tão insignificante se sente, uma sombra do passado, quando olha para si, num repente, velha, triste, cansada, ainda se revolta, sente indignação profunda, tenta dar a volta, sai, meditabunda, agarra num saco, numa bolsa, numas moedas, em qualquer coisa, zangada consigo, furibunda, deixa a casa, numa revolta, quando sai, bate a porta, vai em frente, convencida, ciosa, muito dona do nariz, como quem diz, sou gente, sou alguém, ainda ninguém, me detém, ainda não cumpri o destino, ainda acerto, atino, sei muito bem o que quero, assim penso, assim espero!!!...
pela rua, vai passando, com denodo, com energia, cumprimenta, vai andando, usando de valentia, esquecendo dores, alquebros, maus pensamentos, momentos, fantasmas, pesadelos, com requebros repentinos, com meneios, de mulher jovem, com sorrisos, com desvelos, sempre em frente, desatinos, sozinha, sem o seu homem, filhos mortos, seus defuntos, viúva da vida, centro de muitos Mundos, ainda viva, não perdida, num assomo de coragem, num instante, numa saída, esquecida da voragem!!!...
pára, olha, compara, sorri, quando vê, quando lembra, entra, pergunta, não compra, mexe, remexe, aprecia, com que satisfação, alegria, treme de emoção, quando encontra, já tem, desde sempre, ainda jovem, deixa no lugar, vai embora, lembra-se do companheiro, quase que chora, retrocede, regressa ao lar, cabisbaixa, abre a porta, cerra-a devagar, mansamente, senta-se no sofá, tristonha, viúva e só, pouca gente, sente dor, mágoa vergonha!!!...
sombra do passado, velha, triste, cansada, já se não revolta, recua no tempo, suspira, jorra uma lágrima, deita-se de lado, recorda a caminhada, não comprou nada, olha o saco, vê a bolsa, cerra os olhos, esquece, ilusão fugaz fenece!!!... Sherpas!!!...
secos os campos, secas as matas, clima agreste, continuado, secos e fumegantes, tudo queimado, mais um Verão que deixa marcas, nos corpos, nas mentes, nos ditos, imagens de horror, gritos contidos, episódios redutores, malditos, focados, vistos e revistos, tão comentados, projectados, arremessados com sanha, pelos jornais, pelas televisões, como castigo, nossos pecados cometidos, crime, trama, incúria, interesses, frustrações, realidade que fica, destruição, secos os campos, secas as almas, vazios os olhos, triste ilusão, fúrias desatadas, mais calmas, cinzas e pó restos, carvão!!!...
egoísmos exacerbados, tão bem tratados, albergados, nos que não desanimam, nos que se afirmam, que pretendem subir mais alto, tal como atleta na pista, no pentalto, na série de obstáculos com que deparam, fazendo, da vida, um devaneio, um desafio, outro combate, avançam, reflectem, inflectem, não param, no meio de tiradas, de muito paleio, como fera ruim que se não abate, que teima, que mantém território, refúgio, repositório, envoltório, máscara usada, afirmação, lugar de destaque posição!!!...
tudo em carvão, restos, cacos, ruínas, destruição, final dum tempo passado, seco, seres destruídos, bem diminuídos, gritos e raivas, profundo eco, por parte dos atingidos, lá longe, na serrania agreste, na terreola escondida, no vale, onde nasceste, onde cresceste, te fizeste velho, para teu mal, numa vida curta, tão pequenina, humilde e pobre, tão reduzida, parada no tempo, dos outros, esquecida, alheios à verdade, no meio da vaidade, altivos, passivos, autistas convictos, inúteis, erráticos, mais que imprecisos, políticos de carreira, a vida inteira, vácuos e fartos, contraditórios, numa exposição tão rotineira, com tramas, com manhas, com falatórios, quando se mostram, quando peroram, quando não sentem tão pouco choram!!!... Sherpas!!!...
sim, cuidar bem dos negócios, tratar dos outros, dos ócios, aplicar dinheiros, comprar, vender, numa espiral inconsciente, de quem não trata da gente, da que vive em masmorras, em contrafortes, em fossos, votada ao abandono, como cão sem dono, alquebrada pela idade, parada no tempo, no esquecimento, sem uma queixa, sem um lamento, muito longe da verdade, nos vales, das nossas serras, vistas, na hecatombe, por momentos imprecisos, como um aviso, reminiscência, berro de alerta de quem tomba, problema de consciência, do aldrabão da excelência!!!...
