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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

13
Jul05

... ciganos de antes... de agora!!!...

sherpas


… raça nómada, deslocada, em permanência,
em tempos muito afastados, na minha infância,
excluída de modo próprio, com intenção, solvência,
com carroças, com burricos, percorrendo distância,
lonjura, comendo caminhos, sem pressa… mais promessa,
de quem, com o pouco que tem, se sente bem,
ciganos de então, grupo mínimo, arreigado
em terras de ninguém, de pousio,
pertinho da localidade, sem mistura,
mão que estende, pedincha, sem pio,
com cara pesarosa, sofredora, amargura,
quando muito… uma sina, palavreado a eito,
dando no cravo, na ferradura, ao jeito,
um que outro trabalho, sem custo, ocasional,
negociata de burro, de cavalo, palpite,
engano com desengano, puro despiste,
aperto de mão, piscadela de olho, casual,
coroas que se ganham, modo fácil,
sem suores, sem custo, muito hábil,
raça orgulhosa, etnia diferente, ciosa,
muito própria, desconfiada, mansa e raivosa,
por vezes, por ciúmes, por mortes, quezílias,
entre eles, com outros… entre famílias!!!...

… a origem, duvidosa, provável,
da longínqua Índia, da Roménia, dispersa,
características semelhantes, mantidas,
com língua arrevesada, louvável,
com traços que não nega, conversa,
muita lábia, sabedoria de muitas vidas,
amor aos filhos, inaudito, elevado,
casamentos, dentro do mesmo bando,
com exclusão, sem permissão, aversão,
desde que os conheço, que os entendo,
desde pequeno, na minha terra, pois então,
o cigano, aquele figurão… mau e tremendo,
pavor de miúdos, finca pé de graúdos,
aproveitador, espécie de malfeitor,
sempre à margem, na tenda, no campo,
com tendas, com burros, outros mundos,
leitor de sinas, senhor dele, autor,
espinha direita, nobre, orgulhoso, um espanto!!!...

… cigano ou cigana, tal a sina, tal a manha,
com mãos e palmas, com pés, com danças,
com cantares lamurientos, chorosos, penosos,
avinhados, por vezes… com sanha,
comeres parcos, noites escuras, nos campos,
famílias inteiras, unidas, sem terra,
agora, por aqui, amanhã… logo se vê,
não há mal que os emperre, excluídos, em guerra,
confronto pacífico, como quem crê
numa filosofia diferente, outra sina,
bem separada, com pouco, com quase nada,
noutros tempos, da minha vida!!!...

… continuam com costumes idênticos, no proceder,
quanto ao respeito pelos velhos, ao amor pelos filhos,
quanto ao casamento, como deve ser,
dentro do grupo, cigano, com cigana, prometidos,
desde cedo, desde pequeninos,
quanto a negócios, já se não vão com burros,
tornaram-se ricos, tornaram-se finos,
fazem mercados, de tudo vendem, tudo compram,
seja correcto ou contrafactado, tudo trocam,
muito mais barato, mais rentável,
rendidos ao dinheiro, fiéis adoradores,
cresceram nas posses, variável
a atitude, fizeram-se senhores,
donos absolutos da venda ambulante,
orgulhosos, como sempre, etnia apartada,
já vivem em casas, já são extravagantes,
nas festas, nos automóveis, na vida airada,
com hábitos próprios, mantendo a tradição,
como estilo, mais abastados, com exclusão,
por quererem… como opção!!!... Sherpas!!!...
13
Jul05

... até às tantas... com fados!!!...

sherpas


… parece ter sido ontem, a jantarada,
éramos bastantes, mais jovens em idade, em número,
num dia comemorativo, despedida, pretexto… nada,
não sei bem qual a razão, indiferente, o género,
solteiros, casados, homens, mulheres,
num local determinado, restaurante com quintalão,
numa noite quente, de Verão,
união na vontade, nos quereres,
na hora aprazada, lá estávamos,
comemos, bebemos, rimos… por tudo, por nada,
o tempo foi passando, falámos, recordámos,
o jantar foi quase banquete, sem fim, sem término,
arrastou-se até às tantas, entrou pela madrugada,
cá fora, naquele espaço, no quintalão, estava fresquinho!!!...


… alguém se lembrou duns amigos, foliões e fadistas,
vai daí, num repente, numa decisão súbita,
agarrou no carro, foi buscá-los… aos artistas,
sem apresentação prévia, surgiram à vista,
ar de gingões, com guitarras, sorridentes,
habituados que estavam àqueles eventos,
dedilharam uns acordes, afinaram as vozes, contentes,
deram um ar de mistério, com os seus acordes, momentos,
ficámos parados, com os copos nas mãos, pensativos, atentos,
tudo mudou, interiorizámos, calados,
fomos ouvindo fados lânguidos, arrastados,
letras já conhecidas, entoadas por todos, baixinho,
unidos no sentimento, no fado, na canção,
éramos tantos, bebericando cerveja, provando o vinho,
esquecido o jantar, já banquete… de prolongado!!!...


… horas mortas, não perdidas, no quintalão,
magia no ar, comunhão plena por todo o lado,
olhares embevecidos, já esquecidos… conduzidos,
pelos acordes, pelos fados, pelos artistas,
grandes, completos fadistas,
com reportório vasto, bem produzidos,
alentejanos dos sete costados,
duma aldeia próxima, ali ao lado,
nestas andanças, mais que habituados,
veio o passarinho, às tantas da madrugada,
outras modas mais brejeiras, cantares nossos, lamentos,
todos juntos, em uníssono, de improviso… uma desgarrada!!!...


… o tempo ia passando, noite mais aprazível, mais frescos,
brisas saborosas, agradáveis, no meio de tanta gargalhada,
com fados, com cantares alentejanos, depois da jantarada,
do banquete, pela idade, pelo número, pelas comidas e bebidas,
horas sentidas, bem vividas… não perdidas, nunca esquecidas!!!... Sherpas!!!...

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