
o que me preenche, me enche,
me satisfaz, ecléctico,
quando me apraz, de pronto,
quando… comigo mexe,
me entretém, me dá algo de novo,
novidade, na imagem, no som, nos efeitos,
no estilo, na montagem,
perfeição, quase sem defeitos,
com directores, uns primores,
intérpretes, com nomes sonantes,
da tela, consagrados, gigantes,
máximos, entre os maiores,
actrizes, actores,
bons fazedores de obras completas,
bem orientados,
já experimentados,
estetas!!!...

… vi o Tarantino,
copiador de banda desenhada,
obcecado pela violência, como arte,
tela a branco e negro,
pontuada,
com alguns amarelos, vermelhos,
rosas esbatidos,
com acerto, virtuoso no seu estilo,
tão distinto,
personagens carregadas de simbolismo,
duras, feras, reais,
urbanas, plasmadas,
desenhos de histórias aos quadradinhos,
com alguma ligação,
curtas, mas percebíveis,
bem críveis,
na crueza, na sensação,
no à vontade, com que trata a imagem,
na emoção,
na voragem,
continuidade da luta pela sobrevivência,
em qualquer selva… de betão,
a branco e preto,
sem defeito!!!...

… cidade do pecado,
o local escolhido, o nome do argumento,
do filme que fui ver,
podem crer,
não sou perverso, sanguinário,
normal, apreciador do género,
da maneira de contar uma história,
usando o imaginário,
as imagens, como quadros vivos, fortes, pouco cálidas,
insensíveis, sobre-humanas,
de traços esgalhados a cinzel,
numa matéria morta, destroçada… escória,
matriz, cruz, rosário,
com pinceladas pálidas,
sem expressão, tamanhas,
desenhadas a lápis, a pincel,
tal qual banda desenhada,
quadrinhos lhes chamam os brasileiros,
obra maior, alcançada,
dos que vi, Tarantinos… dos primeiros,
conseguido o objectivo,
bem vivo,
mexeu… comigo!!!... Sherpas!!!...

23
Jun05

... o santo das... marteladas!!!...

sherpas



… entre balões e arquinhos,
com marchas e martelos,
muito copos, muitos vinhos,
risos do pobre, é vê-los,
sem tostão, bem dispostos,
mais uma sardinha que se come,
bem… ou mal dispostos,
tudo esquecem, até a fome,
quando em alturas de S. João,
o santo popular, folgazão,
da Invicta, nobre cidade,
do Porto, o maior,
o mais folgazão, pura verdade,
da diversão, o mentor,
com porros e francezinhas,
risos abertos, numa diversão,
dias, não são dias,
curto intervalo, aversão
às questiúnculas comezinhas,
às misérias… excessos, alegrias,
tristezas postas de lado,
com marteladas e… sardinhas!!!...

… populares, são os santos,
o António, com casamentos, com marchas,
com sardinhas bem assadas,
com casamentos, à maneira,
cantigas, noitadas e… cantos,
quadras brejeiras, vaticínios,
futurologias, adivinhos,
manjericos e… muitos vinhos,
é tradição,
tal como aquela aberração,
lá para Barrancos,
com mortes de bois, carnificinas,
verdadeiras chacinas,
encantos,
agora, no Porto,
entre marteladas e porros,
bebedeiras que se arrastam,
que embrutecem,
ignorância que se instala,
mentes que emudecem,
que se calam,
a tempo inteiro… em grande escala!!!...

… com S. Pedro, mais atrasado,
a festa, a romaria, a dos santos,
continua… na rua,
escape, folia,
no tempo… mais que parado,
País, mais que atrasado,
of course, very tipical,
only, in a country… Portugal!!!... Sherpas!!!...
23
Jun05

... tempos... tormentosos!!!...

sherpas



… passados que são, séculos tormentosos,
numa história repleta de feitos heróicos,
no meio de promiscuidades medonhas,
com guerras, com santos, com feras,
num amalgamar constante, medrosos,
raia ignara, votada ao abandono, pacóvios,
carga incómoda, com vícios, com ronhas,
quase em todas as terras,
lamentáveis vítimas, rastejantes,
tanto agora… como dantes!!!...