a troco, como quem vende, duns trinta dinheiros, falsidade, é a triste realidade, de tanta e tanta gente, por empregos que se não avistam, verbas que se não aplicam, em interiores desgastados, em prol de abandonados, pela idade alquebrados, na masmorra da miséria, no fosso da amargura, situação grave, séria, depois duma vida dura, numa espiral inconsciente, de quem não cuida da gente!!!...
brotam lágrimas, com fartura, de meus olhos, já secos, gastos, perante quadros tão bastos, de doença que se não cura, farrapos, no abandono, tal como cães sem dono, sem uma companhia, um afago, comiserados, pequeninos, nos vales, das nossas serras, que se arrastam, diminuídos, sem uma queixa, um alago, uma atenção, uns carinhos, naquelas casas, naquelas terras, tão esquecidas, perdidas, nos recônditos do interior, seja aqui seja onde for, perdoai-lhes, Senhor, aos excelsos, bem diversos, que, por dinheiros, negócios, cuidam deles seus ócios!!!... Sherpas!!!...
o que se preocupam com o lazer, quanta importância dão às férias, ao recreio, aos joguinhos de brincar, ao comprar, ao vender, com que ilusão, com que devaneio, quanto capital, quanta aplicação, verdadeiros, imensos negócios, em função doutros, dos seus ócios, não passaremos do que somos, serviçais, como tantos outros mais, com emprego, transitório, uma ilusão, bem longe da terrinha de origem, perdida nos montes, nos vales, por agora, cheiinhas de fuligem, sem verdes, sem casas, em solidão, velhotes, alquebrados, sem tostão, encostados a um bordão, por ali, sentados olhares perdidos, sem filhos, sem amigos, somando anos, somando desgostos, lembrando anos passados, idos, sem perspectiva, ao abandono, como cães sem dono, tal como, quando lhes prometeram, outra era, outro tempo, uma quimera, uma ilusão, um acolhimento, um sonho, para eles, para os seus, para a terra, que sucumbe na voragem, na mentira, no logro!!!...
aos que, desiludidos, fugiram, descendentes, seus filhos, sementes, espalhados, bem longe, mentiram, os profetas das fantasias, negociadores, que usufruem do lazer, nada fazedores, com miragens vorazes, incertas, mentes embutidas, repletas, autismos profundos, recreios, enleios, não convencidos, fugazes, incapazes, num novelo de promessas audazes, com muitos labirintos, permeios, na fogosidade dos nossos anseios, dum futuro que se não visiona, numa vida normal que se ambiciona!!!...
enfim, que sejamos lacaios, entre patrões soberbos, entre voragem, serviçais, como camareiros, como aios, com libré impecável, refinada, num hotel, numa pousada, numa viagem, com sorrisos forçados, agradáveis, somando dinheiros, como pontos, nos greens das tacadas, dos golfes, procedendo como zombies, como tontos, esquecendo origens, recebendo golpes, sendo presença num funeral, na aldeia do nosso vale, onde o pai que nos criou, abandonado, vegetou como alma penada, encostado ao bordão, sentado na soleira, em solidão, num miserável socalco, chão duro, incómodo, sem nada, sem um afago à sua beira!!!... Sherpas!!!...
gosto de coisas simples, pela beleza que contêm, não complexas, humildes, quando nos chegam, advêm, sem subterfúgios, sem rodeios, palavras claras, sem enleios, vindas de fonte segura, ruminadas, criadas, a jorros, com fartura, almas abertas, puras, dadas, numa conversada, não calculada, num rodopio de sons, sorrisos, numa proximidade conquistada, sem outros objectivos, escondidos, imprecisos, muitas vezes disfarçados, mais que congeminados!!!...
falar, olhos nos olhos, como somos, como sabemos, sem mistelas, sem abrolhos, dizendo tudo que queremos, levados pela corrente, no seio da minha gente, falando até às tantas, tal como, quando crianças, inocentes, umas canduras, interlocutores que nos ouvem, que nos contestam, respondem, com saberes deles próprios, originais, impecáveis, sem dissonâncias, desacertos, sem constrangimentos apertos!!!...
