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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

31
Dez08

... ano!!!...

sherpas

... como quem não quer, pé ante pé, quase envergonhado,

lá vem de novo o que é tão velho, descabelo imenso numa morte anunciada,

vem choroso, intensa dor acumulada,

um pouco por tanto lado,

falta tudo que nos forma, quando dimensionados,

juntinhos uns aos outros, irmanados,

maravilhas que nos deslumbram,

impressionam, tornam pequenos, inundam,

felicidades tantas que nos alagam,

formam densa barreira que contém ódios desatados,

fúrias de quem se diz dilecto POVO, filho dum Deus que conforta,

esquece, não exorta,

pela força descomunal, destruição tremenda, tenta aquietar contrários,

d´ideias, feitos mais reduzidos, figadais adversários,

vizinhos de costas viradas,

religiões em Terra Prometida,

maus exemplos duma incúria que descamba,

que balança, que trucida,

quase todos os anos, como vida,


num velho que se vai desvanecendo,

com vítimas que vão morrendo,

envergonhado, pé ante pé,

ei-lo q´avança numa dança que não é nova,

visões d´horror como prova,

choram as almas, choram os crentes, choram os POVOS,

morrem inocentes... velhos e novos,


terror que não enobrece, nos aquieta toda a inventiva,

revolta, quando fumos se levantam nos céus,

barulhos medonhos deflagram, terras que gemem,

pessoas ocultas que temem,

quanto tremem,

cânticos, berros, clamores em uníssono pela vida,

destapam rostos, cobrem-nos pesarosos com negros véus,

mesma dor, sentimento raivoso por jogo sujo que rechaça,

qualquer estratégia, esquema, trapaça,


descobertos elementos de sorrisos claros q´ocultam,

quando intentam, quando culpam,

sendo culpados também,

porque coniventes por quem TUDO mantém,


sordidez na lama que s´espalha na humanidade que sofre,

como quem cospe,

valores sepultados de há muito,

proveito com proventos, usufruto,

matéria infecta que persiste... ainda existe,


pode ser que mude, q´altere comportamento no futuro,

q´afaste tal maleita, esconjuro,

cabe-nos a nós, como um todo que somos neste MUNDO,

sendo DEUS na união que nos forma, sendo TUDO,

conscientes do que pretendemos com ansiedade,

revirando esta triste realidade,

dando conforto, dando PAZ, dando aceitação aos que são, aos que não,

tolerantes connosco, com outros,

aceitando, tentando reinventar o que está deformado,

começando de novo, esquecendo o velho,

neste péssimo, tristonho bocado,

sem juízo, nenhum trambelho,

maus condutores enraivecidos q´usam guerras, que são monstros,

maus caminhos, péssimos confrontos,


... “como quem não quer, pé ante pé, quase envergonhado,

lá vem de novo o que é tão velho, descabelo imenso numa morte anunciada,

vem choroso, intensa dor acumulada,

um pouco por tanto lado”!!!... Sherpas!!!...


28
Dez08

... dormiu no... chão!!!...