… Portugal de desamores,
escaninho de dissabores,
repositório de malfeitores, de malfeitorias,
com senhores e mordomias,
recanto triste e sombrio,
donde surgem vultos grados, por vezes,
que se forram, que se enchem, num desvario,
ignorando dores, sobras… reses,
fracas, tresloucadas,
vociferantes, mais que tresmalhadas,
neste vale de lágrimas imensas,
com fúrias, berrarias… intensas,
num mau estar que alastra, que aumenta,
quando se lamenta,
quando se esquecem séculos de faustos,
de desleixo, de tormentos,
sempre mal conduzidos, por incautos,
quando se alternam, por momentos,
espalhando fracos conhecimentos,
fazendo fracos, os fortes,
gentes tristes, sem sorte… sempre pobres!!!...

… as grandezas, as cruzadas, as navegações,
os quereres, as ambições,
força motriz, deste País… que se diz,
velha Nação, oitocentista,
quando tanto se contradiz,
bombo de festa, arrivista,
que, por muitos e muitos milhões,
se nega, se ilude, se empobrece,
com profundas contradições,
arreigadas em espíritos labirínticos, perversos,
tão inversos,
das mais nobres e vetustas tradições,
noutros tempos, já passados,
das cobiças, das navegações,
antes de sermos roubados,
gamela de tantas outras Nações,
portentosas, não por feitos… por jeitos,
aliados, desde há muito, irmãos do peito,
carregadas de tremendos defeitos,
de espíritos promíscuos, opacos,
tão curtos, vilões e parcos,
agora, forrados,
carregando no mesmo de sempre,
bombo da festa, o que nos resta,
pobre cadinho, labareda enorme, fraca gente,
nesta época… nesta gesta,
triste história,
má memória!!!... Sherpas!!!...

22
Jun05

... em busca da... inocência!!!...

sherpas



… uma leitura, uma pausa, um pensamento,
nenhuma obra, em especial… essencialmente, poesia,
tento imiscuir-me no momento,
igualo-me, converto-me, imagino, tento,
mas, tarefa impossível, inglória,
derrotado me sinto, afasto-me, isolo-me,
não partilho a alegria,
não sinto a dor, a frustração, a emoção,
alheias… tão diferentes, doutras gentes,
cada um, com a sua própria mania,
com a sua fantasia,
sem apelação, sem mistificação,
tal como são,
iguais, diversas… divergentes!!!...

… tenho instantes, clarões, espécie de visões,
miragens, ambições, verdades e dúvidas,
alguns sonhos, muitas e muitas contradições,
na entrega, na partilha… a que se perfilha,
a que nos molda, nos faz, nas muitas vidas,
a de todos os dias, que nos toca, que nos pilha,
uma, seguida de outra, em sequência,
eterna, permanente inconstância,
na busca do que se não encontra,
quando se tenta, se procura… a inocência,
através da palavra escrita, burilada,
por vezes, enfática,
mais normal, a um nível mediano,
sem convencimentos, sem engano,
tal como somos, como valemos,
tal como… desejamos, como queremos!!!...

… procuro na poesia alheia,
nas metáforas doutros, conseguidas,
sentido da minha vida, noutra vidas,
alma completa, mais cheia,
que me sossegue esta inquietação,
quando penso, quando paro… embora leia,
de olhos fechados, determinada rima, certo refrão,
num som cantante, sublime, que vagueia,
por momentos, por instantes,
em escassos segundos, vozes bem fortes,
lágrimas forçadas, berros gritantes,
choros e dores… de tantas mortes!!!...

… leio o horror, sinto o pavor,
delicio-me com o cantar, com o alegre verdejar,
com a campina florida, plena de vida,
com o amor, doce enlevo, simples bocejo,
sinto temor, pela fome, pela dor,
completo-me, regresso ao meu passado,
ao ouvir um cacarejar,
um assobio, um debicar, janela florida,
um ósculo, um beijo,
um repenicar… quando lobrigo, quando vejo,
criança risonha, feliz e contente,
forma de gente,
humanos, sem desenganos… seguindo em frente,
unidos, não desavindos,
entoando desejos, com pensamentos,
mais que bem-vindos,
nesses instantes… nesses momentos!!!... Sherpas!!!...

21
Jun05

... os canicalhos... na praia!!!...

sherpas



… ei-los, já estão aí,
vindos de não sei onde, por aí,
dentro de autocarros, camarários ou não,
em profusão, canicalhos… pequenos,
carregadinhos de ilusão,
não há mais, nem de menos,
todos iguais, com sorrisos rasgados,
dia de praia, pois então,
alegria, rinhas, brincadeiras,
sem problemas raciais,
correrias, vozes de comando, de contenção,
bonés coloridos, pretos, vermelhos, brancos,
alguns amarelos, uns tantos,
todos… em calção,
roupas leves, ligeiras, chinelos,
enlevos, amigos, fraternos,
em fileiras, num círculo alargado, sossegados,
primeiro, sentados,
logo de pé, por ali, saltitando,
areia que se atira, bola que gira,
uma graça, uma fuga que se traça,
um agarra que… não agarra,
uma queda, simples chalaça,
tudo passa, tudo esvoaça!!!...