não, faz-de-conta constante, não, elitismo balofo, respeitando o semelhante, não, mostrando a bagagem, citando, com exagero, com arte, muito esmero, como vejo, de passagem, quando leio, logo me aparto, de enjoado, descarto, não aprecio, quem rebusca, quem ousa, vasculha, empurra, gente, por vezes, patusca, que tanto mostra, tanto atulha, mostrando sapiências rotundas, sobre genes, sobre amibas, sobre teorias quânticas, sobre filosofias e sonhos, sobre génios e imbecis, com sentenças bem antigas, pensadores de coisas alheias, complicadas, já falidas, bases sólidas com que alteias, comportamentos, fadigas, decifras, investigas, palavras doutros, amigas, quando te distancias, te ergues, sobressaindo, fazendo de conta, fingindo, nomeando os que nomeias, num arrevesado constante, pedantismo, bem assumido, numa conversa, complexa, mui truncada, avessa, aos que conversam comigo!!!...
gosto de descomplicar, ser igual, comparar, estar ao nível do humilde, do que trago sempre comigo, com quem gosto de falar, olhos, nos olhos, como deve, de amigo, para amigo, sem jactâncias, sem abrolhos, daquilo que nos concerne, sem mistérios, sem alucinações, sem enganos, mistificações, sem ínfimas discrepâncias, como sou sem destempero, com acerto, com esmero!!!... Sherpas!!!...
foi uma falha, uma avaria, uma quebra, uma interrupção, uma falta no compromisso, problema sem solução, no fim de semana passado, com a devida participação, ao funcionário de serviço, por sinal, bem educado, através de télélé, estive sem comunicação, no telefone, pois é, tremenda atrapalhação, numa época de evolução, com viagens especiais, pretensões, de mais e mais, plataformas espaciais, num Mundo tão desenvolvido, quedei tolhido, estarrecido, ilha solitária, apartada, com a linha desligada!!!...
dá para rir, confesso, quando, com o telemóvel em acção, se foi a carga, pifou, fiquei sem verbo, isolado, que confusão, valeu-me a televisão, neste País encantado, nesta triste região, bem interiorizado, onde, quase sempre, acontece, uma falha que outra, na imagem que desaparece, quando a corrente se vai, na água que não sai, no som que se não tem, na Internet que falha, na outra metade esquecida, onde já ninguém ralha, de atrasada diminuída!!!...
equilíbrio e justeza, com razoabilidade e firmeza, impõe-se, faz falta, para segurar a malta, para desenvolver o interior, seja lá onde for, com serviços completos, sérios, justos e competentes, evitando eremitérios, isolamento de gentes, terras extensas, cemitérios, terra pobre deprimente!!!... Sherpas!!!...
no limiar do desenvolvimento, uma simples aproximação, um parecer, reles imitação, que falta de discernimento, incomodidade, acomodação, inconformidade, conformação, contra-sensos, sem senso, sem justificação, geram insatisfação, mal-estar, palpável, desagradável, situações que se agridem, não se emendam, não se corrigem, aumentam, progridem, insistem, persistem, coexistem, absurdos e abjectos, pequenos, grandes nadas, mesquinhos, mais avantajados, pouco dignificantes, concretos, obstáculos, nas caminhadas, no percurso que traçamos, perversos, não calculados, incomodativos, indesejados, quando, com eles deparamos!!!...
só quando acontece, nos apercebemos, quando nos cai em cima, num repente, uma quebra na rotina, na corrente, uma ligação que termina, sem sabermos, causas ou justificações, razões de alheios, terceiros, aos que pagamos, cumprindo obrigações, as que nos tocam, as que nos cabem, como useiros, pagando maus serviços, os que nos prestam, que não prestam, pouco importa, gotas de água que somos, quando me ponho, pensando comigo, por trás da minha porta, a sós, connosco, conversando muito a sério, concluindo, amargos e furibundos, contra todos, contra o Mundo, nas imperfeições do presbitério, santuário provinciano, imitação, neste recanto tão desencantado, que se diz País, tão mal parado remendado!!!...
mais uma vez aconteceu, habituado, estranho, recalcitro, exijo, tento responsabilizar, quando grito, reclamo, marco números exactos, de avarias, encaminham meus dedos, quando digito, oiço vozes metálicas, gravadas, encontro um que outro funcionário, educado, dão-me dicas, fazem promessas, fico-me com essas, aguardo horas e horas, passadas, sem serviço que pago, cumprindo, no que me toca, como parte contratual, elo mais fraco, pagando, como obrigação primeira, devoção que cumpro, inteira, sem qualquer tipo de objecção, sempre aberta, a carteira, sentindo-me enganado, mal servido, triste e compungido, nesta espécie de presbitério, santuário, apartado, no limiar do desenvolvimento, numa simples aproximação!!!... Sherpas!!!...
