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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

29
Out08

... carreiro!!!...

sherpas

... num formigueiro atarefado,

pleno de carreiros intensos, com entradas variadas,

movimento alucinante, conjunto que s´harmoniza,

prendo meus olhos, compreendo,

quando nele me adentro,

sinto-me conduzido, integrado,

pertencendo, como sendo uma das muitas coitadas,

com obrigação de permeio,

como quem conduz, desliza,

transportando pesado fardo,

cumprindo papel que me cabe,

sendo nada no muito que vejo, fazendo a minha parte,

com desvelo, com perícia,

compenetrado no trato

que me foi dado, como encargo,


... uma formiga... no carreiro...


coisa pequena, tão grande,

cisma q´arrasta com zelo

naquele imenso novelo, sem paragem, sem folgança,

corrida que parece dança,

quando atinge, quando alcança,

quando carrega p´ró celeiro

numa pressa vertiginosa,

permutando aquela imagem

p´ró destino, duma viagem,


... no caminho, na senda... no atalho...


afluência permanente,

num verniz que não estala,

confim com tanta escala,

quando s´atinge, s´instala,

gentes que s´atropelam,

destinos controversos,

tão distintos, tão diversos,

sem pausas, não s´interpelam,

quase s´adivinha, se sente,

d´improviso, num repente,


... p´ró destino... p´ró trabalho...


transmutação fulgurante,

sendo formiga, sendo gigante,

corpóreo mais aviltante,

convencido, mais importante,

pontinho despercebido,

ser diminuto, desprovido,

tarefa que vai cumprindo

na colónia a que pertence,

sentindo aquilo que sente,

chama viva que a conduz,

produzindo o que produz,

esforço de que é capaz,

tão normal, não voraz,


... p´ró resguardo... p´ró celeiro...


maldita criatura,

quando busca, quando procura,

quando atropela, sem custo,

quando desafina num concerto,

quando irradia ódios por perto,

quando pretende tudo, sendo nada,

perdido na grande cidade,

em busca doutra verdade,

carreiros sinuosos, às vezes,

tendo dores, tendo cresses,


... uma formiga... no carreiro...


incerteza q´acumula

prejuízos, sem alegria,

quebrando instituído,

aviltando harmonia,

fazendo rínha, destruindo,

a criatura, num caminho,


... num atalho... sem destino... Sherpas!!!...


 

27
Out08

... global!!!...

sherpas

... ia bem a brincadeira, sol na eira, chuva no nabal,

viagens com todos os trunfos, instalações de primeira,

mundinho tão chamativo, era do digital,

verbas incomensuráveis, ganhos absurdos, d´espantar,

globalização como saída agradável, permanente,

sustenta aqui, explora acolá, mata dali, dispara para lá,

mais para lá do que para cá,

espectáculo em directo, mercado aberto,

tudo se passava, bem perto,

fronteiras que não são barreiras,

encontros, ajustes, confrontos, pormenores próprios de quem progride,

de quem avança, não desiste,

carteiras plenas, fartas,

sobre desgraçados, simples carcaças,

destroçados de qualquer maneira, armas de sofistificação tremenda,

sem piedade, sem emenda,

em qualquer cantinho, uma contenda,


barbárie moderna, emenda que se não obteve,

lição d´então que não serviu, se tomou como chama na degradação humana,

casacas lustrosas, imerecimentos medalhados,

tão falados nos palcos internacionais,

com pompas, escritas untuosas em todos os jornais,


impantes, coleccionadores de fomes, d´injúrias,

cara de penúria na mãe d´olhar vago,

filho que é esqueleto apertado num braço,

mão hirta, estendida, apelação sem fúrias,

vítima, como espectro tão só, distante tão perto, assumido,

sem um tremor, sem um vagido,

sem um chorar, petrificado o rosto,

lágrima já seca, grande desgosto,


mama enrugada, moscas em chusma,

doença que é morte provocada por quem devaneia,

instâncias de susto, convénios, congressos,

negócios e lucros de quem se passeia,


inunda, esfacela o que lhe foi entregue,

alma desvairada, consciência vazia que não o persegue,


juntam-se os sete, os oito, os vinte, os quarenta,

falam com ênfase, preocupação recente,

como quem mente,

refundam o que inventam, mantendo o que faliu,

prosseguindo sonho imundo,

capitalismo que caiu,


global alegorismo do fingimento num poema curto,

tétrico, recôndito, profundo,

na miséria que s´ignora, negoceia

como solução, panaceia,

de quem pretende... ainda anseia!!!... Sherpas!!!...