sherpas

... foi diferente, dormiu numa cama,

foi tratado como pessoa normal, tomou banho,

cabelo cortado a preceito,

roupinha quase nova, já usada mas lavada,

intensa chama,

na fogueira intensa da sensatez momentânea,

deram-lhe atenção, esqueceram o desprezo com que, quase sempre, o tratam,

retrocesso ou um grande engano,

dúvida que o assola, seu jeito,


depois de levar tanta patada,

figura indesejada, rejeitada,

quando o fazem sentir pior do que um cão,

não lhe dão a mão, não lhe dão a palavra, não lhe dão o olhar,

uma coisa qualquer deitada no chão,

noites de frio, manta ou papelão,

jornal aos montões, corpo que se aquieta,

quando no silêncio da cidade, alma inquieta na torpeza que tem,

não pensa,

olha, não chora, aceita,

aguarda o final do resto que foi,

frangalho que por cá vegeta, resiste e não passa,

vida d´hipocrisia, grande trapaça,


são muitíssimos mais do que no ano passado,

alguns, deixaram de se ver, outros são novos para ele,

juntinhos no mesmo, indigentes, no ser pouquíssimos,

drogados, prostitutas velhas, pedintes de sempre,

azares da vida, cambalhota num mau bocado,

falta de tudo, fuga de todos, acolhimento na rua,

casa q´é minha, q´é dele, casa de todos, por se acaso, será tua,

vida ruim,

não se deseja, acontece a qualquer,

conhece muitos que foram riquíssimos,

paupérrimos agora,

vivendo cá fora,


rostos diversos, caras lavadas, cabelos arranjados,

estômagos bem cheios,

conversa da boa,

parêntesis dum calvário constante,

situação dos mais acabados,

gozos, danças, farturas, doces,

gargalhares que se soltam, esquecimento do que são,

um instante, uma atenção,

tudo isto em Lisboa,

uns dias apenas, recalques agridoces,

conversão d´alguns, arrependimento duns tantos,

tremendos enganos, espectáculo, televisão,


amanhã s´afasta,

sem eira, sem beira,

outra vez pelos cantos, mais limpo,


estendendo a mão, lamuriando uma ajuda,

não o ouvem, não lhe dão,

não o afagam, não o olham, o MUNDO desaba,

perdição, desespero, apaga-se a fogueira,

tudo s´acaba,

corpo lavado, barbinha feita, roupinha cheirosa... costados no chão!!!... Sherpas!!!...

 

22
Dez08

... NATAL... por uns dias!!!...

sherpas

 ... Natal???...


... nascimento, esperança, religião, palavras bonitas à mão,

aproveitamento de quem comercializa,

chagas que s´afagam, barrigas que s´enfeitam, corpos que s´abrigam,

nalguns parcos dias, comiseração,

boas vontades de quem não é, ainda, lobo de todo,

anuência do imbecil, do indigente, do que acredita como um louco,

algum conforto do que s´alivia, dando,

escondendo o que sempre foi, enganando,

cerimónias faustosas na CASA do PAI (???...)

ricas vestes de quem s´investe, se mantém, não cai,

dormindo na rua, recolhe alguma roupa, convive com outros,

come o que lhe dão, são muitos mais os que eram bem poucos,

velha decrépita, andrajosa, sem nada,

jovem marginal, sem futuro, sem abrigo,

drogado indefinido, matéria espúria, rejeitada,

da vida, nem retalho, nem bocado, sózinho consigo,

cravo como espinho enterrado na carne que sofre,

sob qualquer trapo que o cobre,

quando, estendido no chão, esquece porque não come,


arredado do convencionado pelas mentes superiores,

que neste período, neste intróito, palavras doces, sorrisos,

se lembram um pouco do que não são,

como devoção, dentro dos bons costumes, da tradição,

em ladaínhas repetitivas, tocam os sinos,

que bonito que é, homens de muita fé,

bem ricos os governantes daquilo que vimos,

sentimos,

são partes menores, são muitos milhões, são escarros esquecidos,

dinheiros perdidos,

doados até,


festas d´estalo, brilhos, luzes, vontades de truz,

cantigas, loas, semanas bem cheias do situado que produz,

problema que s´adensa, se lembra, s´esquece,

contrai, arrefece,

rictus na face, um contrasenso,

NATAL que é promessa, quando o esmiuço, quando o penso,

são CRISTOS que se rejeitam, crucificam, exploram,

rezas que oram,

CASA do PAI (???...) com tantos filhos que estão fora,

choradinho d´altura, reverência, mesura,

são brilhos, salpicos, granitos d´areia,

de quem se rebola,

usufrui, passeia,

no âmago da dor, profunda amargura,

são vestes que dão, são ceias tão lautas,

são coros, são flautas,


remendos apenas, são pensos pequenos, tão curta panaceia,

esperança que volta, s´apaga num ápice,

NATAL que... renasce???... Sherpas!!!...


