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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

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... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

22
Set10

... chamado desejo!!!...

sherpas

... quando tudo disfarçado, tempo de trevas profundas,

mentes hediondas, imundas,

religião de excomunhão, quase possessa,

castigo, tortura, inquisição, cidade de medo, de perdão,

castigadora de então,

 

mais abrangente agora, foi-se o Diabo embora,

Deus andou por cá, deixou luz, cores diversas,

pessoas raras, tão complexas,

bondade na humildade que mostram, hospitaleiras desde que as conheço,

entendo-as porque as percebo, desde bem jovem, mancebo,

DSC04113

experiente, no dealbar da vida que tenho,

orgulho-me do que vejo, mantenho,

cidade dos meus amores, vistas intensas, tão belas,

casario como desafio, alquebrado por idade avançada,

desleixo ou descuidada,

parede branca que se derrama, reboco quase desfeito,

 

telhado não reparado, plantio feroz que avassala,

avanço da ruína que sente, chama que a magoa, a chaga,

dentro do amor que proclamo,

levo passos cidade acima, repasso sítios conhecidos,

bairros velhinhos, esquecidos,

 

movimentos dos que gostam, intentos de quem a protege,

bícipes pletóricos em grupo, carrinhos ao desafio,

cidade em desvario,

 

recordo outrora, comparo, congelo na foto que tiro,

quando vou, fico, não me retiro, levo imagem comigo,

 

sonho que tinha, aproximação dum eléctrico que desejava,

fui turista dentro dela, vi-a passar como numa tela,

reconheci sons tão antigos, rebrilhar de carris férreos no chão,

metálicos avisos a quem passa,

a quem estaciona, atrasa,

 

colina sobre colina, entre tantos era mais um,

quebrei intenso jejum,

subi dois degraus apenas, sentei majestático num banco,

olhei, com companheira que tenho,

maravilha de que me não abstenho,

 

paixão enorme que sinto, dor profunda que me perturba

perante o que vejo, vou vendo, fazendo parte de turística turba,

gulosa de tanta beleza, caminhada como romaria,

num dia claro, alegria,

 

satisfeito, fui turista cá dentro, passei pelos Anjos, pela Graça,

espreitei o Tejo lá ao fundo,

entrada de estranhos, de todo o Mundo,

cosmopolita como sempre, Lisboa palpita, pressente

formigueiro que se adivinha,

mochileiros ou já velhinhos, olhos escancarados de gozo,

conjunto lindo, formoso,

 

quanta tristeza, na ruína que se sente,

na Madre que era de Goa, nomenclatura popular,

no elevador da Bica, com Santos ali por perto,

abandonada, quase esventrada, caindo, estando entaipada,

louca juventude, pobre gente, riscos feitos nas portas, nas paredes,

páginas frustradas, inglória da raiva, insensatez,

vândalos aloucados que passam,

deixam marca, tudo estragam,

 

fado da que já foi menina e moça, conservando explendor antigo

numa Estrela que se esmera,

por lá passam os que espera,

num adeus mais forçado, num repente inesperado,

ponto culminante de todas as vidas,

término, princípio do fim,

num canteiro, branco jasmim,

 

subindo, descendo, fui vendo, num eléctrico, grande desejo,

fui turista, cá dentro, desde o Terreiro até à Graça,

passei pelo Martim Moniz,

subi troço de avenida, tortuosos caminhos trilhei,

mais apaixonado fiquei,

mágoa por tanta incúria, desleixo,

dia formoso, mais lindo, propensão para recebimento,

num queixume, surdo lamento,

 

vi obras de espavento,

nos sítios mais desajustados,

um que outro recuperamento, alguns sorrisos, tantos lados

bastante mais visitados, cidade de tantos pecados

desde tempos recuados,

tragédias humanas, tristes fados, ali ao Sodré,

escuro recanto de pé,

 

alquebrada ou recuperada,

manta tão retalhada,

entorno belo no conjunto, quando a olho, toca bem fundo,

imenso pedaço do MUNDO!!!... Sherpas!!!...

 

  

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