… são aos bandos, são aos grupos,
pequenos, médios… maiores,
tantos risos, tantos pulos,
com suas euforias, seus furores,
numa boa disposição permanente,
naquela pandilha, naquela gente,
miúda, traquina… pequenina,
numa ida, numa fugida,
tão meiga, tão unida,
numa escapadela contida,
bem orientada, compensadora,
por auxiliares, por professora,
sem preconceitos racistas,
sem seitas, sem xenofobias,
da brincadeira, malabaristas,
sem medos, sem hipocrisias,
numa saída da escola, daquele jardim fechado,
pouco acolhedor, tão quente, tão abafado,
bem mais alargado, no areal,
pertinho da água fresquinha,
daquele mar… tão lindo,
logo, logo… de manhãzinha,
lá vamos, vamos indo,
estamos, quando chegamos,
tão bem, agradecidos,
mais abertos, mais alegres… embevecidos!!!...

… na hora do mergulho,
bem vigiados, a preceito,
não há pressas, não há engulho,
devagar, com muito jeito,
sentimos aquele frescor,
um alívio, um sentir bem, um amor,
um grito uníssono, em coro,
uma face rosada, um gargalhar,
um molhar o corpo, a cabeça… em grupo,
um assobio, um salto, um apupo,
um esbracejar, mais afoito,
ali à beirinha, vigiados,
debaixo de olho,
contidos, empilhados… bem orientados!!!...

… saída do banho, ida para as toalhas,
para junto das suas tralhas,
um lanche, mais ou menos apressados,
uma fruta, um iogurte, uma sandes,
estendidos, ainda molhados,
que bons momentos, tal como antes,
no ano passado, mais pequenos ainda,
quando começámos nesta vinda,
nos autocarros grandes, enormes,
nesta viagem curta, nesta ida,
do jardim escola, numa amálgama… informes,
coloridos, risonhos, contidos,
ansiosos, fabulosos, reunidos,
sem menos, sem mais,
todos, todos… iguais,
parecendo… enormes bandos, de pardais!!!... Sherpas!!!...

… canicalhos = catraios, miúdos, canalha, rapazes pequenos, pimpolhos… entre outros sinónimos mais!!!... Só para me fazer entender, claro!!!...
20
Jun05

... praias, esplanadas e... jardins!!!...

sherpas



… um jardim ali ao pé, junto à baía,
uma tarde calma, ensonada, preguiçosa,
uma sombra extensa, um ventinho que sopra,
um banco convidativo, uma criança que sorria,
num salto, numa graça… uma mãe pressurosa,
um velho que se arrasta, um resto, uma sobra,
vida já gasta, tempo passado,
uma árvore enorme, junto ao lago, com patos,
uma inscrição sobre um feito, sobre um acto,
um dia da árvore, o primeiro de todos os outros,
ali inscrito, lembrado… não esquecido,
sentado, de tudo e de todos, afastado,
olhando, sem ver, esquecendo factos,
abrangendo o entorno, horizonte limitado,
naquele espaço verdejante, florido,
esquecido de mim, desincorporado,
flutuando num leve imaginário,
mais alma, menos presença, menos vulto,
um sentir bem, local ameno, relicário,
da vida… não me culpo!!!...

… no Verão, quando o calor aperta,
nos dias longos que se arrastam, lentamente,
tenho recolhimento na noite fresca, mais que certa,
numa praia ali à mão, com brisa matinal, a que se sente,
por vezes, numa esplanada, com bebida fresca, com conversa,
quando, mais introvertido, metido comigo,
rumo ao jardim, onde me sento, olho… ambíguo,
numa confusão procurada, desejada, vazio provocado,
carregar de pilhas, refúgio, abrigo,
vendo a vida passar, somente,
não como norma, gosto de viver, de participar,
um interregno, simplesmente,
um observar manso, meigo, como quem não quer,
como deve ser,
olhando, com olhos de… ver!!!...