26
Out08

... embuste!!!...

sherpas

... ambiente estranho, carregadas nuvens cinzentas,

ar plúmbeo por todo o lado, dúvidas que s´acumulam, intensas,

desconfiança que vai aumentando, tremuras do situado,

sujeição de quem não tem, pouca coisa, desprezado,

cabeças que tanto pensam, torvelinho em que s´encontram,

vão, juntam, jantam, discutem, passeiam, aceitam,

mantêm estadão, enquanto dizem, intentam,

mudando de posição,

erro global que tudo calca, bota desconfortável que aperta,

produz profanação,

origina calosidade no sistema que se esboroa

sob égide de quem comanda,

mesmo quando desmanda,

porque não calo, face ao escravo, opressão,

perante toda uma vida de luxo, escrevo à toa,


quem não teve, não tem, só lhe resta o que há muito fazem

quando trucidam, quando matam,

originando genocídio mentido,

dando vazão, como solução, a ódios que sustentam,

ganâncias q´alimentam,

sobrevalores, caganças, enlevo com eles próprios,

muitas dores, opróbrios,

imoralidades que s´instalaram

sobre vidas que ceifaram,


embora muito me custe,

terrorífica visão mantenho, considerando simples embuste

neste teatro q´aflige pequena rés da manada,

não sendo puritano, tão pouco liberal,

cidadão comum, equilibrado, sendo normal,

maneira distinta, sustenho, sobre os que transformaram tudo em nada,


porque na guerra de que pouco se gosta,

não obtiveram o que queriam perante quem se não prostra

não ligando aos que conduziam, como estratégia,

originaram drama colossal, crise financeira, tragi-comédia,


remexeram no que mais adoram, aceitando lixo como capital,

fundos sem fundo, imobiliário, criando império virtual,

permissividade total, libertinos no ideário,

cavalo à solta, desregulado,

todo o Poder do Mundo,

com ele me confundo,

sem intervenção do Estado,

deixando de parte qualquer aposta, indecência no pensamento

dos que se não mostram,

causadores, molhinho de imprestáveis sonantes,

regressando aos bons costumes, afastando grandes tratantes,

renovando estruturas, feitos,

não dando mãozinha a quem ainda enfarda,

revirando todos os preceitos,


alterando normas sujas, culposas,

deitando fora caras funéreas, cavernosas,

figuras que deram agruras, bem lustrosas nas suas vestes,

enquanto olhas para teus haveres, enquanto te despem deles,

acautela o que ainda tens, faz-te gente, faz-te capaz,

rejeita o que se refaz,

governança do tanto faz,

gulosa, pegajosa contumaz,

revirada no que não pensa,

quando s´acomoda... intenta!!!... Sherpas!!!...


 

22
Out08

... berlim!!!...