17
Dez08

... dá... "diva"!!!...

sherpas

... tão calmas, brilhantes de prata, pequenos socalcos,

olhos que pestanejam, quando olham,

ventinho que mal se sente nos pontos mais altos,

afago, cumprimento às pessoas que por ali passam,

guardam, pensam que sonham com o que vão vendo,

imensidade de fantasia num pedacinho de realidade,

maravilha que se depreende, raridade,


não obstáculo, adentramento numa dimensão diferente,

felizardo do que usufrui, parado no tempo,

lentamente,

conseguindo discernir mais além, comparando,

fazendo de conta que não conta,

quando aponta,

se revira enquanto vai parando,

considera coisa rara, dotada no que se admira,

integrada, fazendo parte,

num aparte,


cantinho, como refugio, dentro da loucura do Mundo,

tão confuso, tão disperso, tão sem nexo,

afectuoso amplexo,

perante agitação permanente do que quer mais que lhe pertence,

sonegando ao inocente,


conseguindo abarcar o formoso,

ultrapassando a insana ousadia de quem deforma com raiva,

num esboço do que se pronuncia,

num débil gemido de quem sofre,

quando cai, quando abocanha, quando morde,

numa aflição a que se segura,

agarra, debilitado, ainda de pé,

quando ainda é,


porque não consegue afastar olhos do que é belo

neste tão grande novelo,

cadinho que lhe é querido,

mesmo com dor, sofrido,


instância que s´exagera a quem tudo quer, não vê,

coibição do que s´encolhe,

do que não julga, do que crê

no descrédito que nos confunde,

nos tapa o que temos tão perto,

neste mar tão aberto,

qual solidão num deserto,

hecatombe que s´avizinha,

natural expectação de criatura tão pequenina,


tremura que nos emociona na imagem que nos marca,

pontinha de endeusamento quando entendemos

o que vemos,

fortaleza que nos enaltece,

num instante que temos,

sorriso de quem conhece, de quem ama... agradece!!!... Sherpas!!!...


16
Dez08

... controverso!!!...