… e lá vão, velhotes, bem vestidos, com tiques, com toques,
simples arrufos, remoques,
brejeirices de quem se conhece, de há muito,
um gosto, um gesto… qual a magia, qual o fluido (???...),
não é normal, pouco visto por este nosso Portugal,
só num jardim, numa tarde calma, ensonada, preguiçosa,
o prazer que se usufrui, quando se observa semelhante casal,
ele e ela, dois elementos, par perfeito… gente formosa,
um querer, um respeito, toda uma vida,
sorridentes, com toques, arremedos de felicidade,
não me parece ficção, tal a ilusão,
o passeio, o enlevo, mão na mão,
passam pela minha frente, quando sentado,
ali perto, ali ao lado… uma raridade, pura verdade!!!...

… Verão, para mim, com noites frescas, prolongadas,
bebidas frescas, conversas à toa, desconversadas,
um passar tempo, numa praia, em esplanadas,
perto de mim,
que bem me sinto, por vezes… em qualquer jardim,
não como norma, intervalo na caminhada,
pensamentos à toa, olhar ambíguo,
local de recolhimento, refúgio, abrigo!!!... Sherpas!!!...

18
Jun05

... há mar e... mar!!!...

sherpas



… tempo quente, abafado,
está-se mal… em qualquer lado,
uma saída até à praia, local mais amplo, arejado,
areal imenso, brisa fina, constante,
uma sombra, uma sombrinha,
bem acomodado, em toalha,
sentado numa cadeira, ali à beira,
espectáculo digno, mesmo diante,
num oceano que desafina,
ondear estonteante,
ondas que vêm, que se formam,
que caminham, se desenrolam,
desfeitas na rebentação,
alegria, gritos… brincadeira,
gente nova que desatina,
envolvidos uns nos outros, animação,
local dilecto, predilecto… devoção,
junto ao mar, baú gigante dos nossos sonhos,
repositório de todo um passado,
quando, pensativos, nos pomos,
arquivo, Torre do Tombo… natural,
caminho, elo, ligação a todo o Mundo,
vocação, entrega total,
destino, imaginário… profundo!!!...

… criaturas medonhas, possessas, horríveis, só de pensar,
medrosos nos aquietamos, temerosos de vidas e bens,
mar desconhecido, temido, caminho por desvendar,
sepultura dos mais afoitos… onde os guardas, onde os tens???...

… não mergulho, como dantes, nas águas frias e calmas,
não esbracejo, não nado… como quando mais novo,
paro, bem instalado, estudo o que me rodeia,
sinto-me mais uma, entre tantas almas,
tento recordar, reviver… quando renovo,
velhas lembranças, juventude que se anseia,
já perdida, digerida pelo passar dos anos,
tempos já vividos, tempos recuados,
bem marcados no pensamento, bem guardados,
por vezes, levanto-me… dou uns passos,
faço, bem acompanhado, passeio mais alargado,
ali à beirinha, com os pés molhados,
ao longo da praia imensa, deixando traços,
indeléveis, logo apagados,
pelo ir e vir das águas que, se não aquietam,
que nos molham as pernas, nos refrescam,
nos convidam a entrar, de mansinho… mesmo parados!!!...

… devagar, devagarinho, numa falésia, bem alta, me ponho,
alongo meu olhar, tenho tanto que pensar,
recordo mapas, riscos, planos, descrições de tantos viajantes,
cartas de marear,
divagações, meus desejos, meus quereres, meus navegantes,
minhas ambições, meus propósitos, meu tormento, meu penar!!!...

… sensações boas, gratificantes,
neste tempo quente… abafado,
por aqui, na praia de agora, não a de antes,
sem esbracejar, sem nadar, bem instalado,
estendido numa toalha, sentado numa cadeira,
espraiando meus olhares,
pelas sombrinhas multicolores,
ali à beira,
ouvindo risos, esgares, gargalhares,
doutras vidas, mais jovens, sãs e fortes, jovens senhores,
possuidores de energia vital,
mergulhando, jogando, saltando,
expondo corpos e almas, partilhando,
sol, água, areias, odores… sabores,
tudo quanto é natural,
nesta brisa refrescante, constante,
enquanto vou recordando,
passados, gastos, consumidos,
recordações às que me agarro, amando,
outros tempos, já idos… perdidos!!!...

… fomos longe, fomos perto, utilizámos saberes,
descobrimos o encoberto, penámos culpas, sofrimentos,
enfrentámos bestas tremendas, quisemos outros quereres,
vimos gentes, vimos feras, outros seres, outras terras,
tantos gritos, tantos choros, chusma de lamentos,
com os elementos, travámos… novas guerras!!!...