sentimos mais, quando nos falta, tanto dizemos, quando sentimos, verdade que se não contesta, com que deparamos, quando fruímos, tão intensa a dor, quase nos mata, tão enorme, desgastante, contrastante, da que queremos fugir, quando fugimos, bem presa, a nós, quando se queda, colada, fazendo parte, fazendo mossa, quando nos falta, mais a sentimos, conformados, quando sorrimos, evitando, tentando esquecer, com fúria, por querer, precavidos, acautelados, por aqui, por ali, em tantos lados, sofrimentos, dores, clamores, mortes inesperadas, estertores, mão amiga que nos foge, ombro perdido, meigo, carinhoso, quando nos falta, quanta mágoa, tristeza que fica, que nos cobre, olhar perdido, saudoso, palavra sentida calculada, acautelada!!!...
quando nos falta, pouco nos sobra, quando se lembra, quando se chora, mais sentimos, quando perdemos, quando não queremos, porque desvalidos, pouco potentes, sombras da vida, permanentes, enquanto gentes, aparências fugazes, passagens, simples tendências, pouco vorazes, almas sentidas, muito doídas, tão diminuídas, quase esquecidas, apontamentos, marcas, rasgos, pontos e traços, escritas que eu faço!!!...
quanta demência, tão pouca crença, vida mesquinha, pequena, informe, seres que não querem, que não sentem, tantos outros, com fome, alguns, que muito pretendem, bastantes, que pouco ou nada têm, insignificantes, não são ninguém, sentimos mais, quando nos falta, pouco dizemos, quando sentimos, quando choramos, tão pouco sorrimos!!!... Sherpas!!!...
falta de profissionalismo, indiferença pelo que se faz, que se pratica, profundo autismo, mundo restrito com que se fica, alvéolo cerrado, curto espaço, falta de interesse, vida pequenina, faço, o que faço, para isso sou pago, uma mina, sacrifício, esforço vão, os tempos estão, como estão, a vida é sonho, diminuta, passagem, na voragem, qualquer função, irracional, não natural, ardor, labuta, disputa, quebra da rotina, razia, grande mal, dá dor de cabeça, cansaço, faço, o que faço, como gosto, como penso, valho o que valho, quando não, intento, para isso sou pago, a tempo inteiro a contrato!!!...
mentalidades, outros tempos, ineficazes, indiferentes, rola a vida, descabida, sem meta, sem contratempos, ambição comezinha, inocentes, trabalhadores, sem furores, constrangidos, despreocupados, sem disputas, sem ardores, filósofos da desdita, empregados na preguiça, que não arrefece, não atiça, não levam nada de vencida, arrastados, conduzidos e pagos, vivem que nem nababos, naquele alvéolo, curto espaço, conservado, escasso!!!...
vem o domingo, há bola, conjunto de amigos, bebedola, dá para o carrinho, com carinho, uma garina que outra, bom caminho, no vestir, uma montra, despreocupados, mal empregados, casa dos pais, uns dinheiritos, horizontes reduzidos, pequeninos, profissionais de nada, meio pataratas, gostam do que gostam, fazem o pouco, que fazem, no futuro, não apostam, pobres raparigas, infelizes rapazes, tempos tão diferentes, mudados, geração actual de poupados!!!... Sherpas!!!...
loucura colectiva nos gordos, nos magros, nos feios, nos belos, nos altos, nos baixos, tanto neles, como nelas, aos molhos, aos feixes, aos cachos, aos grupos, aos pulos é vê-las, histéricas, vorazes, aos machos, apalermados, de pé, sentados, bêbados, sóbrios, drogados, imbecilizados, fora do presente, de olhares ausentes, despersonalizados, curtindo, fugindo do que se sente, evadidos, transformados!!!...
em grupo, colectivamente, num ritual, numa crença, numa manifestação anormal, muito maior do que se pensa, adrenalina pura, natural, na droga da vida, na vida da droga, na ausência do físico, espiritual, na amálgama de sons, no que se goza, em tempos livres, no que se folga, em palcos enormes, gigantescos, artefactos musicais, jovens grotescos???... Sherpas!!!...
uma quebra na rotina, uma fuga, um encontro, uma folia, um encantamento continuado, um grito, uma rebeldia, sons fortes, estridentes, metálicos, agudos, graves, montes de gentes, irmanadas num sentir, conduzidas na emoção, braços erguidos, como traves, baloiçando, ao ritmo produzido, entoando a letra da canção, subjugadas, comprimidas, olhos fixos, atentos, por inteiro, rendidas, perante o grupo, no concerto, plenas de satisfação, quantos sacrifícios, quanto apegos, muito antes do momento, da hora, do acerto, do encontro tão desejado, há tanto tempo esperado!!!...