sherpas

... não deixo passar o azar,

desdita de quem dita,

enfado de quem sofre,

bisonho que urra, barafusta, enxameia,

tacanhice do sorrateiro,

avidez do usureiro,

ganância de quem alardeia,

espalhafato do que não presta,

insensatez do que resta,

remanso do que s´instala, do que fala, não faz,

incúria do incapaz,

desplante do que se prostra, do que se não mostra,

sacanice do desenrascado,

de mau feitio, de mau trato, desabrido com amigo,

quando finge, quando jorra,

plavareado de monta, porque no alto colocado,

que raio de fado o meu,

quando me considero incréu,

homem de pouca fé, concreto no que avalio,

desconfiando de quem me não fio,

acautelado, pouco ou nada parco,

como contas dum rosário, quando deslizam em mãos de muçulmano,

rezando o “tasbi”,

como por aqui,

beatas frenéticas q´entoam rezas quando s´inquietam,

palavras que vão desfiando,


compondo desenhos, pinturas,

preenchendo, com imagens que faço, retratos que m´aquietam,

pequenas façanhas, grandes agruras,

convicto em quem acredito,


clausura, tão ausente, de joelhos, mãos abertas,

peito chagado, resistente, augurando outras ofertas,

espirituais, doces confortos

no seio de tantos abortos,

solos estagnados, feios,

restos fétidos, sem beleza,

refugiado numa qualquer certeza,

de bruços, quando prostrado pelos desgostos

na lama que pisa, sem mancha, incólume, longe da mácula,

tão sensato, não vernáculo, antes fora como cábula,

guardando seus pensamentos,

reservado nos sentimentos,


mal comparando, não sendo,

tão longe do que se verga, aceita humildemente,

destino, como inevitável,

no banco d´igreja aberta,

frente a capela de fausto,

na Senhora que desperta fé tão intensa, certeza,

doirados que ofuscam tanto,

na mesquita que se levanta,

na sinagoga, quase deserta,

silêncios que nos rodeiam, oprimem,

redimem,


salmos, com cântico dos cânticos,

junção de todas as religiões,

ritos litúrgicos,

pregações de quem disserta,

nos sermões,

missas sem fim, pregação de quem prega,

que ouve, se apega,


afasta quem não entende,

sustendo o que pretende,

enlevação ilusória,

vida para lá da morte, sua sorte,

outra estória,

cerrado em paredes de casa, como convento,

sendo folha, sendo portento,


diferente,

na liberdade como feição, alcance duma ilusão,

esperança, como perfeição,

não jungido a SER absoluto que permite dissolução de costumes,

confessados pecados,

admitidos, perdoados

na vida que não os limita,

não aperfeiçoa, imita,

 

expandindo, avanço, torno imenso no Universo,

sendo retrato, sendo reverso,

sendo pragmático... controverso!!!... Sherpas!!!...

 

14
Dez08

... temor!!!...

sherpas

... angustia que sinto, quando m´adentro,

reduzido a nada, no momento,

torno-me pequeno, não existo,

no encontro que não encontro,

deixo de ser, desisto na altura,

catástrofe tão grande, cataclismo que surge,

ondas de medo,

tremura que m´assola,

visível embaraço de quem procura,


mal tão grave, de quem se não cura,

inexistência de facto,

mau bocado no trato, na falta,

pano cinzento, nódoa obscura,

venda nos olhos, olhando para dentro,

desassossego tão intenso,

não crio, não penso,


quando s´esvai, decai o presságio, diminui a virtude,

arroubo que foge, escondido de mim,

desfalque, atitude,

fugindo, outrossim,

jogo tão estranho que me distrai do que sou,

fingidor que se desfaz, vestígio que s´apagou,

resto d´alguém que bem quer, não tem,

protestativo permanente, pobre ninguém,


lamúria q´assombra, agiganta por vezes,

febres tão grandes, doenças, malteses,

sem dono, sem mátria, safras inóspitas,

palavras incógnitas,


campinas sem freio,

são feras terríveis, visões tenebrosas,

casquilhos de vento, intempéries ferozes,

fardamentas que ponho, cobertas tão leves,

com cruzes, com cresses,

são sextas, são trezes,


azares q´arrasto, feridas, emplastros,

sanguinolentas imagens,

corpos que são mastros,

barcos de rastos,

esqueletos, conhecimentos tão magros,


olhos q´abarcam Mundo perverso,

num remo que se deixa, num mar que é fronteira,

divisão que m´esmaga, num balbuceio,

num verso,

vazio tão cheio,

meu medo... receio!!!... Sherpas!!!...

 

12
Dez08

... romantismo???...