… por vezes levanto-me, molho os pés, avanço,
faço passeio alargado, ao longo,
o mar brinca comigo, convida… já manso,
não resisto, entro, refresco meu corpo, propondo,
união de facto, no acto, na entrega,
sem luta, sem refrega,
descanso, não esbracejo, não nado,
devagar, gozando… parado!!!...

… demos luz, demos Mundos, criámos outros caminhos,
fomos heróis, fomos santos, fomos vítimas… navegantes,
descortinámos mais longe, fomos feros, demos chagas ao corpo,
morremos, regressámos… concretizámo-nos, partindo,
por mares, por oceanos, fomos enormes, gigantes,
pequeninos, engrandecidos pelo esforço,
Pátria, minha amada, que nos estás deixando… fugindo!!!...

… somos mar, somos Mundo,
somos o que fomos… somos tudo,
numa praia discreta, com olhar profundo,
sinto medo, sinto pena, sinto saudade,
pura verdade,
com a brisa fresca que sopra, que lembra,
tempos passados, de loucuras, de pavores,
de bestas sanguinolentas, horrores,
de partidas, de chegadas,
de dúvidas, de incertezas, de más profecias,
agora, com águas mansas, paradas,
outros rostos, energia vital, reinação… alegrias,
boas, más companhias,
desleixo, desinteresse, prisão… cacofonias,
dissonância, sem ilusão,
entristecido, mais que emudecido, meu triste diapasão,
oh mar, oh mar salgado… quanto do teu sal,
são lágrimas de Portugal!!!... Sherpas!!!...

16
Jun05

... casal... apaixonado!!!...

sherpas



… num recanto, não recatado,
de encanto, idílico,
casal muito apaixonado,
no meio do Paraíso,
junto ao lago, repleto de aves,
nas águas, nas relvas,
bem poisado, tresloucado,
do Leprechild, versão real,
tal a fúria, tal o desejo,
tal a entrega, o envolvimento,
nem um bocejo,
entre abraços e beijos,
apartados do entorno,
mero bacanal,
orgia de amor, em pleno dia,
mesmo junto… à Estufa Fria!!!...

… passámos, nem olhámos, sequer…
há que manter a privacidade,
de quem a não tem, na cidade,
num jardim, num lado qualquer,
delícias vividas,
entre um homem, uma mulher,
pedaços, romances, amores,
sonhos, doces sabores,
paixões sentidas,
começos, inícios… de outras vidas!!!...

… não proclamo aos sete ventos,
meus desencantos, críticas minhas,
recordo, quando… noutros tempos,
mais recatadas, também as tinha,
com musas, com ninfas, delírios,
profusão de sensações,
trocas, juras, entregas e fúrias,
emoções,
cantos, hinos, apegos, sentires,
juventude, sussurros… choros, lamúrias,
ciúmes, paixões!!!...

… o amor está aí,
a um canto, num recanto,
ao vivo… por aí, por ali,
momento, encanto,
rodopio de corações,
alegria descontrolada,
abraços, beijos… entregas,
cumular de ilusões,
princípio, com alma que nos completa,
repleta, mulher amada,
longe do bulício, das refregas,
começo de tantas vidas,
na consumação do desejo,
no acto, como início, quando anseias,
quando amas… quando beijas,
bem juntinhos, ali na Estufa Fria,
junto ao lago, certo dia,
num recanto, não recatado,
um casal… apaixonado!!!... Sherpas!!!...
16
Jun05

... poetas do... passado!!!...

sherpas



… mortos de fome, cansaço,
esquálidos… abandonados,
os poetas do passado,
mui lembrados, devassados,
viveram de meras quimeras,
de sonhos, de fantasias,
de românticas primaveras,
de plenos amores, alegrias,
por alturas da mocidade,
na pujança das suas vidas,
quando, usando a liberdade,
descreviam, com verdade,
em páginas, bem preenchidas,
paixões, mortes… perseguições!!!...


… com desamores e ciúmes,
todo um rol… de razões,
que os não deixavam incólumes,
nos seus julgares de momento,
nos seus pensares profundos,
usando o sentimento
que os mantinham mudos
obrigando-os a descrever,
na rima dum soneto,
duma canção, dum poema,
para quem os pudesse ler,
tentando amar… fazendo sofrer!!!...


… provocando qualquer trejeito,
originando um som… um fonema,
uma atitude, qualquer jeito,
indiferença, apatia,
pelo que, na sua concretização,
provocou gozo, deu alegria,
elevou a alma, deu emoção,
essa doce, feérica poesia,
com vilanias, grandezas,
do que se viu durante o dia,
do que se imagina, na gente,
do que se cria, do que se sente,
do que mais nos aproxima
daquele Ser… daquele Ente!!!...