sempre assim foi, desde os sessenta, época de oiro, maravilha, gritos libertários, no pensar, na vestimenta, na guedelha comprida, na patilha, nos charros fumados, no amor, juntos como uma pinha, outra maneira de ser, uma flor, um delírio, uma confusão, bandas que foram e são, revelação, autêntica paixão, como primeiros, originais, muito mais do que os mais, hoje, clássicos lhes chamam, quando os recordam, os inflamam, quando os nomeiam, condecoram, Beatles, Stones e outros, puros diamantes, preciosos, únicos, autênticos tesouros, galácticos, sendo telúricos, exemplos, primícias, interlúdios, entre tempos aberrantes, e outros, bem mais extravagantes, começos da era moderna, trovadores dos carentes, despojados, deles, tudo se espera, neles sentimo-nos encontrados!!!...
vozes que se espalham pelos ares, revoltas cantadas, esgares incontidos, representação espalhafatosa, burlesca, focos e fumos, lasers, quantos milhares, numa cena, noutra ainda mais dantesca, parafernália colectiva, que se activa, se incentiva, inebria, paroxismo geral, tanto agora, como dantes, autênticos gigantes da pantomina, mimodrama que prevalece, que nos anima, que nos aquece nos enternece!!!... Sherpas!!!...
aquele cantinho, junto da lareira, nas noites de Inverno, quando criança, sentado naquela cadeira, um velhinho meigo, doce, meu avô, minha guarda, minha esperança, sorriso pronto, apagou-se, pela idade avançada, morreu, lembrança que dele tinha, pela desgraça, pelo fogo, ardeu, imagem dele, muito minha, já não o posso recordar, naquela casa, naquele lar, naquele recanto, naquela cadeira, junto à lareira!!!...
noutras alturas, baptizados, casamentos, quantos aniversários, boas disposições, risos, gargalhadas, ilusões, doces, alegres eventos, almoços, jantares em família, entre outros acontecimentos, noites de luto, de choro, de vigília, paredes, nosso refúgio, nosso abrigo, debaixo daquele tecto, pensar nela, não consigo, tantas recordações, fotografias, ao vê-la queimada, vestida de preto, minhas ilusões, gostos, manias, destroçada, tão alquebrada, arruinada, tudo feito em nada, doce lar, casa minha imaginada!!!...
lá nasci, nasceram meus pais, já lá viviam os avós, quantos e quantos mais, além de nós, se tal não acontecera, se não se produzira aquele inferno, praga tamanha, na Terra, pesadelo, tão pouco terno, de pirómano redutor, ameaça que não passa, um horror, que permanece vivo, temeroso, na vista, na mente, fogo alteroso, que tudo reduziu a cinzas, meus pertences, minhas lembranças, sem apelação, como um destino, figuras nossas quando crianças, dos pais, dos avós, dos irmãos, irrequietos, sãos, barulhentos, irreverentes, quando novos inocentes!!!...
tudo se esfumou, se transformou em nada, se queimou, como noite escura, como breu, escondeu, tapou, parte de mim, de meu, aconteceu naquela casa, nos objectos dos meus afectos, quedaram despojos negros, sujos, uns restos, das paredes, simples muros, telhados caídos, móveis ardidos, sonhos perdidos!!!...
naquele cantinho da lareira, sentado, naquela cadeira, ainda lembro, mal recordo, quando penso, não consigo choro!!!... Sherpas!!!...
dão casas, dão dinheiros, tapam uns buracos, remedeiam, já são useiros, não avaliam, não premeiam, com castigos eficazes, todos os maus rapazes, os provocadores do horror, os causadores da perdição, das chamas, do intenso calor, devoradoras de recordações, maldição, indutoras do pavor, estampado nos rostos, aflição, dos velhos, das mulheres, da população, dos homens revoltados, furibundos, perante o inevitável, o acontecido, tudo queimado, destruído, choros, esgares bem fundos, gestos, protestos, simples restos, de quem tudo perdeu, na voragem, quando ardeu, passagem repentina, agonia, num laivo de desespero incontido, revolta, apatia, vilarejo cerceado vencido!!!...