sherpas

... passei por tudo, olhei, pisei folhas secas no chão,

andei misturado com turistas, com naturais, mais que bilingue,

poliglota q´arranha,

desilusão, nem chispa de alemão,

por mais que me desunhe, com raiva, com sanha,

perfeita aceitação dum povo que não distingue,

aceita, recebe com sorriso prazenteiro,

coloca-nos no coração,

doce sensação de quem pensava o contrário,

mais inefável me sinto, no conforto de quem recebe,

dando, com gosto, meu gesto, meu corpo,

encostado àquela cruz pregada na sebe,

com rosto,

nas margens do Spree,

salto do sector comunista, atravessamento que se busca,

pertinho da estátua do grito que liberta,

ainda desperta,

pesadelo de medo, metralhetas postadas, tanques pesados,

rodadas de arame farpado ao longo dum muro, nas portas,

passagem controlada, cidade destroçada,

partida, sujeita, potência que ainda geme, ainda paga,

urso de garras cortadas, agora mais meigo, símbolo colorido,

doce vagido,

sentimo-nos acarinhados num espaço moderno, arquitectado pelo Mundo,

construções mirabolantes na diversidade, no avanço,

não descanso,

cirando pelo Parlamento, pela praça da República, pela estação Central,

navego por um rio, escancaro os olhos, revejo antigo que se recupera,

novíssimo que se projecta, se afila, perfila, ganha volume, situa

na rua,


admiro trepadeira de tons castanho amarelados que s´adona de casa senhoril,

dando para um viçoso encarniçado, contornando janelas, portão fechado,

chego a término da avenida sem fim, olho para trás,

que bom sentir,

satisfeito, embora cansado,


ao longo de imenso parque, ainda com javalis, centrica estátua da Vitória,

movimento que s´adensa, compensa,

bicicletas que transportam, casais jovens que se namoram,

autocarros apinhados por tantos lados,

metropolitano abaixo da linha d´agua, confuso,

estátua partida, estilo contuso,


desloco, vou ouvindo, entrando, reconhecendo

história medonha d´horrores, figuras em fotos que perpetuam monstros,

outros encontros,

imenso memorial p´rós judeus, espécie de campas engranitadas,

quatro entradas,

espaço aberto, local de concerto, palácio da ópera,

universidades de muitos estudos, lá ao fundo o “pirolin” da televisão,

chamamento, ascensão,

descortino cidade que se explana, serpenteando no horizonte,

correnteza d´agua q´encanta, dá brilho, dá cor, barcos que se seguem,

vão, vêem, prosseguem, enquanto mostram ao visitante,

sons que s´espalham pelos ares, barraquinhas de fardas antigas, chapéus militarizados,

por todos os lados,

cosmopolita cidade, chaga viva, força de vontade com muro que foi derrubado,

caminhando, vejo presente, adivinho futuro, esqueço passado,


grupo de crianças que visita museu da cidade de então,

busco local da “besta” que se incendiou no Bunker,

não me dizem, ignoram, não lembram,

não consigo chegar ao abrigo do louco,

desisto, vou noutra direcção,

visito palácio nas imediações, jardins cuidados como se quer,

águas plácidas, galinholas, gansos, cisnes tão belos,

arvoredo tão denso, paragem, desejo, comida picante,

museu d´arte antiga, egípcia também,

catedral protestante, com panteão recheado,

mortos importantes, cabeças coroadas, repouso eterno,

restos de muro, check point Charlie, desespero,


das cinzas retornou, renasceu, fez-se alguém,

cicatrizes que se guardam, escondem, mostrando estigma,

compreensão condoída, com estima,

sofrimento intenso, quando recordo,

bem acordado, no escarcéu que m´envolve, recobro,


vejo jovens fardados, empunhando bandeiras, coches puxados por corcéis negros,

máquinas que s´apontam, fotos que tiram,

novelas de medos,

vidas vividas, noites sofridas,

mortes em conjunto, perseguições em ruínas, casas erguidas,

esperança, por fim,

discussão no Parlamento, cidade de sonho... moderna Berlim!!!... Sherpas!!!...

 

20
Out08

... memória!!!...

sherpas

... mais uma vez passei os olhos pelas suas pedras marcadas,

erguida, como memória que está presente,

ladeada por construções modernas, sombras vergadas,

silêncios que entram, se prostram, oram,

recordando violência, destruição noutras entradas,

como era outrora, sua pujança, olhar fremente,

traços tão belos se descortinam nos restos que sobram,

apontamento nos coloridos, finas pedrarias, imagens sagradas,

recolhimento que m´inunda, quando se sente,


num Mundo em fúria, intolerância inumana,

império dum louco, fera tão grande, imposição d´altura,

guerra destruidora, na funérea solução, dor como tema,

perseguição contumaz de raças e credos, arianos se diziam,

diferentes se julgavam, quando enalteciam,

prediziam futuro num movimento sem alma,

nacionalismo maldito, cânticos de morte,

abrindo caminho, seguindo impúria sorte,

calcando com denodo,

vomitando desprezo, alçando domínio, cometendo infernos,

passados que foram, lembrados defeitos,

perpetuação dum dilema,

história tão triste, chagas esparsas, maldição com dolo,

tremendos invernos,

esquecendo preceitos,


mesmo no centro,

homenagem que presto às vítimas de então,

avenida moderna, galerias de luxo, restaurantes numa economia florescente,

marcas de automóveis de culto, estátuas que lembram a reaproximação,

fonte d´almôndega, recordatório, praceta animada,

início da peregrinação,

por fora, por dentro,

sendo mais um, no meio de tanta gente,

conflitos que se chocam no muro, na praça,

reconstrução permanente,

 