… que fica bem plasmado,
o que se grava… no papel,
o que, depois de bem pensado,
fica escrito, bem gravado,
como, numa pedra qualquer,
com um afiado cinzel,
com a tinta dum pincel,
numa tela, num pastel,
numa aguarela esbatida,
bem pintada, bem sofrida,
noutra arte diferente,
doutro modo… doutra maneira!!!...

… esquálidos, mortos de fome,
abandonados… os do passado,
poetas mortos, cansados,
gente que escrevia e… não via,
satisfeitos, seus apetites,
bem carnais, bem banais,
como os outros, como os mais,
esfomeados… bem tristes!!!... Sherpas!!!...


15
Jun05

... folha morta... no chão!!!...

sherpas
… uma folha que cai no chão,
morta, acastanhada… sem vida,
um derrube, um despego, uma queda,
quebra duma ilusão,
quando verdejante, viçosa,
bem no alto, assumida,
respirava, sobranceira, vigorosa,
no meio de milhares, suas iguais,
cumprindo um papel, uma missão,
débil, trémula, bem formosa,
quando, despontando, como as mais,
fortaleceu, desbravou seu caminho,
tomou lugar, posição,
num lugar, num cadinho,
bem no alto, bem no cimo,
num alvor, num dia claro, primaveril,
sorrindo e… cumprindo,
verde novo, delicado, tão gentil,
como órgão de respiração,
autêntica… perfeição!!!...

… passaram-se os dias, alguns meses,
tremelicava de emoção,
com leve aragem, com ventania,
por vezes… às vezes,
quando, o temporal, não era de feição,
a força que ela fazia,
as preocupações, as arrelias, em união,
com muita companhia,
suas irmãs, em profusão,
chusma delas, todas… caducas,
presas a ramos, liberdades poucas,
no cimo duma árvore, grande e pujante,
vida de eunucas,
simples ornamentos, coisas loucas,
quando novas… conjunto verdejante!!!...

… o tempo foi aquecendo,
cumpriam, ainda… um papel,
produziam sombra refrescante,
soavam, quando agitadas, como quem sente,
uma curta chama de vida, imóvel,
presas que estavam, a um gigante,
já desgastadas, mais amarelas,
já não eram jovens, não eram elas,
bem diferentes, gastas, não permanentes,
uma que cai… outra, que se vai,
dando voltas, reviravoltas,
lá do alto, numa vertigem,
algumas, bastantes… ausentes,
cai que não cai,
quantas e quantas, já soltas,
eunuca, caduca, sempre virgem,
chegou a hora, chegou o instante,
cumpriu-se o ciclo,
num segundo,
coisas finitas, deste Mundo,
num arrepio, num ímpeto,
despedida custosa, desgastante,
amarela, já acastanhada,
coisa pouca, quase nada,
pó… que se reverte em pó,
esparramada no chão, desfeita… só!!!... Sherpas!!!...

15
Jun05

... tempo de... descamisados???...

sherpas



… por vezes, quando me excedo,
quando me aborreço,
falo de insucesso, de engano… de mistificação,
tenho as minhas razões,
tenho o que, não mereço,
por inferência, por indução,
como conclusão,
pelo que observo, pelo que sinto,
em profusão,
numa sociedade que, quanto a mim,
não avança,
pára, por vezes, estagna,
mais ou menos congelada,
em sectores menores,
os mais informes,
numa tremenda contradança,
numa amálgama difusa, acinzentada,
com fossos imensos, bem fundos, enormes,
entre os bem situados,
mais que forrados,
e…os carentes, os descamisados,
quais seguidores de Péron, na Argentina,
bajuladores da prometedora,
a Evita,
populista assumida, demagógica profunda,
com seus requebros, anseios, sorrisos melosos,
contra-sensos, desboques insensatos,
augurando doces visões, grandes ilusões,
a todo um Povo… a multidões!!!...

… tal como agora, por cá,
América latina,
certamente que não,
muito afastados, não como lá,
fujo daí, não penso sequer,
somos europeus,
pelo menos de nome, situados,
tal como estamos, integrados na União,
como outro parceiro,
como outro qualquer,
quiçá, dos menos abonados,
dos mais lentos na caminhada,
pura lentidão,
atrasados, empobrecidos,
enganados,
uns débeis, levados por devassos,
de mente, muito escassos,
esbanjadores de dinheiros,
amantes de mordomias,
doces encantos,
tamanhas fantasias,
egoísmos à flor da pele,
numa guerra, sem quartel,
num querer mordomias,
num não acabar com elas,
complexas ou singelas,
tão gostosas, tão belas,
negativas, consequentes,
perante… os mais carentes!!!...

