... de pequenos... tão enormes!!!...
passo e repasso a minha vida,
recordo, coisas antigas... pessoas amigas,
tento parar, um gosto, uma sensação que se foi, uma ida,

episódio fugaz, imperceptível,
indecifrável...
esborratado, quase apagado, na memória,
nesta minha estória,
meu choro, meu lamento... meu gozo, exaltação de momento,
breve lacuna, no tempo,
pormenor tão curto, no que vivi,
absurdo, de especial relevância para o próprio, neste caso, para mim,
assim vejo, assim lembro... quando penso,
quando passo e repasso,
minha vida, meu tempo,
somos assim, um simples traço!!!...
no imenso deste Universo... tão alargado tão disperso,
com tantas e tantas almas, esquecidas,
mortas, vilipendiadas,
labaredas de pequenas chamas, abusadas,
mais que calcadas,
quem sou eu, pobre de mim... quando penso assim,
quando me considero, me avalio,
pejado de egoísmos assoberbados, lembrando, tempos passados,
uma vida... já conseguida,
com pequenos socalcos, numa rotina entediante,
com altos, com baixos, sem extremos, mui normal, viajante,
falando sempre com os mesmos... por aqui, por ali,
por todo o lado,
mantendo-me igual, irmanado, respeitando tudo quanto é vida,
diferente, sendo igual,
privilégio, sortilégio, benefício... formação de racional!!!...
não alterei, nem um pouco,
sorrio, agradeço a vida, esta... a conseguida, neste Mundo louco,
com alguns sobressaltos, sustos, medos, muitas alegrias,
simpatias,
sem mentiras, nem segredos, livro aberto,
confesso, meu defeito,
qualidade maior, quiçá tal como penso,
como está, quando defendo,

arremesso, dúvidas e culpas, quando peço... confesso,
Mundo melhor, sem disparates, assassínios em chusma,
imagens que me ficam, quando vejo, quando sinto,
quando choro,
imploro,
fim dos dislates, das raivas, dos ódios...
sem a espuma, que brota da boca sanguinolenta das feras
que matam, aplicam seus métodos medonhos,
sem sonhos, cruéis,
dantescos, informes, de pequenos ... tão enormes!!!... Sherpas!!!...