sistemas em queda, refundação do capitalismo que se pretende,

socialismo que separou,

bolha nos mercados abertos que já deu... rebentou,

em tempo da crise que surgiu, apareceu!!!... Sherpas!!!...


 

08
Out08

... olhos!!!...

sherpas

... casual acontecimento, simples gesto,

encontro d´olhos ávidos que se cruzam

sítio aberto, tão imprevisto,

sensação de conforto que m´inunda, desperto,

não confuso, devoluto na alma que m´impregna no momento,

quando subo em apartado que me não é estranho,

impreparado meu pensamento,

choque que m´envolve,

sensação que me transporta a outro tempo,

retrocesso tão intenso de que não desisto,

imagens sucessivas s´atropelam,

quase inocente na idade que não é engano,

realidade com que deparo quando m´adentro,

perante factos que me rebaixam, no provimento,

fazendo parte, sem ser devasso, de tanto lixo,

mais rendilhado, de relance,

entrecruzar dum rosto tão prendado,

lagos intensos, amendoados

que m´iludem,

por mero acaso, quando cruzados,


doce porvir de quem medra com afago,

riso cristalino de quem profere ruído q´ecoa ali por perto,

meiguice maternal que não destoa,

puro acerto,

debando, em calmaria que está presente, não páro,


sigo percurso, não destoando do que me rodeia,

esquecendo chama que não incendeia,

fazendo parte de conjunto que se harmoniza,

comendo tempo disponível em passeio,


afastado de qualquer querela que s´enferniza,

catedral que me consome quando consumo,

hábito antigo, quase refúgio, quase recreio,


encontro de tudo, ajuntamento que se tornou norma,

num sobe e desce, tão diferente, simples acesso,

ponto de encontro do diferente q´está disperso,

interesse comum do que aceita, não enferma,

figurado que se não julga, nem destoa,

momentânea presença com que deparo,

quando, num fugaz relapso reparo,


olhando caras com que me cruzo,

ficando intrigado, quase confuso,

nos segredos que me confessam, num segundo,

vidas secretas, desejos profusos,

não ocultos, meio encobertos

nos que me perco quando descortino,

velho sabido, não libertino,


lugares pejados, quase desertos,

planícies imensas, searas compostas,

árvores de fruto, ávidas, desgostos,

tristes rostos em tantos corpos,

ciclópico observador

nesta Odisseia que me proponho,

compenetrado, mais alegre ou tristonho,

pelásgico, quando me disponho,


amendoados lagos que não aprofundo

vendo neles, pedacinho prometedor,

como omnipotente Senhor

sendo, na Terra, um Zeus,

véu q´afasto, descobrindo outro MUNDO,

tendo teus olhos... nos meus!!!... Sherpas!!!...

 

06
Out08

... gente!!!...