… é tempo de quebrar com as amarras,
quando gesticulas, quando falas,
quando afirmas, quando prometes,
acabar com esses fretes,
embarcar numa de contenção,
dar o exemplo… à Nação,
refrear ímpetos, furores,
excessos, aborrecimentos,
calar exaltamentos,
conter… os lamentos
ir em frente, com equidade,
com firmeza, com verdade!!!... Sherpas!!!..


14
Jun05

... toda a espécie de... ismos!!!...

sherpas


… um jornal que se compra,
umas folhas que… se folheiam,
notícias de pouca monta,
posições que não se tomam,
pequenos escândalos, de nada,
baixa política, nauseabunda,
oposição triste, descontrolada,
memória curta, tão profunda,
duras, frenéticas figuras
que se intitulam sociais,
vão engolindo as agruras,
quando se fazem… como os mais!!!...


… como os das ideias direitistas,
que governam… pela Europa,
nas muitas e muitas listas
dessa verdadeira tropa
que leva, vai de vencida,
sobre estes pobres coitados,
tão esquecidos, em vida,
por todos os eleitorados
que os lembram, arrogantes,
quando no pelouro do poder
antigamente, muito antes,
de nos quererem fazer crer
que não querem a desgraça
a pretendem… combater!!!...


… gente rica, de certa raça,
que só aprenderam a ver
para si próprios… p´ró umbigo,
quando falam só consigo,
nas tremendas ambições,
nos enormes egoísmos,
esquecendo gentes, nações,
toda a espécie de… ismos!!!... Sherpas!!!...

14
Jun05

... quando a obra... é um primor!!!...

sherpas



… corpo que vai, que se esvai,
que se corrói… não condói,
alma, se porventura existe,
coexiste,
se esfuma, quando uma pessoa cai,
quando morre, não persiste,
algo que nos dói,
uma falha, uma quebra, uma busca,
pessoa que nos deixa,
quando se rebusca,
numa obra, numa queixa, num grito, num exemplo,
num lamento,
numa revolta, num querer exaltante,
num homem, grandiloquente,
gritante,
outra gente… diferente!!!...

… quando a obra nos ultrapassa,
não passa,
queda… permanece,
não fenece, não esquece,
sempre lembrada, lida, relida,
pensada,
quantas vezes, pretendida,
quando nela, nos vimos, nos iludimos,
nos plasmamos,
no que queremos, no que amamos,
não fugimos,
ficamos,
mais fortalecidos, convencidos,
do que somos, do que queremos,
quando pensamos, quando lemos,
porque sabemos… sentindo,
não fingindo,
sendo o que somos,
como fomos!!!...

… quando a obra é grandiosa,
não volumosa… pertinente,
pelo conteúdo, pela graça, pela singeleza,
pela formosura, pela beleza,
toca-nos bem fundo,
sentimo-nos bem, quando a lemos,
verbo sensível, doce, profundo,
no que nela vemos,
quando nos identificamos com o fazedor,
poeta… por amor,
um primor!!!... Sherpas!!!...


13
Jun05

... é sempre... triste!!!...

sherpas



… é sempre triste, quando alguém parte,
quando deixa algo… por completar,
seja vida, seja ideia, seja arte,
quando é afastado, pela idade,
ainda lúcido, capaz, mais que eficaz,
uma sombria melancolia, calamidade,
na hora do adeus, do acabar,
por fadiga, por coração… por enfarte,
finitos que somos, como somos,
nesta curta viagem,
rápida, traiçoeira,
de vaidades… uma feira,
intervalo diminuto, passagem!!!...


… sonho, relâmpago fugaz,
incapaz,
de quem nada controla, se vai embora,
pela doença, pelo peso, incomensurável,
dos anos que se acumulam,
tanto dantes, como agora,
imparável,
quando nos empurram…
para o imenso vale das sombras,
das folhas mortas,
das que quebram, que estalam,
quando pisadas, esquecidas,
poeiras no caminho,
que não embalam,
num instante… num rodopio, numa volta, já idas!!!...