dão casas, dão ajudas, não dão lembranças, sentimentos, quantas e quantas custas, no Mundo interior de cada um, quando lembram momentos, quando recordam como era, antes de ardidos, cinzentos, mortos, sem vida, sem espera, dramas que se agudizam, esperança que se evapora, na terra, não como preconizam, com apoio de especialistas, psicólogos, ambientalistas, não vai ser igual, depois da tragédia, não se remedeia o mal, não se reinventa a comédia, não renascem os sorrisos, todos os preceitos, precisos, de tempos passados, já idos, quedam marcas profundas, coisas simples, rotineiras, vidas alteradas, rotundas, labirínticas, costumeiras, sem saída chagas bem fundas!!!...
dão casas, dão dinheiros, dão assistência, auxiliam, assim o dizem, afirmam, só lhes resta a razão, compensação, sem perdão, por quem, tal Inferno, desatou, sobre os incautos, desabou, destruindo sonhos, queimando esperanças, quedando sérios, nada risonhos, lembrando histerias, gritos e chamas, num rodopio, num desafio, numa fúria, que se não compensa, com bens materiais, quando se pensa, mudas, caladas, sem pio, mui maltratadas, ainda não pagas desconfiadas!!!... Sherpas!!!...
alinhavar umas palavras, arrumá-las, ao meu jeito, com mensagem, com defeito, palavras, com que lavras, sonhos, ilusões, sentimentos, num impulso, num repente, em ocasiões, em momentos, quando, como gente, me sinto irmanado, solidário, com a humanidade, em geral, pensativo, solitário, tentando aliviar, minha dor, meus lamentos, pelas chagas, pelo mal, que vislumbro, em redor, seja lá onde for, por onde a tristeza, pairar!!!...
dá-me para isto, confesso, um molenga, mais que professo, nasci assim, não mudo, sofro por nada, por tudo, não tenho emenda, admito, pelos males, deste Mundo, barafusto, berro e grito, pretendo endireitar o torto, afastar o imundo, o tosco, acabar com o morticínio, enaltecer o belo, o harmonioso, enterrar o assassínio, o perverso, o horroroso, o promíscuo, o corrupto, o pecaminoso, o imundo!!!...
que está mau, dizemos, pouco, ou nada fazemos, insistimos, criticando, discutindo e falando, pouca coisa, quase nada, quando a vida, de tão virada, se torna confusa, agressiva, hábito, norma permissiva, hipócrita, de vencida, cada vez mais pesada, insensível, bem cruel, bem amarga, como fel!!!...
palavras, com que lavras, textos teus, com intenção, quando escrevinhas, quando alinhavas, sentimentos e emoção!!!... Sherpas!!!...
quantos o são, pelas circunstâncias, as mais normais, num momento, num rasgo pura paixão, resultado, de actos sexuais, sem mais!!!...
mulher que engravida, que cria no ventre, fruto desse instante, por uns meses, o desabrochar dum ente, futuro filho, duma mãe, dum pai, tempo que passa, que esvoaça que vai!!!...
nasce, desejado, enjeitado, tanto faz, menina ou rapaz, abre os olhos, esperançado, com sorte ou infeliz, pobre petiz, acarinhado, quando amado, fardo pesado, rejeitado, logo à partida, mau começo perda de vida!!!...
quantos filhos, sem pai, quantos pais, sem filhos, no destino que lhes cai, que lhes cabe, com ou sem cadilhos, embevecimento, adoração, prolongamento, obrigação, grande desvelo, suma paixão, paizinho, paizão, por vezes, carrasco, criminoso recriminação, maus procederes trabalhos e fezes!!!...
quantos o são, tantos que não, pai exemplo, pai modelo, pai perfeição, trabalhador, zeloso, protector um senhor, gordo, magro, feio formoso, feliz e cuidadoso, para nós o maior, supremo, a esmo!!!...
obrigado pai completo, Deus te mantenha, te tenha, foste o mais dilecto, o mais amado porque amaste, protegeste, criaste, tudo deste!!!...
perdoa-lhes, porque não sabem, nunca souberam, no egoísmo, na indiferença, nunca deram, tão pouco quiseram, mas, que pouca crença, não assumiram, fugiram, viraram costas, partiram, deixaram a semente, fizeram gente, quantas faltas, quantas lágrimas, quantas falhas, não foram pais, não são iguais!!!...
para os pais de verdade, para os pais da saudade, para os pais do exemplo, de agora, de sempre de qualquer momento, profundo abraço, dia merecido, por isso faço, não esquecido, este poema, esta homenagem, simples palavreado, uma passagem, ao pai desejado, mais que amado!!!... Sherpas!!!...