sherpas

... gente que deixa de ser gente, num repente, se torna diferente,

que mata outra gente, quando fala, sempre mente,

quando ri, julgo que chora,

em grupinho prepotente, vai à missa mas não ora,

fala com tanta gente, vai mostrando o que não sente,

serviçal, subserviente dum tresloucado, como mentor,

causa dano, causa horror,

quase apavora,

indiferente, perante tanta gente, lugarzinho de feição, rejeita, nega,

não contesta,

ignora aquele que sente, detesta como quem não presta,

coisa indigna, indecente,

pouca gente,

quase como quem repugna, afasta quem julga,

olha, avalia, pensa, quando perora sentença,

quando dá pistas modestas,

quando tenta reparar profundas feridas, afiadas arestas,

quando esquece tantas vidas, muitas chagas,

quando não repara em pégadas sanguinolentos que deixou,

tantos rostos, tantos mortos,

tantos corpos,


restos do que existia, tristeza imensa no regaço da fantasia,

mundo pleno de dor, antítese da alegria

na destruição que não contempla,

na fruição q´espaventa, quando atira, quando aventa,

fluido, pouco correcto, no trajecto, no aspecto,

tão discreto, tão abjecto,


tão elevados nos cargos, pesados fardos,

sombrios encargos,

peixes mortos que tresandam, quando aparecem,

quando andam, curvilínios quando servem,

alguma verve na oratória,

muda a vida, altera a estória,


roliços como texugo,

mais enxuto quando o culpo,

gente de vários pelouros,

tacanha com seus amanhos,

prometedora d´antanhos,

faz-se grande, ganha vulto,

voraz nos bons bocados,

pouco capaz, dando recados,

protegendo crias, prolongamentos,

arredondando haveres, alguns pedaços,

encantamentos,


troca que s´impõe, tão condigna como justa,

uns milhões por aí, pouquinha coisa se perdia,

não se sentia,

se por acaso, quando se compara,

quando s´olha, quando se pára,


reparar mal feito,

correr com essa gente,

precatando imensidão de tanta nódoa, tanto defeito,

nessa coisa tão diferente,


com continha que s´ajusta,

no pagamento que s´espera,

nesta bola, noutra esfera,

noutro PODER qualquer,

como se pretende... como se quer!!!... Sherpas!!!...

 

04
Out08

... vidraça!!!...

sherpas

... intimista, mais familiar a sensação,

embora, lá fora, a chuva caia,

se faça ouvir a ventania,

queda d´árvore que nos abrigava nos dias quentes de Verão,

ausência da pequenada desocupada, bairro seguro,

brincadeira de rua q´ainda existe por aqui,

bola que rola, bicicleta que distrai,

aventura que se insinua naqueles débeis corpos, franzinos, vivaços,

fora dos novos vícios, jogos e vídeos, computadores,

vão sendo escassos,

largo fronteiro à residência que tenho,

parque, espaço aberto,

ar puro, agora deserto, quando me detenho

por trás da vidraça que m´isola,

resguarda, descobrindo o que me não consola,

na vida que rola, passa,

no carro que busca caminho, no funcionário diligente,

encolhido, quase tremente,

perante chuvisco que desaba, frio que se faz sentir

no começo da madrugada, correndo, quase a fugir,


cresce, decresce a vegetação que nos rodeia, enleia,

recupera de todo um Verão, fecha-se sobre si mesma,

tal como o escarcéu desaparece

na urbe que adormece,

tristonha nas lágrimas que sente, regueiro incontrolável,

no pequeno regato que canta, no charco que se vai fazendo,

no chapinhar constante que desaba, tão cinzento,

tempo de introspecção, recomeço de nova missão,


aprendizagem na escola que faz crescer,

trabalho costumeiro como obrigação, como querer,

recolhimento do mais velho, olhando atrás da vidraça,

contando o tempo que passa,

sorriso beatífico q´ostenta

quando recorda, quando lembra,

fazendo parte da contenda,


produzida no seu pendor, mulher nova, viçosa,

passos firmes, tão certinhos,

pontinho de cor que deslumbra, espalhando algum espavento

num que outro rebento,

indiferente à chuva, face ao vento,

Primavera que permanece tão segura, tão formosa,

levando, pelas mãos, os meninos,

brotos que se descuidam, pingentes,

saltitantes, tão inocentes,


promessa que se futura

perante inclemência, agrura,

monotonia que s´abate, alguma apatia m´invade,

nesta tarde d´alguma chuva que se reflecte na vidraça,

indiferença, certa melancolia que... passa!!!... Sherpas!!!...


