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Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

Sherpasmania

... albergue de poemas, poesias e... outras manias, bem sentidas, por sinal!!!...

16
Nov08

... mágico!!!...

sherpas

… esmerou-se, no fim do dia, pintor desta maravilha,

sem regateio, prodigalizou tons pastel pelo céu,

contornando abóbada completa, muito para lá do horizonte,

cromática deambulação por tela que s´adivinha,

madrepérola acarminada por raios, que vão morrendo,

dum Sol já cansado, escondendo seu escarcéu,

indo para outras terras, mais além, bem longe,

deixa este quadro, doce visão que s´esvai

lentamente, como quem escorre bebida quente,

açucarada, maciez q´afaga garganta sequiosa,

quando materializados no que somos, corpo torpe, dependente,

numa vida que também cai,

mansidão que nos alcança,

entardecer,

noite que s´avizinha, preguiçosa,

dia pleno, langor que nos inebria, sem querer,

apreciando dádiva outonal, perfeição que nos encanta,

bem no centro desta cúpula que s´agiganta,

 

mais além dos mestres passados, pinturas variadas, diversas,

apontamento que tenho, faço, apanhado num outeiro,

local sagrado, quase isolado, terra de mortos, muitas cruzes,

alguns buracos abertos, flores, imagens próprias, dispersas,

visita, conversa tida, homenagem num cemitério,

olhos que levanto num ápice,

quanto deleite, quanto espanto,

parado, imóvel me quedo perante cinzentos que se vão compondo,

apagada a maior de todas as luzes,

réstia que teima, brilhando, rasgos que vão traçando

coloridos que s´entrelaçam, combinações de sonho,

 

resultado que m´ultrapassa, embevecimento enorme,

seduzido pelo que é belo, faminto com tanta fome,

fujo dali, alcanço o que me vai faltando,

tal a gana de quem não come,

quando deparo, pensando,

 

porta d´acesso, talvez, obra fortuita, porventura,

instantâneo na coincidência, no local onde m´apanho,

momento d´introversão, chegamento aos que foram meus,

longe dos vivos, perto de Deus,

coisa improvável para um ateu,

visão que o acaso me deu,

penso, deliciado com o que vejo, naquele pedaço de céu,

 

pintura de traços largos, pinceladas d´esmero tão leve,

maciez que noto nos tons,

conforto que me percorre, adentro naquilo que sou,

estando no sítio em que estou,

 

raros lapsos que agarramos, imprevistos que nos brindam,

quase no fim do dia, noite que s´envergonha,

preguiçosa, educada ou deslumbrada, não s´atreve

quebrar encanto,

magia, que meus olhos guiam,

parados, como quem sonha,

sobre tela tão grande que surge, sem barulho, sem verve,

sussurro que m´enobrece, frémito que me percorre,

bebida quente q´afaga garganta tão sequiosa,

sabor doce, açucarada, junto dum corpo que morre,

terra de vivos que não olham,

companheiros no teu enterro, olhos que tremem, que choram,

naquela tarde formosa!!!... Sherpas!!!...

 

 

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