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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

15
Ago10

... rio!!!...

sherpas

… quando, por aqui me encontro,

sinto mágoa, sinto frio, tão grande calafrio,

olhando o rio,

águas sujas, quase sempre, vizinhança que incomoda,

construção que se precipita, habitação como moda,

resíduos que não são tratados, urbanização que aumenta,

meu coração balança, quando lamenta,

espelho sujo, sem moldura natural, arvoredo que se derruba,

recordo pisadas minhas, cenário arruinado, uma tumba,

mercado de antigamente, vespeiro de vendedores, clientes,

a um passinho daqui, mais acima, ali em frente,

 

cobiça por terrenos próximos de linha de água,

contida por barragens a montante, certeza quase prevista,

compras que se faziam, dinheiro que compensava,

câmbio que produzia, abastecimentos diários

na fruta, na carne, no peixe, fartura que animava,

rodopio fronteiriço, passagem como favor,

fronteira que fiscalizava,

junto às duas pontes do rio,

embora não acredite, nunca me fiei, não me fio,

 

paredões de bruto cimento, concreto, bem preciso,

áleas pela borda fora,

domesticadas, árvores mais dispersas,

feitios, formas diversas,

vendo, passando agora,

foram crescendo, bem altas nos canteiros que construíram,

bancos que convidam a descanso,

contemplação nas tardes quentes de Verão,

sombras mais ralas, quase fugiram,

 

antes da devastação,

eucaliptal denso que lembro, um que outro pescador,

vintena de anos atrás, negócio que se fazia,

captura de peixe que se comia,

com carretos, linhas, canas,

isco na ponta do anzol, convívio que era pretexto,

grupos densos tão ridentes,

aragem que soprava nas margens,

outros tempos, outras gentes,

efluentes domésticos bem menores,

consumos agrícolas por humanos,

tratamentos ineficazes, pormenores,

 

comércio de apetrechos adequado a práticas piscatórias,

bom negócio na altura,

casas antigas, fortes, bem providas,

empregados aos magotes, tempo disponível, ilusão,

atractivo, apelação,

ali pertinho, nas avenidas,

 

agora esgoto, quase escórias,

nauseabundos cheiros de estio,

desconfiança no que se não pesca,

sempre suja, nada limpa,

correnteza que é cobiça, linha de água domesticada,

paredão de cimento armado,

passeios a condizer, bancos que já não convidam,

sombras escassas, quase raras,

pontes que se atropelam, ligação de margens distintas,

urbanização como mentor,

tendo dinheiro como conselheiro,

lucro rápido como objectivo,

situação como incentivo,

 

terrenos a bordejar, civilizadas matas,

depois de cortadas,

 já mortas, uma que outra que resta,

canteiro enfeitado com gosto,

num escaninho, num esgoto,

 

o que cativava quem via,

escrevia,

relatava cenas campestres,

langores de verão,

observação,

erguidos em estatuária conjunta,

sobre mão que é uma pena,

caras graves de outrora naquilo que sobressai,

não cai,

se admira, se desenha num espaço bem defronte,

tendo margens como tema,

tendo leito como cama mais profunda,

na criação, como horizonte,

obras que cantam maravilhas,

plasmadas, bem retidas,

 

quando relembro, desgosto,

quando vejo, quando o passeio, ainda retenho outra imagem,

sonho ruim, bruta miragem,

casinhas com muitos andares, vistas sobre canalização contida,

mais acima, a montante, barragens ao desafio,

segurança que temo, não me fio,

 

costas viradas ao fio de água, olhos que o fitam,

não gozam,

são lembranças que desgostam

pescadores de canas com fios, engodos, isco no anzol,

ambiência que se esboroou,

recordação que mantenho,

eucaliptal que se abateu, arvoredo, grande mole,

na Espanha que se avista daqui,

no Guadiana que se espreguiça, sujo, lento,

desalento,

 

sem peixe que se pesque, que se coma,

sem convívio ao desafio,

sem ares saudáveis nas margens,

quanta impressão me faz,

muito mais novo, quase rapaz,

tempos de escudo como moeda,

na peseta barata que se comprava,

modo de vida de muitos,

água límpida que levava,

uma enchente, uma leva,

pelo meio, alguma seca,

imprevisíveis, não domesticadas,

espécies piscículas… bem pescadas!!!... Sherpas!!!...

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