 

03
Out08

... devaneio!!!...

sherpas

... qualquer dia dirão que... o “rei vai nu”

apesar de convencido

nas lindas roupagens q´ostenta,

quando s´atira por aí, em passeio,

frente de quem s´ausenta,

impregnada de bonitas palavras,

imagem de sonho

que visualizo, componho,

quando se propõe fazer,

tratando quase por tu

qualquer inocente, de mente,

desponte d´idade,

juventude ludibriada, no meio de tão pouca verdade,

na corrida que vai correr,

 


mais um que se avizinha, simples roteiro,

quase escape, devaneio,

estando presente, fazendo ouvir lugares comuns,

assim antevejo, descomponho,

misturado entre os demais, os de menos, os iguais ou

os nenhuns,


tenras crenças,

grandes sentenças,

sapiência de quem intenta na voragem,

no trajecto, no rumo que leva,

que tem,

face a quem começa, ainda não sendo ninguém,


fraco exemplo, como amostragem,

cavaleiro dos grandes projectos,

muitos fins, poucos afectos,


destino mais que sabido

no prolongar dum mandato,

fino, ronço, conhecido,

matreiro a tempo inteiro,

sorriso de sábia presença, tão constante,

enganador,

respeitado como senhor,

longo percurso do... que já foi professor,


rutilante, majestático,

semeando prebendas, alguns gestos,

descortinando placa, efeméride,

traçando caminho, dando conselho,

apertando mão d´alguém,

prometendo o que não tem,

qual rainha d´Inglaterra

que se não ajusta, s´enterra,


dum pomar que destruiu,

inclinado, quase fanático,

coisa que nunca se viu,

sendo vedeta, fantástico

na carreira que conseguiu,

 

ascensão ao sétimo céu

fazendo de tudo que é seu,

interesse mais que abismal,

pontinho escasso, plebeu,

ténue símbolo de... Portugal!!!... Sherpas!!!...


01
Out08

... ruína!!!...

sherpas

... parede arruinada, grande mancha na fachada,

portas que não são entradas, casa vazia, fechada,

janelas entaipadas, por cautela, precaução,

propriedade que continua, ninho que foi abrigo,

mesmo no centro da rua, quando reparo, falo comigo,

quanta lembrança, que sensação,

sons que me perseguem, gemidos, choros, falares, projectos em união,

habitação, como quaisquer lares, repleta por tantos cantos,

alegrias, espaventos, encantos,

nascimento doutros rebentos, era muita satisfação,


toda ela reluzia naquilo que a preenchia,

agregado completo, família,

entre mais velhos que zelaram por nós,

casal novo, esperança que se renovou,

pais dos pais, agora avós,

quantos momentos, no tempo que passou,


como santuário concorrido, local de promessas, ceras queimadas,

nas velas que chama consome, lapsos que foram gozos, gargalhar, esgar, sorriso,

grandes acontecimentos, pequenos nadas,

alguma fartura, escassez ou fome, prantos em altura de morte,

ajuntamento mais diminuido,


presenças que s´esfumaram, ausências, porque não estão,

as coisas são como são,

dispersos por tantos sítios, idos do berço, nossos princípios,

apagamentos conseguidos, um que parte para outra parte,

outro que falece, queda do que desaparece, doença triste, algum enfarte,


dor que entristece quem fica, porta que vai rangendo, sala que s´esvazia,

janela que se não utiliza, cerrada, quase sempre,

sol que fica na rua, na casa que foi minha, que é tua,

parede caída, quase nua,

cabouco que agora é mancha, registo de quem falece,

quase vazia, fechada,

cara triste na fachada,


bicharada que se introduz em nesga por onde passa,

mesmo junto ao resistente, último habitante, como gente,

viúva com imensos pensares, cisma, como entretém,

esperando visita d´alguém,

remoer de todo um percurso, nos pesares, na emoção,

carga que s´avoluma,

por ali s´encontra, por ali s´arruma,

corpo caído no chão, término da solidão,


casualidade de quem já não vem, exéquias que s´executam,

fuga daquilo que foi rua, prazer q´ali existiu,

sarcófago que se fechou, abandono, quando partiu,

foram sózinhos, foram aos pares,

desgosto que flutua pelos ares,


névoa que cobre tudo, vontade que s´acentua,

ratos por toda a parte, fechadura q´engrena, que chia,

fantasma que está presente, gira a vida, gira o Mundo,

esquece o tempo, vai-se a rua,

cai a casa que foi refúgio, recordação que se desvirtua,


longe dali, em qualquer parte, sendo sombra, sendo frente,

sendo costas do que foi, já não pensa, se recompõe,

aceita tragédia como destino,

esquece berço, esquece ninho, esquece a casa que foi!!!... Sherpas!!!...


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