sherpas

... casa elegante, de porte digno, palacete,

janelas rasgadas, amplos jardins, varandas no topo,

divisões magníficas, decoradas com espavento,

mobiliário d´estilo, época barroca, nos amarelos, algum verdete,

ferrugem que se vislumbra nos ferros antigos,

retorcidos, já esfolados pelo uso,

algum consolo,

camas encolhidas com almofadões, posição d´então,

não estendidos, respaldados,

de bom tom,

resfolegados naquela posição,

mais coxim do que cama,

assim se chamava, pelo dossel,

pelo embainhado das sedas, dos brocados,

linhos que foram alvos, pelo tempo, amarelados,

finas entretelas, algumas estrelas bordadas no papel do quarto,

usança da fidalguia que s´entretinha entre música,

no minuete que era dança,

na lira ou no cravo que soava,

naquele viver, parco reparto,

gozança recatada,

passeio junto ao lago, cisnes e patos, comida no prato,


mesas ricas nas baixelas,

javali ainda fresco, montaria de facto,

perseguição no campo,

faisão enfeitado com penas servido em travessa de prata fina,

saiotes em balão, corpetes, risadas empoadas,

lencinhos rendados, peitos amplos,

vinhos servidos em copos trabalhados,

sapatos altos, arrotos, sopa na terrina,

som dum ladrar contínuo no exterior, espirros que dão gozo,

quando sentados, quando de pé,

cheirinho numa caixinha de rapé,


jogos em tabuleiros de xadrez,

contos do que se faz, do que se não fez,

petizes aos molhos, barulhentos nas correrias,

impertinentes numa cabra-cega, prolongamento dos azulados tão posicionados,

condes, barões, baronetes,

condessas, marquesas, redondeio de toda uma corte,

sua sorte, mais ao norte,

paragens, depois de banquetes,


prosápia de quem se julga, de quem se sente predestinado,

com palacete,

doirados relampejantes, cravejamento com diamantes,

tecidos ricos,

alguns gozos, muitos risos,

incontidos, leque que tapa, mostrando sinal a quem avança,

quando se alcança,

tempo contido nos espartilhos,

alcova de damas que albergam seus amantes,

devaneios em salões, em jardins, em caçarias,

especiarias,

mães de fidalgos, filhas ou filhos,

época do romantismo, no meio de trapos, d´atilhos


requintes vedados a plebeus, horda de lapões, labregos,

nas cozinhas, com vestes de quem serve,

seus apegos nas rudes lutas da labuta,

força bruta de quem permite tudo isto q´existe no palacete,

com verdete,

ferrugens nos ferros retrocidos,

pouco lustrosos, redondos, parecidos,

constante gesto que rejeita tanto pivete,

no abanico, como leque,

falta de banho, com muito escarro, com muito cuspo,

rosas apetecidas, perfumes naturais, como os mais,

vidas encardidas, vidas a custo,


pinturas de quem ali vive, retrato do dono que posa na altura,

retoque na bochecha, cor na face, vestimenta apropriada,

ciranda a matrona que é criada,

mordomo que s´empertiga,

às ordens de quem obriga,

aleitamento do bebé birrento, mãe q´entrega sua tarefa

a ama de leite,

mulher do povo que protege aquel´outro corpo,

entronchado como repolho,

saias sobre saias, escondendo algum rebuço, fraco escolho,

tarefa de fazer carregar sobrolho,

sobrevivência em cada encontro,

disseminação da espécie, prolongamento,

aproximação, dado momento,


luxuria que se pavoneia... num Mundo torto,

cavalarias, montarias, danças de salão,

empanturramentos, diversão,

obrigação... na desocupação!!!... Sherpas!!!...

 

09
Dez08

... preceptora!!!...

sherpas

... naquela ribeira, ouvindo rouxinóis d´encanto,

arvoredos que a bordejam, ramadas densas, tão altas,

choupal que s´alonga, recanto de sonho completo,

não páro, só reparo enquanto vou caminhando

num desvario sem rumo, qual fogueira sem fumo,

carregando interior do desassossego, tão íntimo segredo,

fechado como porta blindada, chaves do descontentamento

deitadas nas águas escuras, gesto brusco que tenho,

não me detenho,

qual sombra alada que cavalga terra húmida pejada de musgos, sarças, fetos,

ervas viçosas lacrimejantes,

gotículas d´orvalho, madrugada ainda,

naquela casa já velha que foi azenha,

ali ao pé, arruinada,

lembrança que me persegue, afasto num repente,

continuo na investida, noutra vida,

esvoaçando, como ave predadora convicta da presa que pretende,


olhando planura extensa d´infância recuada, perdida,

ouço gritaria dos pequenos que chapinhavam nos pegos,

desafios nas braçadas vigorosas que davam,

fim d´Outono, tempo quente que permanecia ainda,

despreocupados, tão tenros,

um dígito apenas, na idade da inocência,

 