… longe do berço, do ninho,
num sopro curto… que exalam,
quando inertes, envoltos em mortalhas fúnebres,
translúcidos, opalinos,
mais decentes, menos gentes, cristalinos,
frios, já mortos… descansam!!!... Sherpas!!!...
13
Jun05

... rimas!!!...

sherpas


… poemas, sem rima,
são falsos… traiçoeiros,
simples palavras bonitas,
ao montão, sem preceitos,
rebuscadas, bem catitas,
sem sentido, quase vazias,
ocas, sem som… muito frias!!!...


… como as notas musicais
amontoadas… numa sala,
sem partitura, sem sinais,
sem compasso, sem escala,
sem as fusas, bem difusas,
notas sombrias, escusas,
que temem as panaceias
das semi breves… colcheias!!!...


… meras artimanhas,
que dão artes, ganas,
a qualquer composição,
a uma simples redacção,
a um poema rimado,
a uma bela canção,
a um doloroso fado
que soa bem… quando cantado!!!...


… porque uma poesia,
arrumada… com harmonia,
não é oca, nem vazia,
como as grandes tiradas
de palavras, rebuscadas,
ao montão… não rimadas!!!... Sherpas!!!...


12
Jun05

... santos... populares!!!...

sherpas



… dias de santos populares,
de festas, de cantares… de rua,
de músicas, de danças e contradanças,
pela noite dentro, à luz da Lua,
ao nível, dos mais vulgares,
outras gentes, outras andanças,
com arquinhos e balões,
com padrinhos, ilusões,
num bairrismo bem vincado,
por aqui, por Lisboa,
de Alfama à Madragoa,
indo até ao Castelo,
até onde a voz entoa,
um encanto, um desvelo,
um tinto aqui, uma sardinha acolá,
uma reviravolta, um adeus, um olá,
um vasinho, uma quadra, um alecrim,
uma rima, uma promessa, um beijo,
um amor… um anseio, um desejo,
repetitivo, marchoso, folclórico,
festivo, alegre… melancólico,
outros tempos, os de antão,
S.António e S. João,
já no fim, simples bocejo,
umas réstias… de S. Pedro!!!...

… haja alegria nos rostos,
dívidas…
não se pagam com desgostos,
rapazes e raparigas,
moçoilas vivas, prometedoras,
corações abertos,
destino de tantas vidas,
almas sofredoras,
amores concretos,
falhas, manhas… artimanhas,
sofrimentos,
feridas redentoras,
ciúmes, raivas e sanhas,
miscelânea de sentimentos,
paixões arrebatadoras,
instantes, sonhos, momentos,
incendiadas… tamanhas!!!...

… músicas, danças, cantares,
marchas na avenida,
casamentos, de espantar… aos pares,
sob a bênção dos santos,
tanta vida,
embaladas por… encantos!!!... Sherpas!!!...

11
Jun05

... praia... com arrastão!!!...

sherpas



… praia, com emoção,
sem descanso… aflição,
um desespero, grande susto,
no momento do arrastão,
uma fúria incontida,
com custo, sem custo,
só em calção,
com toalha, pouco mais,
quando muito, um relógio, um fio,
um móvel, pessoa precavida,
sempre em contacto,
em vias disso, com os mais,
com família, amigos, entre outros,
um seguro, precaução, uma vida,
como todos os seus iguais,
é um facto,
quando distantes, quando poucos,
intervalo na caminhada,
um sol, uma praia, local agradável,
neste Mundo de loucos,
sítio aprazível,
repentinamente desfasado,
completamente… alterado!!!...

… foi uma chusma de energúmenos,
rapazolas de… curtas idades,
umas centenas de vidas marginais,
coisa de vulto, não de somenos,
muito barulho, empurrões, alarves,
gritos, impropérios, uivos banais,
barafunda pelos areais,
o sossego terminou,
a praia virou… inferno,
tira aqui, rouba acolá… saltou,
nada meigo, quezilento, pouco terno,
uma onda avassaladora,
descontrolada, furiosa, arrebatadora,
num desvario,
o calor, quedou frio,
a calmaria acabou,
levou pancada, deu, roubou,
foi empurrado… ficou sem nada,
pouco arroupado,
sem fio, sem relógio… desamparado!!!...

… num virote, foi um fartote,
chegou a polícia,
gritaria, apito, correria,
perseguição… era o que se via,
um que cai, outro que corre,
mais um que se esconde, que foge,
que desaparece,
que é agarrado, maltratado,
quase desfalece,
que mau bocado,
onde teria ficado o… descanso,
doce remanso,
praia aflitiva, que se agita,
onde se berra, se grita,
se é roubado, sem apelação,
que emoção,
no momento do… arrastão!!!... Sherpas!!!...



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