parado, rendido perante magnificência

da professora que foi preceptora,

agora directora, com passatempo, pintora,


vida que começava, descoberta permanente,

olhar atento para tela que pintava, com gosto,

não atendia aos que chamavam,

folhas amarelas caindo, ramos nus,

visão de quem via mais além,

esbaço perfil que mantenho no recôndito do meu ser,

senhora idosa, complacente com os pirralhos,

sem gritos, sem ralhos,

um chamamento, uma atenção, um dizer,


um saber estar que espalhava respeito,

um certo jeito,

educação esmerada, um ter de ser,

sobrevivência naquela terra perdida, em casa de gente rica,

meninos que crescem, serviços que dispensam,

ali lh´arranjam um colégio,

por ali se fica,


esparge conhecimentos por filhos de remediados,

escapatória de muitos, de mim também,

em voo rasante, através do tempo que recua,

recordo, vejo esse tempo, agradeço a alguém

que foi preceptora, professora, directora,

como passatempo... pintora!!!... Sherpas!!!...


06
Dez08

... jóias!!!...

sherpas

... pedras raras,

brilhos intensos como desejos,

raiares d´aurora, ensejos,

vermelhos que incendeiam,

pérolas macias, nácares que dão sossego,

incómodo de bivalve, defesa que faz enlevo,

verdes puros apelativos,

cores diversas que deslumbram,

faíscas que nos emotivam,

damas que se cativam,

acessórios caros,

cadinhos de céu que as cobrem,

cobiçados troféus de quem conquista,

ostentatórias fantasias, como beijos,


apetites duradouros de pedras ainda brutas,

antes de cinzel, de trabalhado,

quase eternas, não cravejadas no metal amarelo,

alvíssima prata do Chile,

argêntea essência

que se prolonga para lá da nossa existência,


deslizando em águas turvas dum ribeiro,

cravadas nas paredes duma gruta,

escondidas em terras escuras, ainda impuras,

nas mãos ávidas, frementes, dum garimpeiro,

exaltação, descoberta, fim de luta,


já descoberta, amor que s´abre,

oferta de quem se sente pródigo mas cativo,

sobre prometedor decote, alvos seios,

pingente esparso, amarelo convidativo,

que bem que sabe, que bem que cabe,


ágatas, ametistas, esmeraldas,

quase de mãos dadas,

entroncadas numa convergência perfeita,

que s´aceita, esmera com arte,

tanto por cá, como noutra parte,


não pedras rudes, cinzeladas,

tiradas do descanso a que foram votadas,

escolhidas entre as mais belas,

num mostruário diáfano, como elas,

combinação que se completa em sofisticada gargantilha

que se recorta, se perfilha

num regaço convidativo d´amante,

recompensa tão macia, transparente,

comovente,


são pedras raras,

são formosas,

são tão intensas como desejos,

são orvalhos, lágrimas escassas,

cadinhos de céu brilhante,

simples beijos,

tiaras apelativas,

são coroas... em cabeças de rainhas,


mais valiosas, as minhas,

formação de toda uma vida,

de pequeno, tão conseguida,

normas de que não abdico,

conjunto que s´harmoniza comigo,


não insulto, não desdenho,

quando as mostro, num regozijo facetado,

numa satisfação permanente, preciosas no recato,

esmeradas na cordura, sem cobiça... labirínticas q´ofuscam,

na verticalidade que sustenho,

quando tropeçam, quando buscam

o que sonho, não encontro,

como primícia... sem retorno!!!... Sherpas!!!...


05
Dez08

... mumbai!!!...

sherpas

... incomodado, numa permanência que m´aflige,

peso enorme que tolhe, entristece,

ausência que limita, contrai todo, qualquer pensamento,

não descortino, não adivinho, quase pressinto,

alheado do que me forma,

fazendo parte disto tudo, pedacinho da engrenagem,

falha grave que m´atinge,


olhar que s´anuvia, enegrece dia após dia,

não encontrando razão no deleite, satisfação,

prazer passageiro nesta vida q´é momento,

naco que me foi dado a provar,

acabando por gostar do imprevisto em que m´encontro,

não sendo figura, não sendo monstro,

raiva que diminui perante desgaste que sinto,

doce provir que desejo aos que vão começar,

entorno longínquo que m´agasta, corrói, quase mata,

lancinantes faces de dor, corpos prostrados na terra,

inertes, nos pedaços que são,

na loucura, na devassidão,

cobardia que se materializa, rebentamento, explosão,

estado tão presente, sem guerra,

nos confrontos que são afronta, vidas destroçadas no chão,


ódios q´aumentam vítimas, gritos que já não soam,

sangue sugado por loucos,

mortos de muitos, mortes doutros,

frémito que m´invade a carne, pensamento que se retrai,

olhos que cerro com fúria,

malvadez que se não expurga, injúria,


formação que se deforma no vil comportamento d´alguém,

périplo da insensatez que permanece,

s´alonga, abrange terras, gentes,

confronta em sanhas dementes,

pedaço que é mancha perdida no espaço, interesse,

vento alucinogénio, visão macabra,

ser infernal que safra,


armas que geram mortes, destinam sortes,

bombas que destroem inocentes,

amálgama de corpos que caem,

são centos, são inúmeros que se esvaem,


marca que s´assinala noutro local d´encontro,

esperança que foi final,

apontamento fugaz, constatação dum número,

entre muitos... pesadelo que se converte noutro morto,

estado permanente de qualquer vivo,

quando cativo,

depois d´atingido

por chaga profunda que s´adentra,

cicatriz que não cerra,

calda d´inconstância que se centra,

cálculo predestinado na Terra,

resquícios duma “guerra” constante

que se sustenta, voraz, insensível, perecível

na razão (???...) do consciente... inconcebível!!!... Sherpas!!!...

 

02
Dez08

... guerreiro!!!...

sherpas

... por muito que tente, qual pedra bruta, angular,

matéria escura que contrai pensamento,

não consigo deambular pelo fantástico mundo que me rodeia,

tal a insensatez, tal a teia,

disparates que s´acumulam, enovelam, desconformam,

enormiza contrário que se reduz num contra-senso,

quando aprecio, quando penso,

quando desculpabilizo, aceitando, não como defeito,

como ocorrência, escapadela descuidada, para o azar,

erro não premeditado, ocasião infeliz no que diz,

percalço de quem se julga monumento

perante ávidos dum chamamento,

luzinha q´ilumine quem se enleia,

acidentado percurso dum eleito

que, repetidamente, se desfeia,


no que vamos de desertificação, no dislate, na contradição,

no arengar sem razão, no calhar que se tem,

quanta imperfeição de quem pretende,

se sente com vocação, inconformação,

hoste confusa que não premeia,

rejeita labareda ténue que não incendeia,

por ausência total de substituto,

prenhe de tristeza, profundo luto,


descontentamento que se generaliza,

não prodigaliza desafogo, conchego d´odores fragrantes,

odaliscas, abundâncias terrenais,

lá p´rás bandas dos capitais,

toques ritmados de finados, tão densos, se vão ouvindo,

terra de penúrias, maleita grave sem cura,

vazio que se vai enormizando, regredindo,

algum desconforto que se descura,


qual medievo desditoso, moinhos de vento como ideário,

combate numa luta que s´esvanece,

guerreiro num exército cabisbaixo,

derrotado, logo no começo, azares passados,

cumulo de desaires continuados, folganças, gozos, risos,

somando arguidos, muitos ricos,

com denodo, sem eficácia, manha, trama num tempo perdulário,

fazendo tudo e seu contrário,


hostilizando quem não pertence,

orquestra incompleta, sem contrabaixo,

desvario, desconcerto, maus recados,

aponta lança, põe em riste espada que desembainha

contra improvável “rainha”,

a quem presta vassalagem que não sente,

pouca coisa que já não mente,

impulsivo, populista, quase inocente,

disparidade que se personifica,

por ali fica, incompetente,

neste dealbar da “chicana”... na política!!!... Sherpas!!!...


 

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